Mollendo e a praia Catarindo, um tesouro escondido no Peru

Mollendo and Catarindo Beach, a hidden gem in Peru

E este foi o dia mais longo das nossas férias no Peru! Provavelmente até mais longo que o voo em si. Foi uma viagem desafiante e longa desde Puno a Mollendo. Apesar de ter sido uma viagem complicada, o destino foi uma surpresa bem agradável, e um descanso mais do que merecido!

Nota: Esta é uma tradução de um artigo antigo. O estilo usado e as opiniões poderão divergir de artigos mais recentes.

Mais uma vez, choveu durante a noite toda, mas durante o dia sentimos aquela sensação de sorte! Provavelmente é assim que a época de chuvas funciona no Peru. Nós tínhamos reservado um bilhete de autocarro de Puno até Arequipa no dia anterior, então só tivemos de ir até ao terminal e aproveitar a nossa viagem na “primeira fila num autocarro panorâmico“! Aqui vamos nós a caminho de Arequipa!

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No peru temos de pagar taxas para tudo e mais alguma coisa, até em bilhetes pré-comprados. Aparentemente ter um bilhete na mão não significa que possamos ir nessa viagem… E mais uma vez, tivemos de pagar uma taxa adicional sobre o bilhete de autocarro antes da nossa viagem. Esta “taxa” apertou ainda mais o nosso horário, e nem deu tempo de ir à casa de banho! Felizmente, a senhora no balcão de atendimento disse que os autocarros têm casa de banho… Seis horas é uma longa viagem.

Viajar directamente de Puno até Mollendo num dia

Assim que entrámos dentro do autocarro notámos que algo não estava certo…, onde é que estava o autocarro panorâmico que nos foi prometido pelo recepcionista no hostel? E os lugares, não era suposto serem na primeira fila? Pelos vistos não, calhou-nos um autocarro velho, mal-cheiroso, sujo, com água a cair por todos os lados! Perfeito! Mas na verdade nem estávamos chateados por causa do autocarro ser velho, na verdade até queríamos experimentar um “chicken-bus” (o que nem foi o caso), mas ficámos bem chateados por terem nos prometido algo que estava bem longe da realidade! Enfim, choque cultural, acho eu…

Devido à nossa “não tão primeira fila”, tirei muitas poucas fotos durante a viagem de autocarro. E mais uma vez, passámos em Juliaca, uma cidade bem feia… Por causa do Carnaval, o autocarro teve de percorrer uma rota alternativa fora da estrada principal. Pelos comentários que ouvimos dentro do autocarro, o motorista escolheu mesmo a pior rota possível… Foi algo engraçado e assustador ao mesmo tempo! Nós passámos por uma “estrada” que mais parecia um rio! Em Juliaca, quando chove as estradas transformam-se em rios. Por uns bons minutos chegámos a pensar que iríamos ficar atolados em Juliaca, o que não é propriamente o melhor sítio na zona…

Pôr-do-sol em Mollendo
Pôr-do-sol em Mollendo

Como referi antes, a viagem até Arequipa foi algo traumática para mim. Precisava de ir à casa de banho antes e entrar no autocarro, mas disseram-me que o autocarro tinha casa de banho, o que até era verdade. O que a senhora se esqueceu de referir é que a casa de banho estava fechada por motivos que o condutor não sabia explicar. Basicamente estive 6 horas dentro de um autocarro, passando por paisagens fantásticas e áreas desérticas, SEMPRE desesperado para urinar!!

Outro detalhe sobre esta viagem, era suposto ser um autocarro expresso sem paragens. Na verdade, sem paragens para deixar pessoas sair, mas o condutor estava constantemente a parar para deixar entrar mais pessoas. E em cada paragem muita gente reclamava com o condutor, o que foi algo divertido. Mas a minha mente estava demasiado ocupada em pânico sobre as minhas necessidades primárias. Tive de pedir ao condutor para urinar, mas em vez de usar a expressão mais politicamente correcta, simplesmente disse “Preciso de mijar agora!”, mas como seria de esperar, o condutor disse que eu deveria aguentar um pouco mais. Toda a gente riu, e algumas pessoas até pediram ao condutor para me deixar sair para urinar. Ele não cedeu.

A certa altura cheguei a ponderar em urinar ali mesmo dentro do autocarro. Estava a chegar àquele ponto de quebra, mas…, estávamos no Peru, no meio do nada e sinceramente não sabia bem o que me poderia acontecer. Provavelmente o condutor iria expulsar-me do autocarro, e também não estava com muita vontade de ser deixado ali no meio do nada no deserto. Simplesmente fui aguentando, até que…, algo estranho começou a acontecer. A minha mente começou a iludir-me, de uma forma bem estranha. Eu conseguia mesmo sentir-me todo molhado, ainda que não tivesse urinado nas calças. Então de vez em quando (quase a cada minuto) estava a verificar se tinha as calças molhadas! Estava mesmo a dar em louco, nunca senti nada assim! Pelos vistos testei o meu sistema digestivo todo no Peru. E pelos vistos está a funcionar bem!

Apenas de passagem em Arequipa

A chegada a Arequipa foi ainda mais dolorosa, os subúrbios da cidade são como muitas outras cidades no Peru, bem feios e nada convidativos. Estávamos todos bem fartos daquilo, e eu em desespero puro por uma casa de banho! Relembro que foram 6 horas dentro de um autocarro, e ainda tive de ir bebendo água…

Que viagem desafiante… E chegar ao terminal de autocarros também não foi fácil. Atravessámos grande parte dos subúrbios da cidade até chegarmos ao terminal. O meu cérebro sabendo que estávamos a chegar ainda fez com que a vontade de “libertar-se” apertasse mais. Assim que começámos a voltar para dentro do terminal saltei do meu lugar e fui logo para a porta! Eu tinha de ser o primeiro a sair!!! Aparentemente um dos meus colegas de viagem não se apercebeu do meu desespero, e quando ele me pediu para tirar a bagagem assim que saísse…, acho que conseguem imaginar a minha reacção…

Deserto do Atacama no sul do Peru
Deserto do Atacama no sul do Peru

Finalmente, fora do autocarro! Fui logo a correr para a casa de banho!! E…, tinha de pagar para entrar AHAHAHA!! Nem queria saber quanto é que me poderia custar! Sem entrar em muitos detalhes, mas foi bem difícil urinar, na verdade até doeu! Nunca senti nada assim… E depois disso, o meu humor mudou completamente! Entrámos num modo de relaxamento puro, comemos alguma coisa e depois decidimos sobre o que fazer a seguir!

Estávamos cansados de viajar, e estávamos mesmo a precisar de dois ou três dias de relaxamento absoluto. Então, porque não irmos directamente para Mollendo? Alterámos os nossos planos, e adiámos a visita a Arequipa! Mas como chegar a Mollendo? De autocarro, mais 6 horas…, ou de taxi… E que se lixe tudo! Fomos de taxi!

Continuando a nossa viagem em direcção a Mollendo, na costa do Peru

Duas horas de viagem de Arequipa a Mollendo, 200 Nuevos Soles peruanos, o que dá em cerca de 60€ para uma viagem de 130 km! Nada mau! E desta vez consegui tirar algumas fotos, e passámos por uma zona da parte peruana do Deserto do Atacama! É impressionante, e algo interessante ao mesmo tempo. Junto à estrada vimos várias parcelas de terreno bem definidas para diferentes donos. De relembrar que isto é num deserto, e o Atacama é o deserto mais árido à face da Terra, portanto, para quê terem parcelas de terreno ali? Não percebi o motivo, mas também não perguntei.

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Basicamente, num dia fomos dos 3800 metros de altitude, desde o lago navegável mais alto do mundo, até aos 0 metros de altitude (nível do mar). Passámos pelas paisagens verdejantes dos Andes, pela segunda maior cidade do Peru e depois pela zona mais árida do planeta Terra, para por fim chegar ao Oceano Pacífico! Que dia longo! Tirando os dramas com as minhas necessidades primárias, devo admitir que foi um dia memorável!

Chegada a Mollendo, e fomos procurar um hotel onde ficar. Estávamos cansados e com pouca paciência, encontrar um hotel não foi tão simples como pensávamos. Mas acabámos por encontrar um sítio porreiro bem perto da praia! Tudo pronto, e fomos dar uma volta pela vila e jantar, para finalmente comermos um gelado mais do que merecido! Depois de um dia tão desgastante, fomos todos dormir bem cedo…

Relaxar em Mollendo, uma vila no Peru fora das rotas turísticas

Finalmente um acordar em Mollendo! E que grande diferença, o que pensávamos ser cansaço aparentemente eram sinais de doença de altitude. É tão estranho descrever o que sentimos, tanta energia e sentirmo-nos bem melhor do que nos dias anteriores. E isso foi um factor que pesou bastante na nossa decisão em não visitarmos o Vale do Colca.

Provavelmente foi um erro, mas acho que nunca vou descobrir, mas no momento pareceu-nos a melhor decisão. Afinal de contas não temos de andar sempre a correr nas férias, algum tempo para relaxar também é importante. E claro, é impossível conseguirmos ver tudo.

Portanto, acabámos por decidir ir para a praia! O nosso primeiro mergulho no Oceano Pacífico! Mas não antes sem algum drama nas férias. Eu e o meu colega batemos à porta da nossa outra colega, mas ela devia estar a tomar um duche e não nos ouviu. Como tal assumimos que ela estava a dormir, e pensámos em a deixar descansar um pouco mais! Fomos comprar protector solar, e cometemos o pecado mortal de irmos tomar o pequeno-almoço sem ela. Claro que ela não ficou nada contente com isso…, depois do mal entendido estar resolvido, fomos para a praia. E agora calhou ao outro ficar para trás…, não faço ideia do porquê… Tentámos telefonar-lhe, mas não tinha bateria no seu telefone. Dramas…, todas as viagens têm os seus dramas!

Rapariga na praia ao pôr-do-sol em Mollendo
Rapariga na praia ao pôr-do-sol em Mollendo

Hora de ir ao banho!! Alugámos algumas cadeiras e um chapéu de sol! O mar é um bocado forte, então volta e meia as ondas chegavam às cadeiras, o que foi bem divertido para nós. Até tivemos um gajo que veio falar connosco apresentando-se como INTERPOL, que claro que não era. Depois de umas horas, o nosso almoço mais do que merecido na praia!

Depois fomos almoçar, com uma caminhada, de volta ao hotel e por fim novamente para a praia. Desta vez só eu e a minha colega, ele ficou no quarto a dormir a sesta… Foi uma tarde inteira a ler, sol e ondas a chegarem aos nossos pés. Vida boa! Passado um bocado o nosso colega também se juntou a nós, o trio estava completo novamente!

Foi um dia espectacular e longo, voltámos para o hotel para tomar um duche e tirar o sal do Pacífico… E depois terminámos o dia com um jantar e outra caminhada antes de voltarmos para a cama. Desta vez sem nos sentirmos doentes ou cansados, mas sim bem relaxados! FÉRIAS!

Visita à Praia Catarindo, uma jóia perdida no sul do Peru

Mais um dia a madrugar, e mais uma vez para ir à praia o dia todo! Estava mesmo a desejar isso, e se não me engano, a decisão de irmos
à Praia Catarindo foi porque vimos uma foto dessa praia e perguntámos onde fica, e foi assim que fomos lá parar! Algo que adorei nestas férias foi que tudo foi planeado no momento, aproveitámos bem sem planearmos demasiado.

Tomámos um pequeno-almoço muito bom, e aquelas papaias eram GIGANTES! Talvez do tamanho de uma abóbora, nunca vi papaias tão grandes e tão saborosas…, aqueles sumos foram divinais…

Depois do pequeno-almoço apanhámos um taxi para a praia, e chegarmos lá foi bem interessante. Numa baia no fundo de uma falésia, como tal nada de vento e poucas ondas. Excelente para aproveitarmos outro dia a relaxarmos! Foi mesmo um dia puro de férias, almoço na praia, uma barraca de praia só para nós… Mas estava algo preocupado como iríamos voltar para a vila…

Mollendo e a praia Catarindo, um tesouro escondido no Peru

A água estava fria, mas não tão fria como a da costa Atlântica portuguesa, e também não estava tanto calor fora de água como em Portugal. Diria que estava simplesmente perfeito, bom tempo e não demasiado quente, a água também estava boa e sem muita ondulação. Férias perfeitas!

Mas chegou o momento de voltarmos para a vila. Primeiro ainda pensámos em ir de taxi, mas como é que chamávamos um taxi para ali? O taxista disse que era fácil encontrar um taxi para voltar, mas aquela praia fica um pouco fora de mão e numa zona já desértica. Taxis? Onde? Mas rapidamente nos apercebemos que qualquer carro pode ser um taxi. Foi engraçado vermos o pessoal a tirar os painéis triangulares que dizem “taxi” do porta bagagem dos seus carros pessoais. Ideia genial, aproveitaram um dia na praia a relaxar, e ainda conseguiam ter o combustível pago. Mas nós acabámos por decidir voltar a pé, o tempo estava mesmo agradável e nós não tínhamos muito mais para fazer, porque não desfrutarmos de uma caminhada de uns quilómetros até à vila?

Mollendo vista do deserto
Mollendo vista do deserto

Como referi antes, nós estávamos num canto do deserto, portanto tivemos de atravessar essa parte a pé também. Não demorou muito tempo, mas sinceramente também não me recordo com precisão. Vimos algumas pessoas a correr naquela zona, é que é mesmo uma zona relaxante, e correr junto às falésias junto ao mar deve ser brutal! Deserto de um lado, Oceano Pacífico do outro.

De volta à vila, e bem cansados! Torrar na praia é cansativo, mas vale a pena! Apenas jantámos, acho que num restaurante italiano. E depois, banho e cama! O chão do chuveiro já tinha tanta areia, acho que levámos parte da praia connosco…

Por Gil Sousa

Português emigrado em Cork, viajante e apreciador de boa comida.

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