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América do Norte

Havana em dois dias, a minha visita à capital cubana

Havana foi a minha última paragem da minha viagem por Cuba. É algo que faço sempre que viajo, deixo sempre para o fim a cidade de onde vou partir, mesmo que essa seja também a cidade de chegada. A minha opinião sobre Havana ficou um pouco dividida. Entre um claro sentimento de que gostei da cidade, e um alívio de ter optado por conhecer melhor o resto do país. Ainda assim, dois dias não foi suficiente para conhecer a capital cubana devidamente, mas deu para ficar com uma ideia da vibe da cidade.

De Varadero a Havana

Quem pensa em Cuba, quase que imediatamente pensa em Havana e Varadero. E como referi antes, a minha viagem terminou em Havana, mas a paragem anterior foi em Varadero. Depois de dois dias de mau tempo, foi preciso chegar o dia de me ir embora para o sol dar ares de sua graça.

Acordei cedo, dei um salto à praia para tirar algumas fotografias com céu azul, e fingir que passei uns dias maravilhosos no paraíso, e estava pronto a partir. Tratei do checkout, e segui em direcção ao termina de autocarros.

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O transporte entre a peninsula de Varadero e Havana é directo, sendo um destino tão popular é normal o investimento em acessos mais directos e práticos entre estes dois locais. Foi uma viagem de cerca de 2 horas, e já estava a chegar a Havana. O problema é que também podem tentar enfiar gente a mais dentro do autocarro, o que foi o caso. Duas pessoas tiveram de fazer a viagem toda sentadas no chão.

A minha recomendação é a que viagem sempre com o mínimo de coisas possível, assim não perdem tempo a tentar meter a bagagem no porão, e depois arriscarem-se a ficarem sem lugar sentado. Só vi isto acontecer nesta viagem, mas de qualquer das formas prefiro sempre viajar mais leve.

Primeiras impressões de Havana

Cuba é um país pobre, muito devido ao comunismo. Mas também um país com uma grande dualidade, ao extremo de até existirem duas moedas diferentes. Uma para turistas e outra para os locais, e as diferenças entre estas duas moedas podem fazer a diferença entre uma refeição de uns cêntimos para uns euros. Dependendo da moeda usada, e do local, a diferença pode ser abismal.

O facto de haver uma discrepância tão grande, e um controlo pelo governo de quase tudo, isto dá origem às pessoas tentarem encontrar outras formas de rendimento usando outros meios. Uma das coisas que me avisaram sobre Cuba, é sobre os “amigos locais”. Não passei por esta experiência, mas conheci em Cuba quem viveu isto, alguém muito simpático mete conversa, convida-te para uma bebida numa tasca qualquer. Tudo muito normal, a diferença é que o preço final é bem mais caro do que o esperado. E “o amigo local” recebe uma comissão por cada pessoa que consegue levar a essa tasca.

Rua em Havana Vieja
Rua em Havana Vieja

E depois existe a parte dos pedinchões constantes. Quando chegamos a Cuba com uma ideia pré-formada de que as pessoas são pobres, a tendência é a ajudar. Mas depois de se viajar pelo país, e falar com muitos locais, começamos a perceber uma realidade diferente. Como deixei Havana para o final, a minha experiência foi muito mais negativa do que talvez tivesse sido se tivesse visitado Havana logo à chegada. Pessoas constantemente a pedirem de tudo, e não só a pedirem, mas também a exigirem e até a serem rudes.

Com uma câmara ao pescoço e uma mala às costas, só me faltava um letreiro a dizer TURISTA. E isso atraiu mesmo muitas pessoas a pedirem dinheiro, seja directamente ou de formas mais criativas. Uma das formas que me abordaram foi com grupos de músico a colocarem-se à frente da minha câmara para eu os fotografar e depois pedirem “uma ajuda”. Ou esse mesmo grupo a insistir para fazer um vídeo com eles, para eu mostrar no instagram. E claro, a troco de algum dinheiro. A insistência foi constante, e deixou-me bastante desapontado com tanto assédio.

Mas existe muito mais de Havana do que isto.

Explorar um pouco da capital cubana

Como já cheguei a Havana na parte da tarde, não me restava muito do dia para explorar a cidade. Fui deixar as bagagens à casa particular onde estava a ficar, e depois decidi perder-me um pouco dentro de Havana Vieja.

Com o meu guia de viagens comigo, fui seguindo algumas sugestões. Mas comida é uma prioridade para mim, e uma das recomendações da Lonely Planet é o restaurante de tapas Lamparilla Tapas y Cervezas. Muito bom mesmo! Deram-me uma amostra de uma sopa a provar que adorei, só não sei bem o que comi, mas muito bom mesmo! Para comer escolhi beringela com queijo e cebola vermelha, e bebi um sumo de manga muito bom!

Carros antigos em Havana
Carros antigos em Havana

Ao contrário do que muita gente diz, em Cuba existe internet. Não é barata, mas podemos ter internet, compramos uns cartões e podemos aceder à internet em alguns espaços específicos, normalmente praças e jardins. Como o mundo dos viajantes é muito pequeno, e como somos todos ovelhas que seguimos as mesmas passadas, estava eu sentado num peal ligado à internet, quando reparo no casal que estava literalmente ao meu lado. Um casal de alemães que tinha conhecido em Playa Girón! A minha experiência em Havana estava prestes a mudar!

Andámos a passear por Havana Vieja, e terminámos a noite num restaurante na Praça Vieja, chamado Don Eduardo Allegre a comermos croquetes de atum e a bebermos vários mojitos.

Perder-me nas ruas de Havana Vieja

Sem sombra de dúvidas, Havana Vieja foi a zona da cidade por onde mais andei. Adorei aquelas ruas, e cada canto é uma oportunidade para fotografia. E foi nesta zona onde visitei mais galerias e outros pontos de interesse.

Depois de comer um bom pequeno-almoço na casa particular, segui em direcção a Havana Vieja mais uma vez. Decidi visitar alguns museus e galerias, para conhecer um pouco mais além do que se vê nas ruas.

Visitar o Museu da Cidade

Um dos locais a não deixar de visitar em Havana, o Museu da Cidade, também conhecido como Museu dos Governadores, foi em tempos a casa dos Governadores de Cuba durante a época colonial. Foi a casa de 65 capitães generais como a sede colonial de Espanha, e posteriormente como centro de administração do exército americano. Depois disso também chegou a ser a residência oficial do presidente cubano, e até como câmara municipal. Ou seja, um edifício com muita história para contar.

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Recomendo vivamente a World Nomads, seguros especializados para viajantes. Bem detalhados antes de os riscos acontecerem!

Uma das coisas que achei mais interessante foi a sala do trono, que segundo me explicaram, nunca chegou a ser usado por nenhum rei. Durante a minha visita demonstrei imenso interesse em perceber os detalhes, então, de forma não intencional, acabei por ter uma guia privada que me acompanhou a explicar vários detalhes sobre a história do edifício.

Visitar o Museu do Naipe

Salvo erro, este é um museu gratuito. Fica mesmo no centro de Havana Vieja, numa praça, mas também passa um pouco de despercebido. O nome despertou-me a atenção, e como já ia com vontade de ver galerias e museus, optei por entrar. É um museu bem pequeno, basicamente sobre cartas e colecções de cartas. Existem cartas de vários tamanhos, com ilustrações bem diversas, e algumas até bastante raras. É um ponto de paragem interessante e diferente para quem visita a cidade, e como fica bem central acaba por ser uma experiência diferente ali mesmo na zona histórica.

Visitar o Museu da Farmácia de Havana

Mais outro local bem interessante para visitar, e também gratuito. Este com a particularidade de ser mesmo uma farmácia em funcionamento, com um estilo bem antigo e com algumas zonas em exposição com ferramentas e utensílios antigos que outrora foram usados em farmácia. Tanto na venda como na produção de fármacos.

Pequena Galeria no Museu da Farmácia de Havana
Pequena Galeria no Museu da Farmácia de Havana

Foi um dos museus que mais gostei de visitar, também na zona velha, e principalmente por ser tão pequeno mas tão interessante ao mesmo tempo.

A caminho deste museu tive uma experiência um pouco mais desagradável, fui literalmente perseguido por alguém por várias ruas. Nunca me abordou, mas sempre a olhar fixamente para mim, e sempre que eu mudava de rua, ele ia atrás de mim. Fiquei mais assustado quando decidi mudar repentinamente de direcção, e ele fez o mesmo! Foi aí que entrei no Museu da Farmácia, e deixei de o ver.

Visitar o Ojo del Ciclón, uma galeria de arte alternativa

Por sugestão do casal alemão, fui visitar esta galeria de arte. Algo bem alternativo mesmo, em que vemos o artista a trabalhar noutras peças de arte. Um detalhe sobre esta galeria, não é gratuita, mas funciona como doações. Eu não tinha dinheiro comigo, mas ainda assim deixaram-me entrar e explorar as várias secções da galeria. Se gostam de arte alternativa, então é uma galeria que recomendo. Eu achei bastante interessante, e gostei de ver que não era exactamente uma galeria, mas sim um atelier. Foi uma sugestão bastante boa, mas confesso que não é para o gosto de toda a gente.

Visitar o Museu da Revolução Cubana

Quem visita estes museus deve ir consciente de que está a visitar apenas uma perspectiva da história. Estamos a falar de uma Cuba comunista, que ainda usa imensa propaganda política.

Havana em dois dias, a minha visita à capital cubana
Havana em dois dias, a minha visita à capital cubana

O museu é de facto interessante, e fala sobre a história de Cuba, sobre as batalhas durante a revolução, com foco em alguns personagens importantes da história cubana. Mas muito em estilo de propaganda, ao ponto de terem comentários quase infantis em relação aos americanos. Não deixa de ser interessante de visitar, eu gostei. Mas há que ir preparado para ver apenas uma parte da história contada de uma forma bem romantizada com foco no Fidel Castro, Che Guevara e Camilo Cienfuegos.

Foi também neste museu em que finalmente me apercebi do quão jovens eles todos eram na altura. Não deixa de ser impressionante como jovens nos seus 20s conseguiram derrubar uma ditadura (para criarem outra…) com estratégias bélicas e como conseguiram tantos soldados para a causa.

Última noite em Cuba antes do regresso à Europa

Depois da galeria Ojo del Ciclón, a fome já apertava. Então voltei a seguir uma das sugestões da Lonely Planet e fui ao restaurante de tapas Chacón 162. Pedi um sumo de ananás, bruschetta e um creme de queijo. Enquanto estou a comer vou lendo o guia de viagens para planear o que fazer a seguir, quando ao meu lado se senta o casal de alemães e um casal italo-suíço que conheci em Trinidad! Sim, dois casais que conheci em situações diferentes, que por sua vez também se conheceram. O mundo dos turistas é mesmo muito pequeno…

Combinámos logo de sairmos à noite, infelizmente só deu para ser eu com os alemães, mas decidimos passar a última noite em Cuba com comida e copos!

Carro clássico e bicitaxi em Havana Vieja
Carro clássico e bicitaxi em Havana Vieja

Depois daquelas tapas ainda fui dar mais umas voltas pela zona velha, antes de nos encontrarmos para irmos a um bar, num terraço, e bebermos bastante! Nesse bar encontrámos um casal de gregos, foi bem engraçado ter metido conversa com eles só porque ouvi falar grego, o álcool de facto desinibe… Dalí ainda fomos até a outro restaurante, numa varanda numa das praças centrais de Havana Vieja, para comermos mais umas tapas de patatas bravas! Foi uma noite bem agradável, deu para rirmos imenso e foi sem dúvida uma excelente forma de terminar a minha viagem em Cuba.

Voltar a casa sozinho nessa noite também foi uma aventura, estava a ficar em Centro Havana, que pensava eu ser uma boa estratégia para poder visitar vários locais. O problema é que é um bairro com um aspecto não tão bom, não me senti inseguro, mas a caminho de casa, bêbado, foi no mínimo interessante. Pelo caminho fui abordado por prostitutas a meterem conversa, e eu entre meio bêbedo e ligeiramente assustado, sempre a andar rápido. Mas segundo o que me disseram, Cuba até é bem segura, portanto nem me senti inseguro. Desconfortável sim, inseguro nem por isso. Lá cheguei à casa, já mais para o sóbrio, e pronto para o dia seguinte!

Um adeus a Cuba…

No dia seguinte voltámos a nos encontrar, só um pequeno passeio, passámos por uma feira de velharias, e almoçámos juntos. Despedimo-nos, e eu ainda fui dar mais umas voltas para um último adeus à cidade antes de rumar ao aeroporto.

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Táxi reservado, tudo preparado, e lá fui eu para o aeroporto. Os taxis de e para o aeroporto são bem caros, salvo erro paguei 30 CUC (~30€). Bem mais do que viagens entre cidades, pois essas por norma são em taxis partilhados. Existe a opção de irem de autocarro, mas para isso precisam da moeda local, CUP, e os autocarros são muito velhos e por norma muito cheios e por rotas longas. Para chegar a aeroportos nunca arrisco…

O aeroporto de Cuba é bem pequeno, tem apenas cerca de 10 lojas e não há mesmo nada para fazer. Ainda assim consegui gastar os últimos CUC que tinha com algumas recordações de última hora. Depois foi só embarcar e rumo a casa…

Por Gil Sousa

Português emigrado em Cork, viajante e apreciador de boa comida.

3 comentários a “Havana em dois dias, a minha visita à capital cubana”

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