Conhecer a cidade de Cork a pé, do centro à Universidade

Um pouco de Cork

Cork é a segunda maior cidade da República da Irlanda, e a terceira maior da ilha, sendo Belfast a segunda maior (mas esta parte do Reino Unido). Fica a cerca de 250km da capital, bem a sul da ilha mas infelizmente não é um destino muito turístico, quem cá vem é quase só de passagem e acaba por não conhecer muito do que a cidade tem para oferecer. Mas não é por falta de informação, até sem mapa dá para descobrir a cidade, e é por isso mesmo que decidi criar uma série de artigos para apresentar algumas das rotas para descobrir a cidade a pé, começando pela rota da Universidade.

Os mais atentos certamente que irão notar algumas setas espalhadas pela cidade, azuis, verdes, vermelhas e laranjas. São as rotas, bem identificadas, pela cidade. Excelente para quem quer descobrir alguns dos segredos da cidade sem se perder. Todas as rotas começam num mesmo ponto, bem no centro da cidade numa pequena praça na intersecção entre duas das ruas principais, a Saint Patricks Street e a Grand Parade. Como são duas das ruas mais movimentadas da cidade, acaba por ser um ponto onde muitos turistas mais cedo ou mais tarde vão passar. Mas será que vão reparar nas setas?

Rota da Universidade

Neste primeiro artigo vou falar da rota da Universidade, uma rota que foge do centro e passa pelas zonas dos mais bonitos espaços verdes da cidade. Também, a minha rota favorita, que até antes de ter reparado na existência destas setas, levei vários amigos a conhecer alguns dos pontos principais desta rota.

A rota da Universidade

A rota tem como ponto principal, obviamente, a Universidade de Cork (UCC), e ao percorrer a rota vamos passar por vários pólos que ficam fora do campus principal. Esta rota tem a particularidade de passar também pelos espaços verdes mais importantes da cidade, sendo a Universidade um deles.

A partida faz-se do pequeno largo Daunt’s Square, seguimos em direcção ao canal sul do rio, pela Grand Parade e paramos junto ao parque Bishop Lucey, do outro lado da rua vemos uma das fachadas de um dos edifícios mais emblemáticos da cidade de Cork, o Mercado Inglês. Vale a pena uma passagem pelo mercado, mais que não seja pelo estilo arquitectónico, e para comer numa das bancas do mercado, ou até mesmo no restaurante The Farm Gate.

Mapa da Rota da Universidade

Depois do mercado, temos de voltar ao parque, podemos atravessá-lo e sair do outro lado, ou seguir o mapa da rota. Vou optar por seguir o mapa para não nos perdermos, na Grand Parade temos de voltar à direita, deixando o parque do nosso lado direito, e seguimos até ao final da rua onde vamos parar por uns instantes. Chegámos à rua South Main Street, ligeiramente para a esquerda do outro lado da estrada está a antiga Fábrica da Beamish, uma das cervejas pretas de Cork. E do nosso lado direito, mesmo de canto, está um dos pubs a não perder em Cork, The Oval, e do outro lado da estrada mesmo em frente à Beamish, está outro pub bem conhecido pelas noites de música tradicional irlandesa, o An Spailpín FánacMas continuando, que ainda não chegámos ao primeiro ponto do trajecto…

Christchurch

O primeiro ponto da rota é a igreja Christchurch, do lado direito mesmo junto ao parque. De realçar que neste momento estamos numa das ruas mais antigas de Cork, ainda da era medieval. Estamos a andar sobre história!

A igreja hoje em dia funciona como um Centro de Artes e parte da esplanada do café desse mesmo centro, dentro da igreja podemos ver concertos, peças de teatro e até cinema! Só fui uma vez ver um filme ao Triskel, e sinceramente, depois de uma hora, já não sabia em que posição estar…, bancos de igreja não são propriamente confortáveis, ainda para mais para ver um filme… Mas gosto da forma como aproveitaram um monumento e deram-lhe uma utilidade pública.

Fachada da Christchurch
Fachada da Christchurch

Uma das curiosidades sobre este local é a antiga torre, que foi desmantelada em meados do século XIX, que estava torta. Isto deu origem à expressão “és torto como a torre de Christchurch“. Por acaso ainda nunca ouvi esta expressão…

Continuando em frente, em direcção a norte, chegamos à Washington Street, uma das ruas mais largas de Cork. Esta rua foi criada intencionalmente para ter a capacidade para grandes volumes de tráfego, bem, isto no inicio do século XIX.

Tribunal de Cork

Vamos continuar pela Washington Street, pela esquerda, e assim que se entra na rua dá para ver o edifício do tribunal. No topo do edifício reparem no mastro da bandeira, no final do século XIX o edifício pegou fogo, e a população veio à rua apreciar o facto de que a bandeira do Reino Unido estava (também) a arder. Este acto chegou a ser publicado em jornais, e até serviu de inspiração para um poema.

Tribunal de Cork
Tribunal de Cork

Lancaster Quay

Conforme continuamos a andar, estamos a sair do centro da cidade, seguimos pela Washington Street, e estamos na zona designada por Lancaster Quay, a zona junto ao rio. Ao passar junto ao hotel The River Lee Hotel, hão-de notar dois pequenos pilares dentro do rio, isto são vestígios da antiga linha de eléctrico que existia na cidade, e que, infelizmente, acabou por ser desmantelada.

Washington Street
Washington Street

Universidade de Cork (UCC)

Continuando sempre na mesma estrada, que a certa altura muda de nome (mas nem damos por isso), e chegamos à entrada da Universidade. Podemos entrar no campus a qualquer hora, mas obviamente que a entrada nos edifícios está condicionada durante a noite. Recomendo vivamente que dediquem algum tempo para passear pelo campus da Universidade e apreciarem a mistura arquitectónica, entre o novo e o clássico. Subindo a rua irão encontrar uma pequena escadaria à esquerda, que vai dar ao largo da capela e à biblioteca, um pouco mais à frente vão encontrar o Quadrante da Universidade, para mim, a melhor vista da Universidade.

O ódio que os irlandeses tinham ao império era tal, que quando depois se tornarem independentes removeram a estátua da Rainha Vitória e colocaram num armazém, mas devido ao espaço que ocupava, anos mais tarde decidiram enterrar a estátua! Foi substituída por uma estátua do Santo Finn Barr, o padroeiro da cidade. Em 1994 exumaram a estátua da rainha e colocaram-na em exposição, e quase 20 anos mais tarde até já foi visitada pela Rainha Isabel II.

Se as portas estiverem abertas, no corredor central existem várias pedras com escrita antiga celta, é bastante interessante para quem gosta de história e arqueologia, não são os símbolos que estamos habituados, mas sim riscos marcados na pedra. Atravessando o arco, têm duas opções, ou para a direita, e depois descer as escadas (quase escondidas) pelo parque de estacionamento, e podem dar uma pequena volta junto ao rio até novamente à entrada da Universidade, ou seguem a rota para a próxima paragem. Tal como disse antes, recomendo mesmo que façam um bom passeio pela Universidade, e a rota junto ao rio é bem agradável. Já visitaram a Universidade de Cork? Se sim, o que é que gostaram mais de ver? Agradeceria imenso se deixassem a vossa opinião nos comentários.

Prisão de Cork

Pouco resta da prisão de Cork, dá para ver a entrada e pouco mais. Um dos pontos de interesse é uma placa do escultor Seamus Murphy, natural do condado de Cork, e uma placa não oficial em homenagem a uma pessoa que tentou entrar na prisão para libertar prisioneiros republicanos, mas que foi abatido a tiro enquanto tentava passar pelo túnel. As janelas da prisão davam para a rua, e era comum os familiares irem para a rua gritarem para passarem mensagens para os prisioneiros. E em finais do século XIX, durante a Land War, bandas de músicos iam tocar para a rua para entreterem os prisioneiros políticos.

Saída da Universidade, junto ao antigo local da prisão
Saída da Universidade, junto ao antigo local da prisão

Vamos passar pela ponte, e voltar à Western Road, que é a continuação da Washington Street e da Lancaster Quay, voltamos à esquerda e atravessamos a estrada, pois vamos voltar já de seguida à direita por uma ruela em direcção a norte.

Parque Fitzgerald

A ruela onde estamos chama-se Ferry Walk, uma memória do ferry que existia para atravessar o rio antes da criação da ponte que treme (a tradução do nome é bastante similar), Shakey Bridge, a única ponte suspensa de Cork. Vamos seguir a rua até ao final, para vermos a ponte. E enquanto andamos, do nosso lado esquerdo encontra-se o complexo desportivo Mardyke que é palco de vários eventos desportivos importantes, e aqueles que não querem pagar bilhete…, normalmente juntam-se junto às redes, e até sobem árvores para verem os jogos… Entre a ponte e o complexo desportivo existe um pequeno trilho que vai dar a um dos maiores parques de Cork, mas este ainda fica mais afastado do centro, hoje não vamos para lá. Mas se ainda assim quiserem visitar a pequena praia fluvial, fica a apenas uns 2 ou 3 minutos por esse trilho.

Shakey Bridge
Shakey Bridge

Quanto à nossa rota, vamos entrar agora no parque, e está na hora de nos perdermos por mais um bocado! Dentro do parque existem pequenos jardins, junto ao rio está um de roseiras, que na altura da primavera é bem bonito de ver! O Parque foi recentemente remodelado, e agora tem um parque infantil grandote para os mais pequenos queimarem energias. Na outra ponta do parque encontram-se dois edifícios, um maior onde está o café e o Museu Público de Cork, e outro que é o Lord Mayor’s Pavilion, uma casa que foi construída para receber personalidades importantes que iam em visita à Exposição de Cork. Em frente ao Pavilion foi construído recentemente um palco onde fazem vários espectáculos durante o verão, e até cinema ao ar livre.

Assim que passarmos pelo Lord Mayor’s Pavilion, estamos a chegar à saída do parque, passando pelos portões voltamos à esquerda e seguimos em direcção ao próximo ponto.

Mardyke Walk e Margens do Rio Lee

Enquanto andamos, do nosso lado esquerdo encontra-se o Clube de Cricket de Cork, e um pouco mais à frente o próximo painel de informações. Do lado direito, dá para ver a entrada principal da Universidade, onde estivemos antes, e do lado esquerdo é por onde a nossa rota continua, passando pelo Parque de Skake (Mardyke Walk Skatepark).

De um lado o Skate Park, do outro as árvores que escondem o Clube de Cricket e um pouco mais à frente a ponte pedonal branca que nos vai levar para a outra margem do rio. Esta é uma das minhas partes favoritas da rota, junto ao rio por debaixo das árvores, daqui dá para ver alguma vida selvagem e dá a ilusão de que estamos fora da cidade, no entanto estamos a aproximarmo-nos novamente do centro. A certa altura, dá para ver da outra margem do rio o antigo edifício de uma destilaria que funcionou ali por cerca de 150 anos até 1920, e que depois passou para Midleton onde acabou por se fundir com a Jameson.

Ponte sobre o Rio Lee no Mardyke Walk
Ponte sobre o Rio Lee no Mardyke Walk

Assim que começamos a avistar uma ponte vermelha estamos a chegar ao final de mais um troço desta rota, é a St Vincent’s Bridge com cerca de 150 anos, e do outro lado do rio está um edifício de canto, neste edifício viveu George Boole, um matemático considerado por muitos como o pai da ciência computacional.

Boole é um dos nomes mais conhecidos nas ciências matemáticas, nasceu em Inglaterra, mas viveu e morreu aqui Cork. Num dia de muita chuva, ele foi a pé para a Universidade que ficava a 3 milhas da sua vivenda, deu aula completamente ensopado e acabou por ficar extremamente doente com febres altas. A sua esposa, que acreditava que as curas teriam como base o que tinha causado a doença, deitou vários baldes de água sobre os cobertores com ele na cama, o que acabou por agravar a doença. Ele morreu por derrame pleural.

Passeio das Margens do Rio Lee
Passeio das Margens do Rio Lee

Ainda na margem norte do rio, um pouco mais à frente encontra-se uma cervejaria já bastante conhecida na Irlanda e até no estrangeiro, Franciscan Well, neste local existiu um mosteiro de Franciscanos entre 1244 a 1540, e até 1836 ainda dava para ver as ruínas do mosteiro. O nome da cervejaria deriva da lenda de que ali existiria um poço com poderes de curar doenças, no mosteiro dos Franciscanos.

Grattan Street e fim do passeio

Estamos mesmo a terminar o nosso passeio, e a rota da Universidade. Vamos atravessar a ponte vermelha, e voltar à esquerda e andar um pouco, e um pouco mais à frente voltamos à direita e estamos na Grattan Street, no ponto final desta rota. Atenção que o último painel está um pouco escondido, quando chegarem junto a um minúsculo parque, que estará do lado esquerdo da estrada, chegámos ao ponto final. O painel está escondido atrás do gradeamento do parque, e não dá para ver para quem vem neste sentido da rota. Se entrarem neste parque, tenham em atenção que estão a andar sobre um antigo cemitério, centenário até.

Depois do parque, podem voltar ao ponto inicial. Se repararem, à nossa frente está as traseiras do Tribunal, a partir daí é só voltar à esquerda e vamos encontrar a Grand Parade novamente, o nosso ponto inicial. Se gostaram deste artigo, seria fantástico se o partilhassem e o fizessem chegar a mais pessoas! Toda a ajuda é mais do que bem-vinda :

Como percorrer a rota da Universidade?

Sugestões de alojamento em Cork



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Revisão de meio do ano dos Objectivos para 2016

Desde há umas semanas para cá que decidi alterar algumas coisas na minha rotina, comecei a acordar mais cedo para fazer algumas tarefas que estava constantemente a deixar para outro dia, arranjei tempo para ler mais, ouvir podcasts que gosto, e rever os meus objectivos para 2016.

É a primeira vez que faço uma revisão destas, por norma deixo sempre para o fim do ano, mas esta reestruturação da minha rotina têm-me dado oportunidade para fazer muito mais daquilo que gosto, então, porque não focar-me nos meus objectivos, em vez de esperar pelo final do ano e ver se miraculosamente eles foram cumpridos?

Objectivos cumpridos até à data

Visitar um novo continente

Este era fácil, até já tinha o voo marcado. Primeira vez na Oceânia, primeira vez na Austrália, e uma aventura de uma vida!

Criar uma série de artigos nova

Não foi bem a série que tinha em mente, mas criei uma série nova para me forçar a tirar mais fotos e ver o que há ao meu redor. Mais outro objectivo cumprido!

Focar-me nos seguidores lusófonos

Sim, tenho feito isto e pretendo vir a fazer muito mais! Juntei-me a vários grupos no facebook para chegar a mais leitores, comecei a divulgar bem mais junto de quem fala Português, e já tenho mais planos em mente no que respeita a quem lê o blog 🙂

Objectivo de bónus: Aumentar a frequência de artigos publicados por mês

Outro objectivo que também foi cumprido, todas as semanas publico pelo menos um artigo às segundas-feiras, e por vezes também às quintas-feiras. Está a ser complicado, mas com esta mudança de rotina tem dado para escrever muito mais.

Praia Whitehaven, Austrália
Praia Whitehaven, Austrália

Objectivos por cumprir

Pois…, não há mais 🙂 Por ter reparado nisto é que decidi escrever este artigo, estamos em Agosto e já cumpri todos os pequenos objectivos que tinha para 2016, e até já atingi outros objectivos que nem sequer tinha escritos, como por exemplo superar o número de visitas que o blog teve em 2015. E sim, estamos em Agosto e já cumpri também este objectivo, e tal jamais seria possível se não vos tivesse a ler e a partilhar o que escrevo. O meu muito obrigado!

Como ainda temos mais quatro meses até ao final do ano, não faz sentido ficar de braços cruzados à espera da revisão do ano para dizer que foi um excelente ano. Já o é! Há que continuar a trabalhar, e dar muito mais a quem lê o blog.

Objectivos extra para 2016

Alterar o visual do blog

Este é o primeiro grande objectivo, quero mudar o visual do blog, quero arranjar um logo para associar ao blog, e quero lavar a cara ao que já existe.

Actualizar todas as fotografias do blog

Este é um objectivo mais técnico, mas que afecta imenso que lê o que publico, o factor visual é bastante importante, e quero focar-me em apresentar fotografias de melhor qualidade. Com software mais avançado, faz parte dos meus novos objectivos actualizar as fotos antigas e editar artigos antigos. Não todos, porque já conto com mais de 200 artigos, mas é o primeiro passo para um objectivo a concluir em 2017.

Escrever para um grande blog ou revista de viagens Portuguesa

Este é um grande sonho que tenho, e vou dar o meu melhor para até ao final do ano ter um artigo de minha autoria publicado num blog de referência ou numa revista de viagens, para isso, terei de melhorar ainda mais a minha escrita e é um objectivo que depende em muito da opinião de quem lê o que escrevo, onde devo melhorar? Que artigos são interessantes? Que artigos devo deixar de escrever? Agradecia imenso se deixassem a vossa opinião nos comentários abaixo.

E para os próximos quatro meses, isto são objectivos bem ambiciosos. Tal como disse, serão considerados como objectivos extra, mas se os conseguir cumprir todos, então 2016 será definitivamente o melhor ano de blogging do Look Left!


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Revisão de meio do ano dos Objectivos para 2016

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Relaxar em Gold Coast, a cidade das festas

Gold Coast

A Gold Coast é uma das cidades mais populosas da Austrália, e a segunda do Estado de Queensland, foi também a minha primeira paragem nesse mesmo estado. A Gold Coast é conhecida pela praia gigante que tem, pelas festas e pelos canais artificiais que colocam a cidade numa faixa junto ao mar. A zona de maior intensidade populacional fica nessa faixa, enquanto que o resto, bem conectado pelos canais, é uma zona com aspecto mais suburbano.

Em quase todos os guias, o nome que aparece com mais frequência é Surfers Paradise, que é um dos bairros da cidade e o bairro com mais dinamismo. É ali que tudo se passa, festas, bares, cafés e restaurantes. Segundo os locais, a cidade não é assim tanto um paraíso entre os surfistas, muito devido à quantidade de turistas que visitam a cidade todos os anos, fica a faltar espaço para surfar com alguma tranquilidade 🙂 Mas há muito mais do que praias e surf, a Gold Coast é bem conhecida pelos seus vários parques temáticos, que infelizmente acabei por não visitar nenhum…, ainda sofro por essa estúpida decisão…

Playing games at the hostel 🙂 #LifeInParadise #SurfersParadise #GoldCoast

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

Quanto à vida nocturna, pelo simples facto de que a cidade é bem conhecida entre os backpackers, acho que é bem fácil de imaginar o quão animada a noite naquela cidade é. E para quem fica em hosteis a animação ainda é maior. Numa das noites em que lá estive organizaram uma ronda dos bares em conjunto com vários outros hosteis, uma forma de juntarem vários jovens nos mesmos locais. Por outras palavras, uma noite para a desgraça…

 A vida no hostel

Não sou muito uma pessoa de sair à noite, gosto de conviver com amigos e beber uns copos, mas não sou adepto de ficar podre de bêbado ao ponto de me esquecer da noite toda. Em viagem, ainda sou pior que isto, quero é aproveitar onde estou, e sou apologista de que para ficar bêbado posso fazê-lo em casa. Antes de chegar a Surfers Paradise já ia um pouco arrependido, a paragem inicialmente era meramente estratégica para relaxar e apanhar alguns banhos de sol, mas quando fiquei a saber do motivo principal que leva tantos jovens a visitarem a cidade, fiquei bem de pé atrás…

Relaxar em Gold Coast, a cidade das festas
Relaxar em Gold Coast, a cidade das festas

Até fiquei reticente quanto ao sitio onde ficar, tinha um passe de noites em hosteis parte de uma rede, da Nomads/BaseX, e queria usar essas noites todas (pois já estavam pagas). Sendo essa rede bem popular, estava com receio de ir parar a um hostel de festa, e não era bem isso que estava à procura…, no entanto acabei por adorar o sitio onde fiquei, o Buds in Surfers backpackers. Para quem chega, não tem o melhor dos aspectos, aliás, é mesmo um budget hostel, mas o ambiente foi dos melhores que encontrei na Austrália!

Os quartos bem velhos, sem sequer um corredor interior. Abre-se a porta, e estamos na rua…, para ir ao banho, é pela rua. A cozinha minúscula, e para comer tem de ser na rua, mas se estiver de chuva também temos um telheiro. A zona do bar fica na recepção, mas tem de fechar às 10 da noite porque não têm licença como bar, e com a recepção fechada, temos de entrar por uma porta lateral. Se estiver de chuva, mais vale ir ao WC do primeiro andar, que o mais certo é o de baixo estar tudo chafurdado de água pelo chão. Sim, parece um filme de terror, mas adorei o ambiente e o grupo que encontrei naquele hostel. Por vezes, temos as melhores experiências nos locais mais improváveis.

Uma das grandes vantagens de ficar num hostel tão pequeno é quase a obrigatoriedade de conhecer os restantes visitantes, senti alguma diferença etária, mas ali foi bem mais fácil de me integrar. Jogámos imenso às cartas, e fui apresentado a um jogo que nem nunca tinha ouvido falar, o One Night Ultimate Werewolf, e que acabei por comprar assim que regressei à Irlanda. Acho que foi a partir da Gold Coast que comecei a reparar no padrão de nacionalidades que ia encontrando, com quase 100% de certeza de que iria encontrar um Inglês, e uma forte probabilidade de vir a conhecer algum Canadiano.

Além de jogarmos imenso ao One Night Werewolf, também participámos noutras actividades do hostel, fiquei lá 3 noites e ainda deu para jantarmos pizzas e sair na primeira noite. E um churrasco na segunda noite que foi a noite dos hosteis, e supostamente a melhor noite para sair. Mas a ressaca da noite anterior fez-me pensar duas vezes e acabei por ficar pelo hostel… Uma noite para relaxar, na cidade das festas.

Outra das características do hostel é ter uma piscina de água salgada, apercebi-me que não é assim tão estranho na Austrália, afinal com tanto calor…, é uma excelente forma de atrair mais viajantes. Assim que acordava, a primeira coisa que fazia era mergulhar naquela piscina para despertar, só depois iria ao banho. Bela vida…

Como estava de visita, evitei passar demasiado tempo no hostel, saia de manhã e voltava ao final da tarde. Talvez voltasse à hora de almoço para poupar uns trocos, mas acabaria por sair quase logo de seguida. Os finais de tarde já eram passados com o pessoal que estava lá a ficar, e como seria de esperar, deu para conhecer pessoas bem interessantes. Uma das pessoas que conheci foi um senhor Neozelandês que vive na Austrália há imensos anos de forma intermitente, ele nem sequer tem visto de residência, há uns 40 anos que tem de sair da Austrália uma ou duas vezes por ano para voltar a poder entrar como turista. Os filhos já nasceram na Austrália, então têm uma casa, mas ele insiste em continuar como um turista permanente. A história daquele senhor fascinou-me, estava de visita apenas porque estava entediado e queria sair por uns dias para a praia, e foi sozinho e ficou num hostel essencialmente para jovens.

Como funciona o sistema de numeração de casas e propriedades nas zonas rurais da Austrália?

Uma das curiosidades que aquele senhor nos contou foi a forma como as casas são numeradas nas zonas rurais. Como as distâncias entre propriedades chegam a atingir vários quilómetros, algumas até dezenas de quilómetros, a numeração das casas é baseada nestas distâncias. O número da casa não é sequencial, mas sim “dezenas de metros” desde o inicio da estrada. Por exemplo, uma casa que esteja no quilómetro 5,340 terá como número, 530 🙂

Uma das outras visitantes mais seniores do hostel foi uma senhora que apenas passou lá uma noite, mas que começou com uma grande introdução. Aparentemente, ela fala (e insulta) durante o sono…, e avisou-nos para não termos receio caso ela começasse a gritar palavrões durante a noite…, ok…, seria motivo para me preocupar? Claro que não, até ficámos todos desejosos de que algo do género acontecesse, seria certamente uma história para rir e partilhar, pena que não foi o caso 🙁

E fui conhecer um pouco da Gold Coast

A zona de Sufers Paradise nem é muito grande, e como o meu hostel até fica bem perto a praia, até nem tive de me mexer muito… A zona do centro está recheada de lojas e ruas pedonais, com a linha de elétrico a atravessar o bairro todo sempre paralela à praia. Nem sei quantas vezes passei por aquela rua, uma zona bem agradável e sempre a sentir o cheiro das férias por todos os cantos, ainda que o tempo estivesse um pouco para o acinzentado… Claro que também fui à praia, apanhar alguns banhos de sol nos intervalos dos chuviscos…, e apesar de ainda estar com receio parvo de me deparar com tubarões, também fui nadar. Mas verdade seja dita, o maior problema no mar são mesmo as medusas venenosas que podem causar danos bem graves num ser humano, e até morte.

Ir a Surfers Paradise, claro que teria de ir surfar e riscar mais uma linha da minha lista de coisas a fazer, paguei por uma aula de 2 horas com garantia de surfar de pé. Como já tinha surfado antes na Irlanda, ainda pensei que fosse aprender mais alguma coisa, mas as instruções eram mesmo para quem nada sabia. Foi divertido na mesma, mais que não fosse pelo coreano que foi comigo e que mal falava inglês, mas quase nada mesmo, mas o gajo era bom a surfar! Éramos apenas nós os dois mais o instrutor, foi quase como uma aula privada numa praia mais afastada da zona urbana. Levei a GoPro comigo, e fiz alguns vídeos, um dia destes edito e faço uma montagem para partilhar aqui no blog.

Depois da aula de surf lá voltei ao hostel, última tarde na cidade e ainda com tanto para ver e fazer…, sem me decidir muito bem sobre o que fazer a seguir, optei por ir até a um canal nas traseiras do hostel para ver o pôr-do-sol, uns bons momentos apenas comigo mesmo a aproveitar aquele momento mágico. Depois de uns dias bem intensos, sabe tão bem estar ali, sem fazer nada, somente a apreciar as cores do céu reflectidas nas águas dos canais da cidade. Os canais também têm pequenas praias fluviais, e uma delas fica mesmo no ponto onde fui ver o pôr-do-sol, enquanto andava pela areia reparei nuns caranguejos que ali estavam, caranguejos eremitas, foi a primeira vez que vi uns na Natureza, perdi imenso tempo só a olhar para os bicharocos a serem arrastados pela ondulação suave do canal.

Life in Paradise 🙂 #SurfersParadise #GoldCoast #Queensland #Australia #GilAroundOz

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

E os dias em Surfers Paradise estavam terminados, de volta ao hostel para arrumar as coisas e preparar-me para mais uma viagem…

Onde fica Surfers Paradise e como lá chegar?

Surfers Paradise é um bairro na cidade Gold Coast, que fica em Queensland, mesmo na fronteira com Nova Gales do Sul, a cerca de uma hora de autocarro a sul de Brisbane. Além dos autocarros, também têm um aeroporto e são também servidos por linha férrea.

Para quem chega vindo do sul, como eu, convém ter em atenção que dependendo da altura do ano o fuso horário é uma hora a menos. O estado de Queensland não tem diferença entre horário de verão e inverno, ao contrário do estado de Nova Gales do Sul, portanto esta mudança de hora depende mesmo da altura do ano em que se cruza a fronteira. No meu caso, como fui lá no verão, apanhei com essa mudança horária. Apenas convém ter isso em conta quando se fazem marcações, pois uma hora pode fazer uma grande diferença…

I guess it also rains in #australia? #GilAroundOz

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A minha viagem de Byron Bay à Gold Coast foi bem molhada, chuvas tropicais durante quase o tempo todo…, acho que tive imensa sorte, pois durante a minha estadia na cidade apenas apanhei alguns chuviscos 🙂 Apesar da fama da Austrália ser um país quente, convém não esquecer que metade do país está entre os trópicos e eles têm algumas florestas tropicais, ou seja, muita chuva 🙂

Sugestões de onde ficar na Gold Coast



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5 blogs de viagem em Português a seguir

Antes dos blogs…

Quando comecei este blog, há cerca de 9 anos atrás, o objectivo era apenas usá-lo como um diário. Nada de especifico em relação a viagens, mas principalmente sobre a minha experiência como estudante Erasmus na Alemanha (e os sentimentos de nostalgia despertaram ao escrever isto…). Ainda não tinha conta no Facebook, salvo erro nem sequer ainda sabia da existência dessa rede, portanto o blog era mesmo a melhor forma que tinha para partilhar as minhas experiências com os meus outros amigos e família.

Escrevi alguns artigos em (mau) inglês, para praticar, mas a grande maioria em português, só mais tarde decidi passar a escrever apenas em inglês como forma de ganhar prática e aprender com os meus próprios erros, e devo dizer que resultou em muito. Ainda assim, não era um blog de viagens, mas sim um diário onde partilhava muitas experiências das minhas viagens e não só.

Eu, a olhar sobre Meteóra - Grécia 2009
Eu, a olhar sobre Meteóra – Grécia 2009

Há cerca de 5 anos decidi focar-me num tema, um tema mais do que batido e com muita informação sobre o que estava a partilhar, ainda assim, por gostar de escrever, continuei com o blog e a escrever em inglês. E mais uma vez, aprendi com os meus erros (acho eu), foi então que fiz outra alteração e voltei a escrever essencialmente em Português.

Ainda assim, apenas escrevo pelo prazer da escrita e nunca ganhei um cêntimo com o blog, mas ganhei alguma experiência e recentemente também conhecimentos sobre divulgação e optimização de websites. Uma das melhor formas de aprender é com as experiências de outros, e como tal nada melhor do que seguir o que de melhor os outros fazem. Pelo gosto das viagens, já seguia vários blogs de viagem, mas recentemente apercebi-me que pouco conhecia do panorama nacional, e decidi pesquisar um pouco mais…

Quem mais escreve em Português sobre viagens?

Muita gente! Mas estando ausente do panorama nacional, nem sabia muito bem quem anda por aí, então perguntei em alguns grupos de viagem no Facebook quem anda por aí a escrever sobre viagens e em Português. Recebi algumas respostas e fui apresentado a mais uns blogs, dos quais vou falar abaixo.

Let’s Run Away

Este é um blog com muita divulgação de oportunidades baratas para quem gosta de viajar, escrito por um casal que, obviamente, adora viajar. Ele viaja, ela viaja, eles escrevem. É assim que identificamos quem escreve o quê, eles escrevem no blog sob os pseudónimos de “Shetravels” e “Hetravels” e vão dando dicas e contando experiências pela perspectiva de cada um.

Como muitos de nós, que adoramos viajar, eles começaram este blog para partilharem as promoções que vão encontrando, e que lhes dá a oportunidade de viajar sem levarem a conta bancária a zeros. O blog é muito novo, mas repleto de informação, viajam lowcost para poderem poupar e para poderem viajarem ainda mais, e fazem eles senão bem!

Visitem o blog deles, ou como eles dizem, Let’s Run Away?

Está no ar!! Visitem-nos em letsrunawaytravelblog.blogspot.pt ???

Uma foto publicada por Let’s Run Away Travel Blog ? (@letsrunawaytravelblog) a

 

halfway2happiness

O nome do blog poder-se-ia traduzir como Meio caminho para a felicidade, mas uma família de pai, mãe e filhote de 4 anos a viajar pelo mundo, mais me parece que encontraram o equilíbrio perfeito para uma felicidade completa! Investi algum tempo a ler os artigos deles e adorei a forma como escrevem, e sim, escrevi investi pois ler artigos apaixonantes sobre uma família que viaja é uma aprendizagem só por si.

 

Dobrar Fronteiras

O blog Dobrar Fronteiras é já um dos blogs de referência de Portugal, criado em 2006 numa altura em que o Facebook ainda não era tão popular em Portugal, foi um espaço que começou como forma de partilhar com amigos e família o decorrer de uma viagem épica de carro até à Guiné Bissau. A partir daí, são muitas mais histórias para todos nós acompanharmos!

Uma das coisas que mais gosto do blog é o seu estilo de escrita, é ler experiências na primeira pessoa e sentir que estamos ali, naquele momento da vida de uma pessoa real, e que partilha bem mais do que experiências mas também detalhes culturais sobre os locais que visitou.

 

Viajar só?

Mais outra apaixonada por viagens, claro está, ou não a estaria a listar neste artigo 🙂 Chama-se Marta, e tem um filho muito querido, que é o seu blog, que já conta com 5 anos. Fala, anda e até corre, pelo mundo, está um crescido o filhote da Marta! No blog conta-nos as suas experiências de viagem, em estilo de diário, e partilha também imensas dicas baseadas na sua experiência pessoal. Sendo natural do Algarve, onde também mora, são muitos os artigos que mostram o quão de bom e a conhecer tem a região lá bem no Sul do nosso cantinho.

Suécia! #Suécia

Uma foto publicada por Marta Faustino (@martafg23) a

 

Dalí&Cia

Último blog desta lista, o blog da Sra. D. e do Sr. P., como se apresentam, que é de encantar assim que se abre a página. Recheado de fotografias, e com alguns vídeos a acompanhar que nos levam a conhecer de perto por onde andaram. É um blog que mostra a todos aqueles, como nós que têm uma vida tradicional das 9 às 5, que é possível viajar e conhecer o mundo, ou como eles dizem, tirar o cu do sofá 🙂

E como eles (nós), existem muitos mais blogs em Português de quem partilha experiências e dicas de viagem, descendentes de descobridores com um bichinho pelas viagens bem vivo e sempre prontos para mais aventuras.


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5 blogs de viagem em Português

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Snow Fighting

Mais outra foto de Londres, curiosamente tirada no mesmo fim-de-semana da outra foto que partilhei nesta mesma rubrica. Fim-de-semana frio, cheio de neve e algumas desventuras

Esta foto foi tirada em Hyde Park, o maior e mais conhecido parque de Londres. Como dá para ver na foto, estava bastante frio neste dia, aliás, se bem me lembro gelei mesmo! Mas também vi algumas pessoas a fazerem jogging…, com aquele frio e com alguns centímetros de neve…, mas as pessoas nesta foto encontraram outras formas bem mais divertidas de se manterem quentes e aproveitarem o dia 🙂

Snow Fighting

Uma das coisas que mais gosto nesta foto são os vermelhos, cores quentes num dia frio, e nesta foto estão 2 crianças e um adulto com casacos vermelhos. Além da acção presente na foto, também gosto bastante do detalhe da pessoa na esquerda a ver aquela mãe (presumo) a brincar com as crianças, boa disposição gera bons momentos noutras pessoas 🙂

Outro detalhe que gosto bastante, está do lado direito da foto, e apesar da criança meio atrapalhada a olhar para a neve ser bem fofo, o pormenor da mala mostra que aquela mãe parou ali para brincar com as crianças. Uma pausa para brincarem 🙂

Onde fica o Hyde Park?


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Snow Fighting

Marina de Kinsale

Entre os Portugueses que vivem na Irlanda, já não é a primeira vez que oiço dizer que Kinsale é a Cascais da Irlanda. Discordo em absoluto, ambas as vilas têm o seu encanto característico, e sinceramente acho que têm muito pouco a ver. Talvez mesmo só por serem à beira mar e serem ambas vilas bem bonitas.

O que também é normal se ouvir dizer, é que o Verão na Irlanda são apenas dois dias, e com sorte não chove em nenhum deles… É mais um exagero, claro está, mas por muita pena minha o Verão está longe de serem os 90 dias consecutivos sem chuva que Portugal nos acostumou… Mas por vezes temos dias destes, bem bonitos e que só dá mesmo vontade sair à rua, ou até mesmo sair da cidade e irmos até à praia…, ok, talvez não tanto, a água é fria por aqui…

Kinsale Marina

Não fui à praia, mas fui bem perto. Kinsale é bem conhecida por ser a Capital Gastronómica da Irlanda, e com bons motivos para tal, são vários os restaurantes pela vila, com comida bastante boa e peixe fresco! Fui lá jantar com um amigo, aproveitar aquele dia de sol para dar uma volta pela vila, e ficámos para jantar. Bem pertinho de Cork, e excelente para uma escapadela rápida.

Um pouco mais sobre Kinsale

Além das casas e lojas pitorescas que em muito caracterizam a vila, até mesmo quase como um modelo das vilas coloridas da Irlanda, uma volta pela baia é passeio obrigatório, se não estiver a chover 🙂 A baia está protegida pelo Forte Charles, um forte em formato de estrela, mesmo na entrada da baia. Para lá chegar, recomendo continuarem o passeio a pé, sempre junto à baia, passando por um pequeno mas florido trilho, e prestem atenção ao nome das ruas, irão notar vários nomes espanhóis. Este detalhe despertou-me a curiosidade da primeira vez que fui a Kinsale, e fiquei a saber que aquela vila foi também palco de uma batalha em que uma das últimas armadas espanholas tentou ajudar os irlandeses numa revolta contra os ingleses.

Para quem está de carro, a uns poucos quilómetros podem dar um salto à praia, uma pequena praia chamada Sandycove, ou um pouco mais longe, passando pelo cabo Old Head of Kinsale, podem ir a uma praia bem mais popular e bandeira azul, Garrettstown. Mas convém não esquecer que isto fica na Irlanda…, ilha banhada pelo Atlântico Norte…, yep, a água é bem fria! Mas ainda assim, volta e meia vou à praia, melhor que nada 🙂

Outro detalhe sobre Kinsale, que por acaso até já escrevi aqui no blog, é que Kinsale é a primeira (ou última) paragem da Rota Selvagem do Atlântico. Seja de passagem ou para parar, é uma vila que vale bem a pena visitar, muito para descobrir e também muito por onde comer.

Onde fica Kinsale?


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Marina de Kinsale

Transilvânia, castelos e… vampiros…

A caminho da Transilvânia

A Transilvânia é garantidamente a região mais conhecida da Roménia, mais que não seja de nome devido aos mitos, histórias e lendas que existem sobre aquela zona. Com uma semana de férias, claro que fiz questão de ir visitar esta zona. Não só pelas lendas, mas também pela natureza e as paisagens que esperava encontrar, e que não me desiludiram em absolutamente nada! Infelizmente, uma semana para um país tão grande como a Roménia, não dá para absolutamente nada…, só estivemos dois dias nas montanhas, mas foram dois dias muito bem passados.

A viagem foi sempre de carro, éramos 4 e a primeira noite seria em Brașov, uma cidade bem no coração da Roménia. Mas até lá, ainda passámos por outros sítios, e sempre a subir, e debaixo de chuva…, não muito bom para quem está de férias, mas não podemos mandar no tempo…

A primeira paragem foi para o pequeno-almoço, numa vila características já nas montanhas, como estava com pessoal local, deixei entregue a eles todos os pedidos para experimentar a verdadeira comida local. O problema disto, é que não faço ideia do que andei a comer… Devia ter tirado notas… Dalí continuámos a viagem, e a dada altura fizemos um pequeno desvio para um miradouro, seguimos as indicações e fiquei fascinado! Mesmo com a chuva, e com a neblina intensa, deu para perceber o quão bela aquela zona é. E claro, subir e descer uma serra é sempre divertido, até vimos animais pelo caminho 🙂

Miradouro nas montanhas
Miradouro nas montanhas

Castelo de Peleș

A primeira coisa que um português pensa quando ouve a palavra castelo é uma grande edificação de pedra, de preferência com uma muralha à volta. Pois, para mim, o Castelo de Peleș é um palácio e segundo o artigo em inglês na wikipedia, a sua forma e função também é de palácio. E um bonito palácio, mesmo considerado como um dos mais belos da Europa.

O castelo é relativamente novo, com apenas cerca de 100 anos, que fica já na zona da cordilheira dos Cárpatos, mas ainda não parte da Transilvânia. Hoje em dia apenas tem funções de museu, visto que a Roménia também já não é uma monarquia, julgo que não haja muita utilidade prática para um castelo/palácio no meio das montanhas, senão como museu. Lá dentro podem ver inúmeras obras de arte, pinturas e escultura (também pelos jardins). Infelizmente…, não pudemos ver nada disto 🙁 Chegámos uns minutos antes de fechar, e já não nos deixaram entrar…, foi mesmo pena 🙁 Ainda assim demos umas voltas pela zona publica dos jardins, tirámos umas fotos e aproveitámos aqueles momentos de sol depois de vários momentos de chuva durante a viagem…

Castelo Peleș
Castelo Peleș

Brașov

A noite foi passada em Brașov, uma das cidades já na Transilvânia. Ficámos num hostel bem no centro, mais central seria complicado! Fizemos o check-in, e fomos procurar um sitio para jantar, e acho que não podia ter tido mais sorte do que tivemos, música tradicional romena ao vivo no restaurante! Ficámos sentados num lugar privilegiado quase em frente aos músicos, foi grande animação e comida muito boa, claro! Na hora de pagar…, wow…, tão pouco! A Roménia é definitivamente um país bem barato para visitar, e bem bonito, é uma pena não ser tão popular como um local de turismo (ainda…).

Sendo uma sexta-feira, lá tivemos de sair à noite…, o local escolhido foi um bar mesmo junto ao hostel, acho que nem a 50 metros! Lembro-me perfeitamente do nome do pub, Times, e também me lembro de ter bebido imenso e ter pago tão pouco…, e como se não bastasse, depois de sermos expulsos do bar, depois dele fechar, ainda fomos para o bar do hostel! Que já estava fechado, mas ainda nos deixaram entrar! Dali, só mesmo de rastos para o quarto, e acordar no dia seguinte para mais umas voltas…

Praça em Brașov
Praça em Brașov

Na manhã seguinte ainda demos mais umas voltas por aquela zona da cidade, sem nos afastarmos muito, uma visita à Igreja Negra, o principal monumento Gótico do país, e também a maior e importante igreja Luterana da zona. Além das suas grandes dimensões, a igreja também bate o recorde do sino mais pesado do país, com 6 toneladas! E tem um impressionante órgão com 4000 tubos! Infelizmente não pude tirar fotos lá dentro, aliás, é possível tirar fotos mediante o pagamento de uma taxa para tal…, optei por não o fazer.

Castelo de Râșnov

A próxima paragem foi o Castelo de Râșnov, numa vila bem perto de Brașov, onde andámos pelas ruínas da cidadela. Da torre, que ostenta a bela da bandeira romena, dá para vermos aquela bonita vista pelos campos adentro, apesar de estarmos nas montanhas a impressão que dá é de planície. Andámos pelas poucas ruelas da cidadela, com várias lojas em estilo antigo para dar a sensação histórica do local, mesmo a puxar para gastar dinheiro em recordações…, não foi o caso…

A cidadela está dentro de duas muralhas, a primeira onde estão as portas principais do castelo, que assim que entramos vemos logo a colina do castelo, e a segunda linha de muralhas que é o castelo em si e onde a magia acontece. Passar por aquelas muralhas é como viajar no tempo, sem as guerras e sem o sangue…, só mesmo a parte boa 🙂

O nosso plano inicial seria passarmos pela estrada mais famosa da Roménia, e uma das mais famosas do mundo, Transfăgărășan, mas faltou um detalhe que não sabíamos…, devido à neve, esta estrada está fechada de Outubro até ao final de Junho, e nós fomos lá na última semana de Junho… Foi mesmo pena, por uma semana perdemos aquela vista fantástica. Pensava eu que do castelo só restava mesmo voltarmos para Bucareste, mas ainda me fizeram duas surpresas…

Pelo meio dos montes

A primeira paragem improvisada foi Cheile Rasnoavei (segundo o google, este é o nome), também conhecido pelo Desfiladeiro de Râșnov e que fica a cerca de 10km da vila. Quando lá chegámos, já ia de boca aberta, é que adoro mesmo natureza, e paisagens com um relevo tão dramático como aquele desfiladeiro deixa-me mesmo de boca aberta. Encontrámos algumas pessoas a fazerem escalada, e outras muitas em passeio de família, como estávamos apertados de tempo apenas demos uma pequena volta a pé de uns minutos, e voltámos para o carro para irmos para a segunda surpresa…

A segunda surpresa foi uma gruta bem perto de Râșnov, Valea Cetăţii, uma gruta que foi descoberta há menos de 100 anos quando uma das entradas rebentou, era uma gruta cheia de água cuja pressão forçou uma brecha para o exterior que colocou a descoberto a gruta. Não é uma gruta espectacular, mas tem uma galeria bem grande onde também fazem concertos, claro está, a acústica é brutal! Durante a excursão, desligaram todas as luzes e pediram para ficarmos todos em silêncio, para termos uma ideia do que é estar na cave no seu ambiente natural…, o problema…, algumas pessoas ao meu lado não se calaram nem durante um segundo 🙁 Mas deu para perceber a escuridão absoluta, não conseguia ver absolutamente nada, ao ponto de quase perder o equilíbrio. Que sensação estranha!

Vista para as montanhas Piatra Craiului
Vista para as montanhas Piatra Craiului

De regresso a Bucareste

E como já se estava a fazer tarde, lá tivemos de nos meter à estrada novamente a caminho de Bucareste. Pelo caminho passámos por parte das montanhas Piatra Craiului, onde parámos para jantar e aproveitar as vistas brutais das montanhas! Ficámos até depois do pôr-do-sol, na companhia de um cão que andava sempre de volta da nossa mesa, estava até a ficar frio quando começou a anoitecer, mas quisemos continuar na rua só mesmo para aproveitar aquela vista de tirar o fôlego…, mas tudo o que é bom acaba…, e lá tivemos de nos meter à estrada uma última vez até chegarmos a Bucareste…

Ah…, quase que me esquecia…, não vimos vampiros 🙁 A única desilusão da viagem, dois dias pela Transilvânia e nem um vampiro para nos receber 🙁


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Transilvânia, castelos e... vampiros...

Passeio a Nimbin e lagos “secretos”

Uma viagem torna-se imensamente mais interessante quando os planos mudam…, pois, aposto que nem todos concordam com isto…, e sinceramente, quando isto me acontece também não acho muita piada, mas depois acabo por adorar. É uma ansiedade parva, planos que mudam?? Como assim? Então e aquilo que eu queria tanto fazer? Pois… A pensar nisto, até já criei uma infografia sobre os prós e cons de organizar uma viagem, e a conclusão a que sempre cheguei quando os planos se alteram, é que há sempre qualquer outra coisa para fazer. É impossível vermos tudo, então, mais vale tentarmos aproveitar ao máximo o que conseguimos!
Passeio a Nimbin e lagos "secretos"

Whirlwind Tour

Esta viagem a Nimbin foi exactamente isso mesmo, uma excursão não planeada. Já me tinham falado de Nimbin em Sydney, e para ser sincero, não tinha mesmo curiosidade nenhuma em lá ir. A reputação é simples, uma vila “hippie” onde o turismo de drogas é bastante forte. Qual o interesse disto? Não sei, talvez para alguns, não para mim. Ainda assim, acabei por ir nesta excursão…, porquê? Porque o resto do plano era exactamente aquilo que eu procurava!

No balcão de turismo do hostel descreveram-me a excursão como uma passagem por algumas cascatas e lagos secretos. Como adoro nadar, e até estava calor (apesar do tufão), pareceu-me um excelente plano alternativo! Pelas 9:30 lá estava eu, no ponto de encontro preparado para o dia de aventura com o grupo do Whirlwind Tours!

Nadar sob uma cascata

O primeiro ponto de paragem foi numa pequena cascata, como a rota é definida como “lagos secretos” fiquei sem saber por onde andava, e a rede móvel não ajudou, senão até marcava no mapa por onde tinha andado. Ao chegarmos à zona da cascata, fomos a um pequeno miradouro para o lago, onde estava um casal a nadar…, completamente nus… Pronto, logo ali deu para perceber que a cascata não é mesmo muito conhecida 🙂 Para chegarmos ao lago tivemos de passar por um trilho, que estava bem escorregadio da chuva, mas valeu bem a pena. Assim que chegámos lá abaixo, deu para ver que a água estava demasiado turva e com mesmo muitas rochas, não faltaram pontapés na pedra… Curiosamente a água nem estava fria, soube mesmo bem! E o duche de queda de água? Que saudades…

Não faltaram fotos, e mais uma vez, fiquei com ainda mais certezas de que comprar a GoPro foi uma decisão acertada! O nosso guia também tirou imensas fotos com a câmara dele, que mais tarde nos deu para juntar ao que cada um de nós já tinha, e claro, a foto de grupo. Em que numa delas…, quase que ficava preso debaixo de água, escorreguei numa das pedras e perdi o enquanto todos estavam a pousar para a foto. Tão bom…, ou não…

Saltos no lago azul turquesa

Dali fomos para outro ponto para nos molharmos ainda mais, um lago artificial com uma água azul como nunca vi! Tanto quanto deu para perceber, aquele “lago” é o que resta de algo como uma exploração de argila (?!), mas juro que nunca vi água tão azul, de uma cor lindíssima! O objectivo daquela paragem foi mesmo saltarmos do meio da falésia, quem quis saltar subiu pela parede com a ajuda de uma corda, o que foi relativamente fácil para os primeiros três ou quatro…, mas conforme a parede ia ficando mais molhada, a argila começava a escorregar ainda mais. Chegado ao ponto de salto, só havia mesmo uma forma para descer… Saltando!

À minha frente foi uma rapariga, que hesitou imenso para saltar, de facto, lá de cima a altura parecia outra…, armado em campeão disse-lhe para ela saltar, sem pensar. Claro que ela hesitou, mas acabou por se sentar e saltou assim. Depois foi a minha vez…, olho para baixo e penso no que disse à coitada da rapariga, e claro, não podia dar parte fraca. Preparei-me para a foto…, e salto com a câmara na mão! Acho que caí mal, o lado direito do rabo ficou-me a doer durante um bom bocado, e a mão do lado esquerdo. Como fiz isso? Não faço ideia…

Saltos no Lago Azul
Saltos no Lago Azul

Acabei por não voltar a saltar, fiquei ali a nadar e a brincar com a câmara, mas houve quem saltasse de ainda mais acima, e aí sim, metia respeito até para quem via de baixo. Nem sequer equacionei subir lá acima… A brincadeira terminou, hora de ir para a carrinha, ao sairmos do lago reparei numa placa com avisos, riscados com grafitis, com avisos que se conseguia ler “perigo” e “saúde“…, felizmente não aconteceu nada, e até acho que valeu bem a pena 🙂

Nimbin

Lojas em Nimbin

Ainda a caminho de Nimbin tivemos de decidir o que seria para o almoço, para quando chegássemos ser só sentar e comer. Gosto deste tipo de planos! Sentar e comer, combinação perfeita! Uns minutos antes de chegarmos fomos avisados pelo nosso guia para se quiséssemos comprar algo ilícito para não consumirmos nem antes da viagem de regresso, nem dentro da carrinha. Segundo parece, ele já teve algumas surpresas desagradáveis…, ainda assim achei estranho aquele pedido. Afinal, mas Nimbin é mesmo como dizem? É…, assim que chegámos, atravessámos por um quintal improvisado onde não faltou oferta…, mas lá continuámos a andar. O nosso guia disse que toda a gente é extremamente simpática, e que não há quaisquer riscos. Pareceu-me seguro, mas no que respeita à simpatia, tivemos uma experiência um pouco mais desagradável…

Assim que comemos, fomos todos dar uma volta pela vila, de facto bem castiça, e toda a gente parece ser bem tranquila. E como turistas, claro que tirámos imensas fotos, a quase tudo… Uma das vezes em que estou a tirar uma foto, alguém se mete no caminho e se senta num banco, como eu já ali estava e queria tirar mesmo uma fotografia daquela perspectiva, tirei a foto na mesma. Assim que começo a andar, começo a ouvir outra pessoa a dizer que eu era extremamente rude por estar a tirar fotos à outra senhora sem permissão. Fiquei um pouco chateado, e com vontade de responder, mas não havia necessidade para tal.

Nimbin é basicamente uma pequena vila no meio do nada, com muita fama no que respeita à venda e consumo de drogas leves, é também essa a maior atracção para alguém visitar a vila. E eles já exploram bem esse conceito, bares, restaurantes e afins com decorações nesse sentido, e várias lojas com avisos de que não vendem drogas. O que é certo, é que são as drogas que geram grande parte do turismo na vila. Para mim, é sim uma vila bem castiça, mas não acho que valha a pena a quantidade de quilómetros para lá chegar, a não ser que seja com uma excursão passando por outros pontos de interesse, como os lagos e cascatas.

Regresso a Byron Bay

Hora de voltar a casa, mas com uma paragem inesperada, pelo menos para mim. Logo à saída de Nimbin está uma fábrica de velas, e fomos ver como é que eles as fazem, vários tipos de velas e formas diferentes de as fazerem. E claro, muitas velas à venda, para todos os gostos, signos e preferencias olfativas. Por acaso até achei aquela fábrica bastante interessante, um misto de artesanal e industrial, uma fábrica familiar. Uma das coisas que achei mais caricato e interessante ao mesmo tempo, é a forma como eles fazem para alisar o fundo das velas – com um ferro de passar a ferro! Simples, e eficaz! E segundo o que nos disseram, o ferro até dura bastante tempo, não se estraga com a cera. Achei a ideia simplesmente genial, e claro, esse pequeno detalhe é o suficiente para mostrar o lado artesanal daquele negócio 🙂

Fábrica de Velas
Fábrica de Velas

Ainda era de dia quando chegámos a Byron Bay, então fui dar um salto à praia, mas apanhei um chuveirada e lá tive de voltar para o hostel, e a caminho fui comprar alguma coisa para fazer para o jantar. Quando estou a pagar, reparo no empregado a olhar para a câmara…, alguém a roubar dentro da loja, a meter coisas nos bolsos e na mala! Ah! Apanhada pelas câmaras! Não fiquei para ver o que aconteceu depois, não me apetecia ser envolvido no assunto, e voltei para o hostel.

Comida, umas cervejinhas e depois cama, que no dia seguinte tinha de me meter à estrada novamente! Até que…, alarme às 4 da manhã… Tudo para a rua, e enquanto esperávamos pelos bombeiros, começa a cair uma chuva miúda… Era falso alarme, os empregados do hostel avisaram logo, mas os bombeiros tinham de cumprir com o protocolo. Ficou tudo excitado, e depois para adormecer demorou ainda um bocado, com um barulho nos corredores. Mas depois de um dia fantástico, acho que um alarme não me chateou assim tanto 🙂

Backup de Fotografias em Viagem

Porque é que tiramos fotografias quando vamos passear?

Obviamente que isto depende de cada pessoa, para uns fotografia é o seu ganha-pão, para outros é apenas um passatempo, enquanto outros apenas querem recordações. Mas há algo em comum a todos nós, perderem as fotografias de uma viagem é o suficiente para ficarmos com o dia todo estragado! Para quem faz vida com fotografia, então perder fotografias é também perder imenso dinheiro…

Normalmente as minhas viagens são de pouca duração, máximo de 2 semanas, mas já me aconteceu perder as fotografias todas e nem sei bem como num só fim-de-semana…, portanto backup de fotografias é algo bastante importante para mim. Aprendi a minha lição, e comecei a preocupar-me um pouco mais com as minhas fotos.

Na minha última viagem, à Austrália, o nível de psicose preocupação aumentou consideravelmente…, dois meses no outro lado do mundo. São mesmo muitas memórias que jamais irei querer perder, e perder um cartão cheio de memórias seria o suficiente para ficar uns dias bem chateado. Então, para evitar elevar esses níveis de psicose preocupação ao ponto de não me divertir, tive de procurar formas de garantir que não iria perder essas tão preciosas fotos da minha épica viagem. Após alguma pesquisa, decidi pela combinação das estratégias todas listadas abaixo. Sim, todas!

Múltiplos cartões de memória

Esta é a forma mais comum de backups, aliás, na prática nem pode ser considerado um backup pois não existem cópias. É o cartão que está na máquina com as fotos todas, e simplesmente vamos trocando por outro, e outro, e mais outro. Como esta era a opção mais evidente, e como já tinha alguns cartões de sobra, cheguei a ponderar enviar os cartões por correio para casa. Mas isso talvez até me deixasse mais stressado. E se o envelope se perdesse? Já tive más experiências do género, encomendas / cartas que nunca chegaram ao destino… Então tive de pensar noutras opções…

SD memory cards
Cartões de memória SD

Macbook Pro / iPad

Inicialmente ponderei levar o iPad. Perfeito para ter vários livros pelo peso de 1, poder tirar notas, poder ver e editar fotografias no momento, etc. Mas antes de me decidir, durante um mês só usei o iPad para cópia de fotos, trabalhar no blog, etc. De facto, dá para fazer isto tudo num iPad, mas não era assim tão prático como um computador, e o espaço disponível também mais limitado.

Quanto ao Macbook Pro, tive várias dúvidas em o levar, peso extra? Isso nem sequer foi problema, percebi logo que raramente iria ter de carregar o computador, seria apenas do autocarro para o hostel, e vice-versa. Portanto, o problema do peso nem sequer era muito relevante. Segurança? Sim, mesmo problema que o iPad, aliás, o iPad por ser mais pequeno até é mais fácil de ser roubado… Espaço em disco? Bastante!

Acabei por me decidir pelo Macbook Pro, e o facto dele já ser velhinho e eu já andar a pensar em comprar um novo, também me ajudou a decidir por o levar…, pois…, mas e se fosse roubado? Cartões de memória de um lado, cópias no Macbook Pro…, ainda não estava totalmente satisfeito…

MacBook Pro
MacBook Pro

Cópias de segurança na nuvem (iCloud)

Sim, o nível de psicose preocupação era grande…, decidi pagar pelo serviço de armazenamento de fotos do iCloud, 1TB. Cerca de 10€ /mês, e mais alguma tranquilidade. Mas como ainda tinha dúvidas, pesquisei bastante sobre esta forma de backup em viagem, e um dos comentários que mais me deixou inquieto, é mesmo o acesso à internet em locais mais remotos. Aliás, só para enviar a minha biblioteca toda para a nuvem, demorou quase 1 semana inteira!! A lentidão de envio das fotos ainda me deixou mais nervoso, apesar de ser uma excelente solução, poderia correr mal se não conseguisse uma internet minimamente aceitável.

Pois, acontece que raramente apanhei internet decente, e poucos gigabytes de informação chegaram a ser enviados durante os dois meses de viagem…, continua a precisar de um plano D) para backup de fotos sem internet…

Disco externo

E encontrei a solução perfeita! Comprei um My Passport Wireless de 2TB! É um disco externo com leitor de SDcards, que copia o seu conteúdo sem duplicação para o disco externo! Simplesmente adorei esta solução, usei umas quantas vezes antes de ir de férias, e achei genial! Existe uma aplicação para o iPad/iPhone, e daí conseguimos controlar o que foi copiado, o que ainda falta copiar, espaço livre, etc. Até dá para usarmos como router, e conectarmos à internet a partir do disco, mantendo o iPhone sempre conectado via wireless ao disco, sem termos de trocar de rede sempre que queremos aceder ao disco e/ou à internet.

Problemas do disco, um pouco lento, e não dá para ter a rede wireless ligada enquanto está conectado via USB ao computador (demorei algum tempo até perceber isto…). Mas faz o seu trabalho, uma cópia integral do cartão de memória, num disco que podemos colocar numa outra parte da bagagem.

Hard drive with SD card slot
Disco externo com entrada SF

A combinação do disco e do iPad seria perfeita, e bem mais leve do que o Macbook Pro. Porquê insistir em levar o Macbook Pro? Mesmo porque é mais complicado trabalhar no blog pelo iPad, é possível mas mais chato…, e nesta altura já me tinha decidido, portanto acabei por nem sequer equacionar mudar de ideias.

Em suma

  • Manter as fotografias sempre nos cartões de memória, mais vale comprar um ou dois extra do que confiar de que nada vai acontecer ao computador ou disco externo
  • Computador ou iPad para poder gerir as fotografias nos cartões de memória, e também como forma alternativa de dispositivo de armazenamento
  • Cópias de segurança na nuvem, não é a forma que mais aconselho, mas é uma alternativa a considerar para quem não tira fotografias em RAW ou não tira uma estupidez de fotografias por dia
  • Disco externo, para manter num local diferente das restantes cópias de segurança. Se formos roubados, existe mais hipóteses de não nos terem tirado tudo…

A estratégia, obviamente, que depende de cada pessoa. E certamente que existem outras formas mais práticas de garantir que não chegamos ao fim da viagem com metade das memórias fotográficas perdidas algures

E vocês? Fazem backup das vossas fotos enquanto viagem? Comentem com a vossa estratégia 🙂


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Backup de Fotografias em Viagem

Love Live Now

Há cerca de um mês fui passear com o meu irmão, cunhada e sobrinhos a um dos parques de Cork, Fitzgerald, onde estava a decorrer um dos muitos eventos que organizam naquele parque durante o ano. As filas estavam intermináveis, e filas para tudo. WC, barracas de gelados, de crepes e claro, também o café do parque. Enquanto estávamos na fila, apercebi-me logo da bandeira LGBT, ao chegar mais perto e li o que tinha escrito não consegui disfarçar o sorriso. Love (Ama) Live (Vive) Now (Agora)

Things that are nice to see 🙂 #hope #lgbt

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

Não é uma “fotografia”, mas mais um verdadeiro caso de instagram, mas tem imenso a ver comigo, bom saber que cada vez há mais aceitação e tolerância. Ama. Vive. Agora.

Alguma história por detrás destes gestos

A Irlanda é um daqueles países que está a surpreender mais no que respeita a aceitação e definição de valores morais, num passado não muito distante, 30 anos talvez, ser gay era crime. A Irlanda é um país com influências religiosas bem mais acentuadas do que Portugal, basta ver a quantidade de escolas católicas que existem pelo país. No entanto, há exactamente um ano atrás a constituição da Irlanda foi alterada para dar direitos iguais a casais, independentemente da orientação sexual dos envolventes. Foi um passo de gigante, a constituição foi alterada via referendo, isto é, toda a população foi consultada para aplicarem esta alteração, e o SIM ecoou bem alto. Foi uma mensagem bem forte de tolerância para o resto do mundo.

Mas no que respeita a aceitação, a Irlanda já tem algum historial bem positivo, basta olhar para a Bandeira Nacional e tentar perceber o que as cores representam. Laranja, os protestantes. Verde os católicos. Branco, a paz entre ambos. Esta foi a mensagem que a República da Irlanda deu ao Reino Unido, em particular à Irlanda do Norte que tanto discriminou e perseguiu os católicos. Parece-me que este povo tem o seu compasso moral bem alinhado. Ama. Vive. Agora.


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Love Live Now

“Bushwalk” nas Montanhas Azuis

Antes de ir para a Austrália, fiz uma lista de coisas que achava que me iriam dar jeito na Austrália, uma delas era ter uma câmara para fotografia subaquática. Visitar a Austrália e não ir à Grande Barreira de Coral é quase crime! Pesquisei imenso, vi câmaras para alugar, até cheguei a pedir a amigos, mas depois acabei por investir numa GoPro. Na altura achei que seria um desperdício de dinheiro, mas seria algo meu a responsabilidade de perder ou ser roubada seria menos intensa…, sim, seria exactamente a mesma coisa se a câmara fosse de outra pessoa, simplesmente comprava uma nova e o valor monetário perdido seria exactamente o mesmo. Mas ainda assim, preferi levar algo meu a pedir emprestado. Manias.

Até chegar a Sydney, nem sequer equacionei usar a câmara, tinha a minha DSLR e achava que não precisava de mais, mas entretanto surgiu a oportunidade de fazer uma caminhada pelas Montanhas Azuis, e porque não testar a câmara? Em alguns momentos do vídeo abaixo até dá para ver que estou a carregar duas câmaras, a ideia era mesmo testar a GoPro e também poder tirar algumas fotografias com a câmara que já estava habituado a usar.

Este é o primeiro vídeo que fiz, é um pouco ao estilo de trailer, mas faz parte dos meus planos fazer mais vídeos em breve 🙂

Mais afinal, o que é Bushwalking?

Bem, esta foi uma das perguntas que fiz ao meu amigo local, e a resposta foi… “It’s walking…, on the bush“, esclarecedor, não? Como aquilo tudo mais me lembrou uma caminhada pela montanha, ou hiking, decidi tentar perceber qual a diferença entre hiking e bushwalking, e aparentemente não existe nenhuma. É apenas uma diferente expressão. No entanto, na Austrália, hiking é considerado algo mais “intenso“, ainda assim, facilmente confundível com bushwalking. Para mim? Não existe diferença nenhuma! Diverti-me imenso, o nome que lhe dão não me interessa para muito 🙂

Este foi o primeiro vídeo, espero em breve publicar mais outro com outra parte da Austrália, talvez uma aventura maior? 😉

Onde fica Wentworth Falls?


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Uma volta por Montenegro num dia?

Parece muito, não parece? Mas depois olhamos para o mapa e pensamos O país até é pequeno, deve dar na boa…

Pois, mas não dá. Claro que não, há sempre imenso para ver e conhecer, só este pequeno país tem 5 Parques Nacionais. 5! E sabiam que Portugal apenas tem um? Pois, é verdade, mas explico mais abaixo o porquê disso. Quanto a Montenegro, quando se tem pouco tempo tenta-se sempre aproveitar ao máximo, por vezes é uma boa decisão, outras vezes mais valia ficar a dormir na praia. Felizmente, neste caso foi uma boa decisão.

Deixei os planos em aberto, nem sabia ao que ia, quando cheguei ao hostel vi que tinham um roteiro que parecia interessante, então inscrevi-me. Excelente oportunidade para conhecer outras pessoas, e excelente oportunidade para conhecer algo sobre o país, parecia-me o plano ideal para um dia em que não tinha nada planeado. Montenegro é um país bem pequeno e recente (como independente), mas dada a localização geográfica já estava a contar com muita história e curiosidades sobre o país. Não fiquei desiludido!

Miradouro em Lovcen
Miradouro em Lovcen

O primeiro ponto (importante) de paragem foi o Mausoléu de Njegoš no Parque Nacional Lovcen, o Mausoléu mais elevado do mundo, onde está sepultada a pessoa mais importante para os Montenegrinos, o prince-bispo Njegoš. O Mausoléu fica no segundo ponto mais alto do Parque Nacional, e a vista é de tirar o fôlego, literalmente… Para lá chegar acima, temos de subir imensos degraus, parece que nunca mais acaba, mas vale bem a pena. Importante referir que a visita não termina dentro do Mausoléu, há mais para ver por detrás do mesmo 🙂 No final de um caminho de uns 100 metros está um dos miradouros, de onde dá para ver o mar! Num dia de céu limpo como o que tivemos, é mesmo de ficar ali a apreciar a vista.

Como foi uma visita guiada, foi também repleta de curiosidades, falámos imenso sobre Njegoš, o facto de ser uma das pessoas mais inteligentes que por ali passou, falar fluentemente vários idiomas, e o facto de ser bastante atraente e desejado pelas mulheres… De relembrar que ele também era bispo, e segundo o nosso guia, ele morreu com sifilis… Claro que o guia fez algumas piadas, mas esta não é a informação oficial. Pelo que pesquisei, existe mesmo muito pouco a falar do assunto.

Porque é que só temos um Parque Nacional?

Para ter a certeza do que falo, enviei um email para o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, e a resposta que recebi não poderia ser melhor. Deu para perceber porque é que apenas temos um Parque Nacional, e quais as diferenças entre Parque Nacional e Parque Natural. A resposta que recebi encontra-se citada abaixo, na integra:

Por Parque Nacional entende-se “uma área que contenha maioritariamente amostras representativas de regiões naturais características, de paisagens naturais e humanizadas, de elementos de biodiversidade e de geossítios, com valor científico, ecológico ou educativo. A classificação de um Parque Nacional visa a proteção dos valores naturais existentes, conservando a integridade dos ecossistemas, tanto ao nível dos elementos constituintes como dos inerentes processos ecológicos, e a adoção de medidas compatíveis com os objetivos da sua classificação.”

Enquanto que por Parque Natural entende-se “uma área que contenha predominantemente ecossistemas naturais ou seminaturais, onde a preservação da biodiversidade a longo prazo possa depender de atividade humana, assegurando um fluxo sustentável de produtos naturais e de serviços.”

A grande diferença reside na existência de regiões naturais e na dependência da atividade humana para a preservação da biodiversidade existente. Em Portugal quase todo o território é constituído por paisagens e ecossistemas fortemente humanizados, e muitos deles dependem da manutenção de determinadas atividades humanas para continuarem a existir e para se manterem as condições que deram origem à biodiversidade que neles se encontra.

Existem ainda as Reservas Naturais, habitualmente áreas mais pequenas do que os Parques, mas com elevadíssimo valor para a conservação que correspondem a “uma área que contenha características ecológicas, geológicas e fisiográficas, ou outro tipo de atributos com valor científico, ecológico ou educativo, e que não se encontre habitada de forma permanente ou significativa. A classificação de uma Reserva Natural visa a proteção dos valores naturais existentes, assegurando que as gerações futuras terão oportunidade de desfrutar e compreender o valor das zonas que permaneceram pouco alteradas pela atividade humana durante um prolongado período de tempo, e a adoção de medidas compatíveis com os objetivos da sua classificação.”

Mais informação também pode ser encontrada aqui.

Do Mausoléu, fomos tomar o pequeno almoço numa pequena vila junto ao Parque Nacional, Njeguši, a terra Natal da dinastia que reinou em Montenegro por mais de 200 anos. Nessa localidade tivemos a oportunidade de provar presunto de Montenegro, que curiosamente está banido da União Europeia devido à quantidade de sal usado? Sério? Como pequeno almoço também provámos uma aguardente…, demasiado cedo? Não sei, mas tinha de provar!

Estátua de Njegoš
Estátua de Njegoš

Dalí seguimos até Cetinje, a antiga capital de Montenegro e ainda onde fica a residência oficial do Presidente e algumas embaixadas com edifícios bem bonitos. Andámos um pouco pela cidade para a conhecer, fomos até a um museu, de onde dá para ver uma maquete do relevo do país…, o nome diz tudo, o país está todo numa cordilheira, é simplesmente fascinante! Algumas das embaixadas foram reaproveitadas como bibliotecas e outros edifícios públicos, enquanto fazíamos o passeio a pé o guia foi-nos explicando um pouco da história recente do país. O porquê de terem ficado independentes com um referendo apenas, enquanto que  o Kosovo não consegue, o motivo é simples, o país já existia como tal antes da União. E quando tudo se separou, ficou como “Sérvia e Montenegro“, era este o nome do país sem declaração de soberania. O referendo foi fácil, e a transição ainda mais fácil.

Claro que surge a questão da moeda, como funcionava? O guia como piada disse que era bilionário…, a moeda local estava tão desvalorizada que os salários eram em bilhões de Dinares (Sérvios). Curiosamente, a zona de Montenegro tinha uma vantagem, em acordo com a Alemanha podiam usar o Marco Alemão, ou seja, não teriam problemas com desvalorizações, apenas teriam de converter os salários assim que recebiam. Questão de horas poderia significar uma perda significativa de dinheiro. Por isso, hoje usam o Euro, ainda que não sejam parte integrante da União Europeia. Eles têm permissão para usar a moeda da UE, e assim não sofrem com os problemas de desvalorização, e até para turismo tudo se torna bem mais fácil.

Rio Crnojevica
Rio Crnojevica

O próximo ponto de visita era opcional, passeio de barco pelo rio Crnojevica, que desagua no lago Skadar, o maior lago dos Balcãs e também um Parque Nacional. No que respeita a flora e fauna, é divinal! Tantos pássaros, um paraíso para quem gosta de fotografar e ver aves. No entanto, fiquei algo desiludido com a ligeira poluição no rio…, várias garrafas de plástico a boiar…, e tendo em conta que estávamos num Parque Nacional, a decepção acentua-se um pouco. Mas ignorando isso, é algo talvez a parte que mais gostei da viagem, é um rio lindo e de uma paz brutal! Ao regressarmos ao pequeno porto, fomos almoçar, e claro…, peixe! O restaurante bem castiço, com vista para o rio e no meio do nada, acho que ali já estava completamente apaixonado por Montenegro.

Vida selvagem em Skadar
Vida selvagem em Skadar

O último ponto da viagem foi Budva, uma localidade costeira bem perto de Kotor, onde fomos à praia! Mas antes da praia demos uma volta pelas muralhas da vila, onde reparámos alguns sinais em Russo. Sim, russo, não apenas cirílico (que seria de esperar vindo da Sérvia). Como sei isso? Uma das pessoas que ia na excursão comigo é filho de russos! Australiano e filho de russos, quais as probabilidades? Ele foi a minha companhia durante quase o tempo todo em Kotor, e por coincidência acabámos na mesma excursão, excelente companhia! E lá fomos até à praia, uma pequena praia mesmo junto à vila, depois de uns banhos de sol fomos nadar ao que começo a ouvir alguém falar em Português com pronuncia brasileira…, um grupo de brasileiros junto às bóias! Completamente bêbados, com 1 copo de vinho branco na mão, e…. com um telemóvel a tirarem fotos e a filmarem! Como ri, e ter de traduzir aquilo tudo para o Australiano? Ainda mais me ria! Ver o brasileiro a nadar com o telemóvel na mão para evitar molhá-lo, genial! Mas que grande Camões! Foi um tempo mesmo muito bem passado na praia, para relaxar depois de um dia inteiro a passear de um lado para o outro. Não fosse…, o relógio ter avariado dentro de água 🙁 Supostamente era à prova de água… 🙁

Budva
Budva

Depois só faltava o regresso a Kotor, passando por Jaz, uma praia junto a Budva onde estavam a decorrer uns concertos com gente bem famosa (não me recordo de quem agora), e com filas intermináveis…, estivemos parados imenso tempo no trânsito até podermos seguir para Kotor, mas finalmente chegámos ao hostel!


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Uma volta por Montenegro num dia?

Tatiana em Olhos d’Água

A foto

Esta foto já tem quase 6 anos, foi tirada umas duas semanas depois do meu sobrinho ter nascido, o irmão da Tatiana (na foto). Julgo que não seja necessário explicar porque é que esta foto me é querida…, mas quanto à fotografia em si, é uma das poucas fotos em que consegui apanhar a minha sobrinha distraída. Momento certo, e acho que a foto até nem ficou má de todo 🙂

Tatiana at Olhos d'ÁguaOlhos d’Água

Este Olhos d’Água não é tão conhecido como o do Algarve, este fica na nascente do rio Alviela no distrito de Santarém. Forma uma pequena lagoa excelente para quem gosta de nadar em rio, com águas calmas e com zonas para piqueniques. Recomendo vivamente a visita, mas o estacionamento poderá ser um pouco caótico em dias de fim-de-semana ou feriados.

Algo menos conhecido é a importância desta nascente, uma das mais importantes fontes de água doce do país, que em pico chega a fornecer o rio com 17 mil litros de água por segundo! E desde os finais do século XIX até bem recentemente, foi também uma das principais fontes de abastecimento de água para Lisboa. Não cheguei a visitar o Centro de Ciência Viva, mas depois de reavivar esta foto e pesquisar um pouco, fiquei cheio de vontade de ficar a conhecer um pouco mais sobre a região.

Um pouco em suma, é uma excelente zona de lazer para quem quer um passeio aquático algo diferente e uma forma para conhecer algo menos conhecido do nosso país.

Onde fica Olhos d’Água?


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Tatiana em Olhos d'Água

Viagem para Byron Bay e primeiras impressões

Viajar por terra é uma experiência fantástica, é a melhor forma de termos real noção da distância entre locais e de como os acessos tornam essas distâncias maiores ou mais curtas. Por vezes decidir ir por terra não é das melhores ideias, mas acabamos por fazê-lo na mesma por ser a forma mais económica. Foi o que fiz de Sydney para Byron Bay, uma viagem de 12 horas e 25 minutos durante a noite…

De facto, foi a forma mais fácil de chegar a Byron Bay. Talvez comboio fosse mais rápido e cómodo, mas também é mais caro. Avião? Não há voos directos de Sydney, portanto acabaria de ter de andar a trocar de transportes para chegar à vila. Autocarro? Visto que tinha o bilhete de multi-paragem de Melbourne a Cairns, seria mesmo a melhor decisão, e foi o que fiz.

Mas a viagem não foi simples, autocarro cheio, viagem durante a noite que custa imenso a dormir, e chegar cerca de duas horas antes de poder fazer check-in no hostel…, poupei uns trocos com uma noite de viagem, visto que não tive de pagar pela estadia nessa noite, mas cheguei mesmo cansado ao destino. A partir daí seria sempre para evitar viagens nocturnas, e afinal de contas, queria ver o país, e não passar por ele estando a dormir.

And here’s a photo from #ThePass #Byron #ByronBay #Australia #GilAroundOz

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

Também tive alguma sorte nessa viagem, não dá para reclamar de tudo. Talvez devido ao meu aspecto, barba por fazer com algum mau aspecto, acabei por ter dois lugares para mim durante a viagem toda, com o resto do autocarro completamente cheio! Vantagens de parecer um naufrago! Adoro mesmo a minha barba, já quase que serve de amuleto da sorte 😀

Chegar cansado, atordoado, numa cidade completamente nova para mim e bem confuso da viagem…, preparar-me para fazer check-in e assim que entrego o passaporte, falam comigo em Português! Uma brasileira no balcão de atendimento! Bem confuso para mim, e para ela, ambos já bastante desabituados a falarmos a nossa língua materna, acabou por ser um episódio algo engraçado para ambos. Ela ajudou-me imenso, e deu-me excelentes recomendações para conhecer a zona de Byron Bay, sendo que a primeira coisa que fiz foi mesmo seguir as dicas que ela me deu!

Encostei a minha bagagem num canto na sala das bagagens, e meti-me rumo à praia para uma caminhada pelo cabo até ao farol, o ponto mais a este do continente Australiano, e também o ponto mais a este onde já estive! Animais por todo o lado, e um dos primeiros lagartos que vi na Austrália, que me pareceu uma iguana. Quando cheguei ao farol o tempo começou a ficar pior, alguma chuva miúda, e como estava a meio do trajecto, simplesmente continuei a andar. Senti-me mega corajoso, andar sozinho pelo meio do bosque com tantos animais que me podem matar 😛 Nope, nada aconteceu…, nem uma cobra pelo caminho 🙁 Durante a parte junto ao mar supostamente é possível ver golfinhos, mas talvez devido ao mau tempo não deu para ver nada, talvez as condições de visibilidade da água também tenham sido bem afectadas, mas valeu bem a pena pela caminhada de qualquer das formas.

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Depois de voltar tive de tratar das minhas alterações de planos, inicialmente tinha marcado um passeio de kayak no mar, que devido ao mau tempo passou para o rio…, e que aparentemente, o mau tempo também afecta os rios… O problema foi uma tempestade nas Filipinas, e apesar de ser bem longe, afectou imenso a costa da Austrália e acabei por ter de improvisar. Deve ser algum síndrome de ter de ver tudo, Byron Bay já tem imenso para ver, mas ainda tive de inventar mais para me sentir satisfeito. Sentei-me no balcão de turismo do hostel, e comecei a pedir opiniões e sugestões do que fazer, acabei por marcar um dia a Nimbin, com passagem por alguns locais secretos para nadar. A ideia pareceu-me boa, e acabei por largar a nota.

Dei mais umas voltas pela zona da praia, mas estava de chuva portanto vontade de estar na rua não era das melhores. Já no hostel, arrependo-me um pouco de ter ido para aquele, senti-me completamente deslocado e sinceramente tive algum receio das semanas que se iriam suceder…, apesar de (teoricamente) a diferença etária não seja muito grande, a definição de divertimento é bem diferente da minha. Falei um pouco com as minhas colegas de quarto, mas tudo pequenos grupos onde senti que foi complicado de me integrar.

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Falando em colegas de quarto…, já tinha notado em Sydney e voltei a ter a mesma sensação…, acho que pelo meu nome pensaram que eu era uma rapariga…, mais uma vez, um quarto quase só de raparigas, já começava a ser coincidência a mais…

Dia muito cansativo, depois de ter dormido todo torto dentro de um autocarro e de um passeio, voltei a tentar juntar-me à camada jovem, mas nem me esforcei muito, estava bem mais interessado nos planos para o dia seguinte, e acabei por voltar novamente para o quarto. Quanto à vida nocturna, como não é algo que me puxe muito, nem sequer tentei ir conhecer nenhum dos bares, prefiro bem mais passear pela cidade e ver algo que não tenha por perto de casa, um bom descanso para aproveitar bem o dia seguinte.

Onde fica Byron Bay?


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Viagem para Byron Bay e primeiras impressões

Infografia: Planear vs Preparar

Há uns meses escrevi um artigo sobre as diferenças entre planear uma viagem e prepará-la (ainda não o traduzi para Português), desta vez decidi passar para formato infográfico essa mesma informação, mas sem conclusões. Porquê? Porque ambas as formas têm vantagens e desvantagens, e cada pessoa viaja da forma como lhe apetece, a informação abaixo tem como base a minha experiência pessoal apenas.

Planear vs Preparar
Planear vs Preparar

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