As Falésias de Moher, visitar as famosas escarpas da Irlanda

As Falésias de Moher, visitar as famosas escarpas da Irlanda

Faz quase cinco anos que estou a viver na Irlanda, e há certos locais que simplesmente adoro visitar e “re-visitar”. Recentemente levei uma amiga a conhecer a zona do Ring of Kerry e Dingle, desta vez calhou a dar a conhecer a zona dos condados de Clare e sul de Galway a um amigo. As Falésias de Moher (Cliffs of Moher) são umas escarpas em forma de dentes de serra na costa Oeste da Irlanda e um dos locais mais visitados na Irlanda, talvez apenas a seguir a Dublin. Esta zona foi finalista como candidata a Novas 7 Maravilhas da Natureza, no entanto não tendo conseguido chegar à lista dos 7 finais já foi usada para cenas em alguns filmes, como o Harry Potter.

Caminhar nas Falésias de Moher

E mais outro local a visitar na Irlanda! Este país tem paisagens fantásticas, e desta vez fui a uma das candidatas às 7 Maravilhas da Natureza, as Falésias de Moher!

Começo a ficar assustado, a minha enorme sorte já me surpreendeu imensas vezes e também a quem me conhece… Tínhamos um passeio planeado às Falésias de Moher durante a semana anterior, foi uma semana bem solarenga (para o habitual na Irlanda)… Mas tudo tem de acabar, e o mesmo acontece com o tempo. Começámos a viagem por volta das 9 da manhã, com um dia de chuva pela frente. Mas na Irlanda não devemos adiar nada por causa do tempo, que é bem imprevisível. Okay, lá vamos nós! Falésias de Moher!

Chuva, chuva e mais chuva… E pelo caminho continuei a gabar-me da minha enorme sorte e de que iríamos ter um grande dia de sol nas Falésias… Mas antes das falésias, tivemos de parar para meter combustível e comer (um pequeno-almoço bem rápido), e foi onde conhecemos um americano que estava a pedir boleia para as Falésias. Ele pediu-nos boleia, mas já éramos 3 e um cão…, então dissemos que não. Mas no carro lá decidimos “vamos ajudar o rapaz”…, mas ele já tinha desaparecido. Pena…

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De volta à estrada…, chuva, chuva e mais chuva…, até que…, alguns raios de sol… agora algum sol a sério e apenas nublado… Oh, lá estão as falésias, e céu azul!! Sim, voltou a acontecer!

As falésias são brutais, mas para ser sincero nada de surpreendente. Apenas umas falésias, com uma altura considerável, mas não compreendo o porquê de tanta popularidade. Na minha opinião existem locais bem mais impressionantes na Irlanda, ainda assim acho que vale a pena a viagem!

A caminhada é bastante fácil, sempre junto às falésias, mas sem ser técnica. Tivemos uma situação com algumas vacas e a Kaja (a cadela que foi connosco), o que nos forçou a correr um pouco mesmo junto ao precipício (até teve alguma piada), e dezenas de fotos! Não fomos até ao final, após um bocado decidimos voltar para trás e comer. Afinal de contas ainda nem tínhamos almoçado e já eram quase 4 da tarde. E quando decidimos voltar para trás…, quem é que encontrámos nas falésias?? O americano que nos pediu boleia!

Pelos vistos alguém morreu (ou desapareceu) nas falésias, o Steve (o americano) disse-nos que estavam à procura de uma pessoa que decidiu fazer parte do trilho sozinho… a situação típica de dizer aos amigos “vou mesmo atrás de vocês“, e depois tudo corre mal… Espero que não tenha sido mais do que um susto, mas não vimos nenhumas noticias sobre isso.

As Falésias de Moher, visitar as famosas escarpas da Irlanda
As Falésias de Moher, visitar as famosas escarpas da Irlanda

De volta ao carro, onde tivemos de pagar 18 euros pelo estacionamento… dica para quem levar carro: NÃO entrem no parque com o carro cheio de gente, cada pessoa dentro do carro terá de pagar 6€, enquanto que não existe ninguém a verificar os bilhetes à entrada das falésias!

Bem, demos boleia ao americano para uma vila à qual não recordo do nome, mas antes parámos para “almoçar/jantar”. Lá ele pediu-nos se o podíamos levar até Cork! Sem problema algum! Ele tem uma história de vida brutal, e é sempre agradável conhecer gente nova, ainda para mais quando têm uma história tão singular!

O regresso não foi assim tão excitante, algumas paragens para tirarmos fotos ao pôr-do-sol, e nada mais. Apenas que o Steve deve ter acampado no campus da Universidade de Cork. Boa sorte com isso!

Visitar as Falésias de Moher no Inverno

Esta foi a terceira vez que fui visitar as falésias (ou terá sido a quarta?), e como queria um pretexto para sair de Cork decidi fazer uma surpresa a um amigo, sabia que ele queria ir lá, e eu queria visitar o Parque Nacional de Burren que fica lá bem perto. Porque não irmos juntos visto que queríamos visitar a mesma zona?

Por vezes surpresas correm mal, mas gosto sempre de tentar surpreender as pessoas com quem me dou bem, um amigo em comum disse-me que ele queria ir visitar a zona, e sem lhe dizer nada em concreto convidei-o a irmos visitar parte da Irlanda durante um fim-de-semana. Mentalidades semelhantes no que respeita a conhecer locais novos, que fez do convite uma realidade. Lá nos metemos no carro, e fui conduzindo rumo a noroeste… Faltavam apenas uns 20 ou 30 km quando ele viu, pela primeira vez, as indicações para os Cliffs of Moher. Podia ter mantido a surpresa por mais tempo, pois fiz um pequeno desvio para Lahinch, mas não resisti e confirmei que iríamos visitar as falésias.

Lahinch é uma vila costeira bem conhecida entre os surfistas, e fica bem perto das falésias. Muitos começam a caminha pelas falésias a partir dessa mesma vila, começando na praia subindo a encosta e percorrendo as falésias todas por zonas menos aconselhadas. Apesar de ser na Irlanda, a praia é bem bonita… e naqueles raríssimos dias de sol até dá para fazer alguma praia!

Praia de Lahinch
Praia de Lahinch

De Lahinch às falésias são apenas uns quilómetros, salvo erro uns 10, e depois é só encontrar lugar para estacionar o carro. E falando em estacionamento, aqui fica uma dica, se querem poupar uns trocos deixem os passageiros do carro a pé junto à entrada do centro de visitas, os bilhetes do estacionamento são cobrados consoante o número de pessoas dentro do carro (6€ por pessoa).

Ao chegarmos à zona do parque de estacionamento, o céu estava ligeiramente nublado, mas dava para ver perfeitamente as falésias. Estacionei o carro, e aqueles 5 minutos (ou menos) do parque até ao centro de visitas, uma nuvem baixa simplesmente cobriu tudo o que havia para ver. O meu amigo estava maravilhado com a surpresa, ele nem queria saber de mais nada, mas eu não! Bem frustrado, parecia ter sido de propósito, tudo tão visível e em minutos ficou tudo coberto… Lamento não ter tirado nenhuma foto com aquele nevoeiro, acho que ficaria com um aspecto bem místico.

Entrámos dentro do centro de visitas, e nem 5 minutos fiquei lá dentro, apenas fui ao WC, e quando saí a nuvem já tinha passado! Tudo extremamente visível novamente! Siga aproveitar o momento, e siga dar uma volta junto às falésias!! O tempo estava bastante aceitável, nada de chuva mas bastante vento. Demos uma volta pela zona segura, e não nos aventurámos mais pois estava tudo bastante enlameado. Muitos se aventuram para fora da zona “turística”, que não está protegida, aliás, essa é a parte mais interessante de toda a caminhada mas infelizmente acidentes acontecem e volta e meia nos deparamos com buscas, já calhei a ver uma…

Torre O'Brien nas Falésias de Moher
Torre O’Brien nas Falésias de Moher

O trilho não protegido é sempre junto à escarpa, com zonas mais largas e com bastante espaço (e supostamente mais seguras), e outras zonas bem apertadas com cerca de 1 metro de espaço da falésia. Mete algum respeito, de um lado falésia do outro… vacas. Sim, a zona não protegida é ao lado de uma vedação para um pasto de vacas, portanto nada de as provocar.

Fomos também à zona da torre de O’Brien, o ponto mais alto das Falésias de Moher, infelizmente estava fechado e nem deu para entrarmos lá dentro, mas a vista de lá é igualmente fantástica. Apanhámos o final do dia, com um céu em tons de azul quase a confundir-se com a água do mar, lindíssimo!

Dali, fomos para o nosso B&B perto de Gort, quando o reservei pensava ser bem mais próximo, mas ainda demorámos mais de uma hora a lá chegar, com algumas aventuras pelo caminho a descrever num próximo artigo!

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Por Gil Sousa

Português emigrado em Cork, viajante e apreciador de boa comida.

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