Visitar Quioto em 4 dias para explorar os templos e bairros

Visiting the Kinkaku-ji Temple and Gion at night

Algumas cidades merecem vários dias para serem exploradas como deve de ser, e para visitar Quioto são necessários pelo menos 4 dias e muitas caminhadas. Recomendo também a planearem um pouco, tem tanto para visitar que vai ser necessário estabelecer algumas prioridades sobre o que não querem mesmo perder. Depois de muitas caminhadas e imensas fotos, a minha visita a Quioto soube a pouco.

Um dia para explorar Gion, Kiyomizu-dera e Yasaka-jinja

Depois de muito andar, decidi que me devia focar apenas numa área e explorá-la devidamente. Gion é um dos bairros mais visitados em Quioto, porque não focar-me nessa área?

Kiyomizu-dera

Pedi sugestões a uma das raparigas que estava a ajudar no hostel, ela é de Taiwan e também nova no Japão. Ela recomendou-me a começar por alguns templos, como tal comecei pelo Templo Kiyomizu-dera, mas não antes de relaxar para um café e ler um pouco antes do que se viria a tornar numa grande caminhada!

Yasaka-jinja Shrine e Chion-in

Tenho a admitir que as minhas expectativas sobre Quioto era demasiado altas, e fiquei um pouco desiludido com o que vi assim que cheguei. Sinceramente não sei bem o que idealizava, mas simplesmente não gostei da parte urbana que vi assim que cheguei. Afinal de contas, Quioto é uma das maiores cidades do Japão, afinal o que é que eu esperava além de uma grande cidade urbana?

Templo Chion-in em Quioto
Templo Chion-in em Quioto

Quando comecei o meu passeio, pelo Templo Kiyomizu-dera, comecei a mudar um pouco de opinião. Muita vegetação ali mesmo no centro da cidade. E depois fui visitar Yasaka-jinja Shrine e o Templo Chion-in o que é excelente para nos deixarmos perder lá dentro e aproveitar aquela zona pouco urbana. O meu primeiro sushi no Japão foi ali perto de Yasaka-jinja.

Gion e o Mercado de Comida de Nishiki

Uma das zonas que muita gente me recomendou a visitar é o bairro Gion, é interessante durante o dia e completamente diferente durante a noite, um ambiente brutal! Adorei deixar-me perder por ali, apenas andei sem destino, e por acaso dei por mim já no Mercado de Comida de Nishiki, mas apenas quando voltei ao hostel é que li que é uma rua bem famosa!

A comida, as cores, as pessoas, tudo parece tão mágico. Gostei tanto daquilo que acabei por comer ali mesmo, sashimi de atum no espeto. É um bocado estranho comer grandes cubos de peixe cru, o sashimi que servem na Europa é bastante fino, o que vi ali eram grandes pedaços.

Gion e o Mercado de Comida de Nishiki
Gion e o Mercado de Comida de Nishiki

A certa altura apercebi-me que 32GB de memória não iria ser suficiente para a viagem toda. Então acabei por andar À procura de uma loja de câmaras antes que fosse demasiado tarde, e acabei por comprar um cartão SD excessivamente caro por cerca de 40€. Mas pelo menos não iria ficar sem espaço para mais fotografias! Com isto resolvido, voltei ao hostel, com algumas bolhas nos meus pés! Não faço ideia de quantos quilómetros andei naquele dia! Estava tão cansado que adormeci enquanto falava com a Elma, e era bastante cedo quando isso aconteceu…

Explorar Fushimi Inari-taisha, a colina dos shrines de Quioto

Depois de adormecer bem cedo, obviamente que iria acordar bem cedo também. E porque não usar isso a meu favor? Se quiserem aproveitar tranquilamente um local turístico, o melhor é a visitarem-no bem cedo quando apenas estão algumas pessoas. Jet lag pode ser uma grande vantagem nestes casos, se o souberem aproveitar devidamente, e foi o que eu fiz. O meu primeiro destino foi Inari, para explorar a colina dos shrines quase sem ninguém!

Caminho dos shrines dividido em dois
Caminho dos shrines dividido em dois

Fushimi Inari-taisha

Fui para a estação de comboios, e apanhei o comboio para Inari. Li sobre esta colina e sobre todos estes shrines, e pelas fotos que vi parecia mesmo um local incrível que facilmente atrai imensa gente. No entanto, tive a colina toda quase só para mim, e alguns outros turistas que decidiram acordar cedo como eu. O tempo também contribuiu para ter menos gente, estava um pouco chuvoso, mas não tanto que fosse estragar o passeio. Deu para tirar imensas fotos sem uma única pessoa, consegui aproveitar bem a zona com um ambiente bem místico, para tirar fotos e relaxar num passeio pela colina.

Mas aparentemente não são só os turistas que aproveitam as primeiras horas do dia…, vi alguns sacerdotes a passearem por ali também, e um deles até tinha vestes que dava a entender que estava num patamar elevado da hierarquia. Com um vestido longo branco, e com um chapéu de chuva gigante que quase que tocava os dois lados dos shrines. Tão grande que ele nem conseguia ver o que estava à sua frente, e tentem lá adivinhar quem estava lá? Yep, eu mesmo! Tive de dizer algumas vezes “excuse me” num japonês bem ranhoso, para ele não me bater, e ainda assim ele bateu-me com o chapéu!

Booking.com

Passear pela montanha foi bem agradável, poucas pessoas, contacto com a natureza e ali mesmo junto a uma cidade grande, a primeira floresta que bamboo que vi, um lago a meio-caminho e muitas fotos! A área tem várias estações pelo caminho com máquinas de venda automática, dois ou três restaurantes e locais para comprar recordações, e também uma forma agradável de fazer algumas paragens pelo caminho.

O regresso foi ainda melhor, ao me aperceber o quão bom é o jet lag quando me cruzei com uma grande enchente de turistas. Acordar cedo é a melhor forma para visitar locais altamente turísticos mas com poucas pessoas! E ainda antes de chegar ao primeira intersecção comecei a ver ainda mais gente, e quando cheguei à estação dessa intersecção foi quando vi a multidão! Parei para um gelado, e sentei-me uns minutos a saboreá-lo e a ver cada vez mais gente a passar. E eu sem ter nenhuma ideia de como voltar para trás…

Shrines em Fushimi Inari-taisha
Shrines em Fushimi Inari-taisha

O caminho começa apenas com um trilho, mas a dada altura divide-se em dois formando um loop. Até à intersecção que referi antes é apenas um caminho, e aí as pessoas podem decidir por que lado querem chegar ao topo. Visto que já estava a descer, claro que teria de passar novamente pelo caminho único onde estava uma quantidade ridícula de pessoas. Tirar uma foto ali sem pessoas era quase impossível, e por vezes até complicado de andar tranquilamente.

Aquela caminhada deu-me fome, e eu estou sempre pronto para comer, ainda para mais quando adoro comida japonesa! Andei um pouco mais até encontrar um local não demasiado próximo do templo, com o objectivo de encontrar algo mais barato, mas acabei por ir dar junto à entrada principal de Inari. Não foi caro, o Japão não é tão caro como pensam, provavelmente é para quem ali vive, mas não para os turistas. Comer é razoavelmente barato, e comida fresca dá para encontrar em qualquer lugar. Depois do almoço fui comprar algumas recordações para levar comigo para a Europa, e de facto não faltam lojas destas junto ao tempo.

Visitar o Templo Tōfuku-ji em Quioto

Continuei a andar em direcção à cidade, e passei por outro templo, o Templo Tofuku-ji e os Jardins Zen, e para mim a parte dos jardins foi a parte mais agradável. O Templo Tofuku-ji é um Templo Budista fundado em 1236, é um dos cinco grandes templos de Quioto.

O jardim é mais recente, criado no século passado, com árvores de bordo japonesas. Apenas lamento ter ido ao Japão em Outubro, algumas semanas mais tarde e tudo aquilo estaria pintado com cores outonais. Já estava a mudar, mas aquele local em tons dourados deve ser simplesmente mágico! Tem de se pagar para entrar, mas para pessoas que gostam deste tipo de paisagens vale bem a pena, além de que as entradas nem são caras, com 500¥ dá para entrar em quase todos os templos.

Templo Tōfuku-ji
Templo Tōfuku-ji

Foi também no Jardim onde vi um macaco japonês, infelizmente demasiado rápido para eu ter reacção e tirar uma fotografia. Mas nem me importei muito, mais vale aproveitar o momento do que desperdiçá-lo a tentar capturá-lo. O jardim é bem bonito, não demasiado grande e bem relaxante. Caminhei pelo jardim por um bocado, até aproveite alguns minutos para ler o meu livro antes de seguir caminho.

Chegava àquela altura do dia em que precisava de saciar o meu vício, e como tal voltei à estação de Quioto onde desperdicei tempo demais a tentar encontrar um Starbucks. Eu estava do lado errado da estação a tentar encontrar uma rua que estava do outro lado…, mas pronto, acabei por o encontrar. Enquanto tomava a minha dose de cafeína, aproveitei aqueles minutos para escrever alguns postais que iria enviar mais tarde nesse mesmo dia. Acho que chegaram todos, ninguém reclamou.

Ainda no Starbucks dei uma olhada no mapa para ver o que estava na zona, e equacionei caminhar em direcção ao centro da cidade passando por outro templo. Mas a caminho mudei de ideias e voltei para o hostel para descansar antes de ir jantar.

Templo Tōfuku-ji em Quioto
Templo Tōfuku-ji em Quioto

Até o jantar foi um desafio, perdi imenso tempo a tentar encontrar um restaurante não demasiado cheio, nem demasiado vazio, até foi expulso de um por estar demasiado cheio. Ou pelo menos foi isso que me disseram, e vi vários locais mas para casais, talvez um turista a solo não seja o tipo de clientela para eles… Acabei por comer outra vez num pequeno restaurante em Gion, nada de luxuoso mas uma experiência bem agradável, e com muitos japoneses ao contrário dos outros restaurantes. No final, acho que acabei por ter uma experiência mais local e menos turística.

Depois do jantar, mais uma vez, voltei para o hotel para escrever um pouco no blog, e preparar-me para mais um dia longo.

Visitar o Castelo Nijo em Quioto

Nove dias desde que cheguei à terra do sol nascente, e ainda a sentir o jet-lag! Sinceramente, eu já nem sei se estava com jet-lag ou simplesmente o cansaço é que me estava a forçar a adormecer cedo, e acordar cedo também. Mais uma vez, 6:30 e eu de olhos bem abertos! Fiz a minha rotina matinal, fui para a sala de estar e dar uma vista de olhos nos meus dias ainda por planear. Os transportes eram o problema principal, queria algo central de forma a ter uma opção B e ainda assim dar para fazer o que queria fazer. No entanto, o Castelo Nijo era uma das minhas prioridades a visitar em Quioto.

Planear os últimos dias

Por recomendação de um amigo, eu queria mesmo visitar as 48 cascatas de Akame, basicamente outro dia de caminhadas com muita fotografia. Mas chegar lá era um pouco complicado, teria de apanhar um comboio que não está abrangido pelo JR Pass, um autocarro para o meio do nada e depois uma caminhada de aproximadamente 4 horas.

Tendo em conta que eu perco imenso tempo a tirar fotos, já estava a planear passar pelo menos 8 horas ali (sim, um bocado exagero, eu sei). Como tal, precisaria de passar a noite algures que me pudesse dar um plano alternativo não demasiado longe das cascatas.

Jardins no Castelo Nijo
Jardins no Castelo Nijo

Primeiro considerei Iga por causa do Museu Ninja, mas encontrar alojamento online ali não foi tarefa fácil, e eu não estava disposto a ir para o meio de nenhures sem um sítio onde pernoitar (se tivesse mais do que duas semanas para passear, talvez o fizesse). Então, Osaka passou a ser esse local! Muito a visitar, e 1 hora de viagem da paragem de comboio perto das cascatas.

Castelo Nijo

Tendo em conta isto tudo, estava na altura de aproveitar o meu último dia em Quioto! A primeira coisa a visitar foi o Castelo Nijo, outro local Património da Humanidade em Quioto, o castelo dos Shoguns Tokugawa. Uma das características principais do castelo é o chão Nightingale, basicamente um sistema de alarme contra intrusos.

Caminhar nestes corredores enquanto se ouve o ranger é de facto fantástico. Mito ou não, dizem que que este era o mecanismo de defesa contra ninjas, o corredor é bastante largo e todo à volta do palácio. Portanto imagino que seja bastante complicado passar ali sem ser-se notado.

Casamento no Castelo Nijo
Casamento no Castelo Nijo

Devo dizer que fiquei um pouco desiludido com o que vi quando cheguei. A entrada não é nada interessante, e até chegar à entrada do palácio fiquei um pouco em tédio. Mas o Castelo Nijo é definitivamente um local a não deixar de visitar em Quioto! O palácio é fantástico, com pinturas antigas lindíssimas, e dá mesmo para sentir a história enquanto se anda por aqueles corredores.

Para mim, tudo foi espectacular! Uma pena que estava um dia de chuva, caminhar por aqueles jardins não foi lá muito agradável, mas não deixa de ser um local fantástico. A ser aproveitado num dia de sol… Fiquei completamente ensopado enquanto tentava tirar fotos, as gotas de chuva nas folhas são brutais! E ali dava mesmo para sentir o outono, já com algumas folhas douradas.

E visto que estar ensopado não é lá muito agradável, fui até à recepção para secar um pouco, e a caminho vejo outro casamento japonês! Depois de secar, mais tempos a visitar! E com um dia bem chuvoso pela frente…

Kinkaku-ji, o Templo Dourado

Kinkaku-ji Temple, também conhecido como o Templo Dourado, é um templo que foi construído como uma villa até que um dos donos faleceu, e por seu desejo o local fosse convertido num Templo Zen. O templo que vemos hoje em dia é uma reconstrução do templo original, que em 1950 foi destruído num incêndio provocado por um monge noviço.

Para lá chegar, a melhor forma é mesmo de autocarro. O sistema de transportes públicos de Quioto está muito bem organizado, e muito fácil de usar. O passe diário é mesmo a melhor forma de deslocamento dentro da cidade. Kinkaku-ji fica numa das extremidades da cidade, mas existe muito mais para visitar na zona além do templo. No entanto, eu recomendo vivamente a visita, apesar de ser um pouco caro, é um local de uma beleza inigualável. Infelizmente não tive muita sorte com o tempo, pois estava de chuva, mas ainda assim aproveitei bastante o tempo que lá estive com um passeio pelos jardins.

Visitar o templo Kinkaku-ji e o bairro Gion à noite
Visitar o templo Kinkaku-ji e o bairro Gion à noite

Existe muito para fazer na zona, no entanto também desperdicei bastante tempo para chegar aos templos que visitei, então para jogar pelo seguro decidi regressar à Estação de Quioto e reservar o meu bilhete de regresso a Tóquio. O que se revelou como uma das minhas melhores decisões, visto que o comboio já estava quase todo reservado. E para relaxar um pouco, fiz mais uma paragem no Starbucks (juro que não estou a promover esta empresa!!!), onde escrevi mais uns quantos postais e outras notas para o blog.

Molhado, cansado e com fome, e já a ficar de noite! Decidi voltar a Gion para uma caminhada nocturna e comer alguma coisa. Enquanto esperava pelo autocarro conheci três raparigas indianas que pareciam ainda mais perdidas do que eu. Falámos por um pouco e apercebemo-nos que íamos na mesma direcção, mas com paragens diferentes. Por acaso acabámos por nos encontrar outra vez nessa noite enquanto andávamos a explorar Gion… Ahh, aquela sensação de me sentir como um turista…

Street in Gion at Night
Rua em Gion à noite

Continuei a passear pelo bairro Gion a tentar encontrar um bom restaurante para comer, mas assim que atravessei a ponte deparei-me com o Mercado de Comida de Rua. Apesar da fome, decidi que iria tentar encontrar um restaurante para variar um pouco. Continuei a andar, e claro que me deixei perder naquelas ruelas, o que foi brutal. No entanto a fome ia aumentando, e os meus critérios de escolha para um restaurante iam diminuindo a cada segundo. Encontrei uma Enoteca Portuguesa, e para ser sincero senti-me bem tentando a entrar, mas o meu sentido de viajante dizia o contrário. Afinal de contas estava no Japão…, uns metros à frente encontrei o restaurante indicado para mim, junto ao rio com uma boa vista, mas mais uma vez estava sozinho! Então acabei por jantar sentado junto ao balcão ao lado de um casal.

Como queria, o meu jantar foi bem mais num estilo japonês, acho eu… Pedi sake quente e mais outras coisas. E como entrada pedi soja em vagem verde! Muito bom, bem melhor do que esperava! Mas como foi a primeira vez que comi aquilo, as primeiras vagens comi-as por completo, até que me apercebi que aquilo era mais tipo ervilhas e que o prato vazio ao lado deveria ser para colocar as vagens vazias… E claro, que sabe BEEEM melhor se só comer os grãos de soja… No final paguei menos de 20€, muito boa comida e com bebida, nada caro!

Quando viajo sou bem mais relaxado com desconhecidos, ainda não cheguei ao ponto de meter conversa à toa, mas não me importo de começar uma conversa de vez em quando. O casal ao meu lado estava a tentar tirar uma selfie, e achei que seria simpático oferecer-me para os ajudar a tirarem a foto com a comida local. Hoje em dia já estou bem habituado a diferentes pronuncias, mas confesso que fiquei um pouco confuso com as pronuncias deles. Ela soava completamente como alemã, e ainda deu para perceber algumas coisas, mas ele parecia ser holandês ou com alguma pronuncia alemã bem acentuada, mas quando falaram comigo foi numa pronuncia americana perfeita! Foi bem interessante ouvir aquelas diferenças.

Riverbanks of the Kamo River
Margens do rio Kamo

Depois de comer e pagar, decidi que estava na hora de voltar para o hostel, visto que teria de acordar cedo na manhã seguinte. E quem encontrei assim que saí do restaurante? As raparigas indianas! Três vezes na mesma noite, numa cidade tão grande! Ahh, turistas…, somos como formigas, sempre a seguir os mesmos trilhos…

Onde fica o Templo Kinkaku-ji?

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Por Gil Sousa

Português emigrado em Cork, viajante e apreciador de boa comida.

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