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Diário Europa

Conhecer Monemvasia, um ilhéu na costa do Peloponeso

Este é o significado de Monemvasia (em grego Μονεμβασία), uma ilha bem pequena no sul do Peloponeso ligada ao continente apenas por uma ponte, mas antes de falar desta vila medieval…, um pouco sobre a viagem.

Tive de apanhar um autocarro às 8 da matina, disseram-me que a viagem seria cerca de 5 horas o que acabou por ser 6 com uma troca em Sparti (yeah, já fui a Sparti! Não tem nada para ver…), ao chegar a Monemvasia apanhei grande decepção…, vejo um calhau enorme no mar junto a uma vila, pensei que era só aquilo.

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Lá no topo do calhau dava para ver umas ruínas, mas de fora parecia muito pouco interessante. Nos últimos kms antes de chegar a Monemvasia apercebi-me que seria mais uma vez impossível fazer free-camping por ali, é TUDO a descoberto e nada de vegetação…, e o belo do sinal a dizer que free camping é proibido e que dá origem a uma multa de 149€ / dia e / campista…, também me fez pensar duas vezes… Tá visto que free camping na Grécia com tempo seco é para esquecer (e daí talvez não…).

Escolhi o hotel mais barato, ainda tive de largar 30 euros por uma noite numa merda de hotel que mal dava para tomar banho, e lá fui eu para o calhau averiguar o que havia ali para ver…, a ilha é bastante pequena, aí uns 4 ou 5kms de perímetro e só tem uma estrada de asfalto até à entrada do castelo, que fica do lado do mar, ou seja, não dá para ver da vila que está no continente (daí a decepção de não ter visto nada).

Conhecer Monemvasia, um ilhéu na costa do Peloponeso
Conhecer Monemvasia, um ilhéu na costa do Peloponeso

Meti-me à estrada, e fui até ao castelo, pelo caminho encontrei uma “piscina natural” bem porreira que me deu vontade de entrar logo para dentro do mar, mas optei por dedicar o primeiro dia a explorar a zona. Chegada ao castelo, impacto bem positivo! Primeiro a decepção, depois a realização! A aldeia medieval é mesmo brutal, fartei-me de andar lá por dentro, perdi-me naquelas ruelas bem estreitas e cheias de escadas e cantos refundidos, fartei-me de tirar fotos até que decidi ir à “upper town”.

Monemvasia está dividida em 2 partes, a upper town onde apenas resta a capela Aghia Sophia (sim, tem qualquer coisa a ver com a de Istambul. Li qualquer coisa lá, mas já não me lembro) e uns calhaus lá pelo meio. Era a cidade dos nobres, claro está, pois é de muito difícil acesso, já não basta a ilha só ter uma entrada como para ir para o topo do calhau também só dá por um lado, a vila devia ter um poder defensivo brutal…, mas ao mesmo tempo também deveria ser bastante fácil fazêr-lhes um cerco. Se custa a entrar, também custa a sair…

Depois há a “down town”, a vila que está junto ao mar e que “dificulta” o acesso à upper town. Aquilo é mesmo um labirinto, ainda demorei umas duas horitas a perceber como raio ia para o castelo (isto sem mapas). A down town está bastante bem conservada, cheia de lojas e cafés na rua principal mas com uma característica medieval, casas, igrejas e afins, mesmo muito porreiro! E até têm uma praia “particular” para a vila, só há acesso à praia pelo castelo ou por mar.

No primeiro dia fiquei-me por ali, voltei para a vila “nova”, fora do calhau, e depois andei pela zona dos bares, aparentemente eles têm uma noite ainda engraçada… Entretanto, fui até ao cais, tirar umas fotos e aproveitar um tempinho para pensar também, e enquanto estava sentado na borda do cais a olhar para uns peixes que andavam por ali, vejo algo BEM grande a passar mesmo junto a mim! Até fiquei parvo quando me apercebi do que se tratava, UMA TARTARUGA GIGANTE!!! Aí a um metro de mim!!! Saquei da câmara, e foto com flash…, PARVOOOOO, assustei o bicho e só fotografei água…, nada mais.

Depois voltei a tirar outra foto mas sem flash, ainda não passei as fotos para o pc mas pelo que vi na máquina, dá para perceber o vulto do animal, mas como se estava a mexer e como ainda tive a diafragma (ou é o obturador?) aberto durante uns segundos, aquilo ficou um bocado tremido…, o animal bem que podia pousar. Passados uns minutos ele voltou e até meteu a cabeça de fora de água, que animal brutal!

Vista para a vila medieval Monemvasia
Vista para a vila medieval Monemvasia

De tanto andar, acabei por ir para o hotel descansar…, e no dia seguinte levantei-me cedinho para ir nadar! Tinha de apanhar o autocarro pelas 14horas, então era mesmo para ir nadar e pouco mais, não havia muito mais para ver no calhau…, fiquei surpreendidissimo com aquelas águas, senti-me aí com metade do peso!

Eu que raramente consigo flutuar por inteiro, ali quase que nem precisava de tentar flutuar, a água fazia o trabalho todo! E até a velocidade com que nadava era bem superior ao habitual! Que sensação fenomenal, ainda tenho de perceber quais as características da água para provocarem tal efeito… O fundo sub-aquático daquela zona é algo de surreal, fiquei com uma vontade parva de comprar equipamento de mergulho para começar a explorar o fundo do mar, vale mesmo a pena perder umas horas a olhar para aquilo!

E agora é a altura em que eu decido fazer coisas realmente estúpidas…, antes de mais, convém dizer que eu tenho um pavor de morte de aranhas. Não sei explicar o porquê, só sei que fico com tremores, suo que nem um cavalo e até fico com tonturas quando me deparo com aranhas…, ora bem…, porque raio é que me lembrei de ir explorar o lado norte da ilha?

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A zona onde só tem um trilho pelas rochas e escarpa do calhau? E MUITAS ARANHAS??? Aí a cada 3 ou 4 metros encontrava uma teia enorme no meio do caminho com o belo do bicharoco lá mesmo no meio, e ainda por cima grandes, o que ainda mais confusão me mete…, a meio do caminho cheguei mesmo a ponderar voltar para trás tal não era o pânico com que eu estava…, eu cheguei a escorregar algumas vezes à pala das aranhas e uma das vezes quase que caia mesmo da escarpa…, porque raio não escolhi outro animal raro para ter medo? Aí tipo o tigre de bengala? Tinha de ser logo a vulgar aranha… Andei a fazer figura de urso pelo trilho com um pau a desmanchar teias de aranha para tentar passar e a tremer feito parvo cada vez que encontrava uma aranha…, enfim…

Nota mental: Não voltar a passear por trilhos no Verão, é por merdas destas que eu adoro o Inverno…, há bastantes menos aranhas a lixarem-me o percurso todo…

Depois, regresso a Atenas…, das 14 às 21horas…, viagem de morte. Tive de trocar 2 vezes de bus, e foi curioso o que aconteceu na primeira troca…, sento-me num lugar vago, ao que aparece uma gaja a reclamar o lugar pois tinha bilhete com número…, troco para outro lugar vago ao que começo a ouvir falar em Português ao meu lado! Encontrei dois tugas no fim-do-mundo! Será isto possível? Claro que fomos  a viagem quase toda a falar, a rapariga está a terminar agora EVS em Kiato e o rapaz veio cá visitá-la! Bem porreiros, vamos lá ver se os volto a ver cá por Atenas antes deles voltarem para Portugal.

Erros para os outros evitarem: Monemvasia vê-se num dia, tem piada passar a noite e ver o castelo de noite, mas no dia seguinte tentem ir para outro destino…, fica demasiado caro ir para tão longe APENAS por Monemvasia! É brutal, mas convém arranjar algo mais para ver!

By Gil Sousa

Português emigrado em Cork, viajante e apreciador de boa comida.

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