Curiosidades sobre a República da Irlanda

Curiosidades sobre a Irlanda (Republica)

Comecemos por dar a resposta à primeira pergunta que alguns de vós pode estar a fazer neste momento. Porquê especificar que se trata de uma República no título do artigo?  Porque a Irlanda é uma ilha dividida por dois países. A República da Irlanda, que descrevo neste artigo, e a Irlanda do Norte que faz parte do Reino Unido.

A história desta divisão é muito conturbada, e já vem de há muitos anos, com lendas à mistura. Mas é algo que é importante ter em conta quando se visita a ilha. Em que numa parte se usa o euro, mas na zona Nordeste se usa a libra esterlina… São pequenos detalhes que podem fazer a diferença entre poupar alguns trocos…

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Conhecer o Parque Nacional Burren no Inverno

Conhecer o Parque Nacional Burren no Inverno

O nevoeiro voltou a ficar intenso, mas mesmo intenso! O caminho era bem estreito, por quilómetros e mais quilómetros, e sempre sem luz. Se por norma já devemos conduzir com cuidado, naquelas condições ainda pior, a parte mais interessante é que atravessei parte do Parque Nacional Burren que iria visitar no dia seguinte, mas de noite, ou seja, sem conseguir ver absolutamente nada. O que também levou outra questão, e animais? Ainda mais cuidado a conduzir… E para juntar ao desafio, vimos vários avisos de partes de estrada inundada… Nevoeiro, luminosidade reduzida, estradas estreitas e partes inundadas… Interessante…

Foi um pouco tenso conduzir naquelas condições, e tudo até estava a correr bem, até chegarmos à zona do Lough Bunny, onde a estrada estava de facto inundada mas em avisos… Quando reparei, já estava dentro de água! Ainda foram uns 10 metros com água a bater debaixo do carro, o susto foi bem grande mas felizmente o carro não parou ali! Acho que fiquei a tremer por uns bons minutos, mas sempre a conduzir.

Histórias de um “blogger” à moda antiga

Observar pássaros a comer
Observar pássaros a comer

Encontrar o B&B também não foi fácil, mais remoto acho que seria complicado, esqueci-me de guardar a morada do B&B e foi complicado apanharmos internet no meio do nada, mas lá conseguimos. Quando chegámos “lá”, afinal ainda faltava um pouco…, olhando mais em detalhe no perfil do airbnb vimos que também tinha coordenadas GPS, que estavam absolutamente correctas!

O B&B tem um ambiente bem familiar, ainda bebemos duas garrafas de vinho com os donos, suíços emigrados há mais de 30 anos na Irlanda, e partilhámos imensas histórias. O dono viajou imenso durante os anos 70, contou-nos histórias que me deixaram de olhos a brilhar, um verdadeiro blogger à moda antiga, que passou para o papel todas as suas viagens, e que de vez em quando vai buscar um dos seus cadernos para ler algumas das suas aventuras. Partilhou connosco algumas das suas aventuras e desventuras, e deu um exemplo bem claro de como seguro de viagem é tão importante, mesmo quando estamos ao lado de casa como foi o caso dele. Acho que bati os meus níveis de excitação com aquelas histórias!

No dia seguinte acordámos cedo e tomámos um pequeno almoço bem robusto no B&B, feito pelo Joseph (o dono), e na companhia de vários pássaros que se estavam a alimentar num comedouro no jardim, tantas fotografias que tirei! Que ideia fantástica, tão fácil tirar fotos e de tão perto a pássaros em ambiente selvagem 🙂

Pelo Parque Nacional Burren

Dali, seguimos para o Parque Nacional, mas demos a volta por cima por Kinvara, foi o mais a norte que estivemos neste fim-de-semana, fomos ver o castelo de Kinvara mas apenas de longe, e sob uma chuva irritante como já é habitual na Irlanda.

A ideia era ir visitar o Parque Nacional Burren, mas depois da experiência da noite anterior, decidimos fazer um desvio pela costa e aproveitar para ver o castelo. Até queríamos aproveitar a zona, mas o tempo não estava mesmo nada convidativo, então tirámos umas fotos para assinalar a passagem, e seguimos viagem a improvisar um pouco com o GPS.

Nem eu nem o meu amigo sabíamos nada sobre o Parque Nacional, apenas que era altamente recomendado, mas nem sabíamos muito bem ao que íamos. Colocámos as coordenadas de GPS, e lá seguimos para o meio daquilo. E quando digo “daquilo“, o parque nacional é tão diferente do que se poderia esperar de um parque nacional na Irlanda que até deu a ideia que estávamos noutro país qualquer. Um parque nacional bem rochoso, no entanto bem cheio de vida.

No Inverno parece um pouco deprimente, muitas rochas cinzentas a condizer com o céu igualmente escuro, mas para quem está habituado e já enjoado de tanto verde na Irlanda, aquelas paisagens são de facto algo maravilhoso, mesmo sob o céu cinza e triste que nos acompanhava.

Castelo de Kinvara
Castelo de Kinvara

Sem um destino especificado, a receptividade à espontaneidade também é bem maior, a certa altura vimos indicações para uma perfumaria…, e que tal irmos lá ver? Sugeriu o meu amigo. Então lá fomos espreitar.

Perfumaria no Parque Nacional Burren

Para lá chegarmos, conduzimos imenso, e até já pensávamos estar perdidos, mas confiámos nas indicações. Lá chegámos a uma casinha bem castiça no meio do nada, no final de uma estrada sem saída, e com um pequeno parque de estacionamento. Aparentemente estava fechada, mas depois de tanto conduzirmos, experimentámos na mesma. Que é que tínhamos a perder? Absolutamente nada, aliás, até ganhámos imenso com isso!

Na minha opinião, visitar a Perfumaria Burren deveria ser obrigatório para todos que vão visitar aquela zona da Irlanda. A experiência só por si é uma aula de Flora e Fauna local, e a explicação do porquê a zona do Burren ser tão importante, e ser um dos Parques Nacionais. É um paraíso para flores silvestres, abelhas, borboletas e muitos mais animais. Aliás, se não fosse pelas flores, porque raio haveriam de criar uma perfumaria no meio do nada?

O espaço está excelentemente organizado, com algumas secções audiovisuais com imagens do Parque Burren durante as várias estações do ano (tenho de lá voltar no Verão). Obviamente que tem uma loja, com todos os produtos que criam, mas também explicam tudo quanto podem. Os processos de criação, como reconhecer os diversos aromas e como os categorizar, e claro, depois acabámos por comprar alguns produtos.

Anta de Poulnabrone
Anta de Poulnabrone

Já fora da zona da perfumaria, existe um pequeno café, que para muitos poderia passar despercebido, mas que mais uma vez recomendo vivamente a irem e experimentarem um dos muitos chás de flores locais que eles têm. Aliás, os chás também são parte dos produtos deles. Tudo o que se pode fazer com aquelas flores, eles tentam fazer. Perfumes, cremes, chás, sabonetes, tudo mesmo!

E falando em sabonetes…, antes de partirmos aproveitámos e fomos ao WC. Sim, parece que é informação desnecessária, mas não o é. O sabonete que eles têm lá é produzido na casa, e o cheio é simplesmente fantástico! Não voltámos atrás para comprar por vergonha, mas é uma excelente forma de mostrar os seus próprios produtos!

Anta de Poulnabrone

Um dos pontos de referência mais importantes do Parque Nacional Burren é mesmo a anta de Poulnabrone, fica numa das estradas principais e bem fácil de encontrar. Isto, claro, se tiverem a rota minimamente planeada, o que não foi o caso…, tivemos de fazer um desvio para lá chegarmos, mas foi bem interessante. Também bem mais pequeno do que imaginávamos, mas bem interessante! Tirámos várias fotos ao fim do dia, mas a luz já não era das melhores. Ainda assim acho que conseguimos algumas fotos aceitáveis.

Sendo um monumento megalítico tão importante, os acessos tão são muito bem sinalizados e com um parque de estacionamento bem generoso, para autocarros e carros particulares. Depois, por um pequeno trilho pelo meio das muitas rochas, chegamos à pequena anta. Pelo caminho existem várias placas a explicarem a morfologia da zona e do período aquando a construção da anta. Salvo erro é acessível também por cadeira de rodas, existe um caminho alternativo menos acidentado até à zona da anta.

Caverna dos ursos – Caverna Aillwee

A última paragem do nosso passeio foi também não planeada, vimos indicações para uma caverna dos ursos e visto que ficava a caminho, porque não? Com muito pouco planeado, acabámos por ter um fim-de-semana em cheio! E esta caverna não ficou aquém do esperado, mais outra história que se poderia dizer “só na Irlanda“…

Em suma, a caverna foi descoberta por um agricultor que a manteve secreta por cerca de 30 anos, até que um dia comentou a sua descoberta, mas aparentemente poucos acreditaram na sua história (informação dada pelo guia, não encontrei fontes a comprovar isto). Dependendo das chuvas e da altura do ano, existe uma cascata dentro da caverna, e é possível encontrar muitas fotos dessa cascata no google, mas nós não tivemos sorte com as chuvas (acho que nunca tinha escrito tal coisa sem usar sarcasmo).

O nome da gruta deve-se ao facto de terem encontrado ossos de ursos dentro da caverna, numa posição de hibernação. A parte interessante é que os ursos estão extintos da Irlanda há pelo menos 15 mil anos

Para ser sincero, a caverna é de facto interessante, mas muito curta e deixou um pouco a desejar pois uma das fotos que usam para marketing é uma parte da caverna feita pelo homem para permitir o acesso a um dos extremos da caverna. Mas ainda assim, valeu a pena a visita, apesar de esperarmos um pouco mais do que o que vimos.

Esta caverna ainda faz parte do Parque Nacional Burren, e foi o nosso último ponto de paragem antes de voltarmos para casa, mais um par de horas a conduzir depois de um fim-de-semana em cheio e repleto de boas experiências! Um Parque Nacional que recomendo vivamente a visitarem, seja em que altura do ano for.

Onde fica o Parque Nacional Burren?

Para quem vai visitar as Escarpas de Moher, então fica mesmo ao lado. Foi o que fizemos, aproveitámos o fim-de-semana para conhecer dois locais incríveis na Irlanda! Existem várias excursões que vos podem levar tanto ao Parque Nacional como às Escarpas. De Galway existem vários grupos e é a forma mais fácil de visitar, sem terem de “perder” meio dia só em viagens. Mas o que recomendo mesmo é a alugarem um carro e a se aventurarem, o Parque é incrível e tem mesmo muito para descobrir!

Itinerário alternativo para uma semana no Sul da Irlanda

Itinerário alternativo para uma semana no Sul da Irlanda

Há 5 anos que vivo na Irlanda, e é frequente pedirem-me dicas sobre o que visitar ou o que fazer. Já escrevi inúmeros artigos sobre as minhas escapadelas e viagens, mas nenhum guia! Portanto, nada melhor que começar pelo país onde vivo para escrever este mini-guia.

De realçar que este guia é para um itinerário alternativo no sul da Irlanda. Portanto nem sequer vou sequer mencionar em Dublin ou outras zonas mais populares. Não faltam artigos sobre coisas a experimentar na capital. Neste artigo vou-me focar apenas no sul da Irlanda, onde vivo e conheço bem melhor.

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Conhecer a cidade de Cork a pé, do centro à Universidade

Cork a pé, do Centro à Universidade

Um pouco de Cork

Cork é a segunda maior cidade da República da Irlanda, e a terceira maior da ilha, sendo Belfast a segunda maior (mas esta parte do Reino Unido). Fica a cerca de 250km da capital, bem a sul da ilha mas infelizmente não é um destino muito turístico, quem cá vem é quase só de passagem e acaba por não conhecer muito do que a cidade tem para oferecer. Mas não é por falta de informação, até sem mapa dá para descobrir a cidade, e é por isso mesmo que decidi criar uma série de artigos para apresentar algumas das rotas para descobrir a cidade a pé, começando pela rota da Universidade.

Os mais atentos certamente que irão notar algumas setas espalhadas pela cidade, azuis, verdes, vermelhas e laranjas. São as rotas, bem identificadas, pela cidade. Excelente para quem quer descobrir alguns dos segredos da cidade sem se perder. Todas as rotas começam num mesmo ponto, bem no centro da cidade numa pequena praça na intersecção entre duas das ruas principais, a Saint Patricks Street e a Grand Parade. Como são duas das ruas mais movimentadas da cidade, acaba por ser um ponto onde muitos turistas mais cedo ou mais tarde vão passar. Mas será que vão reparar nas setas?

Rota da Universidade

Neste primeiro artigo vou falar da rota da Universidade, uma rota que foge do centro e passa pelas zonas dos mais bonitos espaços verdes da cidade. Também, a minha rota favorita, que até antes de ter reparado na existência destas setas, levei vários amigos a conhecer alguns dos pontos principais desta rota.

A rota da Universidade

A rota tem como ponto principal, obviamente, a Universidade de Cork (UCC), e ao percorrer a rota vamos passar por vários pólos que ficam fora do campus principal. Esta rota tem a particularidade de passar também pelos espaços verdes mais importantes da cidade, sendo a Universidade um deles.

A partida faz-se do pequeno largo Daunt’s Square, seguimos em direcção ao canal sul do rio, pela Grand Parade e paramos junto ao parque Bishop Lucey, do outro lado da rua vemos uma das fachadas de um dos edifícios mais emblemáticos da cidade de Cork, o Mercado Inglês. Vale a pena uma passagem pelo mercado, mais que não seja pelo estilo arquitectónico, e para comer numa das bancas do mercado, ou até mesmo no restaurante The Farm Gate.

Mapa da Rota da Universidade

Depois do mercado, temos de voltar ao parque, podemos atravessá-lo e sair do outro lado, ou seguir o mapa da rota. Vou optar por seguir o mapa para não nos perdermos, na Grand Parade temos de voltar à direita, deixando o parque do nosso lado direito, e seguimos até ao final da rua onde vamos parar por uns instantes. Chegámos à rua South Main Street, ligeiramente para a esquerda do outro lado da estrada está a antiga Fábrica da Beamish, uma das cervejas pretas de Cork. E do nosso lado direito, mesmo de canto, está um dos pubs a não perder em Cork, The Oval, e do outro lado da estrada mesmo em frente à Beamish, está outro pub bem conhecido pelas noites de música tradicional irlandesa, o An Spailpín FánacMas continuando, que ainda não chegámos ao primeiro ponto do trajecto…

Christchurch

O primeiro ponto da rota é a igreja Christchurch, do lado direito mesmo junto ao parque. De realçar que neste momento estamos numa das ruas mais antigas de Cork, ainda da era medieval. Estamos a andar sobre história!

A igreja hoje em dia funciona como um Centro de Artes e parte da esplanada do café desse mesmo centro, dentro da igreja podemos ver concertos, peças de teatro e até cinema! Só fui uma vez ver um filme ao Triskel, e sinceramente, depois de uma hora, já não sabia em que posição estar…, bancos de igreja não são propriamente confortáveis, ainda para mais para ver um filme… Mas gosto da forma como aproveitaram um monumento e deram-lhe uma utilidade pública.

Fachada da Christchurch
Fachada da Christchurch

Uma das curiosidades sobre este local é a antiga torre, que foi desmantelada em meados do século XIX, que estava torta. Isto deu origem à expressão “és torto como a torre de Christchurch“. Por acaso ainda nunca ouvi esta expressão…

Continuando em frente, em direcção a norte, chegamos à Washington Street, uma das ruas mais largas de Cork. Esta rua foi criada intencionalmente para ter a capacidade para grandes volumes de tráfego, bem, isto no inicio do século XIX.

Tribunal de Cork

Vamos continuar pela Washington Street, pela esquerda, e assim que se entra na rua dá para ver o edifício do tribunal. No topo do edifício reparem no mastro da bandeira, no final do século XIX o edifício pegou fogo, e a população veio à rua apreciar o facto de que a bandeira do Reino Unido estava (também) a arder. Este acto chegou a ser publicado em jornais, e até serviu de inspiração para um poema.

Tribunal de Cork
Tribunal de Cork

Lancaster Quay

Conforme continuamos a andar, estamos a sair do centro da cidade, seguimos pela Washington Street, e estamos na zona designada por Lancaster Quay, a zona junto ao rio. Ao passar junto ao hotel The River Lee Hotel, hão-de notar dois pequenos pilares dentro do rio, isto são vestígios da antiga linha de eléctrico que existia na cidade, e que, infelizmente, acabou por ser desmantelada.

Washington Street
Washington Street

Universidade de Cork (UCC)

Continuando sempre na mesma estrada, que a certa altura muda de nome (mas nem damos por isso), e chegamos à entrada da Universidade. Podemos entrar no campus a qualquer hora, mas obviamente que a entrada nos edifícios está condicionada durante a noite. Recomendo vivamente que dediquem algum tempo para passear pelo campus da Universidade e apreciarem a mistura arquitectónica, entre o novo e o clássico. Subindo a rua irão encontrar uma pequena escadaria à esquerda, que vai dar ao largo da capela e à biblioteca, um pouco mais à frente vão encontrar o Quadrante da Universidade, para mim, a melhor vista da Universidade.

O ódio que os irlandeses tinham ao império era tal, que quando depois se tornarem independentes removeram a estátua da Rainha Vitória e colocaram num armazém, mas devido ao espaço que ocupava, anos mais tarde decidiram enterrar a estátua! Foi substituída por uma estátua do Santo Finn Barr, o padroeiro da cidade. Em 1994 exumaram a estátua da rainha e colocaram-na em exposição, e quase 20 anos mais tarde até já foi visitada pela Rainha Isabel II.

Se as portas estiverem abertas, no corredor central existem várias pedras com escrita antiga celta, é bastante interessante para quem gosta de história e arqueologia, não são os símbolos que estamos habituados, mas sim riscos marcados na pedra. Atravessando o arco, têm duas opções, ou para a direita, e depois descer as escadas (quase escondidas) pelo parque de estacionamento, e podem dar uma pequena volta junto ao rio até novamente à entrada da Universidade, ou seguem a rota para a próxima paragem. Tal como disse antes, recomendo mesmo que façam um bom passeio pela Universidade, e a rota junto ao rio é bem agradável. Já visitaram a Universidade de Cork? Se sim, o que é que gostaram mais de ver? Agradeceria imenso se deixassem a vossa opinião nos comentários.

Prisão de Cork

Pouco resta da prisão de Cork, dá para ver a entrada e pouco mais. Um dos pontos de interesse é uma placa do escultor Seamus Murphy, natural do condado de Cork, e uma placa não oficial em homenagem a uma pessoa que tentou entrar na prisão para libertar prisioneiros republicanos, mas que foi abatido a tiro enquanto tentava passar pelo túnel. As janelas da prisão davam para a rua, e era comum os familiares irem para a rua gritarem para passarem mensagens para os prisioneiros. E em finais do século XIX, durante a Land War, bandas de músicos iam tocar para a rua para entreterem os prisioneiros políticos.

Saída da Universidade, junto ao antigo local da prisão
Saída da Universidade, junto ao antigo local da prisão

Vamos passar pela ponte, e voltar à Western Road, que é a continuação da Washington Street e da Lancaster Quay, voltamos à esquerda e atravessamos a estrada, pois vamos voltar já de seguida à direita por uma ruela em direcção a norte.

Parque Fitzgerald

A ruela onde estamos chama-se Ferry Walk, uma memória do ferry que existia para atravessar o rio antes da criação da ponte que treme (a tradução do nome é bastante similar), Shakey Bridge, a única ponte suspensa de Cork. Vamos seguir a rua até ao final, para vermos a ponte. E enquanto andamos, do nosso lado esquerdo encontra-se o complexo desportivo Mardyke que é palco de vários eventos desportivos importantes, e aqueles que não querem pagar bilhete…, normalmente juntam-se junto às redes, e até sobem árvores para verem os jogos… Entre a ponte e o complexo desportivo existe um pequeno trilho que vai dar a um dos maiores parques de Cork, mas este ainda fica mais afastado do centro, hoje não vamos para lá. Mas se ainda assim quiserem visitar a pequena praia fluvial, fica a apenas uns 2 ou 3 minutos por esse trilho.

Shakey Bridge
Shakey Bridge

Quanto à nossa rota, vamos entrar agora no parque, e está na hora de nos perdermos por mais um bocado! Dentro do parque existem pequenos jardins, junto ao rio está um de roseiras, que na altura da primavera é bem bonito de ver! O Parque foi recentemente remodelado, e agora tem um parque infantil grandote para os mais pequenos queimarem energias. Na outra ponta do parque encontram-se dois edifícios, um maior onde está o café e o Museu Público de Cork, e outro que é o Lord Mayor’s Pavilion, uma casa que foi construída para receber personalidades importantes que iam em visita à Exposição de Cork. Em frente ao Pavilion foi construído recentemente um palco onde fazem vários espectáculos durante o verão, e até cinema ao ar livre.

Assim que passarmos pelo Lord Mayor’s Pavilion, estamos a chegar à saída do parque, passando pelos portões voltamos à esquerda e seguimos em direcção ao próximo ponto.

Mardyke Walk e Margens do Rio Lee

Enquanto andamos, do nosso lado esquerdo encontra-se o Clube de Cricket de Cork, e um pouco mais à frente o próximo painel de informações. Do lado direito, dá para ver a entrada principal da Universidade, onde estivemos antes, e do lado esquerdo é por onde a nossa rota continua, passando pelo Parque de Skake (Mardyke Walk Skatepark).

De um lado o Skate Park, do outro as árvores que escondem o Clube de Cricket e um pouco mais à frente a ponte pedonal branca que nos vai levar para a outra margem do rio. Esta é uma das minhas partes favoritas da rota, junto ao rio por debaixo das árvores, daqui dá para ver alguma vida selvagem e dá a ilusão de que estamos fora da cidade, no entanto estamos a aproximarmo-nos novamente do centro. A certa altura, dá para ver da outra margem do rio o antigo edifício de uma destilaria que funcionou ali por cerca de 150 anos até 1920, e que depois passou para Midleton onde acabou por se fundir com a Jameson.

Ponte sobre o Rio Lee no Mardyke Walk
Ponte sobre o Rio Lee no Mardyke Walk

Assim que começamos a avistar uma ponte vermelha estamos a chegar ao final de mais um troço desta rota, é a St Vincent’s Bridge com cerca de 150 anos, e do outro lado do rio está um edifício de canto, neste edifício viveu George Boole, um matemático considerado por muitos como o pai da ciência computacional.

Boole é um dos nomes mais conhecidos nas ciências matemáticas, nasceu em Inglaterra, mas viveu e morreu aqui Cork. Num dia de muita chuva, ele foi a pé para a Universidade que ficava a 3 milhas da sua vivenda, deu aula completamente ensopado e acabou por ficar extremamente doente com febres altas. A sua esposa, que acreditava que as curas teriam como base o que tinha causado a doença, deitou vários baldes de água sobre os cobertores com ele na cama, o que acabou por agravar a doença. Ele morreu por derrame pleural.

Passeio das Margens do Rio Lee
Passeio das Margens do Rio Lee

Ainda na margem norte do rio, um pouco mais à frente encontra-se uma cervejaria já bastante conhecida na Irlanda e até no estrangeiro, Franciscan Well, neste local existiu um mosteiro de Franciscanos entre 1244 a 1540, e até 1836 ainda dava para ver as ruínas do mosteiro. O nome da cervejaria deriva da lenda de que ali existiria um poço com poderes de curar doenças, no mosteiro dos Franciscanos.

Grattan Street e fim do passeio

Estamos mesmo a terminar o nosso passeio, e a rota da Universidade. Vamos atravessar a ponte vermelha, e voltar à esquerda e andar um pouco, e um pouco mais à frente voltamos à direita e estamos na Grattan Street, no ponto final desta rota. Atenção que o último painel está um pouco escondido, quando chegarem junto a um minúsculo parque, que estará do lado esquerdo da estrada, chegámos ao ponto final. O painel está escondido atrás do gradeamento do parque, e não dá para ver para quem vem neste sentido da rota. Se entrarem neste parque, tenham em atenção que estão a andar sobre um antigo cemitério, centenário até.

Depois do parque, podem voltar ao ponto inicial. Se repararem, à nossa frente está as traseiras do Tribunal, a partir daí é só voltar à esquerda e vamos encontrar a Grand Parade novamente, o nosso ponto inicial. Se gostaram deste artigo, seria fantástico se o partilhassem e o fizessem chegar a mais pessoas! Toda a ajuda é mais do que bem-vinda :

Como percorrer a rota da Universidade?

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Marina de Kinsale

Marina de Kinsale

Entre os Portugueses que vivem na Irlanda, já não é a primeira vez que oiço dizer que Kinsale é a Cascais da Irlanda. Discordo em absoluto, ambas as vilas têm o seu encanto característico, e sinceramente acho que têm muito pouco a ver. Talvez mesmo só por serem à beira mar e serem ambas vilas bem bonitas.

O que também é normal se ouvir dizer, é que o Verão na Irlanda são apenas dois dias, e com sorte não chove em nenhum deles… É mais um exagero, claro está, mas por muita pena minha o Verão está longe de serem os 90 dias consecutivos sem chuva que Portugal nos acostumou… Mas por vezes temos dias destes, bem bonitos e que só dá mesmo vontade sair à rua, ou até mesmo sair da cidade e irmos até à praia…, ok, talvez não tanto, a água é fria por aqui…

Kinsale Marina

Não fui à praia, mas fui bem perto. Kinsale é bem conhecida por ser a Capital Gastronómica da Irlanda, e com bons motivos para tal, são vários os restaurantes pela vila, com comida bastante boa e peixe fresco! Fui lá jantar com um amigo, aproveitar aquele dia de sol para dar uma volta pela vila, e ficámos para jantar. Bem pertinho de Cork, e excelente para uma escapadela rápida.

Um pouco mais sobre Kinsale

Além das casas e lojas pitorescas que em muito caracterizam a vila, até mesmo quase como um modelo das vilas coloridas da Irlanda, uma volta pela baia é passeio obrigatório, se não estiver a chover 🙂 A baia está protegida pelo Forte Charles, um forte em formato de estrela, mesmo na entrada da baia. Para lá chegar, recomendo continuarem o passeio a pé, sempre junto à baia, passando por um pequeno mas florido trilho, e prestem atenção ao nome das ruas, irão notar vários nomes espanhóis. Este detalhe despertou-me a curiosidade da primeira vez que fui a Kinsale, e fiquei a saber que aquela vila foi também palco de uma batalha em que uma das últimas armadas espanholas tentou ajudar os irlandeses numa revolta contra os ingleses.

Para quem está de carro, a uns poucos quilómetros podem dar um salto à praia, uma pequena praia chamada Sandycove, ou um pouco mais longe, passando pelo cabo Old Head of Kinsale, podem ir a uma praia bem mais popular e bandeira azul, Garrettstown. Mas convém não esquecer que isto fica na Irlanda…, ilha banhada pelo Atlântico Norte…, yep, a água é bem fria! Mas ainda assim, volta e meia vou à praia, melhor que nada 🙂

Outro detalhe sobre Kinsale, que por acaso até já escrevi aqui no blog, é que Kinsale é a primeira (ou última) paragem da Rota Selvagem do Atlântico. Seja de passagem ou para parar, é uma vila que vale bem a pena visitar, muito para descobrir e também muito por onde comer.

Onde fica Kinsale?


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Marina de Kinsale

Love Live Now

Love Live Now

Há cerca de um mês fui passear com o meu irmão, cunhada e sobrinhos a um dos parques de Cork, Fitzgerald, onde estava a decorrer um dos muitos eventos que organizam naquele parque durante o ano. As filas estavam intermináveis, e filas para tudo. WC, barracas de gelados, de crepes e claro, também o café do parque. Enquanto estávamos na fila, apercebi-me logo da bandeira LGBT, ao chegar mais perto e li o que tinha escrito não consegui disfarçar o sorriso. Love (Ama) Live (Vive) Now (Agora)

Things that are nice to see 🙂 #hope #lgbt

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

Não é uma “fotografia”, mas mais um verdadeiro caso de instagram, mas tem imenso a ver comigo, bom saber que cada vez há mais aceitação e tolerância. Ama. Vive. Agora.

Alguma história por detrás destes gestos

A Irlanda é um daqueles países que está a surpreender mais no que respeita a aceitação e definição de valores morais, num passado não muito distante, 30 anos talvez, ser gay era crime. A Irlanda é um país com influências religiosas bem mais acentuadas do que Portugal, basta ver a quantidade de escolas católicas que existem pelo país. No entanto, há exactamente um ano atrás a constituição da Irlanda foi alterada para dar direitos iguais a casais, independentemente da orientação sexual dos envolventes. Foi um passo de gigante, a constituição foi alterada via referendo, isto é, toda a população foi consultada para aplicarem esta alteração, e o SIM ecoou bem alto. Foi uma mensagem bem forte de tolerância para o resto do mundo.

Mas no que respeita a aceitação, a Irlanda já tem algum historial bem positivo, basta olhar para a Bandeira Nacional e tentar perceber o que as cores representam. Laranja, os protestantes. Verde os católicos. Branco, a paz entre ambos. Esta foi a mensagem que a República da Irlanda deu ao Reino Unido, em particular à Irlanda do Norte que tanto discriminou e perseguiu os católicos. Parece-me que este povo tem o seu compasso moral bem alinhado. Ama. Vive. Agora.


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Escarpas de Moher no Inverno

Escarpas de Moher no Inverno

Faz quase cinco anos que estou a viver na Irlanda, e há certos locais que simplesmente adoro visitar e “re-visitar”. Recentemente levei uma amiga a conhecer a zona do Ring of Kerry e Dingle, desta vez calhou a dar a conhecer a zona dos condados de Clare e sul de Galway a um amigo. As Escarpas de Moher (Cliffs of Moher) são umas escarpas em forma de dentes de serra na costa Oeste da Irlanda e um dos locais mais visitados na Irlanda, talvez apenas a seguir a Dublin. Esta zona foi finalista como candidata a Novas 7 Maravilhas da Natureza, no entanto não tendo conseguido chegar à lista dos 7 finais já foi usada para cenas em alguns filmes, como o Harry Potter.

Esta foi a terceira vez que fui visitar as escarpas (ou terá sido a quarta?), e como queria um pretexto para sair de Cork decidi fazer uma surpresa a um amigo, sabia que ele queria ir lá, e eu queria visitar o Parque Nacional de Burren que fica lá bem perto. Porque não irmos juntos visto que queríamos visitar a mesma zona?

Por vezes surpresas correm mal, mas gosto sempre de tentar surpreender as pessoas com quem me dou bem, um amigo em comum disse-me que ele queria ir visitar a zona, e sem lhe dizer nada em concreto convidei-o a irmos visitar parte da Irlanda durante um fim-de-semana. Mentalidades semelhantes no que respeita a conhecer locais novos, que fez do convite uma realidade. Lá nos metemos no carro, e fui conduzindo rumo a noroeste… Faltavam apenas uns 20 ou 30 km quando ele viu, pela primeira vez, as indicações para os Cliffs of Moher. Podia ter mantido a surpresa por mais tempo, pois fiz um pequeno desvio para Lahinch, mas não resisti e confirmei que iríamos visitar as escarpas.

Lehinch Beach
Lehinch Beach

Lahinch é uma vila costeira bem conhecida entre os surfistas, e fica bem perto das escarpas. Muitos começam a caminha pelas escarpas a partir dessa mesma vila, começando na praia subindo a encosta e percorrendo as falésias todas por zonas menos aconselhadas. Apesar de ser na Irlanda, a praia é bem bonita… e naqueles raríssimos dias de sol até dá para fazer alguma praia 😛

De Lahinch às escarpas são apenas uns quilómetros, salvo erro uns 10, e depois é só encontrar lugar para estacionar o carro. E falando em estacionamento, aqui fica uma dica, se querem poupar uns trocos deixem os passageiros do carro a pé junto à entrada do centro de visitas, os bilhetes do estacionamento são cobrados consoante o número de pessoas dentro do carro (6€ por pessoa).

Ao chegarmos à zona do parque de estacionamento, o céu estava ligeiramente nublado, mas dava para ver perfeitamente as escarpas. Estacionei o carro, e aqueles 5 minutos (ou menos) do parque até ao centro de visitas, uma nuvem baixa simplesmente cobriu tudo o que havia para ver. O meu amigo estava maravilhado com a surpresa, ele nem queria saber de mais nada, mas eu não! Bem frustrado, parecia ter sido de propósito, tudo tão visível e em minutos ficou tudo coberto… Lamento não ter tirado nenhuma foto com aquele nevoeiro, acho que ficaria com um aspecto bem místico.

Entrámos dentro do centro de visitas, e nem 5 minutos fiquei lá dentro, apenas fui ao WC, e quando saí a nuvem já tinha passado! Tudo extremamente visível novamente! Siga aproveitar o momento, e siga dar uma volta junto às falésias!! O tempo estava bastante aceitável, nada de chuva mas bastante vento. Demos uma volta pela zona segura, e não nos aventurámos mais pois estava tudo bastante enlameado. Muitos se aventuram para fora da zona “turística”, que não está protegida, aliás, essa é a parte mais interessante de toda a caminhada mas infelizmente acidentes acontecem e volta e meia nos deparamos com buscas, já calhei a ver uma…

Torre de O'Brien ao anoitecer
Torre de O’Brien ao anoitecer

O trilho não protegido é sempre junto à escarpa, com zonas mais largas e com bastante espaço (e supostamente mais seguras), e outras zonas bem apertadas com cerca de 1 metro de espaço da falésia. Mete algum respeito, de um lado falésia do outro… vacas 🙂 Sim, a zona não protegida é ao lado de uma vedação para um pasto de vacas, portanto nada de as provocar.

Fomos também à zona da torre de O’Brien, o ponto mais alto das Escarpas de Moher, infelizmente estava fechado e nem deu para entrarmos lá dentro, mas a vista de lá é igualmente fantástica. Apanhámos o final do dia, com um céu em tons de azul quase a confundir-se com a água do mar, lindíssimo!

Dali, fomos para o nosso B&B perto de Gort, quando o reservei pensava ser bem mais próximo, mas ainda demorámos mais de uma hora a lá chegar, com algumas aventuras pelo caminho a descrever num próximo artigo!


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Escarpas de Moher no Inverno

Aventuras pelo condado de Kerry

Aventuras por Kerry

Aqui na Irlanda, o condado de Kerry tem a fama de ser o condado solarengo. Sinceramente, não sei onde foram buscar essa teoria, aqui chove com (demasiada) frequência, mas com chuva ou sol, é uma zona que vale bem pena visitar. Uma das rotas mais conhecidas é o Ring of Kerry, um percurso circular de 179 km, em que parte do mesmo está na Rota Selvagem do Atlântico, e também uma das rotas que conheço melhor pois é onde levo quem me vem visitar. Vale bem a pena, tal como disse, mas após tantas vezes que fiz essa rota…, arggg… Então desta vez, foi mais uma dessas (muitas) vezes que fui fazer a rota.

Ao acordar a vontade tendia para valores bem negativos, pois deitei-me tarde na noite anterior devido a um jantar bem regado, e com pouca vontade a boa disposição também tende para valores baixos. Ainda bem antes do sol nascer, lá consegui sair da cama, tomar duche e preparar as coisas para o fim-de-semana, e meti-me à estrada. A primeira paragem foi logo na área de serviço, achei por bem atestar o carro para evitar paragens desnecessárias pelo caminho. Pago. Volto para o carro… E ele não pega.

Umas semanas antes isso aconteceu-me, e o problema era com um cabo solto que conecta à bateria, desta vez nem pensei que pudesse ser o mesmo, e como não percebo nada de carros telefonei ao meu irmão (que não mora longe). Ele meio a dormir foi-me ajudar, e infelizmente ele também não se lembrou de que poderia ser o mesmo problema, pois desta vez o carro até tentava ligar. Mas sim, era o mesmo problema… Lá tive de chamar a assistência em viagem, que demorou uns 40 minutos a chegar, mas resolveu o assunto bem rápido. Resolvido, de regresso à estrada! Paragem em Macroom para as visitas se juntarem à viagem, e rumo ao Ring of Kerry.

A primeira paragem, no Ring of Kerry, foi na Queda de Água de Torc, um dos pontos de maior interesse na rota toda e parte do Parque Nacional de Killarney. É uma zona fantástica, com vários trilhos para percorrer a pé, passando pelo pico com o mesmo nome, e com vistas de cortar a respiração. Apenas parámos para ver a queda de água, no Inverno os dias são bem mais curtos e a rota a fazer ainda era longa. Foi aí que me apercebi de outra falha na viagem…

#Torc #Waterfall, with full power!

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a


É do conhecimento geral que adoro tirar fotos, não sou bom nisso, mas gosto do acto de tirar fotografias. Então, claro que levei a minha câmara comigo, com alguns acessórios e cheio de vontade de ver aquela rota mas desta vez no Inverno. O caudal da queda de água estava fenomenal, acho que nunca vi tanta água passar ali, excelente para tirar algumas fotos…., não fosse eu…, ter-me esquecido de todos os cartões de memória em casa. Sim, fui carregado com material de fotografia, para não poder tirar uma única foto com a câmara. Valeu-me o iPhone, para algumas fotos no Instagram…

Tentei manter o optimismo, afinal de contas viajar não é só coisas boas, há que aproveitar os momentos menos bons para rir, e talvez até perder menos tempo com a câmara e mais tempo a apreciar melhor a zona. Seguimos viagem, com muitas mais paragens pelo caminho, e num ritmo ligeiramente acelerado. Tal como disse, no Inverno os dias são bem mais curtos, o objectivo era mostrar a zona, portanto teve de ser ligeiramente a correr…

Chegada a um dos melhores miradouros da rota, bem perto de Waterville, parámos para almoçar. Um piquenique dentro do carro, onde ficámos parados uns 15-20 minutos, para relaxar um pouco e para comer. O tempo estava de chuva, portanto nem deu para sair muito do carro, pensámos que poderia ser boa ideia esperar um pouco, caso o tempo viesse a melhorar.

#skellingmichael under #rain and #fog #ringofkerry #kerry #Ireland Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

Hora de continuar a viagem, não fosse… O carro ter ficado sem bateria, novamente. Não, não foi culpa do alternador, foi mesmo burrice minha. Em cada paragem que fiz parei mesmo o carro, com tempo de chuva levei sempre as luzes ligadas, aquecimento ligado, e na paragem para almoçar esqueci-me das luzes ligadas enquanto o carro estava parado… Ora então, a curta viagem não deu tempo para o carro carregar a bateria, então lá tive de voltar a chamar a assistência em viagem… E as desventuras terminaram por aqui, o resto da viagem foi bem tranquilo, passámos pelo The Skelling Ring, de onde dá para ver as ilhas com o mesmo nome (e que aparecem no último filme da Guerra das Estrelas).

Após aquelas desventuras, em cada paragem o carro nunca foi desligado, mas desligava as luzes para poupar alguma bateria…, casa arrombada trancas à porta? As ilhas Skelling fazem parte do meu plano para este Verão, ou talvez quando voltar da minha próxima grande aventura, é um dos pontos mais fantásticos da Irlanda e ainda assim não tão turístico (talvez depois do filme venha a ser). O acesso não é dos mais fáceis, é necessário carro, e depois um pequeno ferry até à ilha principal, ou seja, requer algum planeamento.

A noite passámos na vila de Dingle, a peninsula era o plano para o dia seguinte. Já ali tinha estado uns anos antes, mas o mau tempo foi tal que pouco deu mesmo para ver, apenas nevoeiro e muita chuva. Desta vez foi bem diferente, o frio bem mais agressivo, mas menos chuva e nada de nevoeiro. Ao chegarmos deixámos as coisas no B&B, e fomos dar uma volta pela vila e procurarmos algum restaurante para jantar. A vila é bem bonita, bem do estilo característico das vilas irlandesas, mas bem mais turística. No Verão deve estar sempre cheia de gente… Mas nem sequer fomos a um pub, a culpa totalmente minha, depois do jantar da noite anterior e das trapalhadas do dia, o cansaço já me pesava demasiado e acabámos por voltar para o B&B logo depois de jantar. Dormi que nem um bebé, umas 10 horas!

#Dingle #Ireland #kerry

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a


Na manhã seguinte fomos dar a volta pela peninsula, que também faz parte da Rota Selvagem do Atlântico, e foi como que a visitar pela primeira vez. O tempo muda mesmo a perspectiva que temos sobre um local, e ver aquelas paisagens fantásticas uma vez mais, mas com melhor tempo e com neve no topo dos picos é algo completamente novo. Pena que não pude tirar fotografias decentes com a minha câmara…, foram várias as vezes que mencionei o facto de me ter esquecido dos cartões de memória…, e as fotos com o iPhone mal davam para perceber que havia neve… O dia foi bem mais curto, a peninsula é bem mais pequena e não perdemos parte da manhã com desventuras, depois de Dingle parámos em Tralee para beber um café e darmos um passei pela vila, e por fim regressámos a Cork.

Trying to take pics with these guys #Dingle #kerry #Ireland #herringgull Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

Sugestões para a rota

Ring of Kerry dá para ver num dia, mas sinceramente não recomendo uma volta tão rápida. Existe imenso para ver, mesmo muitos pontos de paragem para explorar, com trilhos, lagos e vilas pelo caminho. Existem várias excursões que saem de Cork para a rota de um dia, mas é muito a correr e com cada minuto contado. A minha recomendação é fazerem em dois dias, pelo menos. Quanto à Peninsula de Dingle, é bem mais relaxante. Existe muito para ver também, e há quem alugue bicicletas na vila para percorrer a peninsula (requer boa preparação física). Visitar Dingle é para um fim-de-semana sem preocupações, um dia dá perfeitamente, dois dias é para descontrair. O Skelling Ring é um detour do Ring of Kerry, é engraçado de percorrer e dá para integrar facilmente na rota principal. Mas se forem visitar as ilhas, então aí contem com um dia apenas só para esse plano.

O que levei na mala para as Balcãs?

O que levei na mala para as Balcãs

Este é o segundo artigo que escrevo sobre o que coloco na minha mala de viagem, e tal como da outra vez, escrevo este artigo após a minha viagem para que consiga também analisar o que correu bem e o que aprendi com a experiência.

Gadgets

Então, desta lista toda, algumas coisas mal usei e outras que senti alguma falta. O para-sol para a kit lens foi totalmente desnecessário, nunca o usei. A lente 70-300mm acho que vou começar a deixar em casa, apesar de lhe ter dado bastante uso em alguns Parques Nacionais (Croácia e Montenegro), foi algum peso desnecessário tendo em conta que só a usei em 2 ou 3 situações. Senti bastante falta do iPad, principalmente porque leio bastante rápido quando estou de férias, e a meio das minhas férias já não tinha livro para ler…, além do mais, teria escrito alguns artigos para o blog no iPad naquelas horas mortas.

Above the clouds
Above the clouds

Roupas e higiene

  • mala de viagem Lowe Alpine TT
  • bolsa para a câmara e lentes
  • saco de plástico (para roupa suja)
  • 3 camisas de manga curta
  • 1 calções
  • 1 calças de hiking (com pernas removíveis)
  • 1 calções de praia
  • 1 par de calças
  • 2 t-shirts
  • 6 pares de boxers
  • 9 pares de meias
  • toalha de praia
  • 1 camisa de manga curta
  • 1 sweatshirt
  • 1 camisola
  • 1 par de ténis
  • pasta de dentes
  • escova de dentes

Desta vez, acertei em quase tudo! Mas claro, sempre com algumas coisas desnecessárias. A sweatshirt nem foi desdobrada, era bastante fina e a ideia era para usar no caso da noite ficar mais fria, algo que felizmente não aconteceu. A camisola também não foi usada, devia ter levado apenas uma delas, é que nem quando voltei para a Irlanda senti necessidade de usar uma camisola (apesar de estarem 20 graus a menos comparando com Atenas). Dos 9 pares de meias, apenas usei 3, pois andei quase sempre em havaianas (ler lista mais abaixo), ou seja, 9 pares foi mesmo exagero… A toalha de praia foi boa ideia, mas acho que vou investir numa toalha de viagem mega compactável! Faz uma boa diferença no espaço, e não tenho de ter uma toalha húmida junto ao resto da roupa.

Coisas que comprei ao longo da viagem

Isto foi uma nova abordagem para mim, quando me apercebi que se calhar até conseguia levar apenas uma mala de mão nesta viagem, decidi deixar algumas coisas para comprar durante a viagem. Em vez de ir carregado com shampoo, e ter de me preocupar com os mililitros ao passar no aeroporto, achei que seria boa ideia deixar este tipo de coisas para comprar na chegada, e acho que resultou bastante bem! Claro que sobrou, o creme hidratante deixei-o em Florina pois já não fazia intenções de ir à praia, o shampoo e o protector solar deixei-os em Atenas pois não tinha como os trazer de volta para a Irlanda. As havaianas e o chapéu foram compras essenciais, além de não os ter na Irlanda para levar, aproveitei para comprar em locais bem mais baratos do que a Irlanda. Já o tripé, foi outra experiência, normalmente levava um tripé grande nas minhas viagens e era chato de carregar, então decidi comprar um mini-tripé, que resultou bastante bem! Vai ser o meu tripé de viagens!

Em suma, acho que desta vez preparei bastante bem a minha mala, andei pouco carregado e não tive de me preocupar com muito 🙂 Foram 16 dias de viagem, sempre por terra.


Nota: Os links listados são afiliados, que poderão dar uma pequena fonte de receita para ajudar a manter o blog.

 

Red Bull Cliff Diving – Inis Mór 2014

Red Bull Cliff Diving

Sim, o titulo está correcto. Isto aconteceu no ano passado…, há quase exactamente um ano.

Qual o motivo de escrever um artigo com tanto atraso? Na altura não me lembrei de o escrever, o timing foi perdido, e agora está a chegar a época de mais uma série de Red Bull Cliff Diving. A série já vai para o segundo salto, e mais uma vez um dos saltos irá ter como palco o magnífico Ilhéu de Vila Franca do Campo, junto à ilha de São Miguel nos Açores. E sem ter sido planeado, por pouco que não vou ver mais um salto, pois vou estar duas semanas antes em Mostar, na Bósnia e Herzegovina, onde vão também saltar da ponte histórica. Portanto, estes são os motivos do atraso, anunciar o evento agora torna este artigo actual 🙂

Red Bull Cliff Diving
Red Bull Cliff Diving

Red Bull Cliff Diving

O evento consiste em uma série de saltos pelo Mundo em locais a designar em cada ano. Esta competição é tanto para homens como para mulheres, mas não par a par. Os homens saltam de alturas entre os 26 e 28 metros, o que equivale a saltarem de uma altura de um prédio de 8 a 9 andares. As mulheres salto de uma altura de 20 a 21 metros, o que corresponde mais ou menos a prédios de cerca de 7 andares. É assustador, mais assustador é estar lá e ver…

A “piscina” em Inis Mór assemelha-se imenso a mesmo uma piscina, rocha aberta em forma rectangular com mar por baixo. A recepção para o evento ainda estava a uma distância de algumas centenas de metros do mar, mas a vista para Dún Aonghasa é simplesmente fantástica, um forte pré-histórico. No que respeita à entrada do evento, dois preços mas três plataformas para a assistência. Não fazia muito sentido, e não dava para ver muito do local onde estávamos, ainda assim não me arrependo de lá ter ido. Foi uma experiência bastante agradável e o dia estava simplesmente fenomenal! Ainda deu para um pequeno escaldão na cara!

Red Bull - Inis Mór
Red Bull – Inis Mór

Inis Mór (Inishmor)

A ilha Inis Mór é a maior ilha do arquipélago das Ilhas de Aran, na costa oeste da Irlanda. Não é difícil lá chegar, mas também não é muito intuitivo, para quem vem de Cork, a melhor forma é pelo porto de Doolin. Para quem vem de Dublin, existem ferries directamente de Galway para as ilhas. Nós apanhámos o ferry em Doolin, e com uma duração de cerca de 1 hora e meia e passagem em 2 ilhas, lá chegámos à terceira e final. Inis Mór. A viagem fez-se bastante bem, com vista para os Cliffs of Moher, e na companhia de alguns golfinhos curiosos que nos acompanharam durante parte da viagem 🙂

Para quem precisa de um bom retiro, aquelas ilhas são o paraíso. Internet lá é bastante fraca, e em certas zonas quase inexistente. A população dessas ilhas também é bastante reduzida, o que torna aquele local ainda mais tranquilo. As pessoas foram bastante simpáticas, no entanto com uma noção de tempo e distância algo diferente 🙂 Quase que perdemos o último ferry de volta pois nos disseram que voltar a pé seria rápido, uma distância de cerca de 9km…, e sem internet durante grande parte do tempo, quase que tínhamos de passar lá a noite… 🙂

Dún Aonghasa
Dún Aonghasa

As ilhas de Aran fazem também parte das “escapadelas” da Rota Selvagem do Atlântico. Se vierem à Irlanda, e fizer parte dos vossos planos fazerem esta rota, não deixem de visitar estas ilhas. Se o tempo estiver mau talvez não seja muito boa ideia 🙂

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A Rota Selvagem do Atlântico

A Rota Selvagem do Atlântico

O que é a Rota Selvagem do Atlântico? Provavelmente é apenas uma terrível tradução à letra de “Wild Atlantic Way”, mas foi a melhor forma que encontrei para traduzir isto sem soar demasiado ridículo ou incorrecto. Mas adiante, o que é isto? A “Wild Atlantic Way” é uma rota Atlântica pela costa da Irlanda, também a mais longa rota turística costeira do mundo. O nome “Wild”, que em português traduzi como “Selvagem”, deve-se ao facto de que esta rota não foi planeada para ser turística nem foi alterada para o mesmo propósito. É literalmente uma experiência autêntica e inalterada de um percurso costeiro pela Irlanda. Desde que comprei o carro já fiz grande parte da rota no sul da Irlanda, quase a zona toda de West Cork (parte do condado), a península de Beara, o Ring of Kerry, a península de Dingle e parte da rota até Galway. E do pouco que conheço, é simplesmente fantástico!

Sinalização

A rota está devidamente sinalizada com placas indicando o Norte e Sul da rota, e realço o facto de ser o Norte e Sul da rota e não geográfico pois a dada altura torna-se um pouco confuso para quem está a seguir as coordenadas geográficas como referência 🙂 A rota começa (ou acaba) na belíssima vila Kinsale, perto de Cork, e termina (ou começa) em Derry na fronteira com a Irlanda do Norte no condado de Donegal. A grande maioria das placas foram substituídas por placas bem identificadas de como parte da rota, com indicação de N e S, em alguns troços do percurso existem rotas paralelas ou alternativas, e desvios para fora da rota principal. O primeiro é logo o Old Head of Kinsale, que também está devidamente sinalizado. O governo da República da Irlanda fez um enorme investimento na substituição destas placas, ficando a cargo das entidades regionais o melhoramento das infra-estruturas.

Barley Cove Beach
Barley Cove Beach

Informação turística

Desde que descobri a Wild Atlantic Way que tento sempre aprender um pouco mais sobre esta magnífica rota, e se há algo bem documentado na Irlanda é esta rota! Uma simples pesquisa na internet por “Wild Atlantic Way” e encontra-se mesmo muita informação, é extremamente fácil planear uma viagem e saber exactamente o que visitar e onde ficar. A página oficial é acompanhada de uma aplicação para Android e iOS, onde não só mostram o percurso em detalhe, como também têm sugestões de “pérolas escondidas”, locais onde ficar e comer, actividades, etc. A página oficial do turismo da Irlanda complementa a página dedicada à rota com sugestões de itinerários para secções da rota para fazer em alguns dias, ou para quem quer fazer a rota por secções (como eu quero fazer).

Em suma, esta rota é a opção ideal para quem gosta de road trips e vem visitar a Irlanda. Se têm tempo e preferem evitar o turismo tradicional, seguindo esta rota vão conhecer alguns dos locais mais bonitos da Irlanda e até passar por alguns locais a não perder, como o Cliff of Moher. E claro, aqui conduz-se do outro lado da estrada 🙂

Se já fizeram esta rota ou parte dela, que gostaram mais? Deixem um comentário com a vossa experiência.


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A Rota Selvagem do Atlântico

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