Conhecer as Whitsundays e passagem por Airlie Beach

Conhecer as Whitsundays e passagem por Airlie Beach

Quando me perguntam qual foi o local que mais gostei na Austrália, a resposta é sempre complicada. A maior parte das vezes digo o primeiro local que me passa pela cabeça, pois foram tantos e tão fantásticos que fica complicado escolher. As Whitsundays são um desses locais que me ficaram na memória, e certamente na minha lista de locais a recomendar!

A minha passagem por Airlie Beach

Airlie Beach é a vila na costa de Queensland, que é usada por muitos mochileiros como ponto de passagem para as Whitsundays. E eu não fui excepção, mas ainda assim tentei aproveitar um pouco da cidade para relaxar.

A chegada a Airlie Beach

A viagem até Airlie Beach foi bastante longa, um dia inteiro desde Agnes Water. Sempre com o céu cinzento e com ameaças de chuva, mas felizmente o tempo esteve sempre a meu favor durante os dias na zona de Airlie Beach e Whitsundays.

Com duas mochilas, uma para a roupa e outra para o resto das tralhas, tive de atravessar quase a vila toda para chegar ao hostel. A NOMAD e X Base são parte da mesma cadeia de hosteis, mas a diferença tornou-se bem óbvia em Airlie Beach. A qualidade do alojamento na parte de X Base é bem inferior, e foi logo nessa parte que calhei…

Depois de instalado, fui tratar das coisas que tinha pendentes. Spray para as mordidas de mosquitos, e uma tolha visto que a minha tinha sido roubada na paragem anterior… Entretanto acabei por me cruzar com mais um rapaz que conheci na ilha de Fraser. Claramente toda a gente faz a mesma rota e as mesmas paragens..

Explorar um pouco da vila

Depois de me deitar cedo, visto que foi uma viagem longa, também acordei cedo. E uma rapariga que conheci na ilha deserta já lá estava também. Já sabia que ela iria viajar durante a noite, portanto isto nem foi uma surpresa. Enquanto explorava um pouco da vila acabei por me cruzar com mais outro rapaz que conheci também em Fraser. E depois fui encontrar-me com a Charlotte e com mais gente que esteve connosco na experiência do Náufrago.

Para ficar mais tranquilo, fui tratar de fazer o check-in no posto de turismos dos veleiros e ver o belo do veleiro onde iria estar. E descobrir que feixes de zíper são proibidos nos veleiros pois é onde os percevejos se escondem e querem evitar infestações deles nos barcos.

Depois de tudo resolvido, fui passar umas horas na lagoa de Airlie Beach. É a forma mais segura de nos banharmos naquela zona, no mar existe o risco de alforrecas e de correntes, enquanto que na lagoa é bem seguro. Os dias que passei em Airlie Beach foram sempre entre a lagoa e alguns pubs…

Como falei em coincidências acima, numa das tardes em que passei na lagoa acabei por colocar a toalha mesmo junto a duas raparigas que também tinha conhecido em Fraser. Isto sem me aperceber que elas ali estavam! E mais tarde encontrei-me com mais duas pessoas que também tinha conhecido em Fraser! Sim, viajar pela costa este da Austrália dá mesmo a sensação de sermos as ovelinhas dos turistas, todos a fazerem a mesma rota…

O que fazer em Airlie Beach?

Airlie Beach é essencialmente um ponto de passagem para chegar às Whitsundays. Muitas das sugestões do que fazer que se encontram sobre o que fazer nesta vila é essencialmente com a temática das Whitsundays. Ainda assim, antes de passar para as sugestões sobre estas ilhas, ainda dá para aproveitar um pouco Airlie Beach.

Explorar os restaurantes e bares da vila

Existem vários restaurantes e bares pela vila, alguns menos bons, outros bastante bons! Como os locais de eleição mudam frequentemente, o melhor mesmo é seguirem as recomendações do hostel onde ficarem. Há opções para todas as carteiras, e locais bastante bonitos onde até vai saber melhor almoçar! Alguns destes restaurantes estão dentro de resorts, ainda assim dá para lá entrar.

Ir às compras nas lojas de rua

Foi onde comprei a minha toalha, e não faltam lojas e lojinhas onde gastar dinheiro. Airlie Beach é um local bastante turístico, como tal, é claro que vão encontrar várias lojas para recordações e afins. Na rua principal vão encontrar também marcas australianas bem conhecidas. como a Rip Curl e a Billabong. E aos sábados de manhã também têm os mercados de Airlie Beach na marginal, com artesanato local de joalharia, roupas e outros.

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Explorar o Parque Nacional Conway

Este é mais um dos muitos locais que me arrependo imenso de não ter visitado. Fica bem perto de Airlie Beach, e é uma opção excelente para quem quer explorar um pouco mais do interior e estar no meio da natureza. O Parque Nacional Conway fica mesmo junto à pequena vila, e certamente que irão conseguir encontrar excursões organizadas para explorarem alguns dos pontos mais conhecidos. Ou então, simplesmente alugarem um carro e passearem pelas estradas panorâmicas.

Visitar as Whitsundays de avião

Se não tiverem muito tempo para explorarem devidamente as Whitsundays, um passeio de avião é sempre uma excelente alternativa. E se tiverem tempo a mais e não souberem o que fazer com ele, este passeio também é uma excelente escolha! Eu apenas fiz a viagem de veleiro, mas certamente que a vista de cima destas ilhas paradisíacas é fenomenal!

A viagem para as Whitsundays

Horas antes de ir para o veleiro por coincidência calho a conhecer uma suíça que também tinha reserva para o mesmo veleiro. As Whitsundays são mesmo muito populares para passeios de dois e três dias, e há programas para todos os estilos. Eu optei por um barco mais tranquilo, recomendado a gente jovem e meia-idade, mas não a crianças. Ou seja, um meio termo entre barco de festas e familiar.

Estes passeios são uma autêntica lotaria da meteorologia. As raparigas que tinha conhecido junto à lagoa tiveram uma experiência péssima nas Whitsundays. Sempre de chuva, mal puderam sair do barco para snorkel, e claro que nem deu para aproveitarem as praias paradisíacas. Resultado? Detestaram, e disseram-me que foi um grande desperdício de dinheiro. No meu caso? Não vão perceber mais abaixo.

A primeira noite no veleiro

A tripulação do meu barco eram apenas dois rapazes, bem divertidos por sinal! O que ajudou imenso a manterem um ambiente bastante agradável. No que respeita aos passageiros, a grande maioria era alemão ou falava alemão, e também tudo bastante jovem.

Tivemos alguns avisos no que respeita à etiqueta de boas maneiras dentro do barco. Papel higiénico nunca na sanita. Tomar duches, só mesmo muito curtos! Se a água doce terminasse no barco, eles teriam de regressar a Airlie Beach e o passeio terminava para todos. Pudemos levar o nosso vinho em baixa, que na Austrália é bem popular entre os jovens e mochileiros e lhe chamam de goon. Quase toda a gente tinha um desses sacos (a parte de cartão ficou logo em terra para evitar termos demasiado lixo a bordo), e devidamente identificados. E depois, mantermos a calma e respeitarmos a tripulação a 100%. Tudo muito fácil!

Banhos de sol no catamarã
Banhos de sol no catamarã

O primeiro jantar foi junto a uma baia, e depois seguimos para outra baia ainda de noite. A noite estava bastante calma, jogámos a alguns jogos, conversámos imenso e deu para nos conhecermos um pouco. E depois acampámos no topo do barco. Sim, tudo ao relento dentro dos sacos-cama, apenas com um colchão por debaixo. Por cima apenas estávamos por um toldo, caso chovesse. A noite foi bem tranquila e dormi bastante bem, já o acordar foi um pouco estranho…, todo peganhento do sal da maresia…

Visita à Whitehaven Beach

Ao acordarmos, ainda no barco, vimos algumas tartarugas! Foi bastante excitante, estar ali e ver tartarugas tão perto de nós. Ainda demos uns mergulhos ali mesmo do barco, mas confesso que estava com algum receio de me deparar com tubarões ou pior, medusas! Sim, as medusas são bem perigosas na Austrália.

Dali fomos logo para a ilha Whitsunday, a maior ilha do arquipélago e que tem uma história de genocídio e extermínio de uma tribo nativa por parte dos colonizadores. Quem visita a ilha nem tem noção das atrocidades que ali aconteceram, é pela beleza do local que os turistas ali vão e não pela sua história.

Vista na praia Whitehaven Beach
Vista na praia Whitehaven Beach

Depois de uma caminhada por parte da ilha, chegámos ao topo de uma colina e avistámos a praia paradisíaca que é tão famosa – Whitehaven Beach. Ali mesmo na praia encontrei-me novamente com pessoal que tinha conhecido na experiência como náufrago, isto sem ter sido combinado. E vi vários tubarões de recife, alguns bem perto de mim! Eram pequenos, mas ainda assim estiveram bem perto de mim!

Enquanto passeava pela praia apercebi-me que o grupo todo tinha levado os fatos de banho. E por fatos de banho, refiro-me a algo bem parecido com um fato de mergulho, mas de tecido. Qual o motivo disto? Como referi antes, as alforrecas são bem perigosas, e estes fatos dão para proteger a pele de contacto directo dos tentáculos das alforrecas. Como eu não tinha o fato, então nem me arrisquei a nadar… Os efeitos das “queimaduras” dos tentáculos podem ser bem graves, e um bocado assustador. Cheguei a ver isso acontecer mais a norte na viagem. Ainda assim, deu para tirar imensas fotografias e filmar os tubarões bem perto de mim!

Experiência de snorkel em corais nas Whitsundays

As actividades do dia não ficaram pela praia, depois disso fomos fazer snorkel para uma pequena parte da barreira de coral ali no arquipélago. As Whitsundays ficam dentro da área da Grande Barreira de Coral, e como tal é uma zona protegida. Algumas regras são puro senso comum, mas ainda assim, há gente que tem muita falta do mesmo. Uma rapariga achou que ficaria muito bem numa foto se subisse para cima de um coral. Claro que resultou em várias pessoas a gritarem com ela, principalmente os vários capitães dos barcos.

Tirando isso, a experiência foi fenomenal! Até cheguei a ver um dos peixes mais famosos das Whitsundays, o bodião Napoleão! Nadei bem perto dele, e ele é bem dócil, no entanto avisaram-nos para resistir à tentação de o tocar. Um toque nosso e pode feri-lo e até matá-lo.

Conhecer as Whitsundays e passagem por Airlie Beach
Conhecer as Whitsundays e passagem por Airlie Beach

Se a experiência já estava a ser fantástica, melhor ficou quando o capitão do meu barco decidiu começar a lançar comida de peixe para a água para onde nós estávamos! A quantidade abismal de peixes junto a nós foi inacreditável. E como se não bastasse, ele achou que teria piada mandar-me com comida para a cabeça também…, e sim, teve muita piada! Levei imensas chapadas de peixes a tentarem comer junto à minha cara. Nem conseguia ver nada, senão peixes por todos os lados e a baterem-me na cara…

Para terminar o dia fomos atracar noutra baia para jantar, e mais conversa e jogos até chegar à hora de dormir. Foi um ambiente bem relaxado, enquanto ouvíamos festas a sério noutros barcos. Já o nosso, bem tranquilo mas mesmo ao meu gosto!

Último dia a velejar e regresso a Airlie Beach

Na nossa última manhã no veleiro voltámos a ir fazer snorkel, desta vez para um local só para nós. Foi aí também que tive um pequeno ataque de pânico. Enquanto estava a com a cabeça debaixo de água começo a ver uns pontinhos azuis à minha volta, mas vários mesmo. Eram pequenas alforrecas!! Consegui afastar-me delas sem me terem tocado, mas foi um grande susto!

Depois desse bocado na água, estava na hora de regressar a Airlie Beach. De volta ao veleiro, e rumo a terra. Mas a história não termina aqui! Como já estava tão cansado, e sem muita vontade de comunicação, fui para a proa do veleiro, sentei-me lá a sentir o vento na cara e a desfrutar da paisagem. De realçar que o veleiro era do tipo catamarã, ou seja, é uma embarcação de dois cascos com uma ponte.

Não viaje sem Seguro de Viagem!

Recomendo vivamente a World Nomads, seguros especializados para viajantes. Bem detalhados antes de os riscos acontecerem!

A certa altura fomos visitados por vários golfinhos, que rapidamente passaram para debaixo da ponte. Exactamente onde eu estava sentado!! Claro que agarrei-me na minha GoPro, e coloquei logo em modo vídeo! Foram vários minutos apaixonantes que até me esqueci de confirmar se a GoPro estava mesmo a gravar…, e não, não estava… Não tenho uma única imagem desta parte da experiência! Vários minutos, a cerca de um metro de vários golfinhos a nadarem junto aos meus pés, e apenas restam as minhas memórias e este artigo agora. Enfim, valeu pela experiência! E muito!

Pouco depois a viagem terminou, e regressámos a Airlie Beach. Já não iria lá passar a noite, iria para o meu próximo destino e próxima grande aventura! Tratei de lavar a roupa, preparar a mala, e mais uma viagem de autocarro durante a noite até Cairns…

O que fazer nas Whitsundays

A principal atracção nas Whitsundays é mesmo velejar e fazer snorkel. Afinal de contas, está na área da Grande Barreira de Coral, e não falta vida selvagem marítima para conhecer. Mas existem outras actividades que podem explorar.

Uma estadia de luxo na ilha Hamilton

A ilha Hamilton é a maior ilha habitada das Whitsundays. De realçar que existem ilhas maiores neste arquipélago, mas estas não são habitadas e são áreas protegidas. Também na ilha Hamilton está o aeroporto das Whitsundays, que tem ligação a várias cidades principais da Austrália. Se estiverem à procura de um estilo de férias mais voltadas para o luxo, então esta é uma excelente opção, com alguns resorts por onde escolher.

Explorar as ilhas Hayman e Daydream

O arquipélago das Whitsundays é constituído por 74 ilhas, e se tiverem tempo e interesse para uma estadia mais prolongada, não vos irá faltar o que fazer. No entanto, apenas 4 destas ilhas têm a opção de alojamento em resort, como é o caso das ilhas Hayman e Daydream.

A ilha Hayman é a ilha mais a norte do arquipélago, o que oferece uma posição privilegiada de acesso à Whitehaven Beach e à zona externa da barreira de coral. Na ilha Daydream, além das opções de resort, também têm podem aprender como é a vida no barreira de coral através dos conhecimentos dos biólogos marinhos que vivem na ilha.

Visitar a Whitehaven Beach

Esta praia tem algumas características únicas, todos os dias a praia tem uma forma diferente, pois as areias são movidas com as correntes e as marés. A areia é tão branca e pura que não retém calor, ou seja, podemos andar descalços num dia de bastante calor sem queimarmos os pés. E a areia é tão fina que pode danificar câmaras e telefones, mas ao mesmo tempo também é bastante boa para arear jóias. A areia é 98% de silica pura, o que é excepcional. No entanto as rochas da zona não contém silica, como tal julgam que estas areias foram levadas para esta praia pelas marés e correntes.

Areias na Whitehaven Beach
Areias na Whitehaven Beach

Ver o Recife do Coração por cima

Numa zona da Grande Barreira de Coral, um coral foi formado com o formato de um coração. Este coral é absolutamente natural, e foi descoberto pela primeira vez em 1975 por um piloto local. Podem apanhar um avião da ilha Hamilton, ou de Airlie Beach via helicóptero ou hidroavião. Se optarem pelo hidroavião, podem também amarar na zona e fazer snorkel ali mesmo na Grande Barreira de Coral.

Velejar pelas Whitsundays

Para surpresa de poucos, existem vários opções para explorar as Whitsundays. E velejar é uma das mais populares, com uma variedade imensa de opções desde grupos familiares a grupos de festas. Mas também existem opções mais privadas, e até podem alugar um veleiro só para vocês e o vosso grupo de amigos! Para algumas destas companhias nem é necessário uma licença de navegação.

Saltar de para-quedas com vista para as ilhas

E uma oportunidade única, saltar de para-quedas por cima da Grande Barreira de Coral e das Whitsundays. É uma experiência brutalíssima, e compreensivelmente não é para o gosto de toda a gente. Mas se tiverem coragem para tal, vão ser presenteados com uma vista fantástica e única, a juntar a toda a adrenalina que irão sentir durante a descida.

Onde ficam as Whitsundays?

As Whitsundays ficam na Costa Este da Austrália, junto a Airlie Beach. A forma mais rápida de lá chegarem é de avião, mas existem outras opções mais em conta (mas também mais demoradas).

Se tiverem a oportunidade de visitar a Austrália, não deixem as Whitsundays fora da vossa lista. Sim, são bastante turísticas, mas com motivo para tal. Valem muito a pena a visita!

Por Gil Sousa

Português emigrado em Cork, viajante e apreciador de boa comida.

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