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No centro histórico de Mostar

O primeiro impacto de Mostar foi logo à chegada, passámos por uma montanha e ao descer vê-se logo a cidade, que não é muito pequena. No entanto, o centro histórico é, dá para o “ver” numa tarde, mas acho que é preciso bem mais do que isso para aproveitar o tempo melhor.

Depois de um dia inteiro dentro de um autocarro, já só sonhava com um bom duche, nem jantar nem copos, mesmo um duche para refrescar! E foi mesmo isso que fiz assim que cheguei à pousada! Pedi algumas dicas sobre a cidade, e tal como já esperava, tudo se baseia no centro com algumas sugestões mais para fora da zona histórica, tal como a Estátua do Bruce Lee (que não cheguei a ver), então fui dar a primeira volta de reconhecimento e fui para o local com a melhor vista para a ponte, um miradouro junto à Mesquita. O problema é que é a área de um café, e para podermos tirar fotos temos de consumir…, não que fosse um problema, mas até compreendo quererem evitar muitas pessoas sentarem-se sem consumirem nada apenas para aproveitarem a paisagem, que é bem bonita.

O jantar foi num restaurante que me sugeriram no hotel, mesmo junto à ponte e a caminho do rio, o ambiente é fantástico, cheio de esplanadas e mesas na rua para aproveitar as noites de Verão. O estilo árabe está presente por todo o lado, a influência islâmica é muito forte e em mistura com o estilo europeu dá uma sensação bem agradável de exótico com familiar. Ainda dei umas voltas pelo centro, apenas de reconhecimento, mas acabei por voltar para o hotel para descansar e poder aproveitar o dia seguinte devidamente. Já em relação ao hotel, a localização é excelente, bem perto do centro histórico e confortável, no entanto acho que tive algum azar com o quarto onde fiquei, apenas conseguia ter internet estando encostado à porta do quarto…, mas pronto, não foi grave.

No dia seguinte lá me levantei cedo e comecei a deambular pela cidade antiga, que como seria de esperar é bem turística com lojas de recordações por todo o lado. E apesar de a moeda local ser diferente, aceitam euros com frequência a uma taxa de cambio de 1:2, por vezes até o troco foi uma mistura de moedas o que torna as coisas ligeiramente confusas, mas com uma taxa de conversão tão simples é fácil ver quanto estamos a receber de volta.

Ponte de Mostar
Ponte de Mostar

Acho que passei pelas mesmas zonas vezes sem conta, e como estava um dia tão quente, claro que não poderia deixar de ir até à beira do rio e molhar os pés, em água bem gelada! Uma das maiores desvantagens de viajar sozinho é em momentos como estes, em que queremos dar um mergulho e temos coisas de valor connosco. Acabei por não entrar mesmo dentro de água, sempre com a preocupação nas minhas coisas, apenas molhei os pés e sentei-me nas rochas por um bom bocado a aproveitar do momento. Uma das atrações turísticas da ponte é ver os membros do clube de salto saltarem da ponte para o rio, a altura ainda é considerável e conhecida internacionalmente devido à Red Bull. É giro de ver, mas acaba por chatear um pouco quando esperamos que alguém salte por mais de 15 minutos, devem ter alguma quota minima para saltarem e continuam a pedir doações até terem essa quantidade antes de poderem saltar…, foram muitos poucos os mergulhos que vi, e sempre do mesmo estilo, alguém a preparar-se para saltar durante vários e longos minutos, enquanto os outros pedem doações. Enfim, é uma forma de negócio para o clube.

A ponte é considerada como Património da Humanidade pela UNESCO, no entanto a ponte como a vemos hoje é algo recente devido à guerra dos Balcãs, foi reconstruída após a guerra sendo agora um símbolo de reconciliação. Para quem a for visitar, deixo o alerta de que não é fácil andar na ponte, as pedras (julgo que de mármore) são extremamente escorregadias e algo inclinado, não é fácil andar de havaianas 🙂 E eu passei por lá várias vezes, sei bem o que custa descer e subir com havaianas…

A ponte é sem sombra de dúvidas o ex-libris da cidade, quase tudo está relacionado com a ponte de alguma forma, mas as marcas da guerra estão também bem presentes, afinal de contas é bem recente, não é uma guerra do tempo dos nossos pais mas sim do nosso tempo. Saindo um pouco do centro histórico, e vemos as marcas das balas em paredes de edifícios meio degradados, até as recordações são de balas recicladas. É um facto de que o local é bem belo, e não falta história para viver naquelas ruas, mas não só é uma história dos antepassados como também o é de quem ainda lá vive, vale bem a pena passar por Mostar e sentir aquele ambiente, falar com os locais e conhecer um pouco mais do que os edifícios têm para mostrar.

Noite em Mostar
Noite em Mostar

Como chegar a Mostar

De Zagreb, a forma mais directa e barata é sem dúvida por autocarro.

De Sarajevo, recomendo a irem de comboio, é uma viagem simples e mais confortável, no entanto têm a opção mais barata que também é de autocarro.

De Kotor, a minha recomendação é via transfer entre hosteis, algo que me falhou nas pesquisas antes da viagem.

Obviamente também existem opções directas de Zadar e Dubrovnik, na Croácia, todas estas cidades são bem populares e bem interligadas.


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No centro histórico de Mostar

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Algures pelo meio da Bósnia e Herzegovina

A etapa fácil da viagem estava concluída, a aventura sozinho começava ao embarcar naquele autocarro em Zagreb com destino a Mostar. Para ser sincero, nada de complicado, afinal de contas tinha quase tudo reservado antes de sequer começar a viagem, mas ainda assim, existe aquela pequena ansiedade de estar a viajar sozinho por um país que há 20 anos estava em guerra.

Logo bem cedo fomos para o terminal de autocarros, que além de ser bem grande, também não tem informação absolutamente nenhuma sobre as plataformas de embarque. Portanto, a sugestão que dou é irem com bastante antecedência e tentarem descobrir qual o autocarro a apanhar. De facto, bem mais fácil quando temos alguém local a nos orientar… Tinha alternativa para viajar durante a noite, mas decidi fazer a viagem com mais paragens e durante o dia para cruzar grande parte do país, sentir um pouco do que é a Bósnia e Herzegovina fora das zonas de turismo, o que foi um impacto bem maior do que esperava. Logo ao cruzar a fronteira dá para sentir uma grande influência soviética, com uma mistura islâmica – esta foi a minha primeira surpresa, não fazia mesmo ideia de que a Bósnia é um país com uma comunidade islâmica tão grande. A quantidade de minaretes ao longo da viagem é surpreendente, até em zonas onde nem se vêem mais casas.

Todo o percurso que fiz é bem rural, pequenas vilas pelo caminho mas sempre pelo meio dos montes, literalmente. Algumas vilas mais turísticas, dava para perceber pelos grupos de pessoas que saíam, a fotografia abaixo é um exemplo de uma dessas vilas onde vários jovens desceram.

Bihac Waterfalls
Cataratas de Bihác

As leis de Murphy aplicaram-se bastante bem no lugar escolhido no autocarro, recomendo vivamente a sentarem-se num lugar à janela do lado esquerdo, ou então irão ver muita parede como eu vi… Ainda assim, deu para algumas vistas engraçadas, como o caso das cataratas em que tive a sorte do autocarro passar duas vezes pela mesma ponte e aí dar para tirar a fotografia acima (ainda que um pouco desfocada).

A sul, mais perto de Mostar, passámos por um vale (que pelo que encontrei no Google, deve ser Buško Jezero) bem bonito, adorei aquela zona que até era capaz de ter saltado por um dia ali…, mas não o fiz. A viagem toda valeu bem a pena, a decisão de ir de dia foi bem acertada, mas também bem cansativa. O impacto cultural foi bem maior do que esperava, e algo assustador de ver ainda tantos vestigios da guerra. Passámos por algumas zonas com campos minados, vários avisos de perigo de morte, principalmente em encostas de montanhas (talvez por o acesso ser mais complicado e mais difícil para limpar). Assusta um pouco passar ali, uma zona tão bonita e tão perigosa, a Bósnia foi a zona que sofreu mais com a guerra e dos países por onde passei, da ex-Jugoslávia, que me pareceu menos desenvolvido. Cruzar o país de autocarro foi uma experiência que valeu bem a pena, cheguei cansado, mas fiquei com uma perspectiva do país que de outra forma não iria sentir.

Como chegar a Mostar vindo de Zagreb

Como referi num outro artigo, tratei de reservar o que precisava de reservar com alguma antecedência, o transporte foi uma dessas coisas. Como é uma viagem entre dois países, nem sempre existem rotas directas, mas sendo Mostar um destino tão turístico foi bastante fácil encontrar uma rota a partir de Zagreb. Foi a primeira vez que usei a aplicação Rome2rio, que me deu a opção da rota que acabei por escolher, pela CroatiaBus.

Outra sugestão que dou é usarem o Balkan Railway Pass, para viajarem nos Balcãs de comboio, tem a desvantagem de não chegarem a alguns locais fantásticos, mas é uma alternativa que considerei seriamente pois é uma forma mais cómoda de viajar, e que passa por paisagens épicas que de outra forma não iria ser possível de ver.

Por outras palavras, têm uma opção directa e cansativa, como a que eu fiz, ou uma alternativa mais cómoda mas também mais longa, e que talvez sirva como uma excelente desculpa para visitarem Sarajevo.


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Algures pelo meio da Bósnia e Herzegovina

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O meu itinerário pelos Balcãs, de Zagreb a Atenas

Agora que estou de regresso da minha viagem, e a todo o gás com tempo novamente para escrever, aqui vai o primeiro artigo da série da minha viagem pelos Balcãs. E o primeiro artigo, pós viagem, é sobre a rota e sobre os motivos que me levaram a escolher os locais por onde passei.

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10 dicas de como preparar uma viagem (aos Balcãs)

Daqui a um mês já devo estar a sentir aquela ansiedade antes de uma viagem, passando a fase actual da excitação pré-viagem. Por norma gosto de deixar planos em aberto, no passado os meus planos correram bem mal, mas é com as experiências menos boas que se aprende mais. Desta vez o destino não será apenas um país, mas uma zona. Uma viagem de 10 dias pelos países dos Balcãs.