Percorrer o Circulo Dourado na Islândia de carro

Percorrer o Circulo Dourado na Islândia de carro

Ir à Islândia é um sonho de muitas pessoas, e por muitas e boas razões. Principalmente pelas paisagens de tirar o fôlego e das paisagens quase intactas que deixam qualquer um de boca aberta. Mas não só, também aquela mística toda à volta de um país cheio actividades naturais únicas que para o comum dos mortais, nós, são apenas parte do nosso imaginário. Como os vulcões, as auroras boreais e o sol da meia-noite. Mesmo para quem tem poucos dias para visitar, o Circulo Dourado é uma pequena rota bem perto da capital e fácil de visitar. Continuar a ler “Percorrer o Circulo Dourado na Islândia de carro”

12 lugares na Alemanha que visitei durante Erasmus

Quem já viveu fora do seu país sabe bem como uma cidade ou país nos pode marcar para um todo sempre, com boas e algumas menos boas memórias, mas é sempre um passo que foi tomado para fora da nossa área de conforto. A Alemanha para mim foi esse primeiro passo, a primeira vez que vivi fora do meu Portugal, a primeira vez que tive de aprender a não depender de absolutamente ninguém. Passaram dez anos desde essa aventura, e em dez anos já muito aconteceu, mas a Alemanha… Essas memórias estão aqui bem no meu coração e para ficar.

Para este ano tenho poucos planos de viagem, aliás, neste momento só tenho uma viagem marcada e nada mais. Mas, eu e os meus amigos de Erasmus (que conheci na Alemanha) estamos a pensar em nos encontrarmos novamente em Dresden para o 10º aniversário desde que embarcámos naquela aventura. Estou bastante ansioso por ver algumas caras que não vejo desde que cada um de nós foi embora, um por um, o quanto teremos mudado? É certo que hoje em dia o Facebook e outras redes sociais ajudam a manter as distâncias mais curtas, mas, como será nos encontrarmos cara a cara? Vai ser fantástico, estou desejoso por ouvir tantas histórias e contar mais umas quantas!

Depois desta introdução, parece-me que já se tornou óbvio qual o intuito deste artigo.

Uma ode aos lugares que visitei na Alemanha!

Berlim

Curiosamente, Berlim foi dos últimos locais que visite na Alemanha. Vivia a cerca de 200 KMs a sul de Berlim, e ainda assim, fui sempre deixando para o fim. Primeiro, porque achava (e em parte bem) que poderia visitar Berlim bem mais facilmente do que qualquer um dos outros sítios. Depois, porque fui adiando tanto, que chegou a uma altura que já todos os meus amigos já tinham visitado Berlim e eu já não tinha ninguém para me fazer companhia… Então acabei por ir sozinho, quase um ano depois de ter chegado à Alemanha, e só porque iria voar de Portugal directamente para Berlim, senão talvez nem isso.

Estação principal de comboios de Berlim
Estação principal de comboios de Berlim

Foi uma experiência diferente, fiz couchsurfing sozinho, salvo erro até pela primeira vez, e pouco conheci da cidade. Afastei-me pouco da zona do centro, fui a alguns pontos mais importantes mas, por estupidez natural, acabei por nem pedir informações nem dicas. De qualquer das formas, o muito pouco tempo que fiquei em Berlim foi o suficiente para me apaixonar pela cidade, uns anos mais tarde voltei e reafirmei o encanto da primeira vez.

O que fazer em Berlim?

Berlim é uma capital cheia de cultura, história, diversidade, vida e mesmo muito internacional. Só quem é uma seca de pessoa irá entrar em tédio em Berlim, há de tudo e para todos os gostos, e com vários espaços verdes, para aqueles que gostam de mais tranquilidade

Se há coisa que eu antes me evitava, mas que hoje em dia recomendo vivamente, são as visitas guiadas pela cidade, e pelos vistos não sou o único a pensar da mesma forma. Uma free tour é uma excelente forma de conhecer uma cidade pela perspectiva de alguém que conhece muito bem a cidade, e a um custo mais baixo. A sugestão de uma portuguesa que por lá viveu é usar os serviços da New Berlin Tours para a vossa visita grátis.



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E visitar Berlim sem ver o muro é quase considerado pecado. É uma parte viva da história, e em vários pontos da cidade somos (re)lembrados do que existiu ali há não muito tempo atrás, aliás, há menos de 30 anos… Da primeira vez que visitei a cidade apenas vi uma parte do muro no centro, onde já tudo foi desmantelado, e sinceramente quando me fui embora senti mesmo que me faltou “viver” essa parte da cidade. Da segunda vez que visitei, claro que tive de colocar a visita ao muro como prioridade.

Berlim é uma cidade cheia de cultura e historia, tal como referi antes, e não vão faltar actividades para todos os gostos. Aqueles que preferem museus, não faltam escolhas. É só abrir a lista e escolher um.

Onde fica Berlim?

Não devem existir muitas dúvidas sobre a localização da capital da Alemanha, é uma cidade bem conhecida por boas e más razões, e hoje em dia é um dos destinos mais visitados no país inteiro. Fácil de lá chegar, fácil de andar de um lado para o outro na cidade, e em regra geral muito segura. Mas onde fica exactamente?

Aqui mesmo! No norte da Alemanha, não muito longe da Polónia 🙂

Sendo a capital do país, obviamente que não irão faltar escolhas para lá chegar. Seja por ar ou terra, Berlim é uma cidade extremamente bem conectada ao resto do mundo, com dois aeroportos no activo e mais outro em construção.

Regensburg (ou Ratisbona)

Não sei bem porquê, mas tenho uma muito boa ideia desta cidade, apesar de só lá ter passado um par de horas de ambas as vezes que lá fui. É uma cidade bem pequena, mas com um centro histórico bonito e uma zona ribeirinha agradável. A primeira vez que lá fui foi com uma excursão a Salzburg, e dessa vez foi mesmo uma visita flash, salvo erro apenas duas horas e a correr…, mas como fiquei com desejo a mais, acabei por lá voltar com mais 3 amigos de Erasmus, todos eles tugas. Dessa vez passeámos pela cidade com mais calma, pois nem estávamos dependentes de transportes (com carro alugado). E se não estou em erro, até apanhámos uma multa de estacionamento… Memórias…

Regensburg
Regensburg

Enquanto pesquisava sobre esta cidade, fiquei a saber que o nome em Português é bem diferente do nome em Alemão, aliás, acho que tem muito pouco a ver. Aparentemente, Regensburg em Português chama-se Ratisbona!

O que visitar em Regensburg/Ratisbona?

A catedral é paragem obrigatória, mesmo para quem não é religioso. É um dos edifícios mais conhecidos da cidade, e talvez o que se vê melhor de quase todos os pontos da pequena cidade. A catedral aparece em primeiro lugar em quase todas as listas sobre coisas a fazer em Ratisbona.

Passear pela pequena cidade é passear pela história, são tantos os edifícios da era medieval que até a UNESCO listou Ratisbona como uma cidade de valor incalculável para a Humanidade. Portanto, uma visita ao centro histórico tem de fazer parte dos vossos planos!



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E para aqueles que gostam de geografia, e que tal um passeio pelas margens do segundo maior rio da Europa? Pois é, o rio Danúbio passa pela cidade, ainda bem pequeno pois naquele ponto ainda só tem uma extensão de alguns quilómetros. Ao passearem pelas margens do rio, não percam a oportunidade de ver a ponte de pedra e o museu. Se é que não vão mesmo ter de passar ali de qualquer das formas.

Onde fica Regensburg/Ratisbona?

Ratisbona / Regensburg fica no estado da Bavária, no sudoeste da Alemanha. Para lá chegar nem é muito complicado, apesar de não ter um aeroporto internacional fica a cerca de 100km de Munique e Nuremberga, e está muito bem servida pelo serviço ferroviário alemão. Tanto por ICE, comboio rápido, como pelos regionais.

Nuremberga

Torre do Castelo de Nuremberga
Torre do Castelo de Nuremberga

Ao contrário de Regensburg (não me consigo habituar ao nome Ratisbona…), Nuremberga apenas visitei uma vez, apesar de termos passado bem perto quando fomos a Salzburg na primeira viagem. Esta foi visitada durante a nossa grande viagem de Erasmus!

A nossa experiência em Nuremberga foi bastante positiva, ficámos numa grande vivenda de um casal bastante jovem e que estavam a receber pessoas pelo couchsurfing, e nós tivemos a sorte de eles nos terem aceite para ficarmos com eles. E só isso, foi metade da experiência, muito positiva por sinal.

E agora que olho para todas as fotografias antigas, é que vejo o quão mau eu era a tirar fotos…, quase tudo o que são igrejas e torres tenho a ponta cortada… Enquadramento? Para quê?

O que fazer em Nuremberga?

Primeiro, uma pequena lição de história. Porquê Nuremberga? Aliás, o que é que Nuremberga poderá ter de tão especial, além dos monumentos medievais, das muralhas e do castelo? A zona da Bavária é bem conhecida pela era medieval, felizmente muitos desses edifícios antigos continuam hoje preservados e visitar todas as pequenas cidades deste estado alemão é quase como viajar no tempo. Mas e no que respeita a uma história mais presente?



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Nuremberga tem um passado próximo muito negro, durante a época Nazi Nuremberga foi considerada como a cidade mais alemã de toda a Alemanha. E foi palco para os encontros do partido Nazista desde os anos 20. E simbolicamente, foi também o local escolhido para marcar o fim da Alemanha Nazi, onde decorreram os Julgamentos de Nuremberga. Esta é a parte que lamento mais por de não ter visitado, sabia bem desta parte da história e tinha conhecimento do Centro de Documentação, mas quando fomos visitar não fazia parte dos nossos planos. Porquê? Não me recordo bem, mas arrependo-me de não ter o visitado.

Como chegar a Nuremberga?

Como a grande maioria das cidades alemãs, também é bastante fácil chegar a Nuremberga de comboio. O sistema ferroviário da Alemanha é mesmo muito bom, e deve mesmo ser a melhor forma de ir de uma cidade à outra.

Nuremberga também tem um aeroporto internacional, e com a linha de metro dá para chegar ao centro da cidade em apenas 12 minutos.

E agora a surpresa, também dá para chegar de barco! Sim, isso é outra das peculiaridades da Alemanha, o sistema fluvial está muito bem mantido e vários rios são navegáveis por quase toda a sua extensão. Portanto, esta seria uma forma original de chegar à cidade.

Munique

Se há cidade na Alemanha que assusta o bolso de qualquer estudante Erasmus, então essa cidade é mesmo Munique. Muito bonita, bem conhecida pela festa do Oktoberfest, e com muita cultura. Mas também, bem cara!

Mais uma vez, esta cidade também fez parte da mesma viagem, e mais uma vez fizemos couchsurfing. Calhou-nos um português, e fomos mesmo muito bem recebidos! Apresentou-nos parte da cidade, levou-nos a conhecer amigos e ainda foi um excelente anfitrião em nos oferecer estadia e um excelente jantar! Bem mais do que alguma vez esperávamos, numa escala de 0 a 5, certamente que ultrapassou as 5 estrelas!

Munique vista de cima
Munique vista de cima

O que fazer em Munique?

Mais outra cidade da Bavária com mesmo muito para ver, e nada melhor que começar pela Catedral de Nossa Senhora, mesmo para os não religiosos. Assim que se entra na catedral é possível ver-se uma mancha no chão que lembra uma pegada, esta é chamada de Pegada do Diabo e segundo reza a lenda, o diabo pediu ao construtor da igreja para fazer sem janelas. Quando lá foi para rir da obra, só se apercebeu que existe uma janela quando lá entrou e a viu – devido a uma ilusão óptica, só é possível ver a janela de um ponto – o diabo assim, enfurecido, abandonou o local rapidamente deixando um rasto de vento que ainda hoje dura. Claro, são lendas, mas é interessante ver como estas histórias se formam.



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Outro local interessante para se visitar, é o rio Eisbach, não natural, onde existe uma onda permanente onde é possível fazer-se surf. Sim, surf! Quando lá fui, há 9 anos atrás, ainda era proibido surfar na onda, no entanto desde há uns anos que se organizam eventos e competições. Desde 2010 que é oficialmente permitido surfar naquela onda, mas recomendado apenas a surfistas experientes.

Munique é mais outra cidade cheia de vida, e recomenda-se a visita em qualquer altura do ano. É só ter atenção às épocas de eventos, que irá inflacionar um pouco os preços…

Onde fica Munique?

Se é fácil chegar a Nuremberga e Ratisbona, então Munique nem se fala. Aeroporto internacional bem grande, acessos ferroviários bastante bons, e claro, acessos por carro e autocarro. Munique fica no sul da Alemanha, sendo a capital do estado da Bavária. Bem perto da Áustria, e a meio caminho entre a Suíça e a República Checa.

Castelo de Neuschwanstein

12 lugares na Alemanha que visitei durante Erasmus
12 lugares na Alemanha que visitei durante Erasmus

Certamente que já viram fotos deste castelo, é provavelmente um dos castelos/palácios mais famosos de todo o mundo. Mas se calhar, muitos nem sequer sabem que ele existe. Confuso? Pois, talvez se viram fotos até pensaram que é apenas um castelo fictício ou um castelo modelo para a Disney. Mas não, este castelo existe mesmo e serviu de inspiração para o castelo da Disney e não o contrário!

Neu quer dizer novo em Alemão, neste caso o castelo ficou com este nome pois foi construído com base num outro castelo que existiu na zona, cujo nome era Castelo de Schwanstein. Outra particularidade deste castelo (ou palácio), é que foi construído como um local de retiro e uma homenagem ao compositor Wagner, pelo qual o rei Ludwig II tinha uma grande admiração. Infelizmente Wagner morreu sem nunca ter visitado o castelo, pois só foi concluído após a sua morte.

Visitar o castelo é quase como viver num conto de fadas, mas tudo com um aspecto tão “Disney”, parece tudo demasiado falso. Os quartos dos empregados metem inveja a qualquer um de nós, portanto imaginem como não é o resto do palácio. E as vistas? De sonho! A visita vale cada cêntimo pago, é um palácio surreal e não muito antigo, e quase que nem foi habitado…

O que fazer na zona de Neuschwanstein?

Além do castelo, ou melhor, dos castelos pois existem vários ali bem perto, um deles até dá para ver do Neuschwanstein, o castelo de Hohenschwangau. Um castelo também bem pitoresco, e este foi construído sobre as ruínas do castelo de Schwanstein. Uma grande confusão! Só de olhar as fotos dá vontade de fazer umas caminhadas, e a zona é mesmo excelente para isso. Para quem quiser tirar fotografias de Neuschwanstein de diferentes perspectivas, até recomendo a subirem uma colina ali bem perto. Foi de onde tirei a minha foto.



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Para quem quiser um pouco de menos Natureza, podem visitar a cidade de Füssen que fica ali mesmo ao lado. Ou as pequenas aldeias na zona. Mas sinceramente, acho que dado o local, o melhor é mesmo aproveitar para desfrutar das vistas e da Natureza, não faltam caminhadas para acelerarem o ritmo cardíaco.

Onde fica o castelo de Neuschwanstein?

O castelo fica bem perto da cidade de Füssen no sul da Alemanha, mesmo na fronteira com a Áustria. Para lá chegar, podem tanto ir de Innsbruck, na Áustria, ou uma viagem de comboio de 2 horas a partir de Munique, na Alemanha. Uma vez em Füssen, chegar ao castelo é bastante simples, existindo até a opção de ir a pé, para quem gosta de caminhadas.

Erfurt

Foi nesta cidade que fiz campismo selvagem pela primeira vez, estava com algum (muito) receio, mas acabei por fazer graças à insistência de um grande amigo. Tivemos muito pouco tempo para aproveitar a cidade, na verdade apenas um dia. Demos umas voltas pelo centro, fomos a um posto de turismo pedimos um mapa para visitar a cidade, e daí fomos à descoberta. Encontrámo-nos com outros amigos, e depois fomos à procura do nosso canto para a noite. Acabámos por ficar num bosque não muito longe do centro da cidade, até dá para perceber onde no mapa abaixo.



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O que fazer em Erfurt?

Um dos sítios de interesse a não perder mesmo é a Catedral de Erfurt, linda por fora e por dentro! Também na zona velha da cidade se pode visitar a quase milenar sinagoga, talvez a mais antiga da Europa num estado tão preservado. Para quem tem interesse também na história das religiões, recomendo a visita ao Monteiro onde Martin Luther começou como monge, o pai da religião Protestante.

Casa abandonada no bosque de Erfurt
Casa abandonada no bosque de Erfurt

Onde fica Erfurt?

Erfurt fica bem no centro da Alemanha, não muito longe de Dresden e Leipzig. Para lá chegar a melhor forma talvez seja de comboio, vários ICE (inter-cidades rápidos) passam lá com ligação directa a várias cidades principais, como Frankfurt e Berlim. A cidade também tem um pequeno aeroporto, com voos para vários locais turísticos do Mediterrâneo de do Mar Negro. Mas talvez de avião não seja assim tão prático. E claro, existe a opção de carro a partir de qualquer uma outra cidade maior.

Weimar

E Weimar foi a continuação da viagem a Erfurt, onde também acabámos por fazer campismo selvagem. No entanto um pouco mais extremo, na nossa procura pelo local perfeito acabámos por ficar junto a uma zona militar dentro de uma propriedade privada (talvez até parte dessa mesma zona militar). Dormi bem mal, com metade do corpo em cima de um tronco, mas mais uma vez uma experiência a recordar… Só no dia seguinte nos apercebemos que se calhar aquele local não foi dos melhores para acampar…

O que fazer por Weimar?

Quando se é estudante e com pouco dinheiro, os passeios resumem-se em muito ao que se pode visitar gratuitamente. E é ao escrever este artigo, 10 anos depois destas viagens, que me apercebo da quantidade de coisas que não vi e que se calhar até iria gostar de ter visitado… Em Weimar andámos pelo centro da cidade e fomos a um parque bem grande e agradável que lá está. Não visitámos mais nada, só mesmo aproveitar do que a cidade nos tinha para oferecer.

Ponte no parque de Weimar
Ponte no parque de Weimar

Ao pesquisar por dicas para Weimar, encontrei referência à Casa Kirms-Krackow, uma das casas mais antigas da cidade. Pelas fotos parece um local que vale a pena visitar, e até fica perto do castelo de Weimar, outro ponto de referência importante, onde podem visitar o museu.



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Onde fica Weimar?

Bem perto de Erfurt, Weimar também fica bem no coração da Alemanha. A melhor forma de lá chegar é de comboio, com rotas directas de Berlim, Leipzig e Erfurt com comboio rápido, ou de regional de outras grandes cidades como Dresden.

O aeroporto mais perto fica em Erfurt, portanto se querem visitar Weimar seria uma excelente ideia juntarem as duas cidades num mesmo plano, afinal de contas ficam bem perto uma da outra.

Meißen

Meißen
Meißen

Meißen (ou Meissen) é um daqueles locais que quase que ficava por visitar. E infelizmente nem sequer tenho um único artigo a falar dessa visita aqui no blog, talvez porque também foi uma visita muito curta de apenas um dia. Muitos dos meus amigos de Erasmus me falaram de Meißen, e era “já ali“. Por ser “já ali” é que fui adiando a visita, que quase que me esquecia de lá ir. Um pouco como Berlim, que quase que também ficou de fora… E esta vila afinal de contas, só fica a 25 km de Dresden… Acho que dificilmente poderia ser mais perto para quem vivia em Dresden…

O que fazer em Meißen?

Bem, eu visitei a vila essencialmente pela catedral e foi apenas a catedral (e o pequeno museu) que visitei. Apesar de estar em baixo de finanças na altura, até me recordo de ter pago para entrar na catedral, recordo-me que não foi muito mas ainda assim nunca gostei muito de pagar para visitar locais de culto religioso. Mas lembro-me bem de ter gostado do que vi, principalmente por fora. A catedral fica na margem do rio, e assim que se chega vê-se aquele grande edifício no topo de uma pequena colina. Só por essa visão fiquei satisfeito de lá ter ido. Andei um pouco pela zona antiga da vila, comi por lá mas depois acabei por voltar a Dresden. Foi uma visita bem curta, mas era algo que tinha de ser feito…



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Onde fica Meißen?

Tal como referi antes, fica bem perto de Dresden, a apenas 25 kms a norte da cidade. E quase como todos os locais que referi até agora, a melhor forma de lá chegar é de comboio. Existem comboios regionais a partir de Dresden, e em menos de meia hora já lá estamos!

Moritzburg

Em contraste com Meissen, Moritzburg por sua vez foi um dos primeiros locais que visitei. Aliás, até acho que foi a minha primeira mini-viagem fora de Dresden com o meu novo grupo de amigos. Uma vila que fica também a poucos quilómetros de Dresden, a apenas 15. Tirando a visita ao castelo, que fica no meio de um lago, não há muito mais a fazer na pequena vila. Mas se forem na altura do Natal, recomendo a visita ao mercado de Natal, não é tão bom como o de Dresden mas sendo mais pequeno também dá uma sensação mais acolhedora.

Palácio de Mortizburg
Palácio de Mortizburg

Onde fica Moritzburg?

Tal como referi antes, Moritzburg fica mesmo junto a Dresden, portanto da cidade até lá é só um saltinho. Dá para lá chegar de autocarro, ou então num comboio a vapor (algo que desconhecia até à data). Um meio dia dá para conhecer o castelo e dar umas voltas pela zona, que é bem verde e agradável para um passeio mais campestre.

Rügen

Rügen é a maior ilha da Alemanha, fica bem no norte do país e a apenas a cerca de um quilómetro do continente. Aliás, a proximidade é tal, que existe uma ponte a ligar a ilha ao resto do país. Fiz esta viagem mesmo no meu último mês na Alemanha, no seguimento da minha viagem a Berlim. A viagem desde Berlim foi à boleia, mas não da tradicional forma em que esticamos o dedo, mas sim através de uma página para pedir boleias, que funciona (ou funcionava) muito bem! Salvo erro a boleia deixou-me em Bergen auf Rügen, onde depois me encontrei com o meu amigo, daí fomos até Sassnitz, e acabámos a noite a acampar no meio de um Parque Nacional! Mais outro acampamento selvagem, e este ao som das ondas. Devo dizer que foi mesmo fantástico!



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O que fazer em Rügen?

Rügen é um grande destino turístico entre os alemães, e foi ainda mais popular durante a Alemanha Nazi. E não é à toa que assim o é, é de facto uma ilha muito bonita e com mesmo muito para visitar. A começar pelo Parque Nacional de Jasmund, com as encostas de pedra de giz e o bem-conhecido penhasco da Cadeira do Rei. As praias entre Sassnitz e Binz são bem bonitas, e até podem acampar (legalmente) lá, o que acabámos por fazer na segunda noite. De Binz a Putbus podem fazer uma viagem num comboio a vapor, numa das antigas linhas da ilha. Em Putbus recomendo uma visita ao “circulo de Putbus“, uma parte da vila (salvo erro o centro) para onde muitas ruas convergem.

Comboio a vapor em Rügen
Comboio a vapor em Rügen

Já fora da ilha, mas com a mesma em vista, recomendo uma visita à cidade de Stralsund, passámos lá uma tarde muito bem passada! A subida à torre da igreja deveria ser obrigatória para quem visita a cidade, aquela vista é simplesmente fenomenal!

Onde fica Rügen?

Como referi antes, fica bem no norte da Alemanha, banhada pelo Báltico. Para lá chegar já não é tão simples assim, ou de carro ou de comboio até Stralsund, e depois trocar para outro comboio que leva até Sassnitz. Também existe a possibilidade de ir de ferry, existem várias rotas que ligam a Sassnitz. Mas para visitar a ilha, recomendo mesmo um carro, nós usámos comboio e autocarros, e perdemos imensa flexibilidade por isso.

Suíça Saxónica

Deixei esta parte da Alemanha para o fim por ser uma das minhas preferidas, tal como Dresden (a seguir). Visite o Parque Nacional duas vezes, mas passei por lá mais umas quantas. Uma das grandes vantagens de se ser um estudante universitário em Dresden é que por cerca de 150€ se tem um cartão de estudante e passe de transportes que dá acesso aos campus todos da Universidade, até àqueles que ficam fora da cidade… Pois, um deles fica bem perto da Suíça Saxónica, ou seja, transporte incluído até lá! Na verdade, dá para ir mesmo até à fronteira sem pagar mais por isso!

Vale do Elba na Suíça Saxónica
Vale do Elba na Suíça Saxónica

A primeira vez que visite o Parque foi com uma excursão de Erasmus, nem sabia ao que ia e acabei por adorar. Não fosse eu já um amante pela Natureza, claro que iria ficar apaixonado pelo parque. Fizemos uma caminhada pela montanha que durou um dia inteiro, subimos e descemos colinas, escadas, rochas e um pouco de tudo. Piquenique a meio da viagem, e terminámos com um saboroso vinho quente junto ao rio Elba, já prontos para regressar a Dresden. Foi um dia em cheio, e dormi que nem um bebé quando cheguei a casa! Se gostam de Natureza e vão visitar Dresden, não deixem de incluir um dia dos vossos planos para este Parque Nacional!

O que fazer na Suíça Saxónica?

Felizmente é um sitio onde não falta do que fazer! Não só no Parque Nacional em si, mas também nos arredores. De realçar que o Parque Nacional, no seu total, situa-se em dois países, continua para o lado da República Checa, onde se chama Suíça Boémia. Sim, é mesmo verdade!

Da última vez que visite o parque foi para visitar a ponte Bastei, as vistas lá de cima para o vale do Elba são inacreditáveis! E ver um comboio a passar lá em baixo dá uma perspectiva ao quão alto estamos! E falando em alturas, porque não também visitar o castelo de Königstein? Este infelizmente não cheguei a visitar, mas espero cumprir com esse objectivo este ano!

E para quem gosta de desporto e actividade física, recomendo tanto a fazerem a ciclovia do Elba até ao parque, e/ou a fazerem uma caminhada pelo parque tal como eu fiz. Mas se forem de um estilo mais descontraído, podem sempre entrar num dos barcos turísticos em Dresden e descerem o Elba até à fronteira, também é uma viagem que vale bem a pena. Não irão faltar actividades para fazer na zona do Parque Nacional, é só puxar pela criatividade!

Onde fica a Suíça Saxónica?

O Parque Nacional fica na fronteira com a República Checa, no estado da Saxónia. Para lá chegar, ou vindo de Praga e de comboio – mas para isso, também irão ter a oportunidade de visitar o parque na zona da República Checa – ou desde Dresden, também de comboio ou com uma opção de barco turístico.

Os comboios internacionais rápidos não param nas estações intermédias, mas se forem de regional a viagem também não é demasiado longa.

Dresden

E deixei para o fim desta lista a minha cidade de eleição, não fosse esta a cidade onde passei a maior parte do meu tempo de Erasmus, com imensas festas, actividades e muito mais. E também onde fiz imensos amigos! Pena que a grande maioria dos artigos que escrevi na altura não eram sobre viagem, mas essencialmente sobre o meu dia-a-dia e acabei por os reformar por serem pouco indicados para a temática deste blog…

Mas para quem não sabe, Dresden é a capital da Saxónia, um estado no leste da Alemanha em fronteira com a Polónia e a República Checa. A cidade está repleta de história e monumentos, alguns deles até bem recentes. Monumentos recentes? Sim, durante a Segunda Grande Guerra, o centro da cidade foi bombardeado o que destruiu grande parte da parte velha da cidade. Após a guerra, vários anos mais tarde, decidiram reerguer a Igreja de Nossa Senhora, como tal as cores das pedras do edifício destoam dos outros edifícios que sobreviveram o bombardeamento. Não por serem diferentes, mas simplesmente por serem pedras novas e ainda por escurecer.

Como é óbvio, a cidade tem vários bairros, mas os dois mais centrais são conhecidos por “Nova cidade” (Neustadt) e “Cidade velha” (Altstadt). Devido à guerra e às cheias de 2002, que submergiram a zona velha da cidade, hoje em dia a Cidade velha está mais renovada, enquanto que a Nova cidade tem um aspecto mais antigo ou descuidado. Talvez agora esteja melhor, faz exactamente 10 anos que não visito a cidade…

Altstadt de Dresden
Altstadt de Dresden

O que fazer em Dresden?

Não pensem que por ser uma cidade não muito grande, que um dia basta. Não, não chega! Alias, a zona central é bem possível de visitar em um ou dois dias, mas para aproveitar devidamente a cidade vai ser preciso mais uns dias.

Além das zonas que já referi, de Altstadt e Neustadt, que tem imenso para ver e fazer, também recomendo a saírem do centro e irem explorar a zona de Pillnitz. No mapa abaixo dá para ver essa zona, mesmo no sul da cidade onde passa o rio. Para lá chegar, podem apanhar o elétrico numero 2, e depois atravessarem o rio no ferry que demora apenas uns minutos a atravessar o rio. Aí vão encontrar mais um dos muitos palácios da zona, e mais um excelente local para piqueniques. Quando lá chegarem, reparem nas marcas das cheias que atingiram a zona, e olhem à volta… Vão ver que é quase tudo planície… Agora imaginem o mar que ali se abriu, tal foi a altura das cheias.



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Para quem gosta de andar de bicicleta, também me aventurei pelo Bosque de Dresden (Dresden Heide) e me diverti imenso por aqueles trilhos, além de Natureza não há muito mais para ver ali, mas quem gosta de Natureza irá gostar de se aventurar. Se forem mais dados a uma Natureza citadina, então recomendo a visita ao Großer Garten, o Jardim Grande. No centro do jardim está mais um palácio… Sim, nesta zona da Alemanha também houve uma inundação de palácios… E junto ao Großer Garten recomendo a visita à Fábrica da Volkswagen, a Fábrica Transparente. É uma visita que vale a pena, gostei bastante de ver como fazem os carros numa fábrica com uma limpeza quase cirúrgica!

Palácio no Großer Garten
Palácio no Großer Garten

E, uma zona não tão visitada mas que tem uma beleza e interesse únicos, a Universidade de Dresden, com edifícios modernos e antigos, com particular destaque para a Faculdade de Informática, onde eu estudei.

Uma sugestão que dou é a irem para a zona de Neustadt um pouco antes do pôr-do-sol, e voltarem-se para Altstadt. O pôr-do-sol sobre a zona do castelo e da igreja é simplesmente fenomenal. Claro, que depende muito da previsão meteorológica…, com chuva é capaz de não ser assim tão bom…

Onde fica Dresden?

Dresden, a capital da Saxónia, fica entre Berlim e Praga no leste da Alemanha. Para lá chegar é bastante fácil, apesar de não existirem voos directos de Portugal, o aeroporto de Dresden está bem servido de destinos e conexões, até para vários aeroportos principais na Alemanha. Depois até ao centro, apenas uma curta viagem de comboio.

E falando em comboios, sendo uma cidade principal, é fácil adivinhar que também é bem servida por comboios rápidos nacionais e internacionais, aliás, até tem duas estações principais, uma em Neustadt e outra em Altstadt. Se tiverem oportunidade, não deixem de visitar esta cidade!

Próximos planos

Em comemoração do 10º aniversário desde que fizemos Erasmus, eu e os meus amigos estamos a planear um encontro em Dresden na segunda metade deste ano! Desde que terminei a experiência de Erasmus que nunca mais voltei à cidade, o misto de excitação e ansiedade já mexem comigo, e ainda nem sequer marquei o voo! São muitas e boas memórias que fiz naquela cidade, memórias estas que espero rever com os meus amigos!

Se gostaram deste artigo, seria uma ajuda muito grande se o partilhassem com quem conhecem. Um grande obrigado!

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Conhecer o Parque Nacional Burren no Inverno

Conhecer o Parque Nacional Burren no Inverno

O nevoeiro voltou a ficar intenso, mas mesmo intenso! O caminho era bem estreito, por quilómetros e mais quilómetros, e sempre sem luz. Se por norma já devemos conduzir com cuidado, naquelas condições ainda pior, a parte mais interessante é que atravessei parte do Parque Nacional Burren que iria visitar no dia seguinte, mas de noite, ou seja, sem conseguir ver absolutamente nada. O que também levou outra questão, e animais? Ainda mais cuidado a conduzir… E para juntar ao desafio, vimos vários avisos de partes de estrada inundada… Nevoeiro, luminosidade reduzida, estradas estreitas e partes inundadas… Interessante…

Foi um pouco tenso conduzir naquelas condições, e tudo até estava a correr bem, até chegarmos à zona do Lough Bunny, onde a estrada estava de facto inundada mas em avisos… Quando reparei, já estava dentro de água! Ainda foram uns 10 metros com água a bater debaixo do carro, o susto foi bem grande mas felizmente o carro não parou ali! Acho que fiquei a tremer por uns bons minutos, mas sempre a conduzir.

Histórias de um “blogger” à moda antiga

Observar pássaros a comer
Observar pássaros a comer

Encontrar o B&B também não foi fácil, mais remoto acho que seria complicado, esqueci-me de guardar a morada do B&B e foi complicado apanharmos internet no meio do nada, mas lá conseguimos. Quando chegámos “lá”, afinal ainda faltava um pouco…, olhando mais em detalhe no perfil do airbnb vimos que também tinha coordenadas GPS, que estavam absolutamente correctas!

O B&B tem um ambiente bem familiar, ainda bebemos duas garrafas de vinho com os donos, suíços emigrados há mais de 30 anos na Irlanda, e partilhámos imensas histórias. O dono viajou imenso durante os anos 70, contou-nos histórias que me deixaram de olhos a brilhar, um verdadeiro blogger à moda antiga, que passou para o papel todas as suas viagens, e que de vez em quando vai buscar um dos seus cadernos para ler algumas das suas aventuras. Partilhou connosco algumas das suas aventuras e desventuras, e deu um exemplo bem claro de como seguro de viagem é tão importante, mesmo quando estamos ao lado de casa como foi o caso dele. Acho que bati os meus níveis de excitação com aquelas histórias!

No dia seguinte acordámos cedo e tomámos um pequeno almoço bem robusto no B&B, feito pelo Joseph (o dono), e na companhia de vários pássaros que se estavam a alimentar num comedouro no jardim, tantas fotografias que tirei! Que ideia fantástica, tão fácil tirar fotos e de tão perto a pássaros em ambiente selvagem 🙂

Pelo Parque Nacional Burren

Dali, seguimos para o Parque Nacional, mas demos a volta por cima por Kinvara, foi o mais a norte que estivemos neste fim-de-semana, fomos ver o castelo de Kinvara mas apenas de longe, e sob uma chuva irritante como já é habitual na Irlanda.

A ideia era ir visitar o Parque Nacional Burren, mas depois da experiência da noite anterior, decidimos fazer um desvio pela costa e aproveitar para ver o castelo. Até queríamos aproveitar a zona, mas o tempo não estava mesmo nada convidativo, então tirámos umas fotos para assinalar a passagem, e seguimos viagem a improvisar um pouco com o GPS.

Nem eu nem o meu amigo sabíamos nada sobre o Parque Nacional, apenas que era altamente recomendado, mas nem sabíamos muito bem ao que íamos. Colocámos as coordenadas de GPS, e lá seguimos para o meio daquilo. E quando digo “daquilo“, o parque nacional é tão diferente do que se poderia esperar de um parque nacional na Irlanda que até deu a ideia que estávamos noutro país qualquer. Um parque nacional bem rochoso, no entanto bem cheio de vida.

No Inverno parece um pouco deprimente, muitas rochas cinzentas a condizer com o céu igualmente escuro, mas para quem está habituado e já enjoado de tanto verde na Irlanda, aquelas paisagens são de facto algo maravilhoso, mesmo sob o céu cinza e triste que nos acompanhava.

Castelo de Kinvara
Castelo de Kinvara

Sem um destino especificado, a receptividade à espontaneidade também é bem maior, a certa altura vimos indicações para uma perfumaria…, e que tal irmos lá ver? Sugeriu o meu amigo. Então lá fomos espreitar.

Perfumaria no Parque Nacional Burren

Para lá chegarmos, conduzimos imenso, e até já pensávamos estar perdidos, mas confiámos nas indicações. Lá chegámos a uma casinha bem castiça no meio do nada, no final de uma estrada sem saída, e com um pequeno parque de estacionamento. Aparentemente estava fechada, mas depois de tanto conduzirmos, experimentámos na mesma. Que é que tínhamos a perder? Absolutamente nada, aliás, até ganhámos imenso com isso!

Na minha opinião, visitar a Perfumaria Burren deveria ser obrigatório para todos que vão visitar aquela zona da Irlanda. A experiência só por si é uma aula de Flora e Fauna local, e a explicação do porquê a zona do Burren ser tão importante, e ser um dos Parques Nacionais. É um paraíso para flores silvestres, abelhas, borboletas e muitos mais animais. Aliás, se não fosse pelas flores, porque raio haveriam de criar uma perfumaria no meio do nada?

O espaço está excelentemente organizado, com algumas secções audiovisuais com imagens do Parque Burren durante as várias estações do ano (tenho de lá voltar no Verão). Obviamente que tem uma loja, com todos os produtos que criam, mas também explicam tudo quanto podem. Os processos de criação, como reconhecer os diversos aromas e como os categorizar, e claro, depois acabámos por comprar alguns produtos.

Anta de Poulnabrone
Anta de Poulnabrone

Já fora da zona da perfumaria, existe um pequeno café, que para muitos poderia passar despercebido, mas que mais uma vez recomendo vivamente a irem e experimentarem um dos muitos chás de flores locais que eles têm. Aliás, os chás também são parte dos produtos deles. Tudo o que se pode fazer com aquelas flores, eles tentam fazer. Perfumes, cremes, chás, sabonetes, tudo mesmo!

E falando em sabonetes…, antes de partirmos aproveitámos e fomos ao WC. Sim, parece que é informação desnecessária, mas não o é. O sabonete que eles têm lá é produzido na casa, e o cheio é simplesmente fantástico! Não voltámos atrás para comprar por vergonha, mas é uma excelente forma de mostrar os seus próprios produtos!

Anta de Poulnabrone

Um dos pontos de referência mais importantes do Parque Nacional Burren é mesmo a anta de Poulnabrone, fica numa das estradas principais e bem fácil de encontrar. Isto, claro, se tiverem a rota minimamente planeada, o que não foi o caso…, tivemos de fazer um desvio para lá chegarmos, mas foi bem interessante. Também bem mais pequeno do que imaginávamos, mas bem interessante! Tirámos várias fotos ao fim do dia, mas a luz já não era das melhores. Ainda assim acho que conseguimos algumas fotos aceitáveis.

Sendo um monumento megalítico tão importante, os acessos tão são muito bem sinalizados e com um parque de estacionamento bem generoso, para autocarros e carros particulares. Depois, por um pequeno trilho pelo meio das muitas rochas, chegamos à pequena anta. Pelo caminho existem várias placas a explicarem a morfologia da zona e do período aquando a construção da anta. Salvo erro é acessível também por cadeira de rodas, existe um caminho alternativo menos acidentado até à zona da anta.

Caverna dos ursos – Caverna Aillwee

A última paragem do nosso passeio foi também não planeada, vimos indicações para uma caverna dos ursos e visto que ficava a caminho, porque não? Com muito pouco planeado, acabámos por ter um fim-de-semana em cheio! E esta caverna não ficou aquém do esperado, mais outra história que se poderia dizer “só na Irlanda“…

Em suma, a caverna foi descoberta por um agricultor que a manteve secreta por cerca de 30 anos, até que um dia comentou a sua descoberta, mas aparentemente poucos acreditaram na sua história (informação dada pelo guia, não encontrei fontes a comprovar isto). Dependendo das chuvas e da altura do ano, existe uma cascata dentro da caverna, e é possível encontrar muitas fotos dessa cascata no google, mas nós não tivemos sorte com as chuvas (acho que nunca tinha escrito tal coisa sem usar sarcasmo).

O nome da gruta deve-se ao facto de terem encontrado ossos de ursos dentro da caverna, numa posição de hibernação. A parte interessante é que os ursos estão extintos da Irlanda há pelo menos 15 mil anos

Para ser sincero, a caverna é de facto interessante, mas muito curta e deixou um pouco a desejar pois uma das fotos que usam para marketing é uma parte da caverna feita pelo homem para permitir o acesso a um dos extremos da caverna. Mas ainda assim, valeu a pena a visita, apesar de esperarmos um pouco mais do que o que vimos.

Esta caverna ainda faz parte do Parque Nacional Burren, e foi o nosso último ponto de paragem antes de voltarmos para casa, mais um par de horas a conduzir depois de um fim-de-semana em cheio e repleto de boas experiências! Um Parque Nacional que recomendo vivamente a visitarem, seja em que altura do ano for.

Onde fica o Parque Nacional Burren?

Para quem vai visitar as Escarpas de Moher, então fica mesmo ao lado. Foi o que fizemos, aproveitámos o fim-de-semana para conhecer dois locais incríveis na Irlanda! Existem várias excursões que vos podem levar tanto ao Parque Nacional como às Escarpas. De Galway existem vários grupos e é a forma mais fácil de visitar, sem terem de “perder” meio dia só em viagens. Mas o que recomendo mesmo é a alugarem um carro e a se aventurarem, o Parque é incrível e tem mesmo muito para descobrir!

O que levei na mala para a Islândia

O que levei na mala para a Islândia

Finalmente cumpri um dos muitos sonhos de viagem que tinha, e esta viagem à Islândia foi um deles! Não vi a Aurora Boreal, aliás, não vi com os meus olhos… (mais sobre isto num próximo artigo), mas foi uma viagem que deu para aprender mesmo muito, até sobre como preparar a mala e a viagem em si.

Desta vez, para infelicidade do meu ego, a preparação da mala correu bem mal… Nunca tinha viajado para um país com fama de ser assim tão frio, pouco sabia do destino para onde ia (apesar de ter pesquisado bastante), e acabei por exagerar imenso em algumas coisas que coloquei dentro da mala…

Então aqui vai a lista

Gadgets

 

Comparando esta lista com outras listas que fiz…, começo a achar que tenho um problema com os electrónicos que carrego comigo…

Enfim, disto tudo, acabei por usar quase tudo menos o adaptador de corrente. Sinceramente não sei porque o levei, já levava um adaptador USB para tomadas estilo europeu, portanto funcionaram na perfeição. De realçar que as tomadas na Islândia são tal e qual como as em Portugal e resto da Europa continental, não é necessário qualquer tipo de adaptador.

No que respeita às baterias, começo a achar que ter baterias extra é mesmo uma mais valia. Quando tentei tirar fotos à Aurora Boreal, precisei mesmo de usar a bateria extra que tinha, ainda que as fotos não tenham ficado nada de jeito…, sempre foi melhor ter uma bateria para tentar… Já os cartões SD, apenas precisei de usar o sobresselente para a GoPro, os da Nikon nem sequer chegaram a ser usados (além do que já estava em uso), mas também já esperava isso, só os levei por precaução.

Roupas e higiene (e extras)

Pela lista, dá para ver que desta vez enchi a mala demasiado.., e sim, foi mesmo demasiado. Não tinha bem noção de como preparar a mala para um país com fama de ser tão frio, e ainda para mais não sabia bem ao que ia. Cascatas? Caminhadas? Neve? Chuva? O meu maior receio foi acabar molhado e sem muda de roupa, e como seria apenas uma semana não fazia sentido planear lavagem de roupa a meio da viagem. Então optei por me precaver desta vez…, mas demasiado para umas coisas, e falhei noutras.

Hey! Where are you going next little buddy? Is everything packed yet?

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

Um par de calças de hiking nem as usei, meias? 3 pares não usados… A ideia era usar pares duplos, caso estivesse muito frio. Mas curiosamente, o frio até nem era tão agressivo como pensava. Boxers? 1 par que não usei, a ideia era usá-los depois do snorkel, mas como acabei por nem ficar molhado (a explicar num próximo artigo), não foi necessário usar esse par. O mesmo para uma tshirt extra. Quanto aos calções de banho e toalha de praia, a ideia era usar isso caso fosse a umas termas, o que acabou por não acontecer.

O que faltou? Um par de luvas extra…, acabei por ficar com as minhas molhadas enquanto estava à espera para entrar na água, para o snorkel, e dava mesmo jeito ter um par extra. Não pensei nesse caso, de ficar com luvas molhadas…, e diga-se de passagem, faz falta. Faz mesmo muita falta ter um par de luvas extras e secas…

Em suma, desta vez exagerei imenso no que coloquei na mala. Como andei imenso de carro, bastava ter algum cuidado em não me molhar, e de resto seria tranquilo. Como não tinha ideia de como seria o tempo na Islândia, precavi-me pelo exagero…

Quanto a calçado, recomendo vivamente botas de hiking, mas das boas. Botas normais não serão o suficiente, principalmente em tempo de gelo. É essencial um par de botas que proteja bem o calcanhar, escorreguei algumas vezes e o terrenho é algo instável, e se se planeia em fazer algumas caminhadas também convém estar bem protegido. Se as botas forem boas, como as minhas são, então nem é preciso levar mais nenhum tipo de calçado. Para a Islândia, o que se quer é ver a natureza 🙂


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O que levei na mala para a Islândia

Itinerário alternativo para uma semana no Sul da Irlanda

Itinerário alternativo para uma semana no Sul da Irlanda

Há 5 anos que vivo na Irlanda, e é frequente pedirem-me dicas sobre o que visitar ou o que fazer. Já escrevi inúmeros artigos sobre as minhas escapadelas e viagens, mas nenhum guia! Portanto, nada melhor que começar pelo país onde vivo para escrever este mini-guia.

De realçar que este guia é para um itinerário alternativo no sul da Irlanda. Portanto nem sequer vou sequer mencionar em Dublin ou outras zonas mais populares. Não faltam artigos sobre coisas a experimentar na capital. Neste artigo vou-me focar apenas no sul da Irlanda, onde vivo e conheço bem melhor.

Recomendações

Com cidades pequenas e muitas zonas rurais, não é à toa que a Irlanda é conhecida como a Esmerada do Atlântico. Não faltam zonas verdes, mas para isto é preciso muita água… Mas isso também não é problema neste país, cai muita do céu… Portanto, venham prevenidos com um casaco impermeável. Porque não um chapéu de chuva? Porque também faz algum vento, e um chapéu de chuva na maioria dos casos só irá proteger a cabeça e pouco mais. A minha recomendação é mesmo um casaco com capuz e impermeável.

A melhor forma de conhecer a Irlanda é de carro, muito mais tranquilo e fácil para mudar de planos. Os transportes públicos e excursões são uma possibilidade, mas não tão boa… Conduzir do lado errado esquerdo da estrada não é nada complicado, uns 10 minutos e já se habituaram. O carro dá uma liberdade e oportunidade de conhecer zonas que de outra forma não iria ser possível.

Dia 1 – Cork

Ladies View, Parque Nacional de Killarney
Ladies View, Parque Nacional de Killarney

Este guia assume que começam a viagem a verdadeira capital do país, pelo menos é o que os locais dizem. Cork é a segunda maior cidade da República da Irlanda, e fica bem no sul da ilha. É também a capital do condado com o mesmo nome, onde vamos passar parte da nossa viagem.

Apesar de ser uma cidade, e dar para passar uma semana em Cork e vilas suburbanas, apenas vamos dedicar um dia à cidade. Acordar cedo, e começa por ir ao Mercado Inglês tomar o pequeno-almoço e aproveitar para conhecer um dos edifícios mais emblemáticos da cidade. Pisar o chão onde a rainha do Reino Unido esteve recentemente e fez história – a primeira vez em 100 anos que um monarca do Reino Unido vem à Irlanda, desde que é república.

Para mim, o segundo ponto a não perder na cidade é mesmo a Universidade, um dos meus sítios preferidos para levar amigos a conhecerem. E a melhor forma de lá chegar é mesmo passando por outros pontos de interesse, seguindo uma das muitas rotas marcadas pela cidade.

Dizem os locais que Cork tem um pub por cada dia do ano, vir à Irlanda e não experimentar uma das muitas cervejas locais é quase como não conhecer o país. Apesar da Guinness ser a cerveja mais conhecida da Irlanda, aqui no sul discordam disso, eles têm a própria cerveja nacional, a Murphy’s. Como dizem aqui, Guinness é cerveja para turista beber. Uma coisa é certa, as cervejas pretas (stouts) sabem bem melhor quando a torneira está constantemente a ser usada, dizem eles cá e eu confirmo. Não sei qual o motivo, mas a melhor forma de pedir uma stout é ver o que a maioria das pessoas está a beber, e pedir uma igual.

Dia 2 – A aventura começa, rumo ao sul

Grande parte deste itinerário vai passar por parte da maior rota costeira da Europa, a Rota Selvagem do Atlântico, e o primeiro sítio onde vamos parar é mesmo o primeiro (ou último) ponto da Rota do Atlântico, a belíssima vila de Kinsale. Vamos começar pela vila, percam-se pelas pequenas ruelas com casas coloridas que tão caracterizam as pequenas vilas da Irlanda, e continuem a caminhada junto ao mar em direcção ao Forte Charles. Na minha opinião, esta caminhada vale bem a pena, e podem até fazer uma paragem num pub que fica em frente à baia, excelente ponto intermédio antes de chegar ao forte.

De Kinsale, o melhor a fazer é mesmo seguir as indicações para “norte” da Rota Selvagem do Atlântico, mas atenção que estamos é a ir para sul. Confuso? Nem por isso, estamos a seguir em direcção ao final da rota, que fica bem a norte, mas para lá chegarmos temos de ir para sul por uns cento e tal quilómetros. A indicação de Kinsale a Mizen Head de facto pode dar origem a algumas confusões, o melhor é mesmo pensar no destino final, que fica bem a norte na fronteira com a Irlanda do Norte.

Apesar ter poucas recomendações quanto a este dia, vai ser um dia longo de muita condução e muitas paragens, pelo caminho vão ver paisagens fantásticas e não vão faltar oportunidades para tirar fotografias. A Irlanda não é conhecida como um destino de praia, mas vão encontrar muitas praias extensas pelo caminho, se se sentirem corajosos vale sempre a pena dar um mergulho nas águas frias do Atlântico Norte…

Dia 3 – De Rosscarbery ao ponto mais a sul da Irlanda

De dia 2 para dia 3, a minha recomendação é a passarem a noite em Rosscarbery, e talvez o melhor sitio para dormir será mesmo o Celtic Ross Hotel, a vista é brutal, e a vila extremamente agradável! Acordar ali é do melhor, uma caminhada até à praia, ou mesmo à volta da lagoa é a melhor forma de começar o dia antes de nos voltarmos a meter à estrada.

Rosscarbery e Portugal estão unidos por uma tragédia, o terramoto de 1755. O fundo da lagoa foi bastante afectado pelo tsunami que também chegou à Irlanda, mas com menor intensidade. Aliás, a lagoa muda todos os anos, com o movimento das correntes, quando está maré baixa são criados canais alternativos para a água vazar, e isso provoca a deslocação de areias e formação (ou destruição) de bancos de areia.

De Rosscarbery, continuamos pela rota do Atlântico e vamos fazer uma breve paragem no sitio do Circulo Megalítico Drombeg. Com sorte o tempo está bom, e dá para aproveitar devidamente para ver as paisagens e conhecer um pouco mais dos povos que ali habitavam.

Ainda mais a sul, passamos por Skibbereen, uma vila fundada por refugiados de Baltimore, que fugiram da vila após esta ter sido atacada por piratas. Em Skibbereen devemos procurar chegar ao lago Hyne, o maior lago de água salgada da Europa, que durante a maré alta fica tipo lagoa. Para lá chegar não é complicado, mas mais uma vez, há que ter em atenção a indicação e cuidado ao conduzir nas estradas estreitas. Aqui conduz-se do lado esquerdo…

Com tanto para ver, o dia termina em Baltimore, uma pequena vila mesmo no sul da Irlanda e do condado. Não, ainda não atravessámos o Atlântico 😉 O ideal será procurar onde dormir nesta pequena vila, para aproveita o dia seguinte logo desde o acordar.

Dia 4 – Cape Clear

O plano para este dia irá depender em muito da altura do ano, convém saber bem os horários dos ferries e encontrar alojamento onde ficar na ilha. Na altura do verão recomendo vivamente acamparem ou a ficarem num dos yurts que existem durante os meses de verão. E para voltar, mais uma vez, o horário dos ferries é bastante importante. De realçar que não dá para levar o carro para a ilha, e que terão de andar muito a pé para explorarem a ilha devidamente, mas irá valer bem a pena.

A ilha é o local habitável mais a sul da Irlanda, e de uma zona da ilha até dá para ver mesmo o ilhéu mais a sul. Este ilhéu é tido como o último ponto que os emigrantes irlandeses viam quando iam para os Estados Unidos, o farol Fastnet.

Itinerário alternativo para uma semana no Sul da Irlanda
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Dia 5 – Mizen Head e Bantry

Dia de acordar cedo! A primeira coisa a fazer é apanhar o primeiro ferry de volta a Baltimore, se não aproveitaram para conhecer a pequena vila no terceiro dia, é hora de aproveitar mas ainda vamos ter de andar bastante… Recomendo uma visita ao castelo, apesar de ser minúsculo é cheio de histórias e lendas, muito interessante para conhecer, e do topo tem uma vista lindíssima da baia e das ilhas em frente a Baltimore.

Mas o nosso primeiro ponto de visita ainda fica longe, e há que voltar ao carro e metermo-nos na estrada! Em direcção a Mizen Head, que apesar de ser conhecida como o ponto mais a sudoeste da Irlanda (ilha principal), não o é, esse ponto fica lá bem perto mas não é tão conhecido. Antes de lá chegarmos, podemos descansar um pouco e dar uma caminhada pela praia de Barley Cove (Baia da Cevada), facilmente se percebe o porquê desse nome assim que se chega. Aí já estamos bem perto de Mizen Head, mais uns minutos a conduzir e estamos lá. Apesar de se pagar para o passeio, se estiver bom tempo é mais uma daquelas coisas que recomendo vivamente a fazerem. Mas estejam bem protegidos contra o vento, pois é uma zona mesmo muito ventosa. Se estiver de chuva…, bem, sinceramente acho que é um convite para ficarem absolutamente encharcados, a vista continua a ser bem bonita, mas sente-se bem na pele… Sob estas condições, talvez seja melhor nem sair do carro…

Se estiverem ainda enxutos, ou predispostos a viajar molhados, depois da visita ao cabo é hora de se meterem à estrada em rumo ao destino final do dia, Bantry.

Dia 6 – Bantry e Península de Beara

Outro dia para muita estrada, mas antes um pequeno-almoço em Bantry e uma visita à Casa e Jardins de Bantry, um palácio cheio de história nesta pequena localidade, onde ainda os proprietários vivem. Quando a barriga estiver cheia, e já bem acordados, é tempo de voltar à estrada e visitar uma península não tão turística e bem mais rural, a Península de Beara. É aqui que vamos sair do condado de Cork pela primeira vez, mas só em parte da península, pois esta é dividida pelos condados de Cork e Kerry. Um dia inteiro não basta para aproveitar devidamente esta área, há mesmo muito para explorar e descobrir. Um dos pontos interessantes está mesmo na ponta da península, o único teleférico da Irlanda que liga à pequena ilha de Dursey. Não faz parte dos nossos planos visitar esta pequena ilha, mas se tiverem tempo (por exemplo, se forem no Verão), então talvez seja uma experiência interessante de ter.

Um dos problemas desta península é que existe mesmo muito para ver, e por vezes acabamos por ter de voltar para trás em alguns troços da viagem. Uma dessas partes é o Healy Pass, que atravessa a península de lado a lado na zona do meio…, ou seja, ou fazemos a rota em forma de “oito” ou teremos de voltar para trás. De qualquer das formas, temos sempre de passar duas vezes na mesma parte. De realçar que esta rota continua a fazer parte da Rota Selvagem do Atlântico.

Esta é uma das zonas mais virgens que conheço no sul da Irlanda, é excelente para fugir da realidade e abraçar a Natureza. As minúsculas vilas que se encontram pelo caminho são bastante pitorescas, e com um ar bem menos turístico do que as que vimos nos dias anteriores. Se quiserem aproveitar mesmo bem o tempo na península, sugiro procurarem um B&B algures lá pelo meio, assim há menos pressa para conhecer a zona. Mas em alternativa sugiro a dormirem em Kenmare, pois vamos passar por essa vila na nossa rota de volta a Cork amanhã.

Dia 7 – Parque Nacional e vila de Killarney

Cascata de Torc
Cascata de Torc

Último dia do nosso roteiro pelo sul da Irlanda, vamos passar por parte de uma das rotas turísticas mais visitadas da Irlanda, o Ring of Kerry (Anel de Kerry). Uma rota circular com paisagens fantásticas e com passagem por vilas bem bonitas, mas muito mais turísticas do que as que encontrámos até agora. Começando por Kenmare, onde passámos a noite, e continuamos em direcção a Killarney, pela Estrada Nacional N71.

Pelo caminho recomendo pararem o máximo de vezes possível, e verem bem a paisagem que têm à volta, algures ali pelo meio está o ponto mais alto da Irlanda, Carrauntoohil, um pico com apenas 1038 metros de altitude. Se o quiserem visitar, então terão de reservar um dia inteiro para lá chegarem, e têm de estar em forma, pois a única forma de lá chegar é por trilhos pela montanha. Mas vale bem a pena o esforço, já lá estive no topo e a vista é de facto de tirar o fôlego…, literalmente 😉

Durante grande parte do troço entre Kenmare e Killarney vamos estar dentro do Parque Nacional de Killarney, onde vão ter oportunidade de ver os belíssimos lagos que estão na área do parque. A certa altura têm um miradouro chamado Ladies View (Vista das Senhoras), de paragem quase obrigatória. Continuando a descer, irão chegar à zona da Cascata de Torc e montanha com o mesmo nome, mais outro local que recomendo vivamente a pararem, aliás, vamos estacionar o carro e fazer uma das várias caminhadas que estão assinaladas na zona da cascata, esticar as pernas e sentir o parque nacional!

Por esta altura já devem estar bem estafados, o que espero que seja resultado de uns dias muito bem passados. Portanto recomendo um jantar típico irlandês em Killarney, e passarem a noite num dos muitos B&Bs que existem pela vila. A nossa rota termina aqui, na manhã seguinte podem continuar a vossa descoberta pela Irlanda, ou simplesmente voltarem para Cork e depois casa 🙂

Mapa da Rota

Faltam marcar alguns pontos neste mapa, infelizmente o Google Maps não deixou adicionar todos os pontos, mas a rota será similar ao mapa abaixo.

Espero que tenha gostado do meu artigo, e seria fantástico se o partilhasse junto dos seus amigos e deixasse um comentário abaixo com a vossa opinião 🙂

Conhecer a cidade de Cork a pé, do centro à Universidade

Cork a pé, do Centro à Universidade

Um pouco de Cork

Cork é a segunda maior cidade da República da Irlanda, e a terceira maior da ilha, sendo Belfast a segunda maior (mas esta parte do Reino Unido). Fica a cerca de 250km da capital, bem a sul da ilha mas infelizmente não é um destino muito turístico, quem cá vem é quase só de passagem e acaba por não conhecer muito do que a cidade tem para oferecer. Mas não é por falta de informação, até sem mapa dá para descobrir a cidade, e é por isso mesmo que decidi criar uma série de artigos para apresentar algumas das rotas para descobrir a cidade a pé, começando pela rota da Universidade.

Os mais atentos certamente que irão notar algumas setas espalhadas pela cidade, azuis, verdes, vermelhas e laranjas. São as rotas, bem identificadas, pela cidade. Excelente para quem quer descobrir alguns dos segredos da cidade sem se perder. Todas as rotas começam num mesmo ponto, bem no centro da cidade numa pequena praça na intersecção entre duas das ruas principais, a Saint Patricks Street e a Grand Parade. Como são duas das ruas mais movimentadas da cidade, acaba por ser um ponto onde muitos turistas mais cedo ou mais tarde vão passar. Mas será que vão reparar nas setas?

Rota da Universidade

Neste primeiro artigo vou falar da rota da Universidade, uma rota que foge do centro e passa pelas zonas dos mais bonitos espaços verdes da cidade. Também, a minha rota favorita, que até antes de ter reparado na existência destas setas, levei vários amigos a conhecer alguns dos pontos principais desta rota.

A rota da Universidade

A rota tem como ponto principal, obviamente, a Universidade de Cork (UCC), e ao percorrer a rota vamos passar por vários pólos que ficam fora do campus principal. Esta rota tem a particularidade de passar também pelos espaços verdes mais importantes da cidade, sendo a Universidade um deles.

A partida faz-se do pequeno largo Daunt’s Square, seguimos em direcção ao canal sul do rio, pela Grand Parade e paramos junto ao parque Bishop Lucey, do outro lado da rua vemos uma das fachadas de um dos edifícios mais emblemáticos da cidade de Cork, o Mercado Inglês. Vale a pena uma passagem pelo mercado, mais que não seja pelo estilo arquitectónico, e para comer numa das bancas do mercado, ou até mesmo no restaurante The Farm Gate.

Mapa da Rota da Universidade

Depois do mercado, temos de voltar ao parque, podemos atravessá-lo e sair do outro lado, ou seguir o mapa da rota. Vou optar por seguir o mapa para não nos perdermos, na Grand Parade temos de voltar à direita, deixando o parque do nosso lado direito, e seguimos até ao final da rua onde vamos parar por uns instantes. Chegámos à rua South Main Street, ligeiramente para a esquerda do outro lado da estrada está a antiga Fábrica da Beamish, uma das cervejas pretas de Cork. E do nosso lado direito, mesmo de canto, está um dos pubs a não perder em Cork, The Oval, e do outro lado da estrada mesmo em frente à Beamish, está outro pub bem conhecido pelas noites de música tradicional irlandesa, o An Spailpín FánacMas continuando, que ainda não chegámos ao primeiro ponto do trajecto…

Christchurch

O primeiro ponto da rota é a igreja Christchurch, do lado direito mesmo junto ao parque. De realçar que neste momento estamos numa das ruas mais antigas de Cork, ainda da era medieval. Estamos a andar sobre história!

A igreja hoje em dia funciona como um Centro de Artes e parte da esplanada do café desse mesmo centro, dentro da igreja podemos ver concertos, peças de teatro e até cinema! Só fui uma vez ver um filme ao Triskel, e sinceramente, depois de uma hora, já não sabia em que posição estar…, bancos de igreja não são propriamente confortáveis, ainda para mais para ver um filme… Mas gosto da forma como aproveitaram um monumento e deram-lhe uma utilidade pública.

Fachada da Christchurch
Fachada da Christchurch

Uma das curiosidades sobre este local é a antiga torre, que foi desmantelada em meados do século XIX, que estava torta. Isto deu origem à expressão “és torto como a torre de Christchurch“. Por acaso ainda nunca ouvi esta expressão…

Continuando em frente, em direcção a norte, chegamos à Washington Street, uma das ruas mais largas de Cork. Esta rua foi criada intencionalmente para ter a capacidade para grandes volumes de tráfego, bem, isto no inicio do século XIX.

Tribunal de Cork

Vamos continuar pela Washington Street, pela esquerda, e assim que se entra na rua dá para ver o edifício do tribunal. No topo do edifício reparem no mastro da bandeira, no final do século XIX o edifício pegou fogo, e a população veio à rua apreciar o facto de que a bandeira do Reino Unido estava (também) a arder. Este acto chegou a ser publicado em jornais, e até serviu de inspiração para um poema.

Tribunal de Cork
Tribunal de Cork

Lancaster Quay

Conforme continuamos a andar, estamos a sair do centro da cidade, seguimos pela Washington Street, e estamos na zona designada por Lancaster Quay, a zona junto ao rio. Ao passar junto ao hotel The River Lee Hotel, hão-de notar dois pequenos pilares dentro do rio, isto são vestígios da antiga linha de eléctrico que existia na cidade, e que, infelizmente, acabou por ser desmantelada.

Washington Street
Washington Street

Universidade de Cork (UCC)

Continuando sempre na mesma estrada, que a certa altura muda de nome (mas nem damos por isso), e chegamos à entrada da Universidade. Podemos entrar no campus a qualquer hora, mas obviamente que a entrada nos edifícios está condicionada durante a noite. Recomendo vivamente que dediquem algum tempo para passear pelo campus da Universidade e apreciarem a mistura arquitectónica, entre o novo e o clássico. Subindo a rua irão encontrar uma pequena escadaria à esquerda, que vai dar ao largo da capela e à biblioteca, um pouco mais à frente vão encontrar o Quadrante da Universidade, para mim, a melhor vista da Universidade.

O ódio que os irlandeses tinham ao império era tal, que quando depois se tornarem independentes removeram a estátua da Rainha Vitória e colocaram num armazém, mas devido ao espaço que ocupava, anos mais tarde decidiram enterrar a estátua! Foi substituída por uma estátua do Santo Finn Barr, o padroeiro da cidade. Em 1994 exumaram a estátua da rainha e colocaram-na em exposição, e quase 20 anos mais tarde até já foi visitada pela Rainha Isabel II.

Se as portas estiverem abertas, no corredor central existem várias pedras com escrita antiga celta, é bastante interessante para quem gosta de história e arqueologia, não são os símbolos que estamos habituados, mas sim riscos marcados na pedra. Atravessando o arco, têm duas opções, ou para a direita, e depois descer as escadas (quase escondidas) pelo parque de estacionamento, e podem dar uma pequena volta junto ao rio até novamente à entrada da Universidade, ou seguem a rota para a próxima paragem. Tal como disse antes, recomendo mesmo que façam um bom passeio pela Universidade, e a rota junto ao rio é bem agradável. Já visitaram a Universidade de Cork? Se sim, o que é que gostaram mais de ver? Agradeceria imenso se deixassem a vossa opinião nos comentários.

Prisão de Cork

Pouco resta da prisão de Cork, dá para ver a entrada e pouco mais. Um dos pontos de interesse é uma placa do escultor Seamus Murphy, natural do condado de Cork, e uma placa não oficial em homenagem a uma pessoa que tentou entrar na prisão para libertar prisioneiros republicanos, mas que foi abatido a tiro enquanto tentava passar pelo túnel. As janelas da prisão davam para a rua, e era comum os familiares irem para a rua gritarem para passarem mensagens para os prisioneiros. E em finais do século XIX, durante a Land War, bandas de músicos iam tocar para a rua para entreterem os prisioneiros políticos.

Saída da Universidade, junto ao antigo local da prisão
Saída da Universidade, junto ao antigo local da prisão

Vamos passar pela ponte, e voltar à Western Road, que é a continuação da Washington Street e da Lancaster Quay, voltamos à esquerda e atravessamos a estrada, pois vamos voltar já de seguida à direita por uma ruela em direcção a norte.

Parque Fitzgerald

A ruela onde estamos chama-se Ferry Walk, uma memória do ferry que existia para atravessar o rio antes da criação da ponte que treme (a tradução do nome é bastante similar), Shakey Bridge, a única ponte suspensa de Cork. Vamos seguir a rua até ao final, para vermos a ponte. E enquanto andamos, do nosso lado esquerdo encontra-se o complexo desportivo Mardyke que é palco de vários eventos desportivos importantes, e aqueles que não querem pagar bilhete…, normalmente juntam-se junto às redes, e até sobem árvores para verem os jogos… Entre a ponte e o complexo desportivo existe um pequeno trilho que vai dar a um dos maiores parques de Cork, mas este ainda fica mais afastado do centro, hoje não vamos para lá. Mas se ainda assim quiserem visitar a pequena praia fluvial, fica a apenas uns 2 ou 3 minutos por esse trilho.

Shakey Bridge
Shakey Bridge

Quanto à nossa rota, vamos entrar agora no parque, e está na hora de nos perdermos por mais um bocado! Dentro do parque existem pequenos jardins, junto ao rio está um de roseiras, que na altura da primavera é bem bonito de ver! O Parque foi recentemente remodelado, e agora tem um parque infantil grandote para os mais pequenos queimarem energias. Na outra ponta do parque encontram-se dois edifícios, um maior onde está o café e o Museu Público de Cork, e outro que é o Lord Mayor’s Pavilion, uma casa que foi construída para receber personalidades importantes que iam em visita à Exposição de Cork. Em frente ao Pavilion foi construído recentemente um palco onde fazem vários espectáculos durante o verão, e até cinema ao ar livre.

Assim que passarmos pelo Lord Mayor’s Pavilion, estamos a chegar à saída do parque, passando pelos portões voltamos à esquerda e seguimos em direcção ao próximo ponto.

Mardyke Walk e Margens do Rio Lee

Enquanto andamos, do nosso lado esquerdo encontra-se o Clube de Cricket de Cork, e um pouco mais à frente o próximo painel de informações. Do lado direito, dá para ver a entrada principal da Universidade, onde estivemos antes, e do lado esquerdo é por onde a nossa rota continua, passando pelo Parque de Skake (Mardyke Walk Skatepark).

De um lado o Skate Park, do outro as árvores que escondem o Clube de Cricket e um pouco mais à frente a ponte pedonal branca que nos vai levar para a outra margem do rio. Esta é uma das minhas partes favoritas da rota, junto ao rio por debaixo das árvores, daqui dá para ver alguma vida selvagem e dá a ilusão de que estamos fora da cidade, no entanto estamos a aproximarmo-nos novamente do centro. A certa altura, dá para ver da outra margem do rio o antigo edifício de uma destilaria que funcionou ali por cerca de 150 anos até 1920, e que depois passou para Midleton onde acabou por se fundir com a Jameson.

Ponte sobre o Rio Lee no Mardyke Walk
Ponte sobre o Rio Lee no Mardyke Walk

Assim que começamos a avistar uma ponte vermelha estamos a chegar ao final de mais um troço desta rota, é a St Vincent’s Bridge com cerca de 150 anos, e do outro lado do rio está um edifício de canto, neste edifício viveu George Boole, um matemático considerado por muitos como o pai da ciência computacional.

Boole é um dos nomes mais conhecidos nas ciências matemáticas, nasceu em Inglaterra, mas viveu e morreu aqui Cork. Num dia de muita chuva, ele foi a pé para a Universidade que ficava a 3 milhas da sua vivenda, deu aula completamente ensopado e acabou por ficar extremamente doente com febres altas. A sua esposa, que acreditava que as curas teriam como base o que tinha causado a doença, deitou vários baldes de água sobre os cobertores com ele na cama, o que acabou por agravar a doença. Ele morreu por derrame pleural.

Passeio das Margens do Rio Lee
Passeio das Margens do Rio Lee

Ainda na margem norte do rio, um pouco mais à frente encontra-se uma cervejaria já bastante conhecida na Irlanda e até no estrangeiro, Franciscan Well, neste local existiu um mosteiro de Franciscanos entre 1244 a 1540, e até 1836 ainda dava para ver as ruínas do mosteiro. O nome da cervejaria deriva da lenda de que ali existiria um poço com poderes de curar doenças, no mosteiro dos Franciscanos.

Grattan Street e fim do passeio

Estamos mesmo a terminar o nosso passeio, e a rota da Universidade. Vamos atravessar a ponte vermelha, e voltar à esquerda e andar um pouco, e um pouco mais à frente voltamos à direita e estamos na Grattan Street, no ponto final desta rota. Atenção que o último painel está um pouco escondido, quando chegarem junto a um minúsculo parque, que estará do lado esquerdo da estrada, chegámos ao ponto final. O painel está escondido atrás do gradeamento do parque, e não dá para ver para quem vem neste sentido da rota. Se entrarem neste parque, tenham em atenção que estão a andar sobre um antigo cemitério, centenário até.

Depois do parque, podem voltar ao ponto inicial. Se repararem, à nossa frente está as traseiras do Tribunal, a partir daí é só voltar à esquerda e vamos encontrar a Grand Parade novamente, o nosso ponto inicial. Se gostaram deste artigo, seria fantástico se o partilhassem e o fizessem chegar a mais pessoas! Toda a ajuda é mais do que bem-vinda :

Como percorrer a rota da Universidade?

Sugestões de alojamento em Cork



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Snow Fighting

Snow Fighting

Mais outra foto de Londres, curiosamente tirada no mesmo fim-de-semana da outra foto que partilhei nesta mesma rubrica. Fim-de-semana frio, cheio de neve e algumas desventuras

Esta foto foi tirada em Hyde Park, o maior e mais conhecido parque de Londres. Como dá para ver na foto, estava bastante frio neste dia, aliás, se bem me lembro gelei mesmo! Mas também vi algumas pessoas a fazerem jogging…, com aquele frio e com alguns centímetros de neve…, mas as pessoas nesta foto encontraram outras formas bem mais divertidas de se manterem quentes e aproveitarem o dia 🙂

Snow Fighting

Uma das coisas que mais gosto nesta foto são os vermelhos, cores quentes num dia frio, e nesta foto estão 2 crianças e um adulto com casacos vermelhos. Além da acção presente na foto, também gosto bastante do detalhe da pessoa na esquerda a ver aquela mãe (presumo) a brincar com as crianças, boa disposição gera bons momentos noutras pessoas 🙂

Outro detalhe que gosto bastante, está do lado direito da foto, e apesar da criança meio atrapalhada a olhar para a neve ser bem fofo, o pormenor da mala mostra que aquela mãe parou ali para brincar com as crianças. Uma pausa para brincarem 🙂

Onde fica o Hyde Park?


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Snow Fighting

Marina de Kinsale

Marina de Kinsale

Entre os Portugueses que vivem na Irlanda, já não é a primeira vez que oiço dizer que Kinsale é a Cascais da Irlanda. Discordo em absoluto, ambas as vilas têm o seu encanto característico, e sinceramente acho que têm muito pouco a ver. Talvez mesmo só por serem à beira mar e serem ambas vilas bem bonitas.

O que também é normal se ouvir dizer, é que o Verão na Irlanda são apenas dois dias, e com sorte não chove em nenhum deles… É mais um exagero, claro está, mas por muita pena minha o Verão está longe de serem os 90 dias consecutivos sem chuva que Portugal nos acostumou… Mas por vezes temos dias destes, bem bonitos e que só dá mesmo vontade sair à rua, ou até mesmo sair da cidade e irmos até à praia…, ok, talvez não tanto, a água é fria por aqui…

Kinsale Marina

Não fui à praia, mas fui bem perto. Kinsale é bem conhecida por ser a Capital Gastronómica da Irlanda, e com bons motivos para tal, são vários os restaurantes pela vila, com comida bastante boa e peixe fresco! Fui lá jantar com um amigo, aproveitar aquele dia de sol para dar uma volta pela vila, e ficámos para jantar. Bem pertinho de Cork, e excelente para uma escapadela rápida.

Um pouco mais sobre Kinsale

Além das casas e lojas pitorescas que em muito caracterizam a vila, até mesmo quase como um modelo das vilas coloridas da Irlanda, uma volta pela baia é passeio obrigatório, se não estiver a chover 🙂 A baia está protegida pelo Forte Charles, um forte em formato de estrela, mesmo na entrada da baia. Para lá chegar, recomendo continuarem o passeio a pé, sempre junto à baia, passando por um pequeno mas florido trilho, e prestem atenção ao nome das ruas, irão notar vários nomes espanhóis. Este detalhe despertou-me a curiosidade da primeira vez que fui a Kinsale, e fiquei a saber que aquela vila foi também palco de uma batalha em que uma das últimas armadas espanholas tentou ajudar os irlandeses numa revolta contra os ingleses.

Para quem está de carro, a uns poucos quilómetros podem dar um salto à praia, uma pequena praia chamada Sandycove, ou um pouco mais longe, passando pelo cabo Old Head of Kinsale, podem ir a uma praia bem mais popular e bandeira azul, Garrettstown. Mas convém não esquecer que isto fica na Irlanda…, ilha banhada pelo Atlântico Norte…, yep, a água é bem fria! Mas ainda assim, volta e meia vou à praia, melhor que nada 🙂

Outro detalhe sobre Kinsale, que por acaso até já escrevi aqui no blog, é que Kinsale é a primeira (ou última) paragem da Rota Selvagem do Atlântico. Seja de passagem ou para parar, é uma vila que vale bem a pena visitar, muito para descobrir e também muito por onde comer.

Onde fica Kinsale?


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Marina de Kinsale

Transilvânia, castelos e… vampiros…

Transilvânia, castelos e... vampiros...

A caminho da Transilvânia

A Transilvânia é garantidamente a região mais conhecida da Roménia, mais que não seja de nome devido aos mitos, histórias e lendas que existem sobre aquela zona. Com uma semana de férias, claro que fiz questão de ir visitar esta zona. Não só pelas lendas, mas também pela natureza e as paisagens que esperava encontrar, e que não me desiludiram em absolutamente nada! Infelizmente, uma semana para um país tão grande como a Roménia, não dá para absolutamente nada…, só estivemos dois dias nas montanhas, mas foram dois dias muito bem passados.

A viagem foi sempre de carro, éramos 4 e a primeira noite seria em Brașov, uma cidade bem no coração da Roménia. Mas até lá, ainda passámos por outros sítios, e sempre a subir, e debaixo de chuva…, não muito bom para quem está de férias, mas não podemos mandar no tempo…

A primeira paragem foi para o pequeno-almoço, numa vila características já nas montanhas, como estava com pessoal local, deixei entregue a eles todos os pedidos para experimentar a verdadeira comida local. O problema disto, é que não faço ideia do que andei a comer… Devia ter tirado notas… Dalí continuámos a viagem, e a dada altura fizemos um pequeno desvio para um miradouro, seguimos as indicações e fiquei fascinado! Mesmo com a chuva, e com a neblina intensa, deu para perceber o quão bela aquela zona é. E claro, subir e descer uma serra é sempre divertido, até vimos animais pelo caminho 🙂

Miradouro nas montanhas
Miradouro nas montanhas

Castelo de Peleș

A primeira coisa que um português pensa quando ouve a palavra castelo é uma grande edificação de pedra, de preferência com uma muralha à volta. Pois, para mim, o Castelo de Peleș é um palácio e segundo o artigo em inglês na wikipedia, a sua forma e função também é de palácio. E um bonito palácio, mesmo considerado como um dos mais belos da Europa.

O castelo é relativamente novo, com apenas cerca de 100 anos, que fica já na zona da cordilheira dos Cárpatos, mas ainda não parte da Transilvânia. Hoje em dia apenas tem funções de museu, visto que a Roménia também já não é uma monarquia, julgo que não haja muita utilidade prática para um castelo/palácio no meio das montanhas, senão como museu. Lá dentro podem ver inúmeras obras de arte, pinturas e escultura (também pelos jardins). Infelizmente…, não pudemos ver nada disto 🙁 Chegámos uns minutos antes de fechar, e já não nos deixaram entrar…, foi mesmo pena 🙁 Ainda assim demos umas voltas pela zona publica dos jardins, tirámos umas fotos e aproveitámos aqueles momentos de sol depois de vários momentos de chuva durante a viagem…

Castelo Peleș
Castelo Peleș

Brașov

A noite foi passada em Brașov, uma das cidades já na Transilvânia. Ficámos num hostel bem no centro, mais central seria complicado! Fizemos o check-in, e fomos procurar um sitio para jantar, e acho que não podia ter tido mais sorte do que tivemos, música tradicional romena ao vivo no restaurante! Ficámos sentados num lugar privilegiado quase em frente aos músicos, foi grande animação e comida muito boa, claro! Na hora de pagar…, wow…, tão pouco! A Roménia é definitivamente um país bem barato para visitar, e bem bonito, é uma pena não ser tão popular como um local de turismo (ainda…).

Sendo uma sexta-feira, lá tivemos de sair à noite…, o local escolhido foi um bar mesmo junto ao hostel, acho que nem a 50 metros! Lembro-me perfeitamente do nome do pub, Times, e também me lembro de ter bebido imenso e ter pago tão pouco…, e como se não bastasse, depois de sermos expulsos do bar, depois dele fechar, ainda fomos para o bar do hostel! Que já estava fechado, mas ainda nos deixaram entrar! Dali, só mesmo de rastos para o quarto, e acordar no dia seguinte para mais umas voltas…

Praça em Brașov
Praça em Brașov

Na manhã seguinte ainda demos mais umas voltas por aquela zona da cidade, sem nos afastarmos muito, uma visita à Igreja Negra, o principal monumento Gótico do país, e também a maior e importante igreja Luterana da zona. Além das suas grandes dimensões, a igreja também bate o recorde do sino mais pesado do país, com 6 toneladas! E tem um impressionante órgão com 4000 tubos! Infelizmente não pude tirar fotos lá dentro, aliás, é possível tirar fotos mediante o pagamento de uma taxa para tal…, optei por não o fazer.

Castelo de Râșnov

A próxima paragem foi o Castelo de Râșnov, numa vila bem perto de Brașov, onde andámos pelas ruínas da cidadela. Da torre, que ostenta a bela da bandeira romena, dá para vermos aquela bonita vista pelos campos adentro, apesar de estarmos nas montanhas a impressão que dá é de planície. Andámos pelas poucas ruelas da cidadela, com várias lojas em estilo antigo para dar a sensação histórica do local, mesmo a puxar para gastar dinheiro em recordações…, não foi o caso…

A cidadela está dentro de duas muralhas, a primeira onde estão as portas principais do castelo, que assim que entramos vemos logo a colina do castelo, e a segunda linha de muralhas que é o castelo em si e onde a magia acontece. Passar por aquelas muralhas é como viajar no tempo, sem as guerras e sem o sangue…, só mesmo a parte boa 🙂

O nosso plano inicial seria passarmos pela estrada mais famosa da Roménia, e uma das mais famosas do mundo, Transfăgărășan, mas faltou um detalhe que não sabíamos…, devido à neve, esta estrada está fechada de Outubro até ao final de Junho, e nós fomos lá na última semana de Junho… Foi mesmo pena, por uma semana perdemos aquela vista fantástica. Pensava eu que do castelo só restava mesmo voltarmos para Bucareste, mas ainda me fizeram duas surpresas…

Pelo meio dos montes

A primeira paragem improvisada foi Cheile Rasnoavei (segundo o google, este é o nome), também conhecido pelo Desfiladeiro de Râșnov e que fica a cerca de 10km da vila. Quando lá chegámos, já ia de boca aberta, é que adoro mesmo natureza, e paisagens com um relevo tão dramático como aquele desfiladeiro deixa-me mesmo de boca aberta. Encontrámos algumas pessoas a fazerem escalada, e outras muitas em passeio de família, como estávamos apertados de tempo apenas demos uma pequena volta a pé de uns minutos, e voltámos para o carro para irmos para a segunda surpresa…

A segunda surpresa foi uma gruta bem perto de Râșnov, Valea Cetăţii, uma gruta que foi descoberta há menos de 100 anos quando uma das entradas rebentou, era uma gruta cheia de água cuja pressão forçou uma brecha para o exterior que colocou a descoberto a gruta. Não é uma gruta espectacular, mas tem uma galeria bem grande onde também fazem concertos, claro está, a acústica é brutal! Durante a excursão, desligaram todas as luzes e pediram para ficarmos todos em silêncio, para termos uma ideia do que é estar na cave no seu ambiente natural…, o problema…, algumas pessoas ao meu lado não se calaram nem durante um segundo 🙁 Mas deu para perceber a escuridão absoluta, não conseguia ver absolutamente nada, ao ponto de quase perder o equilíbrio. Que sensação estranha!

Vista para as montanhas Piatra Craiului
Vista para as montanhas Piatra Craiului

De regresso a Bucareste

E como já se estava a fazer tarde, lá tivemos de nos meter à estrada novamente a caminho de Bucareste. Pelo caminho passámos por parte das montanhas Piatra Craiului, onde parámos para jantar e aproveitar as vistas brutais das montanhas! Ficámos até depois do pôr-do-sol, na companhia de um cão que andava sempre de volta da nossa mesa, estava até a ficar frio quando começou a anoitecer, mas quisemos continuar na rua só mesmo para aproveitar aquela vista de tirar o fôlego…, mas tudo o que é bom acaba…, e lá tivemos de nos meter à estrada uma última vez até chegarmos a Bucareste…

Ah…, quase que me esquecia…, não vimos vampiros 🙁 A única desilusão da viagem, dois dias pela Transilvânia e nem um vampiro para nos receber 🙁


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Transilvânia, castelos e... vampiros...

Love Live Now

Love Live Now

Há cerca de um mês fui passear com o meu irmão, cunhada e sobrinhos a um dos parques de Cork, Fitzgerald, onde estava a decorrer um dos muitos eventos que organizam naquele parque durante o ano. As filas estavam intermináveis, e filas para tudo. WC, barracas de gelados, de crepes e claro, também o café do parque. Enquanto estávamos na fila, apercebi-me logo da bandeira LGBT, ao chegar mais perto e li o que tinha escrito não consegui disfarçar o sorriso. Love (Ama) Live (Vive) Now (Agora)

Things that are nice to see 🙂 #hope #lgbt

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

Não é uma “fotografia”, mas mais um verdadeiro caso de instagram, mas tem imenso a ver comigo, bom saber que cada vez há mais aceitação e tolerância. Ama. Vive. Agora.

Alguma história por detrás destes gestos

A Irlanda é um daqueles países que está a surpreender mais no que respeita a aceitação e definição de valores morais, num passado não muito distante, 30 anos talvez, ser gay era crime. A Irlanda é um país com influências religiosas bem mais acentuadas do que Portugal, basta ver a quantidade de escolas católicas que existem pelo país. No entanto, há exactamente um ano atrás a constituição da Irlanda foi alterada para dar direitos iguais a casais, independentemente da orientação sexual dos envolventes. Foi um passo de gigante, a constituição foi alterada via referendo, isto é, toda a população foi consultada para aplicarem esta alteração, e o SIM ecoou bem alto. Foi uma mensagem bem forte de tolerância para o resto do mundo.

Mas no que respeita a aceitação, a Irlanda já tem algum historial bem positivo, basta olhar para a Bandeira Nacional e tentar perceber o que as cores representam. Laranja, os protestantes. Verde os católicos. Branco, a paz entre ambos. Esta foi a mensagem que a República da Irlanda deu ao Reino Unido, em particular à Irlanda do Norte que tanto discriminou e perseguiu os católicos. Parece-me que este povo tem o seu compasso moral bem alinhado. Ama. Vive. Agora.


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Love Live Now

Uma volta por Montenegro num dia?

Montenegro num dia

Parece muito, não parece? Mas depois olhamos para o mapa e pensamos O país até é pequeno, deve dar na boa…

Pois, mas não dá. Claro que não, há sempre imenso para ver e conhecer, só este pequeno país tem 5 Parques Nacionais. 5! E sabiam que Portugal apenas tem um? Pois, é verdade, mas explico mais abaixo o porquê disso. Quanto a Montenegro, quando se tem pouco tempo tenta-se sempre aproveitar ao máximo, por vezes é uma boa decisão, outras vezes mais valia ficar a dormir na praia. Felizmente, neste caso foi uma boa decisão.

Deixei os planos em aberto, nem sabia ao que ia, quando cheguei ao hostel vi que tinham um roteiro que parecia interessante, então inscrevi-me. Excelente oportunidade para conhecer outras pessoas, e excelente oportunidade para conhecer algo sobre o país, parecia-me o plano ideal para um dia em que não tinha nada planeado. Montenegro é um país bem pequeno e recente (como independente), mas dada a localização geográfica já estava a contar com muita história e curiosidades sobre o país. Não fiquei desiludido!

Miradouro em Lovcen
Miradouro em Lovcen

O primeiro ponto (importante) de paragem foi o Mausoléu de Njegoš no Parque Nacional Lovcen, o Mausoléu mais elevado do mundo, onde está sepultada a pessoa mais importante para os Montenegrinos, o prince-bispo Njegoš. O Mausoléu fica no segundo ponto mais alto do Parque Nacional, e a vista é de tirar o fôlego, literalmente… Para lá chegar acima, temos de subir imensos degraus, parece que nunca mais acaba, mas vale bem a pena. Importante referir que a visita não termina dentro do Mausoléu, há mais para ver por detrás do mesmo 🙂 No final de um caminho de uns 100 metros está um dos miradouros, de onde dá para ver o mar! Num dia de céu limpo como o que tivemos, é mesmo de ficar ali a apreciar a vista.

Como foi uma visita guiada, foi também repleta de curiosidades, falámos imenso sobre Njegoš, o facto de ser uma das pessoas mais inteligentes que por ali passou, falar fluentemente vários idiomas, e o facto de ser bastante atraente e desejado pelas mulheres… De relembrar que ele também era bispo, e segundo o nosso guia, ele morreu com sifilis… Claro que o guia fez algumas piadas, mas esta não é a informação oficial. Pelo que pesquisei, existe mesmo muito pouco a falar do assunto.

Porque é que só temos um Parque Nacional?

Para ter a certeza do que falo, enviei um email para o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, e a resposta que recebi não poderia ser melhor. Deu para perceber porque é que apenas temos um Parque Nacional, e quais as diferenças entre Parque Nacional e Parque Natural. A resposta que recebi encontra-se citada abaixo, na integra:

Por Parque Nacional entende-se “uma área que contenha maioritariamente amostras representativas de regiões naturais características, de paisagens naturais e humanizadas, de elementos de biodiversidade e de geossítios, com valor científico, ecológico ou educativo. A classificação de um Parque Nacional visa a proteção dos valores naturais existentes, conservando a integridade dos ecossistemas, tanto ao nível dos elementos constituintes como dos inerentes processos ecológicos, e a adoção de medidas compatíveis com os objetivos da sua classificação.”

Enquanto que por Parque Natural entende-se “uma área que contenha predominantemente ecossistemas naturais ou seminaturais, onde a preservação da biodiversidade a longo prazo possa depender de atividade humana, assegurando um fluxo sustentável de produtos naturais e de serviços.”

A grande diferença reside na existência de regiões naturais e na dependência da atividade humana para a preservação da biodiversidade existente. Em Portugal quase todo o território é constituído por paisagens e ecossistemas fortemente humanizados, e muitos deles dependem da manutenção de determinadas atividades humanas para continuarem a existir e para se manterem as condições que deram origem à biodiversidade que neles se encontra.

Existem ainda as Reservas Naturais, habitualmente áreas mais pequenas do que os Parques, mas com elevadíssimo valor para a conservação que correspondem a “uma área que contenha características ecológicas, geológicas e fisiográficas, ou outro tipo de atributos com valor científico, ecológico ou educativo, e que não se encontre habitada de forma permanente ou significativa. A classificação de uma Reserva Natural visa a proteção dos valores naturais existentes, assegurando que as gerações futuras terão oportunidade de desfrutar e compreender o valor das zonas que permaneceram pouco alteradas pela atividade humana durante um prolongado período de tempo, e a adoção de medidas compatíveis com os objetivos da sua classificação.”

Mais informação também pode ser encontrada aqui.

Do Mausoléu, fomos tomar o pequeno almoço numa pequena vila junto ao Parque Nacional, Njeguši, a terra Natal da dinastia que reinou em Montenegro por mais de 200 anos. Nessa localidade tivemos a oportunidade de provar presunto de Montenegro, que curiosamente está banido da União Europeia devido à quantidade de sal usado? Sério? Como pequeno almoço também provámos uma aguardente…, demasiado cedo? Não sei, mas tinha de provar!

Estátua de Njegoš
Estátua de Njegoš

Dalí seguimos até Cetinje, a antiga capital de Montenegro e ainda onde fica a residência oficial do Presidente e algumas embaixadas com edifícios bem bonitos. Andámos um pouco pela cidade para a conhecer, fomos até a um museu, de onde dá para ver uma maquete do relevo do país…, o nome diz tudo, o país está todo numa cordilheira, é simplesmente fascinante! Algumas das embaixadas foram reaproveitadas como bibliotecas e outros edifícios públicos, enquanto fazíamos o passeio a pé o guia foi-nos explicando um pouco da história recente do país. O porquê de terem ficado independentes com um referendo apenas, enquanto que  o Kosovo não consegue, o motivo é simples, o país já existia como tal antes da União. E quando tudo se separou, ficou como “Sérvia e Montenegro“, era este o nome do país sem declaração de soberania. O referendo foi fácil, e a transição ainda mais fácil.

Claro que surge a questão da moeda, como funcionava? O guia como piada disse que era bilionário…, a moeda local estava tão desvalorizada que os salários eram em bilhões de Dinares (Sérvios). Curiosamente, a zona de Montenegro tinha uma vantagem, em acordo com a Alemanha podiam usar o Marco Alemão, ou seja, não teriam problemas com desvalorizações, apenas teriam de converter os salários assim que recebiam. Questão de horas poderia significar uma perda significativa de dinheiro. Por isso, hoje usam o Euro, ainda que não sejam parte integrante da União Europeia. Eles têm permissão para usar a moeda da UE, e assim não sofrem com os problemas de desvalorização, e até para turismo tudo se torna bem mais fácil.

Rio Crnojevica
Rio Crnojevica

O próximo ponto de visita era opcional, passeio de barco pelo rio Crnojevica, que desagua no lago Skadar, o maior lago dos Balcãs e também um Parque Nacional. No que respeita a flora e fauna, é divinal! Tantos pássaros, um paraíso para quem gosta de fotografar e ver aves. No entanto, fiquei algo desiludido com a ligeira poluição no rio…, várias garrafas de plástico a boiar…, e tendo em conta que estávamos num Parque Nacional, a decepção acentua-se um pouco. Mas ignorando isso, é algo talvez a parte que mais gostei da viagem, é um rio lindo e de uma paz brutal! Ao regressarmos ao pequeno porto, fomos almoçar, e claro…, peixe! O restaurante bem castiço, com vista para o rio e no meio do nada, acho que ali já estava completamente apaixonado por Montenegro.

Vida selvagem em Skadar
Vida selvagem em Skadar

O último ponto da viagem foi Budva, uma localidade costeira bem perto de Kotor, onde fomos à praia! Mas antes da praia demos uma volta pelas muralhas da vila, onde reparámos alguns sinais em Russo. Sim, russo, não apenas cirílico (que seria de esperar vindo da Sérvia). Como sei isso? Uma das pessoas que ia na excursão comigo é filho de russos! Australiano e filho de russos, quais as probabilidades? Ele foi a minha companhia durante quase o tempo todo em Kotor, e por coincidência acabámos na mesma excursão, excelente companhia! E lá fomos até à praia, uma pequena praia mesmo junto à vila, depois de uns banhos de sol fomos nadar ao que começo a ouvir alguém falar em Português com pronuncia brasileira…, um grupo de brasileiros junto às bóias! Completamente bêbados, com 1 copo de vinho branco na mão, e…. com um telemóvel a tirarem fotos e a filmarem! Como ri, e ter de traduzir aquilo tudo para o Australiano? Ainda mais me ria! Ver o brasileiro a nadar com o telemóvel na mão para evitar molhá-lo, genial! Mas que grande Camões! Foi um tempo mesmo muito bem passado na praia, para relaxar depois de um dia inteiro a passear de um lado para o outro. Não fosse…, o relógio ter avariado dentro de água 🙁 Supostamente era à prova de água… 🙁

Budva
Budva

Depois só faltava o regresso a Kotor, passando por Jaz, uma praia junto a Budva onde estavam a decorrer uns concertos com gente bem famosa (não me recordo de quem agora), e com filas intermináveis…, estivemos parados imenso tempo no trânsito até podermos seguir para Kotor, mas finalmente chegámos ao hostel!


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Uma volta por Montenegro num dia?

Tatiana em Olhos d’Água

Tatiana em Olhos d'Água

A foto

Esta foto já tem quase 6 anos, foi tirada umas duas semanas depois do meu sobrinho ter nascido, o irmão da Tatiana (na foto). Julgo que não seja necessário explicar porque é que esta foto me é querida…, mas quanto à fotografia em si, é uma das poucas fotos em que consegui apanhar a minha sobrinha distraída. Momento certo, e acho que a foto até nem ficou má de todo 🙂

Tatiana at Olhos d'ÁguaOlhos d’Água

Este Olhos d’Água não é tão conhecido como o do Algarve, este fica na nascente do rio Alviela no distrito de Santarém. Forma uma pequena lagoa excelente para quem gosta de nadar em rio, com águas calmas e com zonas para piqueniques. Recomendo vivamente a visita, mas o estacionamento poderá ser um pouco caótico em dias de fim-de-semana ou feriados.

Algo menos conhecido é a importância desta nascente, uma das mais importantes fontes de água doce do país, que em pico chega a fornecer o rio com 17 mil litros de água por segundo! E desde os finais do século XIX até bem recentemente, foi também uma das principais fontes de abastecimento de água para Lisboa. Não cheguei a visitar o Centro de Ciência Viva, mas depois de reavivar esta foto e pesquisar um pouco, fiquei cheio de vontade de ficar a conhecer um pouco mais sobre a região.

Um pouco em suma, é uma excelente zona de lazer para quem quer um passeio aquático algo diferente e uma forma para conhecer algo menos conhecido do nosso país.

Onde fica Olhos d’Água?


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Tatiana em Olhos d'Água