Viagem para Byron Bay e primeiras impressões

Viajar por terra é uma experiência fantástica, é a melhor forma de termos real noção da distância entre locais e de como os acessos tornam essas distâncias maiores ou mais curtas. Por vezes decidir ir por terra não é das melhores ideias, mas acabamos por fazê-lo na mesma por ser a forma mais económica. Foi o que fiz de Sydney para Byron Bay, uma viagem de 12 horas e 25 minutos durante a noite…

De facto, foi a forma mais fácil de chegar a Byron Bay. Talvez comboio fosse mais rápido e cómodo, mas também é mais caro. Avião? Não há voos directos de Sydney, portanto acabaria de ter de andar a trocar de transportes para chegar à vila. Autocarro? Visto que tinha o bilhete de multi-paragem de Melbourne a Cairns, seria mesmo a melhor decisão, e foi o que fiz.

Mas a viagem não foi simples, autocarro cheio, viagem durante a noite que custa imenso a dormir, e chegar cerca de duas horas antes de poder fazer check-in no hostel…, poupei uns trocos com uma noite de viagem, visto que não tive de pagar pela estadia nessa noite, mas cheguei mesmo cansado ao destino. A partir daí seria sempre para evitar viagens nocturnas, e afinal de contas, queria ver o país, e não passar por ele estando a dormir.

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Também tive alguma sorte nessa viagem, não dá para reclamar de tudo. Talvez devido ao meu aspecto, barba por fazer com algum mau aspecto, acabei por ter dois lugares para mim durante a viagem toda, com o resto do autocarro completamente cheio! Vantagens de parecer um naufrago! Adoro mesmo a minha barba, já quase que serve de amuleto da sorte 😀

Chegar cansado, atordoado, numa cidade completamente nova para mim e bem confuso da viagem…, preparar-me para fazer check-in e assim que entrego o passaporte, falam comigo em Português! Uma brasileira no balcão de atendimento! Bem confuso para mim, e para ela, ambos já bastante desabituados a falarmos a nossa língua materna, acabou por ser um episódio algo engraçado para ambos. Ela ajudou-me imenso, e deu-me excelentes recomendações para conhecer a zona de Byron Bay, sendo que a primeira coisa que fiz foi mesmo seguir as dicas que ela me deu!

Encostei a minha bagagem num canto na sala das bagagens, e meti-me rumo à praia para uma caminhada pelo cabo até ao farol, o ponto mais a este do continente Australiano, e também o ponto mais a este onde já estive! Animais por todo o lado, e um dos primeiros lagartos que vi na Austrália, que me pareceu uma iguana. Quando cheguei ao farol o tempo começou a ficar pior, alguma chuva miúda, e como estava a meio do trajecto, simplesmente continuei a andar. Senti-me mega corajoso, andar sozinho pelo meio do bosque com tantos animais que me podem matar 😛 Nope, nada aconteceu…, nem uma cobra pelo caminho 🙁 Durante a parte junto ao mar supostamente é possível ver golfinhos, mas talvez devido ao mau tempo não deu para ver nada, talvez as condições de visibilidade da água também tenham sido bem afectadas, mas valeu bem a pena pela caminhada de qualquer das formas.

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Depois de voltar tive de tratar das minhas alterações de planos, inicialmente tinha marcado um passeio de kayak no mar, que devido ao mau tempo passou para o rio…, e que aparentemente, o mau tempo também afecta os rios… O problema foi uma tempestade nas Filipinas, e apesar de ser bem longe, afectou imenso a costa da Austrália e acabei por ter de improvisar. Deve ser algum síndrome de ter de ver tudo, Byron Bay já tem imenso para ver, mas ainda tive de inventar mais para me sentir satisfeito. Sentei-me no balcão de turismo do hostel, e comecei a pedir opiniões e sugestões do que fazer, acabei por marcar um dia a Nimbin, com passagem por alguns locais secretos para nadar. A ideia pareceu-me boa, e acabei por largar a nota.

Dei mais umas voltas pela zona da praia, mas estava de chuva portanto vontade de estar na rua não era das melhores. Já no hostel, arrependo-me um pouco de ter ido para aquele, senti-me completamente deslocado e sinceramente tive algum receio das semanas que se iriam suceder…, apesar de (teoricamente) a diferença etária não seja muito grande, a definição de divertimento é bem diferente da minha. Falei um pouco com as minhas colegas de quarto, mas tudo pequenos grupos onde senti que foi complicado de me integrar.

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Falando em colegas de quarto…, já tinha notado em Sydney e voltei a ter a mesma sensação…, acho que pelo meu nome pensaram que eu era uma rapariga…, mais uma vez, um quarto quase só de raparigas, já começava a ser coincidência a mais…

Dia muito cansativo, depois de ter dormido todo torto dentro de um autocarro e de um passeio, voltei a tentar juntar-me à camada jovem, mas nem me esforcei muito, estava bem mais interessado nos planos para o dia seguinte, e acabei por voltar novamente para o quarto. Quanto à vida nocturna, como não é algo que me puxe muito, nem sequer tentei ir conhecer nenhum dos bares, prefiro bem mais passear pela cidade e ver algo que não tenha por perto de casa, um bom descanso para aproveitar bem o dia seguinte.

Onde fica Byron Bay?


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Viagem para Byron Bay e primeiras impressões

Infografia: Planear vs Preparar

Há uns meses escrevi um artigo sobre as diferenças entre planear uma viagem e prepará-la (ainda não o traduzi para Português), desta vez decidi passar para formato infográfico essa mesma informação, mas sem conclusões. Porquê? Porque ambas as formas têm vantagens e desvantagens, e cada pessoa viaja da forma como lhe apetece, a informação abaixo tem como base a minha experiência pessoal apenas.

Planear vs Preparar
Planear vs Preparar

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Drombeg

Esta é uma nova série que decidi criar, exclusivamente para fotografias mas mais actuais. Isto é uma forma de me forçar a “ir por aí” pelo menos uma vez por mês, e apenas partilhar fotografias que foram tiradas há menos de 30 dias. Seria bom investir em fotografia a sério, mas nem sempre dá e por vezes nem é mau uma foto do Instagram com uma história por detrás.

#Drombeg stone circle in #WestCork #Cork #corklike #stonecircle #stonecircles #wildatlanticway #ireland

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O circulo de pedras Drombeg é um dos monumentos megalíticos mais visitados da Irlanda, que fica a cerca de uma hora de carro a sul de Cork. Já visitei este local inúmeras vezes, sempre que tenho amigos a virem visitar-me acabo por lá ir, só o passeio até lá vale bem a pena, e a vista do monumento também. Só resta saber se o tempo estará a favor…, o que nem sempre acontece na Irlanda. Aliás, a primeira vez que fui a este local apanhei um dia mesmo muito mau…, não foi das melhores experiências…

Quanto ao estado do monumento, obviamente que é uma área protegida mas não tem grande vigilância, no passado chegou a ser algo de roubo de pedras… A entrada é gratuita, mas os acessos para lá chegarem não são dos melhores, existe indicação mas é fácil de passar despercebido. No entanto, claro que recomendo vivamente a visita se tiverem tempo e gostarem de história.

Mapa


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Drombeg

Mais outros pontos a visitar na ilha da Madeira

Ao olhar para o mapa de Portugal e ver aquele pedacinho de terra na costa de Marrocos nunca nos passa pela cabeça que há tanto para ver por lá, já o disse antes e volto a repetir, a ilha da Madeira foi uma surpresa mesmo agradável. Um dos tesouros de Portugal que muitos se esquecem de visitar, mas que deviam, todos deviam dar um salto a esta magnifica ilha. Não esperem encontrar praias paradisíacas, a ilha da Madeira está bem longe do estereotipo de ilha de férias, pouco de praias, pouco de palmeiras, e mesmo muito pouco de areia (que é maioritariamente importada). Mas talvez seja aqui que está a magia da ilha, as expectativas de quem visita já são baixas, uma ilha sem praias de areia? E chegar lá e ficar encantado com tudo aquilo além mar, as falésias de dar vertigens aos mais corajosos, as casas no meio de penhascos quase sem acessos, a mudança de paisagens no espaço de meia dúzia de quilómetros. Quem vai à Madeira e não volta encantado, é porque não saiu da zona do aeroporto.

Levada do Caldeirão Verde

Se há algo que adoro, é caminhar pela montanha ou floresta, e na Madeira não faltam trilhos destes. As levadas e veredas são bem famosas e de grande importância cultural, e até a nível económico foram de grande importância na ilha quando era mais complicado fazer chegar água a certas partes. Olhando a lista de trilhas que existem na ilha, até custa a acreditar que uma ilha tão pequena tem tanto para explorar. Infelizmente só fui a uma, das mais famosas, que é a Levada do Caldeirão Verde, uma caminhada bem fácil e sempre junto a um curso de água (levada). Recomenda-se que se leve uma lanterna (ou telemóvel com luz), pois pelo trilho temos de passar por dois túneis, e num deles o canal de água está mesmo ao nosso lado, um passo em falso e ficamos todos molhados…, é preciso algum cuidado extra.

Cascata do Caldeirão Verde
Cascata do Caldeirão Verde

O nosso passeio foi bem agradável, talvez a um ritmo demasiado acelerado para o meu gosto, mas foi um passeio que aproveitei imenso para tirar várias dezenas de fotos e respirar aquele ar puro! No final do caminho chegamos ao nosso prémio, a cascata do Caldeirão Verde, uma cascata alta com um lago no fundo onde podemos nadar. Curiosamente quando lá chegámos não estava ninguém dentro do lado, fomos os primeiros, talvez por a água ser bem gelada! Até os globos oculares me doíam no final, mas é uma água que sabe mesmo bem. Entrei e saí algumas vezes, até doí mas sabe tão bem!! Pelo que me disseram, o caudal da cascata costuma ser bem maior, mas talvez por não ter chovido, desta vez o caudal estava bem estreito, mas a vantagem é que pudemos nadar para debaixo da queda de água,

Depois do banho, fizemos o nosso picnic improvisado, recomendo vivamente a levarem um lanche, ainda é uma caminhada de 6,5km até à cascata, e depois só voltando para trás. O melhor mesmo é fazer uma pausa para comer junto ao lago antes de voltar pelo mesmo percurso.

Cabo Girão e Curral das Freiras

Um dos cabos mais altos da Europa, o Cabo Girão é bem popular para quem visita o Funchal, fica a apenas uns quilómetros de distância e a vista vale bem a pena o desvio. O miradouro foi estendido de forma a que quem lá vai esteja mesmo no ar, a 589 metros de altura numa plataforma de vidro. Dá vertigens, dá mesmo! Do miradouro dá para ver a cidade do Funchal e Câmara de Lobos, e claro, muito mar pela frente! Fizemos uma paragem curta ali antes de nos aventurarmos para o centro da ilha, para o Curral das Freiras. A vila fica bem no coração da ilha, num vale bem isolado que em tempos serviu de refugio a escravos fugidos e outros fugitivos, para lá chegarmos tivemos de passar por alguns túneis, e é bastante impressionante ver o quão isolada aquela localidade é. Completamente rodeada de escarpas das montanhas, a vila hoje em dia é consideravelmente grande, e com grande interesse turístico.

Olhando lá para baixo, Cabo Girão
Olhando lá para baixo, Cabo Girão

O que mais me impressionou foram mesmo as casas que estão nas falésias, com estradas bem íngremes colina acima. Nem consigo imaginar como aquelas pessoas vivem, os acessos são bem complicados e não é de admirar que volta e meia se vejam noticias de derramamentos de terras, mas verdade seja dita, não há muito mais por onde construir dado o relevo da ilha.

O regresso ao Funchal foi bem divertido, começámos por fazer GeoCaching no miradouro, onde encontrámos uma cache, e enquanto íamos a conduzir íamos vendo onde é que poderíamos encontrar outras caches, e lá fizemos mais uma paragem ou duas. GeoCaching em grupo acaba por ser bem divertido, existe aquela vontade de competitividade e o desejo de descobrir o que vamos encontrar dentro daquela caixinha escondida algures. Além do mais, é também uma forma de descobrirmos sitios menos conhecidos.

Casas em penhascos, Curral das Freiras
Casas em penhascos, Curral das Freiras

Pico Ruivo

O Pico Ruivo é o ponto mais alto do arquipélago da Madeira, com 1862 metros de altitude, e o terceiro ponto mais alto de Portugal. Para o visitar, só mesmo a pé, aliás, dá para chegar lá perto de carro, mas chegar mesmo ao pico, só mesmo a pé por um trilho  de uns 2 quilómetros, se não estou em erro. Assim que estacionámos o carro percebi logo o porquê do nome, a terra é bem vermelha (ruiva), e no ponto mais alto, o pico, é ainda mais óbvia. Tal como noutros pontos da ilha, também existem várias rotas e trilhos até ao Pico Ruivo, nós fizemos a trajectória mais curta, mas há caminhos bem mais complicados que passam por pontos bem mais remotos (e também bem bonitos). Como já é de esperar, a vista é daquelas que dá para ficarmos uns bons minutos a olharmos para a mesma direcção sem nos fartarmos.

Pico Ruivo
Pico Ruivo

Fiquei completamente apaixonado pela ilha da Madeira, e ainda há tanto para eu visitar. O nosso país de facto tem jóias bem valiosas, algumas delas também bem escondidas como a Madeira, que ainda não é alvo de turismo em massa. Vá para fora cá dentro, é um excelente motto, vale bem a pena investir em conhecer melhor o nosso país.


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Mais outros pontos a visitar na ilha da Madeira

Edimburgo, a cidade dos mortos

Uma aventura não tem de ser épica para ser bem apreciada, não tem de durar meses para se ter histórias para contar, e não tem de ser vivida com um amigo de longa data para se estar absolutamente à vontade. Esta viagem pela Escócia foi uma viagem e tanto, cheia de momentos para relembrar e para tentar não esquecer (este blog irá ajudar certamente a manter as memórias vivas).

Como referi num outro artigo, esta viagem à Escócia foi bastante espontânea, sem muito planeado, mas claro que Edimburgo teria de estar na lista de sítios de visita obrigatória. Vimos preços para lá chegar, e a capital da Escócia acabou por ser mesmo a rota mais barata de Cork. A primeira coisa a fazer foi decidir onde ficar, visto que iríamos chegar mais para o final do dia, depois…, foi aproveitar a cidade 🙂

Galeria Nacional da Escócia

Um dos meus objectivos pessoais ao visitar Edimburgo, foi encontrar-me com um amigo de longa data que conheci na Grécia. Daqueles amigos que nos visitam vezes sem conta, em Portugal, na Irlanda, e que gostamos mesmo de os voltar a ver. Desta vez foi a minha vez de o visitar, um “tinha de ser” com grande prazer! Não foi nada “tem de ser porque sim“, mas sim “tem de ser porque assim o quero“. Não deu para muito, mas acabou por ser um café na manhã do segundo dia, e um café no último.

Já em relação à cidade, depois do pequeno-almoço fomos até ao castelo, que acabámos por não entrar pois tínhamos já planeada uma visita guiada pela cidade e provavelmente iríamos acabar por entrar no castelo. Demos uma volta pelo centro histórico a queimar tempo e também como reconhecimento para termos uma ideia de como o centro da cidade é.

Free tour por Edimburgo

À hora estipulada, lá estávamos nós prontos para a visita guiada grátis pela cidade! O nosso guia era bem eloquente, explicou em detalhe alguns dos momentos mais importantes da história da cidade, que em muito se resume a… mortos… A ciência, nomeadamente as ciências médicas, têm um passado bastante obscuro, muito do que se sabe hoje não foi aprendido das melhoras formas… As práticas médicas de há 50 anos são bem diferentes das que são praticadas hoje em dia, e tudo se deve a muitos estudos e experiências. No inicio do século XIX, Edimburgo era considerada como a capital universitária da medicina, muito se descobriu lá, muito se experimentou…, e muitas coisas bem sombrias também aconteceram por lá…

O roteiro pela cidade foi alimentado por contos reais de histórias que se passaram na cidade, uma dessas histórias narra a última execução pública na cidade de Edimburgo, em 1864, de George Bryce. O nosso guia tem mesmo o dom da palavra, e contar uma história tão horrífica como esta até deu para arrepiar, custa a imaginar como matar alguém era considerado um espectáculo de rua, mas esta última execução foi bem mais longe do que o esperado. Por maldade ou incompetência do executador, George em vez de morrer aquando o abrir do alçapão da forca, ficou em sofrimento por 40 minutos porque o comprimento da corda foi mal calculado. Até a população, sádica, achou desnecessário tanto sofrimento.

Mas nem todas as histórias de horror terminaram mal, exemplo disso é a famosa história de Maggie Dickson (que até tem um bar com esse nome), que foi condenada à morte por ter morto o seu filho, ainda que ela o negasse e as provas fossem inconclusivas, mas acabou mesmo sendo enforcada. Esteve 30 minutos pendurada, tal como ditava a lei, e depois disso o seu corpo foi movido para a sua terra. Pelo caminho, o condutor da carroça que levava o seu caixão ouviu uns sons, e quando parou a carroça confirmou esse mesmo som, Maggie não tinha morrido! Na época isso foi considerado como intervenção divida, e como tal perdoaram-lhe o crime, Maggie viveu mais 25 anos depois da sua morte

E como não poderia deixar de ser, claro que teria de existir uma secção da rota dedicada a Harry Potter. Porquê? Porque J. K. Rowling viveu em Edimburgo, escreveu o primeiro livro na cidade e porque muita da inspiração de nomes de personagens e até de zonas populares dos livros são inspiradas em ruas de Edimburgo. Um desses locais é o cemitério Greyfriars Kirkyard, junto a uma escola que também inspirou JK para criar Hogwart’s. Demos uma volta pelo cemitério e foram-nos apontadas algumas campas, os nomes das pessoas que ali estão enterradas serviram como nomes de personagens do próprio livro, a maioria dessas personagens todas bem relevantes para a história, como o Lord Voldemort. Mas o que mais me deixou surpreendido com o cemitério, é uma história não tão conhecida, de um cão…

Greyfriars Bobby, mais um cão-lenda, mas não tão conhecido como Hachiko, mas também uma prova de fidelidade e de como os cães são de facto o melhor amigo do homem. Segundo as histórias, Bobby passou cerca de 14 anos, até à sua morte, sempre em cima da campa do seu falecido dono. Bobby morreu com 16 anos, ou seja, um cão de 2 anos apegou-se de tal forma ao seu dono que passou quase a sua vida toda em cima de uma campa… Se isto não é lealdade, então o que será? Mais uma história de mortes e cemitérios em Edimburgo, mas esta com uma grande base da amor. Há uns anos estive junto à estátua de Hachiko, desta vez vi a campa e a estátua de Bobby, história que até ao momento desconhecia por completo. É bom saber que também se dá grande valor aos animais, homenageando-os desta forma.

Em relação às visitas guiadas grátis, há duas coisas a ter em conta, primeiro, não são completamente grátis, estas pessoas dedicam imenso tempo para preparem estas histórias, e dedicam ainda mais tempo para as contar. É preciso terem grandes people-skills, saberem lidar com todos os tipos de pessoas e manterem os clientes sempre satisfeitos. No final damos um valor simbólico pelo trabalho que fizeram, e fica ao critério de cada um quanto se dá. Claro que há gente que nada dá, mas enfim… Quanto a esta visita em particular, adorei o sentido de humor, em muito me lembrou a personalidade dos irlandeses e a forma como gozam com os ingleses, os escoceses também têm uma história de rivalidade com os ingleses, e não faltaram piadas nesse sentido. Um passeio bem interessante, cultural e cheio de humor.

Depois da visita guiada, fomos passear um pouco mais pela cidade, fomos até à Galeria Nacional onde passámos um bom bocado, um pouco de arte para enriquecer a alma 🙂 Vimos algumas obras de artistas bem conhecidos, ainda estivemos umas duas horas lá por dentro, e dali demos um salto ao jardim mesmo ao lado para descansar um pouco. Foi muito andar e o cansaço apertava, e o dia seguinte ainda estava para vir 🙂

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Visita ao Parque Featherdale no meu último dia em Sydney

Sydney é sem sombra de dúvidas uma cidade fantástica, com imenso para visitar, muitos espaços verdes para relaxar e com imensos cantos escondidos para descobrir. Fiquei completamente apaixonado pela cidade, e eu que nem sou muito de cidades. Com praia ali tão perto então, e com montanhas não muito longe, então ainda melhor. Sydney tem mesmo tudo, só que fica demasiado longe da Europa…, senão até equacionava mudar-me para lá um dia…

Uma semana não chega para aproveitar a cidade devidamente, mas dá para sentir bem a aura da cidade. Com tanto para ver, há que fazer escolhas, e para o meu último dia decidi visitar um santuário de animais não muito longe de Sydney, aliás, até bem perto das Montanhas Azuis. Uma hora e pouco de comboio desde o centro de Sydney, mais uma curta viagem de autocarro, e lá estava eu no Parque de Vida Selvagem Featherdale (Featherdale Wildlife Park).

Acabei por passar grande parte do dia por lá, o parque é pequeno mas está organizado de forma a que haja sempre uma actividade para manter os visitantes por lá. Vi alimentarem as raposas voadoras e os dingos, e passei imenso tempo a saltar de um lado para o outro. Vi também cangurus dentro do saco marsupial, simplesmente genial!

OMG! It’s a drop bear!! #FeatherdaleWildlifePark #Sydney

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Uma das grandes atracções é o podermos dar festas em koalas, e sim, apenas tocar no animal e não o pegar. Porquê? Apenas em dois estados na Austrália é possível pegar num koala legalmente, Queensland e Austrália Meridional. Sydney fica no estado de Nova Gales do Sul, e aí apenas lhes podemos tocar. Sinceramente, não é algo que faça questão de fazer, é um animal selvagem e certamente que ter uma fila de pessoas para lhes pegarem, só os vai estressar ainda mais. É daquelas coisas que dispenso fazer enquanto turista. No entanto, nem todos os turistas têm esta mesma sensibilidade, alguns então, até ignoram os avisos em forma de desenho. Até compreendo que não percebam o idioma, mas desenhos são bem claros seja qual o idioma for… Enquanto estava na fila para tocar no koala, um grupo de indianos estava constantemente a fazer barulho aos berros, nada agradável nem mesmo para os outros humanos na fila, e a tirarem fotografias com flash aos pobres animais, que são nocturnos. A coitada da tratadora repetia a cada minuto que os animais são hipe-rsensíveis à luz e que não devemos tirar fotos com flash, uma das senhoras (com inglês bastante bom) respondeu que nem sequer tinha flash na câmara…, a câmara tinha o flash para cima… Fiquei mesmo com a sensação que era um grupo de crianças grandes, falta de respeito para com a vida animal que eles tanto queriam ver. Noutras partes do parque, vi esse mesmo grupo a bater em vidros para tentar fazer os animais reagirem para eles poderem tirar as suas fotos. Sinceramente não consigo mesmo compreender…

Batman or flying foxes? #featherdale #Sydney #Wildlife #Australia

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Quase no final do dia, foi a altura de ver os dingos a serem alimentados. O que são dingos? Cães selvagens? Em parte sim, com algumas diferenças bem significativas como a procriação (1 vez por ano, ao contrário dos cães que procriam 2 vezes), os dingos pouco ou nada ladram, e quando o fazem é apenas num tom, e são bem mais flexíveis a nível de pernas do que os cães normais. São quase que uma espécie híbrida entre cão e lobo. Quando os vi a interagirem com os tratadores, pareciam cães absolutamente normais, mas foi aí que nos explicaram as diferenças mais significativas e o quão inteligentes estes animais são. No estado de Nova Gales do Sul têm estatuto de animal de estimação, no entanto na realidade eles não o são, e terão sempre aquele instinto selvagem de liberdade. O motivo de serem considerados como animais de estimação é para tentar travar o risco de extinção, que muitos fazendeiros os consideram como um risco para o gado.

Como o parque é pequeno, mas as actividades estão distribuídas ao longo do dia, acabei por visitar algumas zonas mais do que uma vez, e até me diverti um pouco a apreciar o comportamento das outras pessoas. Afinal de contas, somos todos animais, não? 😛 Estava lá um casal que dava alguma raiva, aos olhos dele, ela fazia tudo mal! Durante os poucos minutos que os observei, ele esteve constantemente a criticar tudo o que ela fazia, desde vestir o casaco a tirar fotos. Parecia um casal bem feliz de facto…

Dingo em Featherdale
Dingo em Featherdale

Ainda antes de anoitecer, voltei para Sydney, e cheguei com bastante tempo para ainda mais turismo! Mas antes, tive de ir às compras para ter comida para a viagem até à Baía de Byron, depois disso tudo pronto, lá fui até à Torre de Sydney Eye ver a cidade lá de cima. Sinceramente? Foi giro…, mas nada do outro mundo. Ainda bem que deixei para o fim, pois tudo o que vi antes foi bem bom, ver a cidade de cima e identificar por onde andei foi bem engraçado, mas não acho que a vista do Sydney Eye seja a melhor da cidade. Talvez valha a pena pagar por um passeio de helicóptero pela cidade.

Isto tudo feito, e bem cansado de um dia bem longo, chegou a altura de voltar para o hostel e preparar o que faltava para a viagem que seria dentro de horas…, mais outra paragem.


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Visita ao Parque Featherdale no meu último dia em Sydney

Königsstuhl – A Cadeira do Rei

Königsstuhl, ou a Cadeira do Rei em Português, é uma escarpa na ilha de Rügen no norte da Alemanha. Se pesquisarem por “Königsstuhl” vão encontrar várias referência a diferentes locais, não é de estranhar tendo em conta que a zona onde é a Alemanha que conhecemos hoje, há uns 100 anos eram vários reinos, uma história não muito distante. Portanto, não é de estranhar existirem tantas “cadeiras do rei”, na verdade, foram vários reis 🙂

Visitei este local em Julho de 2008, após uma visita surpresa à familia toda em Portugal, regressei à Alemanha para concluir o meu Erasmus, mas antes de voltar a Dresden decidi passear um pouco e conhecer Berlin e a ilha de Rügen. A viagem foi planeada por um amigo meu tuga, que também estava em Erasmus comigo, o ponto de encontro foi já na ilha de Rügen, e o resto é história já mais do que contada 🙂

Königsstuhl - Rügen


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Königsstuhl - A Cadeira do Rei

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Kotor – Uma pérola no Adriático

Kotor foi a quarta paragem nas minhas férias pelos Balcãs, uma vila de que pouco ou nada sabia e que apenas tinha visto umas imagens que encontrei no Google. Pareceu-me que iria gostar, os livros de turismo também recomendam imenso a vila, e lá me decidi. Curiosamente recebi algumas opiniões contrárias, o que até ajudou a gostar ainda mais daquela vila – [TWEETBLOCK text=”Tweet this”]quando as expectativas são baixas, tudo nos surpreende pela positiva[/TWEETBLOCK].

Chegar a Kotor já não foi assim tão simples, quando fiz a reserva vi que tinha duas opções, uma por Dubrovnik, em que teria de passar por três fronteiras, e outra directa para Montenegro, apenas passando por uma fronteira. Visto que nem iria parar em Dubrovnik, a decisão foi simples, menos filas, menos chatices. Fui directamente para Montenegro. No entanto… nem tudo é assim tão simples, e isso é parte da piada numa viagem. Acontece que entrei no autocarro errado, uma rota de que nem sequer tinha conhecimento, que deu uma volta enorme por Montenegro, até pela capital passei! Quase que serviu de rota turística…

A viagem foi surreal, estradas com pavimento em boas condições, mas imensas curvas e contra-curvas pela montanha, o motorista sempre a acelerar numa carrinha de 18 lugares (acho que eram 18). A certa altura, a porta traseira abre e ele continua a acelerar, até que alguém começa a gritar para ele parar! Por sorte nenhuma mala caiu, nem sei como! A passagem pela fronteira foi bastante simples, tivemos duas paragens de controlo de passaporte, a uns 100 ou 200 metros de distância uma da outra, e a partir de aí já estávamos em Montenegro.

O nome do país tem por origem o nome em italiano, da altura do reino Veneziano, em que chamavam àquela area de Monte Negro, pelas montanhas escuras e por ser uma zona com um relevo muito acidentado. O país todo é uma autêntica cordilheira, acho que quem aprende a conduzir ali, não terá dificuldades em conduzir em mais lado nenhum…

Baia de Kotor
Baia de Kotor

A chegada a Kotor foi algo de fantástico, a vila fica numa zona tipo fiordes, aliás, a zona até é considerada como os Fiordes do Adriático, e para lá chegar temos de descer a montanha toda. Agora imaginem o que é ver aquelas montanhas com um rasgo de mar e uma vila medieval, enquanto se desce por uma estrada serpenteada. Acho que fiquei apaixonado ainda antes de chegar.

O autocarro parou no terminal, que fica perto das muralhas do centro histórico, pelo mapa sabia que o hostel fica dentro das muralhas, então lá me aventurei pelas ruelas até encontrar o hostel, que foi mais outra surpresa fantástica. Sim, foi um pouco caro para o normal nos Bálcãs, mas valeu mesmo a pena! As condições são bastante boas, com wc privado, o hostel está dividido em duas alas, uma delas com uma sala de estar mais zen, onde podemos ler e relaxar sem barulho, e outra ala mais social. A recepção tão foi algo de original…, assim que viram o meu passaporte português, a primeira coisa que me disseram foi “Pó caralho“, a surpresa foi tal que fiquei mesmo chocado! Não por ser pudico, mas mesmo por não estar à espera de ouvir português e muito menos um palavrão! Fiquei logo apresentado, staff mega relaxado e divertido, sabia que iria ter uns dias muito bons!

Hanging clothes in #Kotor #Montenegro #OldTown #KotorOldTown

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

Depois do check-in no hostel, fui aventurar-me pela vila, subi a muralha até quase ao topo da montanha, que tem uma vista fantástica, de tirar o fôlego, literalmente…, que subir aquilo durante as horas de calor, não é nada uma ideia inteligente… Uma recomendação para quem quer fazer esta caminhada, levem água, mas mais de 1 litro, pois vão precisar. Existem várias pessoas a venderem água ao longo da encosta, mas cada garrafa de água eram uns 3 euros…, nada barato mesmo. Até para subir as muralhas temos de pagar, mas se forem de manhã bem cedo, ou mais perto do pôr do sol, podem entrar sem pagar.

A meio caminho do topo passamos pela capela de São Nicolau, com uma das vistas mais famosas de Kotor. Pesquisando por fotos de Kotor, esta vista é provavelmente a que irá aparecer mais vezes. Lá de cima, vi um cruzeiro junto à vila de Kotor, de tal forma grande, que fazia a vila parecer ainda mais pequena do que é. Durante o Verão chegam cruzeiros para encherem a vila de turistas, que ao final do dia se vão embora. Quem passa a noite na vila nota bem a diferença na quantidade de pessoas que estão nas ruas antes e após as 5 da tarde, hora em que normalmente os cruzeiros se preparam para partir.

Cruzeiro em Kotor
Cruzeiro em Kotor

Já de volta ao hostel, assim que entrei na sala da recepção fui logo abordado e convencido a me juntar a um churrasco organizado por eles, achei que seria uma excelente forma de conhecer pessoas, e porque não? Estava sozinho. Devo dizer que o staff do hostel é excelente a vender produtos, além do churrasco também me convenceram a participar numa ronda dos bares, não é muito o meu estilo, mas porque não? Acabei por me divertir imenso em ambos os eventos e conhecer bastantes pessoas, mas a certa altura tive de escapar-me do grupo e voltar para o hostel, a quantidade de álcool já ia avançada, e no dia seguinte tinha de acordar cedo para uma excursão… Foi um primeiro dia muito bom e cheio de animação em Kotor, e grande parte da experiência devo ao staff do hostel Old Town Kotor 🙂


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Kotor - Uma pérola no Adriático

Crítica: Cubos de bagagem “eBags Slim Packing Cubes”

Já há algum tempo que faço análises do que levo na mala para as minhas viagens, e recentemente falei na minha viagem à Austrália onde usei pela primeira vez esta maravilha que são os Cubos de bagagem “eBags Slim Packing Cubes“.

Primeiro impacto

Quando recebi os primeiros 3, a primeira coisa que me passou pela cabeça foi que tinha acabado de deitar dinheiro fora. São bem mais pequenos do que eu pensava, e pensei que não iria conseguir meter lá nada dentro. Cheguei a casa e experimentei a dobrar algumas t-shirts e ver quantas conseguia colocar dentro de um dos cubos, e fiquei bem surpreendido por ver que consegui meter 5 t-shirts dentro de um só cubo! Ficou mega compacto, e sem arredondar demasiado os lados, ficando quase como um paralelepípedo perfeito.

Arrumação

Dois meses a saltar de hostel em hostel é a melhor forma de testar a utilidade de coisas como estes cubos. Acho que já viajei um pouco, e uma das coisas que me chateava mais era mesmo ter de manter a mala minimamente arrumada para não ter demasiado volume desperdiçado. Durante estes dois meses deu para ver o quão bem gasto o meu dinheiro foi, nunca tive de me preocupar com desarrumação da mala, pois os cubos garantiam que a roupa lavada estava sempre dobrada e organizada. Queria roupa interior? Bastava tirar o cubo onde estavam as peças de roupa que eu queria. Esse cubo estava debaixo de outro? Sem problema, só tenho de mover o de cima sem afectar em nada a arrumação da roupa desse outro cubo. Simplesmente genial, por vezes chegava a atirar os cubos para cima da cama para escolher a roupa, e em segundos já estava tudo dentro da mala em espaço bem compactado!

Formas de os usar

Usar estes cubos para manter roupa organizada é provavelmente a melhor utilidade destes cubos, mas também usei um para manter cabos e pequenos acessórios da câmara e computador todos juntos com menos risco de os perder. Aqui perde-se alguma compactação, pois de facto não dá para compactar algo sólido, mas ganha-se em organização. É muito menos tempo perdido a procurar aquele cabo USB que precisamos para a GoPro, e há menos risco de o perder também. Só temos de garantir que não começamos a colocar as coisas em sítios diferentes e tudo vai correr bem.

Mochila com eBags
Mochila com eBags

Um outro cubo usei para os produtos de higiene, também se perde na parte da compactação, mas um destes cubos longos é perfeito para levar para o banho, com todos os produtos que precisamos. Os cubos têm uma pequena pega para os podermos transportar individualmente de forma mais cómoda.

Características dos cubos

  • Estes em particular, são longos, na verdade não são cubos mas sim paralelepípedos.
  • Têm dois fechos opostos, dá para fechar o cubo de ambos os lados.
  • Têm uma pequena rede no canto, para podermos ver parte do conteúdo.
  • São laváveis, mas não impermeáveis (devido à rede).
  • Existem de várias cores, excelente para organização dentro da mala (eu tinha 3 azuis e 3 pretos).
  • Têm uma pequena pega na face mais longa e estreita.
Conteúdo que cabe em 6 eBags
Conteúdo que cabe em 6 eBags

Opinião final

Em suma, o primeiro impacto foi um pouco assustador, mas foi amor à segunda vista! A utilidade destes cubos é mais na organização e arrumação, e não na compactação. Não dá para comprimir em vácuo, não existe qualquer tipo de tecnologia para compactar o seu conteúdo. A ideia de comprar estes cubos é termos uma mala fácil de arrumar e desarrumar, rápido de colocar tudo de volta dentro da mala com menos riscos de deixar coisas para trás, e de ter tudo sempre no lugar, mesmo que se mudem os cubos de ordem.

Experimentei várias formas de os colocar dentro da mala, algumas funcionaram melhor do que outras mas isso também depende em muito do formato da mala. Notei também, que os items soltos dentro da mala afectam e em muito a forma como devemos colocar os cubos lá dentro. Mas regra geral, nunca tive quaisquer problemas com a arrumação, acho que não poderia recomendar mais este acessório para uma viagem.

 

Free Tour em Sydney e passeio a Manly

Passeio turístico grátis por Sydney

Quando começam a faltar as ideias, o mais simples é seguir a manada de turistas. Então, a primeira coisa que fiz foi juntar-me a mais uma das excursões grátis pela cidade e acabei por me juntar ao mesmo grupo que já me tinha mostrado um pouco da zona The Rocks. Por coincidência, também calhei com o mesmo guia, ele tem sentido de humor mas ligeiramente forçado, e deu para perceber que algumas das piadas são simplesmente decoradas… Acho que teria bastante mais piada se fossem mais espontâneas, mas pronto, ele fez e bem o trabalho dele como guia 🙂

Muito aprendi sobre a história de Sydney como cidade e o que era antes dos primeiros colonos terem chegado, numa das ruas (fotografia abaixo) existem imensas gaiolas sem pássaros, mas com altifalantes com chilrear de pássaros? Porquê isto? Os sons são dos pássaros que antes viviam naquela zona, antes de tudo ter sido convertido numa floresta de betão.

Rua dos Pássaros
Rua dos Pássaros

A parte mais interessante destas visitas guiadas é ficarmos a conhecer detalhes sobre a cidade que os livros pouco explicam. Como por exemplo, o porquê das alcunhas de alguns edifícios como a Ponte do Porto de Sydney, que também é conhecida como cabide de casaco. Porquê? Porque várias pessoas ficaram sem casa por onde a via rápida que dá acesso à ponte passa, e nem ficaram com indemnizações. Claro está, descontentamento dá origem a piadas…

Outro edifício com alcunha é o complexo de apartamentos junto à Casa da Opera, que por ter tapado a vista que os habitantes da zona The Rocks tinham para o Jardim Botânico, começaram a apelidar o edifício de “a tostadeira”… A parte engraçada, é que depois de ouvirmos estas histórias, conseguimos mesmo visualizar esses objectos na sua nova forma.

Hospital de Sydney
Hospital de Sydney

Também se aprende imenso sobre aquilo que gostamos de ver, e até tirar as selfies. A Casa da Opera é bem linda, mas será só uma peça de arquitectura encomendada? Terá história por detrás? Acho que poucos se perguntam sobre isto, afinal é um edifício relativamente novo e moderno, que história poderá ter por detrás? Bem, tem alguma e um pouco triste até, a mesquinhês pelo dinheiro por norma resulta em más decisões, e no caso da Casa da Opera, foi uma série de más decisões. O arquitecto acabou por se afastar da obra, que foi alterada sem o seu consentimento, e no final ficou mais de 1000% mais cara do que era suposto. O nome dele foi quase como que apagado da história do edifício, na inauguração o nome dele nem sequer foi mencionado. Uns anos mais tarde houve uma tentativa de reconciliação com o arquitecto, que fez algumas alterações à obra já concluída. Segundo o guia, o arquitecto nunca chegou a ver a sua obra.

Dalí seguimos para a zona The Rocks, onde tivemos mais uma visita relâmpago do que eu já conhecia da visita anterior, e onde a opinião de que os irlandeses são a fonte de todos os males na Austrália, desde a sua fundação, foi bem realçada pelo guia… E pelos vistos, por pouco que a Austrália não era francesa, pois uma invasão chegou a estar planeada, só que chegaram tarde demais. Acho que fiquei fã destas “free tours“, damos o que queremos no final, e não corremos o risco de pagarmos imenso para termos um passeio mal organizado por alguém. Fiquei contente com o passeio, e sem grandes riscos.

Atravessar o Porto de Sydney até Manly

Depois disso, dei um salto até ao hostel e lá rumei em direcção a Manly atravessando o Porto de Sydney todo desde Darling Harbour, passando por Circular Quay. O Porto de Sydney é mesmo gigante, nem dá para perceber bem a dimensão do porto sem o atravessar de barco ou pelo ar, a viagem demorou uns 45 minutos até Manly. Chegando lá, sem ter absolutamente nada preparado nem ter lido nada sobre a zona, lá fui eu direito à praia……… Que estava fechada devido a fortes correntes…… Dei uma volta pela praia, tirei umas fotos, e voltei para a cidade. Grande erro, fiquei a saber que existe muito mais para fazer em Manly além da praia, eu sabia da existência de uma caminhada mas também sabia que era demasiado longa para fazer no final do dia, mas de resto era só. Mas não, e até dá para nadar numa praia bem mais pequena numa enseada… Devia mesmo ter perguntado a alguém ou ter procurado um posto de turismo. Enfim, não se pode ver tudo…

No regresso ao centro de Sydney, quase que fiquei com os ouvidos em sangue de tanto ouvir um australiano a bater coro a duas holandesas, mas de uma forma assustadora! Passados 10 minutos já pensava em saltar do ferry, foi doloroso de ouvir. Lá eles se mudaram, não eram eles seria eu… Já junto à Casa da Opera, tivemos de esperar no meio do porto que um cruzeiro saísse da doca, aqueles monstros são mesmo grandes, e ao lado de um pequeno ferry ainda maiores parecem!

Um pouco à parte, há coincidências que nos deixam bem baralhados e a pensar (até demasiado). Há uns meses, talvez mais de um ano, fui contactado várias vezes por um recrutador irlandês para um trabalho em Dublin, mas não tinha muito interesse nisso tanto que acabei por nunca dar seguimento. Há uns meses, ainda antes de decidir ir para a Austrália, reparei no LinkedIn que ele se tinha mudado para a Sydney. Assim que cheguei a Sydney ocorreu-me mandar-lhe uma mensagem, mas depois achei que de férias nem sequer deveria pensar em trabalho, portanto desisti da ideia. Entretanto…

Assim que saí do ferry, cruzo-me com o tal recrutador irlandês! Como nunca nos conhecemos pessoalmente, nem sequer meti conversa, mas fiquei a pensar se não deveria mesmo enviar a tal mensagem para ele… Mas tendo em conta que o dia seguinte seria o meu último dia em Sydney, voltei a acabar por desistir da ideia novamente. Mas continuo a pensar que se calhar perdi uma boa oportunidade… Enfim, estava de férias!

Homem a praticar kite Surf em Manly
Homem a praticar kite Surf em Manly

Como o dia já ia longo, lá fui para o hostel e procurar algum sitio onde jantar, acabei por fazer um 2 em 1, visitar o bairro Chinês e jantar por lá, bem barato e muito boa comida! De volta ao hostel, conheci algumas pessoas e fui sair com eles para o bar mesmo junto ao hostel… Senti-me bem velho…, a quantidade de crianças lá dentro, a grande maioria talvez nem sequer com 20 anos. O que valeu foi que foi tipo uma onda, entraram e passado uma hora e tal, lá foram todos. Como estava com um grupo de pessoas até nem correu mal, acabei a noite ligeiramente quentinho e ainda cedo fugi para o quarto, que a idade já pesa!


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Free Tour em Sydney e passeio a Manly

Na parte norte da Ilha da Madeira

A semana que passei na Madeira definitivamente não chegou para conhecer a ilha, é bem maior do que parece e com muito para ver. Os acessos também tornam as distâncias parecerem bem maiores. Num dos dias fomos passear pela parte norte da Ilha, o destino foi as famosas piscinas naturais de Porto Moniz, mas como tínhamos tempo fizemos as nossas paragens pelo caminho para tirar fotos. A quantidade de túneis é surreal, e ver as a estrada velha então ainda pior! A fotografia abaixo é a Queda de Água do Véu da Noiva, onde dá para ver parte da estrada velha destruída. Agora imaginem conduzir junto àquelas falésias 🙂

Véu da Noiva
Véu da Noiva

Hoje em dia o caminho pelo norte da ilha é bastante bom, não me recordo ao certo quanto tempo demorámos de Machico a Porto Moniz, mas julgo que se faz em cerca de uma hora passando por vários túneis, sendo um deles o maior de Portugal, o túnel do Cortado (3,168 m). No regresso passámos pelo túnel Eng. Duarte Pacheco, e tenho a dizer que mete algum respeito, é um túnel já antigo por onde passa muita humidade, em certas partes parece que está a chover dentro do túnel! Perfeitamente seguro, mas bastante estreito também, foi engraçado atravessar aquele túnel de carro 🙂

O ponto alto do dia foi mesmo as piscinas de Porto Moniz, apesar do tempo não ter estado muito convidativo para a praia, ainda deu para uns mergulhos e umas boas braçadas naquelas piscinas de água salgada. A entrada é paga, mas as condições são bastante boas e está tudo bastante limpo. A piscina central é a maior, com uma profundidade considerável, ainda a atravessámos umas vezes e foi aí que me apercebi que estava mesmo em baixo de forma 😛 Correr não basta, há que nadar também 😛

Piscinas de Porto Moniz
Piscinas de Porto Moniz

Apesar da ilha não ter as dimensões de uma grande ilha como a Grã-Bretanha, as diferenças meteorológicas são notórias entre o sul e o norte da ilha, até em termos de paisagem a diferença é bastante grande. Uma ilha pequena mas com uma grande variedade. Na parte norte da ilha, onde estão as piscinas, o tempo é menos solarengo, e o mar bastante mais violento do que no sul. Tivemos alguma sorte com o tempo, mas como dá para ver na foto ainda apanhámos algumas nuvens, nada que nos impedisse de nos divertirmos bastante! O almoço foi também em Porto Moniz, fomos a um restaurante com vista para as piscinas onde comi peixe espada com banana (acho que assada), simplesmente divinal! Comer fruta com peixe para mim foi algo estranho, mas bastante saboroso, adorei e quando voltar vou ter de repetir! Para mim, grande parte da experiência de viajar é a comida, e mesmo sendo parte de Portugal claro que não poderia deixar de experimentar algo novo, foram vários os pratos tradicionais que comi, mas o peixe espada com banana foi mesmo o que me ficou melhor na memória 🙂

O plano original era dar a volta completa à ilha, mas decidimos voltar pela parte norte com mais calma e visitar outras zonas, fizemos imensas paragens para fotos e para nos deslumbrarmos com aquela paisagem de cortar o fôlego. A Madeira é uma ilha bastante acidentada, as escarpas metem bastante respeito e são parte da beleza mais comum da ilha. No regresso passámos por uma pequena localidade, chamada de Ponta Delgada (tal como nos Açores), a foto abaixo fala por si.

Ponta Delgada
Ponta Delgada

Infelizmente não deu para irmos a Santana, onde estão as tradicionais casas Madeirenses, o tempo não deu para tudo e acabámos por ter de cortar em algumas partes. Ainda assim, aproveitámos as nossas paragens para alguma brincadeira e por sugestão de um dos nossos amigos, experimentámos fazer Geocaching em vários pontos de paragem, bem divertido estarmos todos à procura de uma pequena caixinha para registarmos o nosso achado! Devo confessar que raramente me lembro do Geocaching quando viajo, mas é sem sombra de dúvidas uma ferramenta bastante interessante para conhecer alguns locais mais escondidos e menos conhecidos 🙂


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Na parte norte da Ilha da Madeira

Um dia nas Blue Mountains (Montanhas Azuis)

O que é o jet lag?

É o tempo que demora ao nosso cérebro para se ajustar a um novo fuso horário. Normalmente é associado a voos, pois o impacto é mais obvio, mas também pode acontecer em viagens longas por terra ou mar, principalmente quando a nossa rotina não depende de horários. É normal pessoas que fazem o trans siberiano sentirem jet lag, pois chega a uma altura que almoçam às 7 da manhã e às 3 da tarde estão a jantar e nem se aperceberem.

Por outras palavras, jet lag é aquela coisa chata que nos faz andar completamente atordoados durante dias e que por vezes caímos em estado de coma assim que nos encostamos a algo para relaxar. E até nos faz tomar decisões parvas

Ida para as Montanhas Azuis

Bem, e com isto, acho que já ultrapassei o síndrome de jet lag, desta vez tive de usar despertador para não me deixar adormecer! Yay! Meti o alarme com tempo para tomar um duche e preparar as coisas para levar, seria um dia longo e convinha levar almoço preparado. Tomei a banhoca, voltei para o quarto e olho para as horas. 7:43. Pronto, ainda tenho tempo, pensei eu, e vesti-me tranquilamente, confirmei se tinha tudo dentro da mala, etc. Voltei a olhar para o telemóvel para ver as horas e, 7:43. Hummmm, ou sou super rápido, ou algo não estava bem. Nesta viagem tinha dois telemóveis, um com o número irlandês caso o banco precisasse de me contactar se notassem alguma transacção suspeita, e o número australiano que é o que usava mais. As horas no iPhone diziam 8:10! E tempo para tomar o pequeno-almoço? E preparar o almoço? Nada!

E para ajudar a este desespero, eu que nunca desespero com nada…, recebo uma mensagem no Windows phone, mas só ouvi o som, o visor continuava a mostrar o mesmo. 7:43. E como desbloquear isto?? Recorri ao iPhone, paguei por roaming, e pesquisei. Lá consegui reiniciar o telemóvel. Quando volta a ligar? Por favor espere 8XXX minutos (sei que eram 8 mil e tal) antes de desbloquear. O QUÊ???? Lá voltei a forçar o reiniciar do telemóvel, e finalmente voltou ao normal! Tive de avisar que iria chegar atrasado, fui apenas comprar umas sandes e água, e rumo ao ponto de encontro!

As três irmãs (Three Sisters) e Wentworth Falls

O primeiro ponto de paragem foi nas três irmãs, são três pilares nas montanhas. Se é bonito? Não faço ideia, mas podem ver na foto acima o que eu vi. Estava nevoeiro cerrado, e não deu para ver absolutamente nada… Mas enfim, sentir aquele ar puro na montanha é fantástico, e o cheiro a eucalipto que curiosamente faz lembrar Portugal? Dali fomos logo para a zona da queda de água, onde fizemos o bush walk, que segundo perguntei, é uma caminhada pelos arbustos..? Enfim…, aquilo para mim é um puro hike, e foi algo forte mas valeu bem a pena!

As quedas de água, cujo nome é Wentworth Falls, são um conjunto de três quedas de água que totalizam uma altura de 187 metros, com uma paisagem de tirar a respiração! Tudo é lindíssimo, e até o caminho é especial, pois foi restaurado usando técnicas tradicionais e com materiais das mesmas zonas que o caminho original. Depois de descer as escadarias todas até ao fundo das quedas de água, é possível nadar na lagoa, e claro, que foi isso mesmo que fizemos!

Quando lá chegámos, pensámos que ainda não seria o final, então continuámos a andar até nos apercebermos que já nos estávamos a afastar da cascata…, lá voltámos para trás e então sim, lá fomos nadar! Pensava que a água estaria absolutamente gélida, como é normal em cascatas e riachos, mas não, a água estava mesmo muito boa! Nadámos durante um bom bocado, almoçámos, e voltámos a nadar. Claro, que com muitas fotos 🙂

Wentworth Falls
Wentworth Falls

Depois…, bem, depois de descer…, hora de subir aquilo tudo… Não custou tanto quanto pensámos, mas também não é assim tão fácil. No entanto, ainda vimos um rapaz a correr pelas escadas acima…, enfim… Outro caso caricato que encontrámos pelo caminho, foi um rapaz de calças brancas e casaco de fato…, talvez tenham decidido fazer um desvio e irem ali, mas calças branquinhas numa trilha por uma cascata?? Não me pareceu das melhoras ideias…

Chegada ao topo, fomos ver o caminho de Charles Darwin, aparentemente ele visitou as cascatas quando ele era novo, e agora o circuito está marcado. Sinceramente, pareceu algo aborrecido, e depois de vermos o mapa, a única diferença entre o que fizemos e o caminho dele, é mesmo a parte menos interessante. Acabámos por voltar para trás, e fomos jantar um belo de um grande bife! E depois, regresso a Sydney para mais aventuras!

Foi um dia em grande, bom exercício, paisagens magnificas, e boa companhia! Diria que é quase obrigatório visitar as Montanhas Azuis se visitarem Sydney, fica a apenas cerca de 1 hora de distância. Na Austrália, 1 hora de viagem é muito perto 🙂


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Um dia nas Blue Mountains (Montanhas Azuis)

O que levei na mala para a Austrália?

Agora que estou de volta, está na altura de analisar como correu o meu plano no que respeita a bagagem? Terá sido demais? Ou de menos? Foram dois meses na Austrália, sempre a saltar de hostel para hostel, acampar, passar duas noites num veleiro, e muitas mais aventuras. Antes de embarcar numa viagem deste calibre, claro que tive de pensar em como preparar a mala, o que levar para não condicionar demasiado a minha mala.

Gadgets

Bem, esta lista é simplesmente gigante! Olhando para a lista abaixo, dá para ver bem quais foram as minhas prioridades nesta viagem… De tudo o que está nesta lista, usei absolutamente tudo! Houve uma coisa que usei menos, e que em parte me arrependo de ter levado, que é o suporte para o peito da GoPro. Só o usei uma vez, e não achei muito prático, curiosamente o selfie stick foi o que usei mais (apesar de ser um apologista de que é um acessório algo parvo, quando usado exclusivamente para selfies…).

No que respeita aos cartões de memória, acabei por usar todos, e o disco externo tinha como propósito de ser uma cópia de segurança extra às fotos. Felizmente não fui roubado, mas foi sempre uma tranquilidade ter três cópias de tudo, no mac, no disco externo e nos cartões de memória. (Irei escrever um artigo sobre isto mais tarde).

Já sobre os telemóveis, aposto que acharam estranho ter dois telemóveis na lista. Porquê dois? Como fui numa viagem longa, levei três cartões de crédito/débito comigo de duas contas bancárias diferentes, e estava com algum receio de ter algum dos cartões clonados, daí ter mantido um dos telemóveis com o meu número activo (irlandês) e outro com o novo número australiano, que usava para chamadas locais.

Quanto ao Pebble…, acabou por deixar de funcionar…, mas isso é outra história…

Roupas e higiene (e extras)

Disto tudo, só houve duas coisas que nunca usei, a camisola de lã, que levei com o objectivo de vestir caso saísse à noite, mas os bares lá são bem mais relaxados e apenas exigem “não estar em tronco nu, e nada de havaianas ou descalço“, portanto nunca precisei de usar essa camisola. E o cachecol, levei-o pois no final da viagem apanhei o inicio do Outono em Melbourne e poderia ficar frio, mas não chegou às temperaturas que esperava (e ainda bem).

A mala que levei para a Austrália
A mala que levei para a Austrália

Quanto à fronha de almofada, o uso foi bem diferente do que podem pensar. Em viagens anteriores usei sacos de plástico para a roupa suja, o problema disto é que a roupa fica a cheirar muito mal e quando misturado com roupa húmida, ainda pior! O motivo é que não há qualquer tipo de respiração dentro dos sacos de plástico. Já com a fronha de almofada, a roupa não cheira tão mal, e a roupa húmida não fica com o cheiro de podre… Além do mais, dá para lavar a fronha de almofada com o resto da roupa, ou seja, até o “saco da roupa suja” é lavado! Em dois meses de viagem, duvido que um saco de plástico fosse suficiente, e esta opção além de ser mais económica e higiénica, é também mais amiga do ambiente 🙂

Durante dois meses deu para conhecer muita gente, e claro, deu para ver muitas malas de viagem. Tenho a dizer que não encontrei ninguém com menos bagagem do que eu! Senti um enorme orgulho nisso, não andei carregado, e nunca tive de usar a mesma roupa sem estar lavada. No entanto, claro, tinha de lavar a roupa a cada 6 dias e tinha de planear as “lavagens” de acordo com as aventuras.

O que comprei ao longo da viagem

Porquê algumas destas coisas? Corta-unhas e produtos de higiene, como não fiz check-in de bagagem nenhuma na ida para a Austrália, tive de deixar algumas coisas em terra, como líquidos e o corta-unhas (que não se pode levar na bagagem de mão). Sim, a minha bagagem era tão minima que pude levar tudo comigo!

Quanto à toalha de praia, simplesmente alguém roubou (ou levou por engano) a minha toalha de viagem…, tive de comprar outra… E os óculos de sol, perdi os que tinha, e tive de comprar uns novos…

Já em relação ao cartão de memória, tive alguns problemas com a GoPro, em que o apoio técnico me disse que o motivo era de incompatibilidade do cartão. Não era. O problema foi com o cabo usado…, mas pronto, gastei dinheiro desnecessariamente se eles me soubessem ajudar devidamente…

As almofadas de viagem. Bem, foi simplesmente uma oportunidade que apanhei, encontrei aquela almofada modular e como estava em promoção aproveitei. Foi uma grande ideia, visto que a outra almofada insuflável era algo desconfortável e até dormia bem pior com ela do que sem nada…

Os sacos… O saco térmico, acho que o motivo é óbvio, andava sempre de um lado para o outro e a comer nos hosteis, portanto convinha ter algo para me conservar a comida entre cidades. O outro saco? Para andar nos veleiros não podemos levar anda com fechos de zips! Nada mas mesmo nada! O motivo é que os percevejos de cama (nunca ouvi tal nome, tive de traduzir de inglês para português…) se escondem nos zips, e em barcos é um grande problema, então simplesmente proíbem qualquer saco com fechos de zip.

Em suma, consegui organizar-me mesmo muito bem para uma viagem de longa duração levando pouca coisa, e ainda assim acabei por listar duas coisas que nunca cheguei a usar! Moral da história, dá sempre para reduzir no que se leva dentro da mala, nunca vamos precisar de tudo, nunca vamos usar tudo o que levamos.

Em viagens de curta duração, isto não é um grande problema, são apenas uns dias e se não usarmos tudo não custa muito carregar a mala. Mas em viagens de 1 mês ou mais, o peso da mala começa a tornar-se um problema, e começa a ser cada vez mais chato arrumar a mala entre cidades, e começa a ser mais fácil perder coisas, e afins. A mala de viagem é suposto ser aquela coisa onde temos o que precisamos sem ser um incómodo, após algumas semanas acreditem, vão detestar a vossa mala se a tiverem de carregar e arrumar demasiado…


Nota: Os links listados são afiliados, que poderão dar uma pequena fonte de receita para ajudar a manter o blog.

 

No centro histórico de Mostar

O primeiro impacto de Mostar foi logo à chegada, passámos por uma montanha e ao descer vê-se logo a cidade, que não é muito pequena. No entanto, o centro histórico é, dá para o “ver” numa tarde, mas acho que é preciso bem mais do que isso para aproveitar o tempo melhor.

Depois de um dia inteiro dentro de um autocarro, já só sonhava com um bom duche, nem jantar nem copos, mesmo um duche para refrescar! E foi mesmo isso que fiz assim que cheguei à pousada! Pedi algumas dicas sobre a cidade, e tal como já esperava, tudo se baseia no centro com algumas sugestões mais para fora da zona histórica, tal como a Estátua do Bruce Lee (que não cheguei a ver), então fui dar a primeira volta de reconhecimento e fui para o local com a melhor vista para a ponte, um miradouro junto à Mesquita. O problema é que é a área de um café, e para podermos tirar fotos temos de consumir…, não que fosse um problema, mas até compreendo quererem evitar muitas pessoas sentarem-se sem consumirem nada apenas para aproveitarem a paisagem, que é bem bonita.

O jantar foi num restaurante que me sugeriram no hotel, mesmo junto à ponte e a caminho do rio, o ambiente é fantástico, cheio de esplanadas e mesas na rua para aproveitar as noites de Verão. O estilo árabe está presente por todo o lado, a influência islâmica é muito forte e em mistura com o estilo europeu dá uma sensação bem agradável de exótico com familiar. Ainda dei umas voltas pelo centro, apenas de reconhecimento, mas acabei por voltar para o hotel para descansar e poder aproveitar o dia seguinte devidamente. Já em relação ao hotel, a localização é excelente, bem perto do centro histórico e confortável, no entanto acho que tive algum azar com o quarto onde fiquei, apenas conseguia ter internet estando encostado à porta do quarto…, mas pronto, não foi grave.

No dia seguinte lá me levantei cedo e comecei a deambular pela cidade antiga, que como seria de esperar é bem turística com lojas de recordações por todo o lado. E apesar de a moeda local ser diferente, aceitam euros com frequência a uma taxa de cambio de 1:2, por vezes até o troco foi uma mistura de moedas o que torna as coisas ligeiramente confusas, mas com uma taxa de conversão tão simples é fácil ver quanto estamos a receber de volta.

Ponte de Mostar
Ponte de Mostar

Acho que passei pelas mesmas zonas vezes sem conta, e como estava um dia tão quente, claro que não poderia deixar de ir até à beira do rio e molhar os pés, em água bem gelada! Uma das maiores desvantagens de viajar sozinho é em momentos como estes, em que queremos dar um mergulho e temos coisas de valor connosco. Acabei por não entrar mesmo dentro de água, sempre com a preocupação nas minhas coisas, apenas molhei os pés e sentei-me nas rochas por um bom bocado a aproveitar do momento. Uma das atrações turísticas da ponte é ver os membros do clube de salto saltarem da ponte para o rio, a altura ainda é considerável e conhecida internacionalmente devido à Red Bull. É giro de ver, mas acaba por chatear um pouco quando esperamos que alguém salte por mais de 15 minutos, devem ter alguma quota minima para saltarem e continuam a pedir doações até terem essa quantidade antes de poderem saltar…, foram muitos poucos os mergulhos que vi, e sempre do mesmo estilo, alguém a preparar-se para saltar durante vários e longos minutos, enquanto os outros pedem doações. Enfim, é uma forma de negócio para o clube.

A ponte é considerada como Património da Humanidade pela UNESCO, no entanto a ponte como a vemos hoje é algo recente devido à guerra dos Balcãs, foi reconstruída após a guerra sendo agora um símbolo de reconciliação. Para quem a for visitar, deixo o alerta de que não é fácil andar na ponte, as pedras (julgo que de mármore) são extremamente escorregadias e algo inclinado, não é fácil andar de havaianas 🙂 E eu passei por lá várias vezes, sei bem o que custa descer e subir com havaianas…

A ponte é sem sombra de dúvidas o ex-libris da cidade, quase tudo está relacionado com a ponte de alguma forma, mas as marcas da guerra estão também bem presentes, afinal de contas é bem recente, não é uma guerra do tempo dos nossos pais mas sim do nosso tempo. Saindo um pouco do centro histórico, e vemos as marcas das balas em paredes de edifícios meio degradados, até as recordações são de balas recicladas. É um facto de que o local é bem belo, e não falta história para viver naquelas ruas, mas não só é uma história dos antepassados como também o é de quem ainda lá vive, vale bem a pena passar por Mostar e sentir aquele ambiente, falar com os locais e conhecer um pouco mais do que os edifícios têm para mostrar.

Noite em Mostar
Noite em Mostar

Como chegar a Mostar

De Zagreb, a forma mais directa e barata é sem dúvida por autocarro.

De Sarajevo, recomendo a irem de comboio, é uma viagem simples e mais confortável, no entanto têm a opção mais barata que também é de autocarro.

De Kotor, a minha recomendação é via transfer entre hosteis, algo que me falhou nas pesquisas antes da viagem.

Obviamente também existem opções directas de Zadar e Dubrovnik, na Croácia, todas estas cidades são bem populares e bem interligadas.


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No centro histórico de Mostar

De Coogee a Bondi

Primeiros sinais de que estamos recuperados do jet lag? Ter de usar despertador para acordar e de facto sentir que ele foi preciso… Pois, acho que já estou recuperado! Primeira vez que acordei com o despertador!

Lá me levantei, tomei a banhoca e meti-me no autocarro para Coogee novamente, já lá tinha estado portanto desta vez foi fácil dar com o sitio. Encontrar o inicio da caminhada também foi fácil, só tive de me dirigir para o extremo correcto da praia e pronto, só começar a andar em direcção a Bondi!

#Coogee Beach, doing the walk to Bondi now 🙂 #Sydney #Australia #ILoveSydney #GilAroundOz

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

A caminhada é extremamente agradável, bem bonito de ver e quase sempre junto à falésia, com passagem por algumas mini praias que dá mesmo vontade de saltar lá para dentro e ficar lá um par de horas! Coisa que não fiz…, quando levo a câmara comigo tenho sempre receio de vir a ser roubado, portanto acabo sempre por não aproveitar esses momentos…

Um dos locais por onde passei é um tanto ou quanto entre o bizarro e o bem bonito, um cemitério junto à falésia! Provavelmente o cemitério com a melhor vista do mundo! A própria passagem é junto ao cemitério, com uma estrutura de madeira pela falésia em forma de ponte pedonal.

This is probably the cemetery with the best view ever… #Sydney #Bondi #GilAroundOz

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

Cheguei a Bondi já bem perto do almoço, e a fome apertava, acho que demorei mais de 2 horas a fazer aquela caminhada, com constantes paragens para tirar fotos e apreciar a paisagem. Tentei encontrar algum sitio para comer, fora da zona de turistas, e lá encontrei um pequeno café/restaurante de wraps onde comi um bem bom acompanhado de um smoothie ainda melhor!

Um detalhe em relação ao passeio, existem vários pontos durante o percurso onde podemos encher a garrafa de água, algo que recomendo vivamente a levarem convosco, pois vai fazer muita falta 🙂

Quanto a segurança, em Bondi existem vários avisos sobre roubos, é uma praia bem turística e facilmente as pessoas se relaxam demasiado deixando bens valiosos mais expostos. Para evitar tantos assaltos, eles têm vários cacifos disponíveis para alugar, $4AUD para um dia inteiro dá bastante tranquilidade, pena que uma vez fechado só dá para abrir uma vez, ou então terão de voltar a pagar a mesma quantia… Convém confirmar se guardaram tudo lá antes de pagar 🙂

O resto da tarde foi de pura descontracção, ler, nadar e caminhar pela praia. A tarde toda! Até que me fartei, e juntei-me à massa de pessoas que se dirigiam para os autocarros de volta a Sydney, e lá fui eu de volta…

Irish tan: Unloading… #BondiBeach #Sydney #GilAroundOz

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

Depois do duche no hostel, começo a ver no espelho os efeitos que o sol teve em mim…, e aperceber-me que o protector solar é mesmo bom! Nas zonas onde não cobri bem ficaram bem “torradas”…, tenho algumas manchas nas costas onde houve falha do protector solar. Outra zona onde tenho manchas é nos ombros… (?!?!?) Como? Simples… Meti protector solar nos braços logo no inicio da caminha, e como ia sempre junto ao mar parecia bem fresco. A certa altura decidi enrolar as mangas…… e pronto… essa zona não estava coberta 🙁 Aqui estou eu, com um bronze invertido! Há quem tenha bronze de pedreiro ou camionista, eu tenho o bronze invertido! Há que ser original!


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De Coogee a Bondi