Arequipa, uma cidade encantadora no sul do Peru

Arequipa, the charming city in the south of Peru

Acordar cedo em Arequipa…, é um pouco estranho escrever o mesmo todos os dias das minhas férias, que tipo de férias são estas em que uma pessoa acorda cedo todos os dias? Ah, pois…, jet lag…, sendo assim, voltámos à creparia para tomar o pequeno-almoço, e depois disso, fomos às compras! Recordações e outras tralhas de que nada servem!

Carros antigos
Carros antigos

Tentámos ir a um museu, mas se não estou em erro, teríamos de esperar cerca de uma hora para a próxima visita guiada, como tal decidimos passar à frente e fomos visitar um convento, o Convento de Santa Catarina, que lugar lindo! Uma vila autêntica no meio da cidade, mas em claustro… Hoje em dia é essencialmente um local turístico com apenas algumas freiras a viverem lá dentro, mas a sua história é bem interessante e vale a pena ler um pouco mais sobre o convento, mas claro, sem dispensar uma visita!

Convento de Santa Catarina - Vista de uma janela
Convento de Santa Catarina – Vista de uma janela

Almoço, e mais uma vez no restaurante árabe! Dois dias consecutivos a comer nos mesmos sítios, e em ambos os dias comemos comida “não-peruana”…, mas mesmo muito boa! Depois disso fomos dar uma caminha pelo centro da cidade, com um excelente gelado para arrefecer a temperatura. E mais uns momentos “de gaja“, encontrámos um mercado de coisas em segunda mão bem engraçado, e bastante barato para os preços praticados na Europa.

A nossa passagem por Arequipa estava mesmo no fim, estava na hora de apanhar um taxi e irmos para o aeroporto, e nós a pensarmos que a aventura já estava a terminar…, há sempre alguma coisa que pode acontecer nos aeroportos 🙂 A começar pela revista manual da nossa bagagem, e quando digo “manual”, foi literalmente assim. Abriram-nos a bagagem, e começaram a mexer na nossa roupa suja, até roupa interior…, mas apenas por uns segundos, que depois desistiram. Depois disso, descobrimos que afinal o preço do bilhete não incluía tudo…, ainda tivemos de pagar uma taxa aeroportuária. O QUÊ??? Quase 10 Novos Soles Peruanos! E depois, claro, tivemos de esperar que abrissem as portas de embarque…

Convento de Santa Catarina - Vista de um telhado
Convento de Santa Catarina – Vista de um telhado

E quando finalmente anunciaram as portas de embarque, tivemos de passar pelo raio X. E mais trapalhadas aconteceram 😀 O Ramón exagerou imenso na bagagem, e só para as recordações ele tinha um saco enorme, e uma dessas recordações acusou no raio X 😀 Ele teve de desfazer a mala toda, apenas por causa de uma pequena peça que apenas serve para colecionar pó 😀 Ah, esse momento foi captado em vídeo 😀 Depois disso, só tivemos de esperar pela descolagem…

Pôr-do-sol no aeroporto de Arequipa
Pôr-do-sol no aeroporto de Arequipa

De volta a Lima, e de volta ao mesmo hostel. Tinha-me esquecido do quanto eles nos roubaram da outra vez com o taxi “agendado”, e mais uma vez, por nos termos esquecido disso, 30 soles… E se isto não fosse suficientemente mau, ainda tivemos de pagar com antecedência. Foi o único hotel durante a nossa viagem toda que nos obrigou a pagar com antecedência. Ah, fiquei tão aziado! Ainda para mais, dormi terrivelmente mal, demasiado calor, cama má, e afins…



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Arequipa, uma cidade encantadora no sul do Peru
Arequipa, uma cidade encantadora no sul do Peru

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Visitar os Parques Nacionais da Califórnia

Visitar os Parques Nacionais da Califórnia

Infelizmente, ou felizmente, estamos a viver uma época em que o tema do ambiente é assunto bem mediático e já tem quase lugar garantido nos discursos da maioria dos políticos dos grandes países. Digo felizmente, porque é extremamente importante que se proteja o que nos dá vida, mas infelizmente pois muito mal já foi feito, e algum desse mal até já nem tem muita volta a dar…

Os Parques Nacionais têm um papel muito importante no que respeita à protecção do meio ambiente, mas até este conceito, de Parque Nacional, tem apenas pouco mais do que 200 anos. Em 1872 os Estados Unidos declaram o Parque de Yellowstone como Parque Nacional, a primeira área protegida por um governo no mundo todo. Claro que já existiam áreas protegidas, essencialmente por motivos de culto, mas este foi o primeiro reconhecimento oficial da necessidade de proteger uma grande área natural.

Parque Nacional Yosemite

Na Califórnia existem 9 Parques Nacionais, sendo o Parque Nacional Yosemite o mais conhecido de todos. Este foi declarado como área protegida desde 1864, mas só em 1890 foi declarado como Parque Nacional graças aos esforços de Robert Johnson e de John Muir.

Half Dome no Parque Nacional Yosemite
Half Dome no Parque Nacional Yosemite

Estive neste parque recentemente, e fiquei absolutamente maravilhado, valeu cada segundo lá passado. As caminhadas nos Parques Nacionais já fazem parte da cultura americana, é frequente combinarem retiros de fim-de-semana para visitarem um Parque Nacional, para onde vão fazer várias caminhadas para viverem a Natureza. Como bons turistas que somos, claro que tivemos de planear algumas caminhadas. Na verdade não planeámos nada…, apenas uma pessoa do nosso grupo se deu ao trabalho de pesquisar, e depois até nos separámos… Mas ainda assim, fizemos as nossas caminhadas que nos deram alguns anos de vida! Ou assim o espero…

Uma das caminhadas que fizemos é talvez a mais popular, quase em modo de escalada subimos por trilhos até à base da cascata superior da Cascata de Yosemite. Durante grande parte do percurso só vimos árvores, pedras e trilho… Mas a dada altura o horizonte disse-nos olá e nos presenteou com vistas fantásticas, como o Half Dome. Já bem cansados, e quase no final do dia, já equacionávamos voltar para trás, até que alguém nos disse que “é já ali”! Não era assim tão próximo, mas foi uma parte do percurso bem mais simples que nos levou até à base da cascata!



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Uma das coisas que recomendo a terem em atenção quando visitarem este parque nacional, é quanto ao transporte. Nós ficámos presos em trânsito por algumas horas, e isto já dentro do vale. A quantidade de turistas é absurda, e muitos dos parques de estacionamento ficam dentro do vale, mas não são assim tantos quanto isso, o que dá origem a muita espera. Recomendo vivamente ou a irem bem cedo, ou a estacionarem o carro fora do vale numa das comunidades à volta e apanharem um autocarro para o parque, YARTS, em que o preço de entrada do parque estará incluída no bilhete do autocarro. Se tiverem a sorte de conseguirem um lugar dentro do parque, simplesmente deixem o carro nesse sítio durante o resto do dia, e aproveitem os autocarros gratuitos que nos levam aos vários pontos do vale. Para mais informações, recomendo a leitura deste documento.

Quanto a alojamento, nós ficámos fora do parque, numa pequena vila chamada Mariposa. Apesar de no mapa mostrar ficar bem do lado do parque, ainda é cerca de 1 hora de viagem até ao vale…, mas no dia seguinte fomos mais cedo e tivemos mais sorte com o estacionamento.

Visitar os Parques Nacionais da Califórnia
Visitar os Parques Nacionais da Califórnia

A caminhada do segundo dia foi melhor organizada, de factos começámos em grupo, mas a dada altura acabámos separados porque pessoas, como eu, ficaram para trás para tirar fotos… Fizemos o trilho da cascata Vernal Fall, em que parte do trilho é mesmo junto à cascata, o que se recomenda vivamente o uso de roupa impermeável…, coisa que não tínhamos… A minha metade do grupo acabou por não passar junto à cascata, encontrámos várias pessoas a voltarem para trás já todas ensopadas que nos disseram que as escadas junto à cascata estavam intransitáveis. No entanto, mais tarde nos encontrámos com as outras duas pessoas que “perdemos”, e eles fizeram essa parte quase sem problemas…, só demoraram uns 10 minutos até enxugarem por completo… Esta caminhada é menos “violenta” do que a caminhada pela cascata de Yosemite, mas tem algumas partes que requerem alguma resistência física.

Parque Nacional de Sequoia e Kings Canyon

Este Parque Nacional é um autêntico dois em um, e muitas pessoas assumem que se trata de dois parques nacionais, mas na verdade é uma área protegida em conjunto. Kings Canyon é um desfiladeiro na zona norte do parque, enquanto que Sequoia é a parte mais a sul, onde se encontram as árvores mais altas do mundo. É verdadeiramente surpreendente de ver, até custa a acreditar que existem árvores tão grandes.

Também visitei este parque, mas desta vez fui sozinho, como parte das minhas férias pelo Faroeste Americano. Aqui passei duas noites, e fiquei numa vila chamada Three Rivers, mesmo junto a uma das entradas do Parque na zona sul. Usei o AirBNB nesta estadia, a casa onde fiquei tem uma vista fenomenal, o anfitrião bastante simpático e passámos algum tempo a conversar sobre a vida na zona do Parque. Pelos vistos invasões por ursos não é assim tão raro, ele já teve algumas visitas inesperadas na casa dele…, mas nada de inseguro.

No primeiro dia, como vinha directamente de Cupertino, fiz apenas a parte sul do parque, sempre em direcção ao AirBNB. Fiz várias paragens em alguns pontos obrigatórios, como visitar os “generais”, são duas das muitas árvores gigantes no Parque. O General Grant e o General Sherman. E uma visita também ao Tunnel Log, um túnel escavado num tronco de uma sequóia caída. Numa das caminhadas que fiz passei por dentro de uma árvores caída, a percepção que temos ao ver as fotos em nada correspondem à sensação de lá estar e ver aquelas árvores, mas entrar “dentro” de uma faz-nos sentir tão pequenos e insignificantes…



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Não sei se foi do facto de ter visitado este parque “na altura certa”, ou se é mesmo menos popular que o Yosemite, mas não tive problemas nenhuns com trânsito e estacionamento. E para quem tem mobilidade reduzida, os acessos estão muito bem planeados e pensados para quem precisa de usar uma cadeira de rodas, pelo menos reparei que nas atracções principais existem acessos alternativos para cadeiras de rodas, e claro, estacionamento exclusivo.

Na parque mais a norte fica o Kings Canyon, mas não sejam como eu e não se guiem pela relatividade de um mapa, para lá chegar ainda é preciso conduzir imenso… e é uma estrada sem saída, portanto tenham o regresso também em atenção, que conduzir ali de noite deve ser uma experiência interessante

Atravessar uma Sequoia Gigante
Atravessar uma Sequoia Gigante

Tive um pouco de azar com o Kings Canyon, parte do meu plano era fazer uma caminhada até a uma cascata, que fica mesmo no final da estrada. No entanto, com a chuva, tive de mudar de planos. Ainda perguntei aos Park Rangers se deveria arriscar, mas sugeriram-me a voltar para trás, seria uma caminhada de umas 4 milhas até à cascata e a previsão para o resto do dia era de ainda mais chuva…, sem qualquer muda de roupa, optei por seguir apenas a estrada e o rio vale acima novamente.

Outros Parques Nacionais da Califórnia

Do pouco tempo que estive na Califórnia apenas visitei os dois parques que referi acima, mas existem muitos mais. Na lista de Parques Nacionais constam também os parques:

  • Channel IslandsIlhas do Canal – No sul da Califórnia, não muito longe de Los Angeles
  • Death Valley – Vale da Morte – Já na fronteira com o estado de Nevada. Fazia parte dos meus planos iniciais, mas acabei por me desviar um pouco…
  • Joshua TreeÁrvore Joshua – Também bem perto de Los Angeles
  • Lassen Volcanic – Já bem no norte da Califórnia
  • Pinnacles – A sul de São Francisco, já a caminho de Los Angeles
  • Redwood – Outro dos parques nacionais mais populares dos Estados Unidos, e da Califórnia, que fica bem no norte perto da fronteira com o Estado de Oregon

Além dos Parques Nacionais, a Califórnia tem muitos outros parques de protecção estatal, em vez de federal, com várias categorias. Tais como Parques Históricos, Parques Estatais entre outras. Também visitei o Parque Mojave, que tem protecção a nível estatal, mas para isso irei escrever um artigo dedicado apenas a esse parque!

Dicas sobre os Parques Nacionais Americanos

General Sherman
General Sherman

Se faz parte dos vossos planos uma viagem por vários Parques Nacionais, então devem equacionar comprar um passe anual. Custa $80 USD, e dá acesso a todos os Parques Nacionais dos Estados Unidos, e realço o facto de ser válido para os Parques Nacionais e áreas Federais, este passe não é válido em Parques Estatais, como por exemplo, o Valley of Fire no estado de Nevada, onde tive de pagar para entrar 🙂

O passe compensa a partir do terceiro parque, e a partir daí é tudo grátis. A entrada individual (veículo) tem um custo de $30 USD, e por mais $50 USD recebem um cartão que vos irá dar entrada a todos os Parques Nacionais. É um excelente investimento para quem gosta de Natureza!



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De realçar que o passe não é por pessoa, mas sim por carro. Isto é, o titular do passe tem de estar no carro, mas pode levar 3 pessoas consigo sem custo extra. O mesmo se aplica aos $30 USD, o valor é por veículo (motos são mais baratas).

Alojamento nos Parques Nacionais

Antes de sequer abrirem o site do AirBNB, ou qualquer outro site de alojamento, planeiem bem a vossa viagem! Alguns dos Parques Nacionais têm uma área quase tão grande como Portugal, mas as zonas mais populares ficam, por norma, numa área em específico. Vejam bem onde querem ir, e depois procurem alojamento nessa zona. Alguns dos Parques Nacionais até têm várias opções de alojamento dentro do próprio parque, desde campismo, caravanismo e até alguns hotéis mais rústicos. A nossa estadia no Parque Nacional Yosemite ficou a uma hora da zona que queríamos ver, e só isso condicionou um pouco os nossos planos. Lá está, falta de planeamento…

Passaporte para crianças

Nem sempre é fácil cativar as crianças a visitarem parques nacionais, hoje em dia com tantas distracções em casa, para quê ir para a rua? Não, não existe nenhuma fórmula mágica ainda, mas pequenos incentivos por vezes fazem toda a diferença. Os Parques Nacionais dos EUA têm um passaporte para crianças, em que podem carimbar o seu passaporte com o símbolo do parque que estão a visitar, e claro, o objectivo é terem tudo carimbado! Quantos mais Parques Nacionais visitarem, mais carimbos! Acho que é uma excelente iniciativa para as crianças, e quiçá, até para adultos?

Leis federais nos Parques Nacionais

Quando fiquei alojado junto ao Parque Nacional de Sequoia e Kings Canyon, o meu anfitrião explicou-me as leis estatais não se aplicam dentro dos Parques Nacionais, que se regem pelas leis Federais. Um dos exemplos que ele me deu é no que respeita a fumar marijuana, que na Califórnia é legal, mas a nível federal ainda não o é, portanto fumar marijuana dentro de um Parque Nacional da Califórnia é ilegal.

O uso de drones também está restrito dentro do espaço aéreo dos Parques Nacionais, salvo raras excepções. Vi avisos em relação a isso junto a todos os Centros de Visitantes que visitei, portanto não faltam alertas, mas de qualquer das formas convém estarem cientes disto no caso de quererem tirar alguns vídeos e fotografias aéreas…

Rota dos Parques Nacionais da Califórnia

A Califórnia tem 8 Parques Nacionais, e mais umas quantas reservas nacionais e federais, abaixo está um mapa dos Parques Nacionais da Califórnia como referência.

Como chegar à Califórnia?

Da Europa existem várias formas de chegar à Califórnia, Los Angeles e São Francisco são duas das principais cidades para onde existem voos directos de Londres, Dublin, Paris e outras cidades europeias, e com planos para uma rota directa desde Lisboa! Os preços obviamente que variam, consoante a companhia e a cidade de partida, mas dá para baixar ainda mais o valor da viagem recorrendo a transbordos em Boston, Nova Iorque e outras cidades da costa Este.

Depois da chegada, mais vale alugarem um carro. É certamente a melhor forma de se deslocarem dentro dos Estados Unidos da América! E claro está, não se esqueçam de se divertirem imenso, e de tirarem imensas fotos!

A minha rota de duas semanas pelo Faroeste Americano

A minha rota pelo Faroeste Americano

O Velho Oeste, Oeste Selvagem ou Faroeste, é o nome que foi dado à parte ainda desconhecida ou por conquista da área que faz agora parte dos Estados Unidos. Deu origem a muitos mitos, e com os muitos mitos muitas histórias e uma categoria inteira de filmes sobre essa época. Muitos de nós devem recordar com alguma saudade filmes como O Bom, o Mau e o Vilão, ou o Aconteceu no Oeste, que retratam algumas das histórias e mitos da época.

Recentemente tive de ir aos Estados Unidos da América em trabalho, e como foi a primeira vez que pisei solo americano (dos EUA) claro que aproveitei para tirar umas férias e explorar um pouco (ou muito!). De inicio, como já é habitual comigo, não tinha absolutamente nada planeado, mas depois apercebi-me que o que queria ver até dava para fazer uma rota com um regresso fácil ao ponto de partida. Então lá me aventurei, mas ainda assim com pouco planeado. Ao todo foram mais de 1600 milhas, o que dá mais de 2500 km!! Sempre a conduzir sozinho! Este foi o mapa, ou algo bem parecido com isto.

A rota pelo Faroeste Americano
A rota pelo Faroeste Americano

A partida para o Faroeste

Comecei logo desde Cupertino, aluguei um carro usando a aplicação do Skyscanner, que diga-se de passagem que encontrei opções bem mais baratas do que as conhecidas, e segui logo numa longa viagem até ao Parque Nacional de Sequoia e Kings Canyon. Fiquei absolutamente maravilhado quando lá cheguei, mas para ser sincero, fiquei maravilhado com tudo o que vi durante a viagem toda…, portanto não vou conseguir demonstrar uma opinião muito objectiva. Sou uma pessoa fácil de agradar…

Com uma marcação de última hora, acabei por ficar num AirBNB a 3 milhas de uma das entradas do parque. Foi um pouco caro, deveria ter pesquisado antes de me meter à estrada (dá para dormir dentro do carro, desde que seja fora do Parque Nacional), mas não me arrependo do que gastei. Além da localização e da vista, que é excelente, a companhia foi igualmente excelente e acabei por ter uma noite muito bem passada na conversa com o meu anfitrião. Na verdade, passei duas noites naquela casa, e ainda assim era capaz de ficar mais umas noites para poder explorar bem o Parque Nacional…

Mudanças de “planos”

Quando os planos não existem…, é normal que os rascunhos não corram lá muito bem. Quando decidi o sentido da minha viagem, marquei alguns parques nacionais que queria muito visitar, e depois defini isso como uma rota. A ideia foi boa, mas a falta de pesquisa pré-viagem foi terrível. Sou apologista de que não se deve planear demasiado uma viagem, mas que a preparação é importante. Mas se calhar deveria ler as minhas próprias sugestões antes de me meter à estrada…

Um dos Parques Nacionais que eu queria mesmo no faroeste americano é o famoso Death Valley, o Vale da Morte como se diria em Português. Uma das coisas mais famosas deste parque são as rochas que se movem, e eu estava disposto a ir direito ao Centro de Visitantes e simplesmente agarrar num mapa e ir ver estas famosas rochas. No entanto, encontrar alojamento de véspera na zona foi bem complicado, o que me levou a pesquisar um pouco mais sobre estas famosas rochas. Ora então, para lá chegar é imperativo ter uma 4×4 e conduzir numa estrada de terra batida por umas QUATRO horas! E ainda ter de fazer uma caminhada… Estamos a falar de um deserto. E eu apenas tinha uma pequena carrinha. Lá tive de alterar os “planos”, e deixei de lado a visita ao Vale da Morte. A dizer que com muita pena minha, é um local que quero muito visitar, mas da próxima oportunidade vou pesquisar devidamente…

Cidade e Deserto

Depois de pesquisar um pouco cheguei à conclusão que a melhor ideia seria mesmo usar Las Vegas como base para visitar alguns locais que ficam na zona. Não sou muito adepto de cidades, e muito menos de uma cidade que é um conhecido destino turístico essencialmente por festas e jogos de azar, mas em falta de alternativa foi o que me calhou. No primeiro dia já cheguei tarde, mas no segundo dia a primeira coisa que fiz foi sair da cidade, em direcção ao deserto! Fui visitar o Vale do Fogo, onde senti que estava num episódio do Bip Bip e Coiote! Aquelas paisagens são tal e qual como nos desenhos animados, aliás, os desenhos animados é que são como aquelas paisagens. Muita nostalgia que senti durante aquelas horas, só faltava ver um coiote ou um papaleguas…, não tive essa sorte…

Ainda em paisagens desérticas, da cidade rumei em direcção a um dos parques nacionais mais conhecidos do mundo, o Grand Canyon. Nem sei como descrever o que vi, nem há sequer fotos que consigam mostrar o que se vê ao vivo. Aquele canhão e de tal forma gigante que até custa a processar aquele desnível do terreno. Das coisas mais impressionantes que alguma vez vi, só lamento não ter tido mais tempo para fazer umas caminhadas a sério. Além do mais, estava ligeiramente dorido de tantas caminhadas que já tinha feito durante os dias anteriores… Muita falta de prática, claramente estou em baixo de forma…

Mais a norte, mas ainda seguindo o rio Colorado, visitei o Horseshoe Bend, uma das curvas de rio mais conhecidas. Tão impressionante que visitei aquele lugar duas vezes, ao final do dia quando lá cheguei, e ao nascer do sol na manhã seguinte. Custou a levantar, mas valeu bem a pena!

Enchentes relâmpago no deserto

A Natureza consegue fazer verdadeiras obras de arte com recurso a catástrofes. Basta ver o horror que são as erupções vulcânicas, mas o quão belas também o são (bem de longe). No deserto também se encontram maravilhas destas, criadas por desastres naturais. Visitei dois lugares com vários avisos sobre as enchentes relâmpago, um deles já é bem conhecido graças às redes sociais, o Canhão de Antelope no Arizona. Aquelas curvas lindíssimas são escavadas pela força da água, que já tirou várias vidas a turistas que não iam acompanhados. Hoje em dia existe bastante mais controlo, não dá para visitar sem ser com visita guiada, portanto mais seguro.

O outro local que visitei que também tem avisos quanto às enchentes relâmpago é no Parque Nacional Zion, e existem imensos vídeos a mostrar a força do rio quando uma destas enchentes acontece. Mas um dos vídeos mais impressionantes é o que coloquei abaixo, o problema não é a força da água mas sim a quantidade de lixo e madeira que ela arrasta, quem consegue escapar disso?

Escapar às cidades

Para regressar à Europa teria de voltar a São Francisco, mas sem nada planeado acabei por apenas andar às voltas pela cidade sem um rumo certo. Já tinha passado por São Francisco antes, durante o meu mês de trabalho, então aproveitei para comprar algumas recordações de última hora.

Para quem não tinha quaisquer planos para visitar os Estados Unidos, acabei por ficar apaixonado pelo que vi e já faço intenções de voltar. No que respeita a Natureza é mesmo de tirar o fôlego, vi paisagens que não dão para capturar pela lente de uma máquina. Já tinha visto fotos de todos estes sítios, mas estar lá ao vivo é um impacto indescritível.

Se puderem, não deixem de fazer uma viagem de carro pela zona do Faroeste Americano, é uma viagem bem memorável. Partilhem este artigo e passem a palavra aos vossos amigos que estejam interessados em visitar os Estados Unidos da América.

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Conhecer o Parque Nacional Burren no Inverno

Conhecer o Parque Nacional Burren no Inverno

O nevoeiro voltou a ficar intenso, mas mesmo intenso! O caminho era bem estreito, por quilómetros e mais quilómetros, e sempre sem luz. Se por norma já devemos conduzir com cuidado, naquelas condições ainda pior, a parte mais interessante é que atravessei parte do Parque Nacional Burren que iria visitar no dia seguinte, mas de noite, ou seja, sem conseguir ver absolutamente nada. O que também levou outra questão, e animais? Ainda mais cuidado a conduzir… E para juntar ao desafio, vimos vários avisos de partes de estrada inundada… Nevoeiro, luminosidade reduzida, estradas estreitas e partes inundadas… Interessante…

Foi um pouco tenso conduzir naquelas condições, e tudo até estava a correr bem, até chegarmos à zona do Lough Bunny, onde a estrada estava de facto inundada mas em avisos… Quando reparei, já estava dentro de água! Ainda foram uns 10 metros com água a bater debaixo do carro, o susto foi bem grande mas felizmente o carro não parou ali! Acho que fiquei a tremer por uns bons minutos, mas sempre a conduzir.

Histórias de um “blogger” à moda antiga

Observar pássaros a comer
Observar pássaros a comer

Encontrar o B&B também não foi fácil, mais remoto acho que seria complicado, esqueci-me de guardar a morada do B&B e foi complicado apanharmos internet no meio do nada, mas lá conseguimos. Quando chegámos “lá”, afinal ainda faltava um pouco…, olhando mais em detalhe no perfil do airbnb vimos que também tinha coordenadas GPS, que estavam absolutamente correctas!

O B&B tem um ambiente bem familiar, ainda bebemos duas garrafas de vinho com os donos, suíços emigrados há mais de 30 anos na Irlanda, e partilhámos imensas histórias. O dono viajou imenso durante os anos 70, contou-nos histórias que me deixaram de olhos a brilhar, um verdadeiro blogger à moda antiga, que passou para o papel todas as suas viagens, e que de vez em quando vai buscar um dos seus cadernos para ler algumas das suas aventuras. Partilhou connosco algumas das suas aventuras e desventuras, e deu um exemplo bem claro de como seguro de viagem é tão importante, mesmo quando estamos ao lado de casa como foi o caso dele. Acho que bati os meus níveis de excitação com aquelas histórias!

No dia seguinte acordámos cedo e tomámos um pequeno almoço bem robusto no B&B, feito pelo Joseph (o dono), e na companhia de vários pássaros que se estavam a alimentar num comedouro no jardim, tantas fotografias que tirei! Que ideia fantástica, tão fácil tirar fotos e de tão perto a pássaros em ambiente selvagem 🙂

Pelo Parque Nacional Burren

Dali, seguimos para o Parque Nacional, mas demos a volta por cima por Kinvara, foi o mais a norte que estivemos neste fim-de-semana, fomos ver o castelo de Kinvara mas apenas de longe, e sob uma chuva irritante como já é habitual na Irlanda.

A ideia era ir visitar o Parque Nacional Burren, mas depois da experiência da noite anterior, decidimos fazer um desvio pela costa e aproveitar para ver o castelo. Até queríamos aproveitar a zona, mas o tempo não estava mesmo nada convidativo, então tirámos umas fotos para assinalar a passagem, e seguimos viagem a improvisar um pouco com o GPS.

Nem eu nem o meu amigo sabíamos nada sobre o Parque Nacional, apenas que era altamente recomendado, mas nem sabíamos muito bem ao que íamos. Colocámos as coordenadas de GPS, e lá seguimos para o meio daquilo. E quando digo “daquilo“, o parque nacional é tão diferente do que se poderia esperar de um parque nacional na Irlanda que até deu a ideia que estávamos noutro país qualquer. Um parque nacional bem rochoso, no entanto bem cheio de vida.

No Inverno parece um pouco deprimente, muitas rochas cinzentas a condizer com o céu igualmente escuro, mas para quem está habituado e já enjoado de tanto verde na Irlanda, aquelas paisagens são de facto algo maravilhoso, mesmo sob o céu cinza e triste que nos acompanhava.

Castelo de Kinvara
Castelo de Kinvara

Sem um destino especificado, a receptividade à espontaneidade também é bem maior, a certa altura vimos indicações para uma perfumaria…, e que tal irmos lá ver? Sugeriu o meu amigo. Então lá fomos espreitar.

Perfumaria no Parque Nacional Burren

Para lá chegarmos, conduzimos imenso, e até já pensávamos estar perdidos, mas confiámos nas indicações. Lá chegámos a uma casinha bem castiça no meio do nada, no final de uma estrada sem saída, e com um pequeno parque de estacionamento. Aparentemente estava fechada, mas depois de tanto conduzirmos, experimentámos na mesma. Que é que tínhamos a perder? Absolutamente nada, aliás, até ganhámos imenso com isso!

Na minha opinião, visitar a Perfumaria Burren deveria ser obrigatório para todos que vão visitar aquela zona da Irlanda. A experiência só por si é uma aula de Flora e Fauna local, e a explicação do porquê a zona do Burren ser tão importante, e ser um dos Parques Nacionais. É um paraíso para flores silvestres, abelhas, borboletas e muitos mais animais. Aliás, se não fosse pelas flores, porque raio haveriam de criar uma perfumaria no meio do nada?

O espaço está excelentemente organizado, com algumas secções audiovisuais com imagens do Parque Burren durante as várias estações do ano (tenho de lá voltar no Verão). Obviamente que tem uma loja, com todos os produtos que criam, mas também explicam tudo quanto podem. Os processos de criação, como reconhecer os diversos aromas e como os categorizar, e claro, depois acabámos por comprar alguns produtos.

Anta de Poulnabrone
Anta de Poulnabrone

Já fora da zona da perfumaria, existe um pequeno café, que para muitos poderia passar despercebido, mas que mais uma vez recomendo vivamente a irem e experimentarem um dos muitos chás de flores locais que eles têm. Aliás, os chás também são parte dos produtos deles. Tudo o que se pode fazer com aquelas flores, eles tentam fazer. Perfumes, cremes, chás, sabonetes, tudo mesmo!

E falando em sabonetes…, antes de partirmos aproveitámos e fomos ao WC. Sim, parece que é informação desnecessária, mas não o é. O sabonete que eles têm lá é produzido na casa, e o cheio é simplesmente fantástico! Não voltámos atrás para comprar por vergonha, mas é uma excelente forma de mostrar os seus próprios produtos!

Anta de Poulnabrone

Um dos pontos de referência mais importantes do Parque Nacional Burren é mesmo a anta de Poulnabrone, fica numa das estradas principais e bem fácil de encontrar. Isto, claro, se tiverem a rota minimamente planeada, o que não foi o caso…, tivemos de fazer um desvio para lá chegarmos, mas foi bem interessante. Também bem mais pequeno do que imaginávamos, mas bem interessante! Tirámos várias fotos ao fim do dia, mas a luz já não era das melhores. Ainda assim acho que conseguimos algumas fotos aceitáveis.

Sendo um monumento megalítico tão importante, os acessos tão são muito bem sinalizados e com um parque de estacionamento bem generoso, para autocarros e carros particulares. Depois, por um pequeno trilho pelo meio das muitas rochas, chegamos à pequena anta. Pelo caminho existem várias placas a explicarem a morfologia da zona e do período aquando a construção da anta. Salvo erro é acessível também por cadeira de rodas, existe um caminho alternativo menos acidentado até à zona da anta.

Caverna dos ursos – Caverna Aillwee

A última paragem do nosso passeio foi também não planeada, vimos indicações para uma caverna dos ursos e visto que ficava a caminho, porque não? Com muito pouco planeado, acabámos por ter um fim-de-semana em cheio! E esta caverna não ficou aquém do esperado, mais outra história que se poderia dizer “só na Irlanda“…

Em suma, a caverna foi descoberta por um agricultor que a manteve secreta por cerca de 30 anos, até que um dia comentou a sua descoberta, mas aparentemente poucos acreditaram na sua história (informação dada pelo guia, não encontrei fontes a comprovar isto). Dependendo das chuvas e da altura do ano, existe uma cascata dentro da caverna, e é possível encontrar muitas fotos dessa cascata no google, mas nós não tivemos sorte com as chuvas (acho que nunca tinha escrito tal coisa sem usar sarcasmo).

O nome da gruta deve-se ao facto de terem encontrado ossos de ursos dentro da caverna, numa posição de hibernação. A parte interessante é que os ursos estão extintos da Irlanda há pelo menos 15 mil anos

Para ser sincero, a caverna é de facto interessante, mas muito curta e deixou um pouco a desejar pois uma das fotos que usam para marketing é uma parte da caverna feita pelo homem para permitir o acesso a um dos extremos da caverna. Mas ainda assim, valeu a pena a visita, apesar de esperarmos um pouco mais do que o que vimos.

Esta caverna ainda faz parte do Parque Nacional Burren, e foi o nosso último ponto de paragem antes de voltarmos para casa, mais um par de horas a conduzir depois de um fim-de-semana em cheio e repleto de boas experiências! Um Parque Nacional que recomendo vivamente a visitarem, seja em que altura do ano for.

Onde fica o Parque Nacional Burren?

Para quem vai visitar as Escarpas de Moher, então fica mesmo ao lado. Foi o que fizemos, aproveitámos o fim-de-semana para conhecer dois locais incríveis na Irlanda! Existem várias excursões que vos podem levar tanto ao Parque Nacional como às Escarpas. De Galway existem vários grupos e é a forma mais fácil de visitar, sem terem de “perder” meio dia só em viagens. Mas o que recomendo mesmo é a alugarem um carro e a se aventurarem, o Parque é incrível e tem mesmo muito para descobrir!

Uma passagem por Noosa a caminho do paraíso

Uma passagem por Noosa a caminho do paraíso

Confusões em Noosa ainda antes de chegar

(Não) planear uma viagem tem destas coisas, acabamos por visitar locais sem sabermos bem ao que vamos e depois temos surpresas agradáveis. Noosa foi mais uma destas boas surpresas, era suposto ser local de passagem e acabou por ser um local que recomendo vivamente. E em parte, até me arrependo de não ter aproveitado por mais tempo…

Ainda antes de chegar, já tinha histórias em Noosa…, ora, quando reservei a viagem à ilha de Fraser, apenas fi-lo para passa uma noite, e em Noosa teria de ficar duas noites antes de ir para Fraser. No entanto, o hostel onde iria ficar, NOMADS Noosa, estava cheio e só tinha mesmo a noite antes da viagem para Fraser garantida. Tive então de reservar uma noite num outro hostel, também na vila…

Já isto, se não era confusão que bastasse, ainda decidi complicar um pouco mais. No decorrer da viagem apercebi-me que afinal, até podia embarcar numa aventura mais longa em Fraser (melhor coisa que fiz), e pedi para me alterarem a reserva para uma noite extra… Ora bem, então isto claro que foi complicar ainda mais as coisas, e com isto iria para Fraser uma noite antes. Como o cupão para a excursão inclui uma noite no NOMADS Noosa, então passei a ter dois hosteis reservados para a mesma noite… Quando tive a confirmação já era tarde demais, e acabei por pagar por uma noite num hostel que nem cheguei a visitar…

Chegada a Noosa

Quem pensa que a Austrália é sinónimo de sol o ano todo, está bem enganado… Já tinha sentido os efeitos do clima tropical a caminho de Brisbane, e desta vez foi bem pior. Chuva torrencial assim que cheguei à vila, mas com calor…, tive de me abrigar por debaixo de telheiros até quase ao hostel, e depois a grande molha para atravessar uma rua mais movimentada e sem nenhum sitio onde me abrigar. Uns minutos depois, e estava enxuto! Climas tropicais têm destas coisas, calor e chuva intensa…

Uma passagem por Noosa a caminho do paraíso
Uma passagem por Noosa a caminho do paraíso

As trapalhadas de Noosa não ficaram pelas confusões de que falei antes, ao tentar fazer o check-in fiquei a saber que afinal… não podia fazer check-in sem o cupão da excursão… Yep, aquele cupão que não tinha pois a minha viagem foi mudada! Depois de tentarmos contactar a pessoa que fez a marcação, e eles procurarem pela minha reserva, lá encontraram uma reserva para um tal de “Jill Fousa”… Isto de ter nomes estranhos para os anglofónicos…

Depois de tudo tratar, e deixar as coisas no quarto (de 15 pessoas!!), lá fui almoçar a um restaurante bem baratinho mesmo ao lado do NOMADS. E não fui sozinho, voltei a encontrar-me com o Ben, o canadiano que já tinha encontrado na Gold Coast e em Brisbane. Mais uma vez se confirma, a rota da costa Este da Austrália é tão popular que muitos fazem as mesmas paragens e têm ritmos de viagem bem semelhantes. Quando me disseram isto pensei ser exagero, mas não é…

Durante o resto da tarde só choveu, mas muito. Não deu para muito, mas deu para conhecer mais umas quantas pessoas do hostel e jogar snooker com um casal que também lá estava a ficar, no dia seguinte vim a saber que iam passar os próximos três dias comigo na ilha de Fraser.

Visto que tinha de me levantar bem cedo, acabei por ir para a cama cedo também. Nem me afastei muito do hostel para conhecer a vila, ficou para o regresso.

Depois de Fraser, de regresso a Noosa

Fraser foi tão fantástico e com tanto para falar, que irei escrever um artigo apenas para esses três dias. Entretanto, voltámos para Noosa e fui tentar aproveitar um pouco mais da zona. Ao chegar tive de fazer check-out e voltar a fazer check-in, pois uma noite com 15 pessoas chega e basta…, pedi para ficar num quarto com menos gente, e felizmente havia uma vaga. Pena, que não pude fazer check-in logo de seguida, tive de esperar até as camas estarem prontas. Enquanto isto, fui até à praia!

Não sou muito menino de praias, gosto de relaxar um pouco, mas se há coisa que me estressa é não ter nada para fazer. Se vou à praia, tenho de levar um livro, ou ir com amigos (e eu sou aquele que nunca se cala), ou então meto-me a fazer caminhadas ou corridas. Não dá para ficar quieto.

E dito isto…, lá voltei para o hostel, para descobrir que já tinha chegado tarde demais…, já só havia uma cama livre, em cima do beliche (coisa que detesto) e mesmo por debaixo do ar condicionado… Maravilha…. Enfim, devia ter esperado. Voltei para a praia!

Mas tal como disse antes, não consigo estar quieto, então resolvi ir dar uma volta pela zona do Parque Nacional e fazer uma caminhada até ao outro lado do cabo. E reclamar imenso, mas imenso mesmo…, de não ter levado a câmara comigo… Pelo caminho encontrei muitas caras familiares, pelos vistos mais gente teve a mesma ideia, muitos dos que estiveram comigo em Fraser foram dar a mesma volta, a cada 5-10 minutos lá me cruzava com mais outro.

Dia longo, cansado mas ainda com vontade de socializar. Depois da excelente caminhada, e recomendo vivamente uma volta pelo Parque Nacional, voltei para o hostel para jantar e depois jogar às cartas com o pessoal, e com o Ben (canadiano) que tinha voltado de uma outra excursão. Enquanto jogávamos e íamos bebendo uns copos, deu vontade de voltarmos à praia, e sim, já era de noite. Pelas 11 voltámos a fazer aquela caminhada toda até à praia, e ficámos lá um bom bocado a socializar e a beber alguns copos.

Pelas 2 da manhã lá voltámos, e foi aí que vi que o mundo é mesmo pequeno! Não um, mas dois tugas! E eles nem se conheciam! Um deles, que vive na Austrália há uns bons anos, meteu conversa com uma amiga minha mexicana, e foi ela que me disse que ele é Português! Enquanto falámos em português, eu bem surpreendido, passa outro tuga e grita “Olha, portugueses!!!”, ainda nos cumprimentou, mas depois seguiu viagem. Durante os dois meses que estive na Austrália, além do meu amigo em Sydney, não encontrei mais nenhum tuga!

Em suma, Noosa foi uma experiência muito boa, lamento imenso não ter aproveitado mais tempo naquela vila fabulosa, que só por si merecia uns 3 dias para explorar. Fica para uma outra vida!

Onde fica Noosa?

A vida no hostel em Brisbane e visita a Coot-tha

A vida no hostel em Brisbane e visita a Coot-tha

A vida no hostel em Brisbane

Para quem anda a viajar de mochila às costas, a sorte em ficar num bom hostel com as companhias certas é um factor bastante importante para a viajar se revelar ainda melhor. E isso aconteceu no meu hostel em Brisbane, tive a sorte de ter conhecido o Ben na Gold Coast, e também nas pessoas que conheci no meu dormitório. Devo-o em muito ao Ben, ele tem bem mais à vontade para meter conversa com estranhos do que eu, e foi graças a isso que passámos algumas horas a jogar One Night Werewolf.

Beber uns copos de facto ajuda a conhecer pessoas, mas jogar jogos é também uma forma excelente. Claro, acabámos a noite num pub…, mas isso seria quase inevitável quando se está num hostel cheio de jovens mochileiros. Do quarto, fomos para o pub que fica mesmo por debaixo do Hostel X Base Embassy, onde estávamos a ficar. Claro, jogos voltaram a entrar na equação, mas desta vez…, drinking games… Deu para rir imenso, para conhecer ainda mais pessoas e ficar ligeiramente bêbado, mas acho que faz parte da experiência. Ainda assim, no dia seguinte acordei cedo e cheio de energia para conhecer Brisbane!

A cadeia de hostels NOMADS / X Base é talvez uma das maiores, senão a maior cadeia de hostels da Austrália e Nova Zelândia, é extremamente fácil marcar o próximo ponto de estadia através dos balcões de atendimento dos hosteis. No entanto, a NOMADS e a X Base eram duas cadeias diferentes, e dá para ver bem o estilo entre as duas. Pessoalmente, prefiro bem mais a NOMADS, as condições são bem melhores e mais modernas, até o staff achei mais simpático…, mas talvez isso fosse já um pouco de embirração para com a X Base.

Uma das grandes vantagens desta rede de hosteis é que têm balcões de turismo, onde nos ajudam a marcar viagens, excursões e afins sem termos de nos preocupar muito. Os valores também parecem ser baixos, o que torna ainda mais atractivo para mochileiros. Para quem vai procurar uma experiência de trabalho por um ano na Austrália, esta cadeia de hosteis também ajuda a procurar esses empregos temporários, ou até mesmo em quintas. Apesar de preferir a NOMADS, não consigo deixar de os recomendar.

O hostel em Brisbane onde ficámos é um dos dois da X Base na cidade, o outro fica bem mais próximo da estação central de autocarros, mas este fica bem mais central. Quase tudo fica a apenas uns passos do hostel, e tudo fica bem mais fácil, para comer, beber café ou até ir às compras. Mas para voltar para a estação de autocarros, ainda implica uma caminhada de uns 15-20 minutos, mas faz-se bem. Ou então apanha-se um autocarro, para quem gosta de andar menos…

Além de todas as outras vantagens, ficar em hosteis, é uma excelente forma para conseguimos poupar imenso dinheiro. Naqueles dias em que temos tempo, ou apenas queremos poupar dinheiro, podemos usar a cozinha e fazer os nossos próprios petiscos. E com o grupo certo de pessoas, então até fazemos almoçaradas ou jantaradas! Excelente forma para conhecer gente e conviver. No hostel em Brisbane não me juntei a ninguém, mas lá mais para a frente na viagem fui conhecendo algumas pessoas e íamos comendo em conjunto.

Lorikeet nos Jardins Botânicos de Brisbane
Lorikeet nos Jardins Botânicos de Brisbane

Ver Brisbane de cima, do Monte Coot-tha

Que melhor forma de ver uma cidade, senão de cima? Brisbane tem duas rotas de autocarros hop on, hop off, uma delas pelo centro e outra que vai até ao Monte Coot-tha, de onde dá para ver uma vista linda da cidade toda. É uma vista lindíssima, e vale bem a pena perder o tempo para lá chegar acima. As rotas hope on hop off cruzam-se em alguns pontos, e é fácil mudar de um autocarro para o outro, só muda um pouco a frequência. Os pontos de interesse desta rota são bem menores, na verdade, além dos que se podem visitar pela rota da cidade, só tem mais dois.

NOTA: De acordo com o site, estes autocarros já não estão em actividade… No entanto existem outras alternativas para explorar a cidade, infelizmente um pouco mais caras.

Jardins Botânicos de Brisbane

O primeiro ponto foi os Jardins Botânicos de Brisbane, não confundir com o Jardim Botânico da Cidade, são jardins diferentes! Os jardins que ficam fora da cidade são bem maiores, e mais diversificados do que o do centro da cidade, se tiverem a oportunidade não a deixem escapar, vale bem a pena! Até têm um jardim de bonsais, bastante impressionante! Acho que apenas ali estive cerca de uma hora, até apanhar o autocarro seguinte, senti que corri um pouco, mas também deu para aprender bastante sobre a botânica da Austrália, nomeadamente sobre os fetos da Austrália. E mais uma vez, mesmo muitas aranhas…, algumas teias pareciam redes sobre a minha cabeça… Deu para ajudar a ultrapassar a fobia, em certas partes ou passava por baixo, ou tinha de voltar atrás…

Monte Coot-tha

Uma hora passada, e regresso à paragem de autocarros. Ainda tive de esperar um pouco, mas faz parte da experiência… Dali, o proximo ponto foi o topo do Monte Coo-tha. Coot-tha, no idioma aborígene local, quer dizer Local do mel, onde as tribos da zona iam buscar mel de um tipo especial de abelhas, abelhas sem ferrão. Quando se deu a colonização, o nome do monte ficou como Colina de Uma Árvore (One Tree Hill) devido ao facto de terem desbastado as árvores todas do topo, à excepção de um eucalipto. Em 1880 foi declarado como Reserva Pública, e devolveram o nome original ao local.

Como tenho vindo a dizer ao longo do artigo, a vista dali é simplesmente fenomenal! Mas também não há muito para fazer lá…, um café e a vista. As opções para voltar ou são a pé, ainda uma caminhada considerável que em parte me arrependo de não ter feito, ou então voltar no mesmo autocarro. O motorista faz uma pausa de cerca de meia-hora, dá perfeitamente para ir ao WC, tirar fotos e ainda beber um cafézinho antes de voltar para a cidade.

De volta ao hostel

A vida no hostel em Brisbane e visita a Coot-tha
A vida no hostel em Brisbane e visita a Coot-tha

Assim que voltei ao hostel em Brisbane, recebi logo boas noticas! A minha estadia na ilha Fraser foi prolongada! Mas com isto…, fiquei também com dois hosteis reservados para a mesma noite em Noosa…, já não dava para cancelar sem receber o dinheiro, então optei por nem cancelar… Se calhar devia tê-lo feito… Mas pronto, mais uma noite numa ilha fantástica, valeu bem a pena esse dinheiro desperdiçado!

Voltei a sair para mais uns copos, no pub mesmo por baixo do hostel, com o Coreano e mais uma grande bebedeira…, mas esta última noite foi bem menos animada, apenas éramos 4 no bar, não deu para jogos mas deu para muita conversa. Por norma não gosto de sair com o objectivo de beber, mas quando a noite é passada em boa companhia, uma ressaca no dia seguinte é apenas um mal menor.

Viajar sozinho é isto mesmo, sermos colocados em situações que de outra forma muito provavelmente não iríamos viver, e conhecer pessoas que só por mesmo muita casualidade poderíamos alguma vez vir a conhecer. Se voltei a falar com eles? Com alguns não, mas sei que se lhes enviar uma mensagem hoje a dizer que dentro de uns meses vou ao país deles, irei ter alguém para me receber de braços abertos. Alguém com quem apenas partilhei algumas horas e cervejas.

Brisbane, uma surpresa bem agradável no estado solarengo

Brisbane

Brisbane é a capital do estado de Queensland, e como seria de esperar, a cidade mais populosa do estado. Mas também é a terceira cidade com mais população do país inteiro, a seguir a Sydney e Melbourne (onde estive antes). A viagem até Brisbane foi a mais curta que tive na Austrália, apenas cerca de uma hora desde a Gold Coast, e tive a sorte de ir com a companhia do canadiano que conheci no hostel. Já me tinham dito que viagens completamente sozinho na costa Este da Austrália seria quase impossível, começa-se sozinho mas acaba-se num grupo, esta foi a primeira etapa em que comecei a sentir o movimento de backpackers a seguirem o mesmo caminho…

Um pouco da minha experiência em Brisbane

Devo confessar que as minhas expectativas em relação a Brisbane eram próximas de zero, a minha paragem lá foi apenas porque já tinha coisas reservadas para o próximo ponto e não queria ficar demasiados dias numa localidade à espera da aventura. E porque não Brisbane? Sempre que dizia a alguém que iria ficar 3 dias em Brisbane, os comentários eram sempre do mesmo tipo, não vale a pena. Chegou a um ponto, que cheguei a equacionar mudar os meus planos e nem sequer parar lá, mas a única coisa que me fez continuar com o plano original foi mesmo um cupão que já tinha comprado para ver o Zoo da Austrália.

Dragão de Água
Dragão de Água

Ir a Brisbane apenas para ver um Zoo???

Pois, parece que não é das melhores ideias, mas é um Zoo algo especial, fundado pelo famoso Steve Irwin, o caçador de crocodilos. Infelizmente, os meus planos voltaram a ser cancelados mas desta vez por falta de pessoas para fazerem a excursão… Sim, poderia ter ido sozinho, mas decidi ficar por Brisbane. Esta desmarcação foi mais um stress, mas acabou por correr pelo melhor.

Mas como? Se Brisbane não vale a pena?

Mas vale! Adorei a cidade, e fui embora bem contente por ter ficado três dias! A cidade faz lembrar em muito Sydney, talvez apenas pela ponte e pelo estilo arquitectónico, mas lembrou-me imenso Sydney.

No primeiro dia apenas dei umas voltas com o Ben para conhecer parte da cidade, e um pouco da noite, mas foi no segundo dia que me meti a explorar a cidade. Logo de manhã fui até ao centro e até ao Jardim Botânico da cidade, onde vi imensos dragões de água, um tipo de iguana. Animais bem relaxados, certamente bem habituados a pessoas pois deixaram-me tirar fotos de bem perto. Adoro estar no meio da Natureza, e acho que passei a manhã toda num jardim tão pequeno, mas depois continuei a passear pelo centro da cidade, até mais tarde voltar ao hostel.

No dia seguinte conheci um coreano que tinha acabado de chegar ao meu dormitório e fui com ele passear até ao Parque Roma, até esta altura já estava com muito boa impressão de Brisbane, mas aqui fiquei apaixonado! O parque é mesmo agradável, com várias áreas temáticas a simularem partes da Austrália, como a zona da floresta tropical que é mantida com mesmo muita humidade. Um detalhe em relação a Brisbane, mas mais em concreto em relação a este parque…, tem mesmo muitas aranhas! Até visitar a Austrália achava que tinha um nível ridículo de aracnofobia…, em Brisbane ainda tinha pavor a aranhas, mas esta viagem e locais como estes ajudaram imenso a conseguir controlar o meu medo irracional por aranhas.

Brisbane
Brisbane

Descobrir Brisbane de autocarro

Adoro descobrir uma cidade a pé, mas quando o tempo é limitado há que recorrer a outras opções. Acho que foi a primeira vez que me meti num autocarro turístico de hop on hop off, e o resultou foi muito positivo. Brisbane tem duas rotas de autocarro turístico, uma pelo centro e outra até ao Monte Coot-tha. Como tinha tempo, acabei por fazer as duas e fiquei com uma ideia de como é a cidade toda. Tal como disse antes, em muito me faz lembrar Sydney, mas em vez de ter a baia de um porto natural, tem um rio. E talvez com um pouco de mais tubarões…, Brisbane tem algumas praias fluviais, mas com vários avisos de perigo de tubarões…, nope, fiquei sem vontade de ir à água…

Durante o passeio, o motorista vai explicando detalhes sobre a cidade, sobre a arquitectura e a fauna e flora locais. A Austrália é um país que está a sofrer imenso as consequências de inserção de espécies não nativas, apesar de se dizer que tudo nos tenta matar na Austrália, também parece ser verdade que tudo adora a Austrália. Então é normal ver-se e ouvir-se informação de sensibilização para se proteger as espécies locais, e os esforços para conservarem a flora local passa por sugestão de planeamento de jardins. No que respeita à arquitectura local, mais fora do centro vêem-se várias casas quase suspensas em estacas, mas também no topo de colinas. A primeira coisa que pensei foi em cheias, mas no topo de colinas? Mas não demorou muito até o motorista explicar o motivo, por vezes o calor é tanto que se torna quase insuportável de estar até dentro de casa, então estas casas são elevadas para poderem ter ventilação por baixo, e com isto ajudar a manter a temperatura mais tolerável.

Conhecer Brisbane de Autocarro
Conhecer Brisbane de Autocarro

Uma das grandes vantagens destes bilhetes de 24 horas é que se pode entrar e sair do autocarro as vezes que se quiser, e assim explorar partes da cidade que ficam um pouco mais fora de caminho. Um dos pontos em que fiquei a explorar foi a zona de China Town, por onde andei um bocado para ver a ponte e ver o bairro. Depois acabei por apanhar o autocarro seguinte para o centro para a próxima rota, mas isso fica para um outro artigo.

NOTA: De acordo com o site, estes autocarros já não estão em actividade… No entanto existem outras alternativas para explorar a cidade, infelizmente um pouco mais caras.

Onde fica Brisbane?

Brisbane é a capital do Estado de Queensland, também conhecido como o Estado Solarengo (Sunshine State), e fica no sul do estado quase na fronteira com Nova Gales do Sul. Sendo a capital do estado, está bem servida por transportes, e é o ponto de chegada de mais rotas da rede de transportes Greyhound, a qual usei por quase toda a minha rota pela Austrália.


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Brisbane, uma surpresa bem agradável no estado solarengo

Relaxar em Gold Coast, a cidade das festas

Gold Coast

A Gold Coast é uma das cidades mais populosas da Austrália, e a segunda do Estado de Queensland, foi também a minha primeira paragem nesse mesmo estado. A Gold Coast é conhecida pela praia gigante que tem, pelas festas e pelos canais artificiais que colocam a cidade numa faixa junto ao mar. A zona de maior intensidade populacional fica nessa faixa, enquanto que o resto, bem conectado pelos canais, é uma zona com aspecto mais suburbano.

Em quase todos os guias, o nome que aparece com mais frequência é Surfers Paradise, que é um dos bairros da cidade e o bairro com mais dinamismo. É ali que tudo se passa, festas, bares, cafés e restaurantes. Segundo os locais, a cidade não é assim tanto um paraíso entre os surfistas, muito devido à quantidade de turistas que visitam a cidade todos os anos, fica a faltar espaço para surfar com alguma tranquilidade 🙂 Mas há muito mais do que praias e surf, a Gold Coast é bem conhecida pelos seus vários parques temáticos, que infelizmente acabei por não visitar nenhum…, ainda sofro por essa estúpida decisão…

Playing games at the hostel 🙂 #LifeInParadise #SurfersParadise #GoldCoast

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

Quanto à vida nocturna, pelo simples facto de que a cidade é bem conhecida entre os backpackers, acho que é bem fácil de imaginar o quão animada a noite naquela cidade é. E para quem fica em hosteis a animação ainda é maior. Numa das noites em que lá estive organizaram uma ronda dos bares em conjunto com vários outros hosteis, uma forma de juntarem vários jovens nos mesmos locais. Por outras palavras, uma noite para a desgraça…

 A vida no hostel

Não sou muito uma pessoa de sair à noite, gosto de conviver com amigos e beber uns copos, mas não sou adepto de ficar podre de bêbado ao ponto de me esquecer da noite toda. Em viagem, ainda sou pior que isto, quero é aproveitar onde estou, e sou apologista de que para ficar bêbado posso fazê-lo em casa. Antes de chegar a Surfers Paradise já ia um pouco arrependido, a paragem inicialmente era meramente estratégica para relaxar e apanhar alguns banhos de sol, mas quando fiquei a saber do motivo principal que leva tantos jovens a visitarem a cidade, fiquei bem de pé atrás…

Relaxar em Gold Coast, a cidade das festas
Relaxar em Gold Coast, a cidade das festas

Até fiquei reticente quanto ao sitio onde ficar, tinha um passe de noites em hosteis parte de uma rede, da Nomads/BaseX, e queria usar essas noites todas (pois já estavam pagas). Sendo essa rede bem popular, estava com receio de ir parar a um hostel de festa, e não era bem isso que estava à procura…, no entanto acabei por adorar o sitio onde fiquei, o Buds in Surfers backpackers. Para quem chega, não tem o melhor dos aspectos, aliás, é mesmo um budget hostel, mas o ambiente foi dos melhores que encontrei na Austrália!

Os quartos bem velhos, sem sequer um corredor interior. Abre-se a porta, e estamos na rua…, para ir ao banho, é pela rua. A cozinha minúscula, e para comer tem de ser na rua, mas se estiver de chuva também temos um telheiro. A zona do bar fica na recepção, mas tem de fechar às 10 da noite porque não têm licença como bar, e com a recepção fechada, temos de entrar por uma porta lateral. Se estiver de chuva, mais vale ir ao WC do primeiro andar, que o mais certo é o de baixo estar tudo chafurdado de água pelo chão. Sim, parece um filme de terror, mas adorei o ambiente e o grupo que encontrei naquele hostel. Por vezes, temos as melhores experiências nos locais mais improváveis.

Uma das grandes vantagens de ficar num hostel tão pequeno é quase a obrigatoriedade de conhecer os restantes visitantes, senti alguma diferença etária, mas ali foi bem mais fácil de me integrar. Jogámos imenso às cartas, e fui apresentado a um jogo que nem nunca tinha ouvido falar, o One Night Ultimate Werewolf, e que acabei por comprar assim que regressei à Irlanda. Acho que foi a partir da Gold Coast que comecei a reparar no padrão de nacionalidades que ia encontrando, com quase 100% de certeza de que iria encontrar um Inglês, e uma forte probabilidade de vir a conhecer algum Canadiano.

Além de jogarmos imenso ao One Night Werewolf, também participámos noutras actividades do hostel, fiquei lá 3 noites e ainda deu para jantarmos pizzas e sair na primeira noite. E um churrasco na segunda noite que foi a noite dos hosteis, e supostamente a melhor noite para sair. Mas a ressaca da noite anterior fez-me pensar duas vezes e acabei por ficar pelo hostel… Uma noite para relaxar, na cidade das festas.

Outra das características do hostel é ter uma piscina de água salgada, apercebi-me que não é assim tão estranho na Austrália, afinal com tanto calor…, é uma excelente forma de atrair mais viajantes. Assim que acordava, a primeira coisa que fazia era mergulhar naquela piscina para despertar, só depois iria ao banho. Bela vida…

Como estava de visita, evitei passar demasiado tempo no hostel, saia de manhã e voltava ao final da tarde. Talvez voltasse à hora de almoço para poupar uns trocos, mas acabaria por sair quase logo de seguida. Os finais de tarde já eram passados com o pessoal que estava lá a ficar, e como seria de esperar, deu para conhecer pessoas bem interessantes. Uma das pessoas que conheci foi um senhor Neozelandês que vive na Austrália há imensos anos de forma intermitente, ele nem sequer tem visto de residência, há uns 40 anos que tem de sair da Austrália uma ou duas vezes por ano para voltar a poder entrar como turista. Os filhos já nasceram na Austrália, então têm uma casa, mas ele insiste em continuar como um turista permanente. A história daquele senhor fascinou-me, estava de visita apenas porque estava entediado e queria sair por uns dias para a praia, e foi sozinho e ficou num hostel essencialmente para jovens.

Como funciona o sistema de numeração de casas e propriedades nas zonas rurais da Austrália?

Uma das curiosidades que aquele senhor nos contou foi a forma como as casas são numeradas nas zonas rurais. Como as distâncias entre propriedades chegam a atingir vários quilómetros, algumas até dezenas de quilómetros, a numeração das casas é baseada nestas distâncias. O número da casa não é sequencial, mas sim “dezenas de metros” desde o inicio da estrada. Por exemplo, uma casa que esteja no quilómetro 5,340 terá como número, 530 🙂

Uma das outras visitantes mais seniores do hostel foi uma senhora que apenas passou lá uma noite, mas que começou com uma grande introdução. Aparentemente, ela fala (e insulta) durante o sono…, e avisou-nos para não termos receio caso ela começasse a gritar palavrões durante a noite…, ok…, seria motivo para me preocupar? Claro que não, até ficámos todos desejosos de que algo do género acontecesse, seria certamente uma história para rir e partilhar, pena que não foi o caso 🙁

E fui conhecer um pouco da Gold Coast

A zona de Sufers Paradise nem é muito grande, e como o meu hostel até fica bem perto a praia, até nem tive de me mexer muito… A zona do centro está recheada de lojas e ruas pedonais, com a linha de elétrico a atravessar o bairro todo sempre paralela à praia. Nem sei quantas vezes passei por aquela rua, uma zona bem agradável e sempre a sentir o cheiro das férias por todos os cantos, ainda que o tempo estivesse um pouco para o acinzentado… Claro que também fui à praia, apanhar alguns banhos de sol nos intervalos dos chuviscos…, e apesar de ainda estar com receio parvo de me deparar com tubarões, também fui nadar. Mas verdade seja dita, o maior problema no mar são mesmo as medusas venenosas que podem causar danos bem graves num ser humano, e até morte.

Ir a Surfers Paradise, claro que teria de ir surfar e riscar mais uma linha da minha lista de coisas a fazer, paguei por uma aula de 2 horas com garantia de surfar de pé. Como já tinha surfado antes na Irlanda, ainda pensei que fosse aprender mais alguma coisa, mas as instruções eram mesmo para quem nada sabia. Foi divertido na mesma, mais que não fosse pelo coreano que foi comigo e que mal falava inglês, mas quase nada mesmo, mas o gajo era bom a surfar! Éramos apenas nós os dois mais o instrutor, foi quase como uma aula privada numa praia mais afastada da zona urbana. Levei a GoPro comigo, e fiz alguns vídeos, um dia destes edito e faço uma montagem para partilhar aqui no blog.

Depois da aula de surf lá voltei ao hostel, última tarde na cidade e ainda com tanto para ver e fazer…, sem me decidir muito bem sobre o que fazer a seguir, optei por ir até a um canal nas traseiras do hostel para ver o pôr-do-sol, uns bons momentos apenas comigo mesmo a aproveitar aquele momento mágico. Depois de uns dias bem intensos, sabe tão bem estar ali, sem fazer nada, somente a apreciar as cores do céu reflectidas nas águas dos canais da cidade. Os canais também têm pequenas praias fluviais, e uma delas fica mesmo no ponto onde fui ver o pôr-do-sol, enquanto andava pela areia reparei nuns caranguejos que ali estavam, caranguejos eremitas, foi a primeira vez que vi uns na Natureza, perdi imenso tempo só a olhar para os bicharocos a serem arrastados pela ondulação suave do canal.

Life in Paradise 🙂 #SurfersParadise #GoldCoast #Queensland #Australia #GilAroundOz

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

E os dias em Surfers Paradise estavam terminados, de volta ao hostel para arrumar as coisas e preparar-me para mais uma viagem…

Onde fica Surfers Paradise e como lá chegar?

Surfers Paradise é um bairro na cidade Gold Coast, que fica em Queensland, mesmo na fronteira com Nova Gales do Sul, a cerca de uma hora de autocarro a sul de Brisbane. Além dos autocarros, também têm um aeroporto e são também servidos por linha férrea.

Para quem chega vindo do sul, como eu, convém ter em atenção que dependendo da altura do ano o fuso horário é uma hora a menos. O estado de Queensland não tem diferença entre horário de verão e inverno, ao contrário do estado de Nova Gales do Sul, portanto esta mudança de hora depende mesmo da altura do ano em que se cruza a fronteira. No meu caso, como fui lá no verão, apanhei com essa mudança horária. Apenas convém ter isso em conta quando se fazem marcações, pois uma hora pode fazer uma grande diferença…

I guess it also rains in #australia? #GilAroundOz

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A minha viagem de Byron Bay à Gold Coast foi bem molhada, chuvas tropicais durante quase o tempo todo…, acho que tive imensa sorte, pois durante a minha estadia na cidade apenas apanhei alguns chuviscos 🙂 Apesar da fama da Austrália ser um país quente, convém não esquecer que metade do país está entre os trópicos e eles têm algumas florestas tropicais, ou seja, muita chuva 🙂

Sugestões de onde ficar na Gold Coast



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Transilvânia, castelos e… vampiros…

Transilvânia, castelos e... vampiros...

A caminho da Transilvânia

A Transilvânia é garantidamente a região mais conhecida da Roménia, mais que não seja de nome devido aos mitos, histórias e lendas que existem sobre aquela zona. Com uma semana de férias, claro que fiz questão de ir visitar esta zona. Não só pelas lendas, mas também pela natureza e as paisagens que esperava encontrar, e que não me desiludiram em absolutamente nada! Infelizmente, uma semana para um país tão grande como a Roménia, não dá para absolutamente nada…, só estivemos dois dias nas montanhas, mas foram dois dias muito bem passados.

A viagem foi sempre de carro, éramos 4 e a primeira noite seria em Brașov, uma cidade bem no coração da Roménia. Mas até lá, ainda passámos por outros sítios, e sempre a subir, e debaixo de chuva…, não muito bom para quem está de férias, mas não podemos mandar no tempo…

A primeira paragem foi para o pequeno-almoço, numa vila características já nas montanhas, como estava com pessoal local, deixei entregue a eles todos os pedidos para experimentar a verdadeira comida local. O problema disto, é que não faço ideia do que andei a comer… Devia ter tirado notas… Dalí continuámos a viagem, e a dada altura fizemos um pequeno desvio para um miradouro, seguimos as indicações e fiquei fascinado! Mesmo com a chuva, e com a neblina intensa, deu para perceber o quão bela aquela zona é. E claro, subir e descer uma serra é sempre divertido, até vimos animais pelo caminho 🙂

Miradouro nas montanhas
Miradouro nas montanhas

Castelo de Peleș

A primeira coisa que um português pensa quando ouve a palavra castelo é uma grande edificação de pedra, de preferência com uma muralha à volta. Pois, para mim, o Castelo de Peleș é um palácio e segundo o artigo em inglês na wikipedia, a sua forma e função também é de palácio. E um bonito palácio, mesmo considerado como um dos mais belos da Europa.

O castelo é relativamente novo, com apenas cerca de 100 anos, que fica já na zona da cordilheira dos Cárpatos, mas ainda não parte da Transilvânia. Hoje em dia apenas tem funções de museu, visto que a Roménia também já não é uma monarquia, julgo que não haja muita utilidade prática para um castelo/palácio no meio das montanhas, senão como museu. Lá dentro podem ver inúmeras obras de arte, pinturas e escultura (também pelos jardins). Infelizmente…, não pudemos ver nada disto 🙁 Chegámos uns minutos antes de fechar, e já não nos deixaram entrar…, foi mesmo pena 🙁 Ainda assim demos umas voltas pela zona publica dos jardins, tirámos umas fotos e aproveitámos aqueles momentos de sol depois de vários momentos de chuva durante a viagem…

Castelo Peleș
Castelo Peleș

Brașov

A noite foi passada em Brașov, uma das cidades já na Transilvânia. Ficámos num hostel bem no centro, mais central seria complicado! Fizemos o check-in, e fomos procurar um sitio para jantar, e acho que não podia ter tido mais sorte do que tivemos, música tradicional romena ao vivo no restaurante! Ficámos sentados num lugar privilegiado quase em frente aos músicos, foi grande animação e comida muito boa, claro! Na hora de pagar…, wow…, tão pouco! A Roménia é definitivamente um país bem barato para visitar, e bem bonito, é uma pena não ser tão popular como um local de turismo (ainda…).

Sendo uma sexta-feira, lá tivemos de sair à noite…, o local escolhido foi um bar mesmo junto ao hostel, acho que nem a 50 metros! Lembro-me perfeitamente do nome do pub, Times, e também me lembro de ter bebido imenso e ter pago tão pouco…, e como se não bastasse, depois de sermos expulsos do bar, depois dele fechar, ainda fomos para o bar do hostel! Que já estava fechado, mas ainda nos deixaram entrar! Dali, só mesmo de rastos para o quarto, e acordar no dia seguinte para mais umas voltas…

Praça em Brașov
Praça em Brașov

Na manhã seguinte ainda demos mais umas voltas por aquela zona da cidade, sem nos afastarmos muito, uma visita à Igreja Negra, o principal monumento Gótico do país, e também a maior e importante igreja Luterana da zona. Além das suas grandes dimensões, a igreja também bate o recorde do sino mais pesado do país, com 6 toneladas! E tem um impressionante órgão com 4000 tubos! Infelizmente não pude tirar fotos lá dentro, aliás, é possível tirar fotos mediante o pagamento de uma taxa para tal…, optei por não o fazer.

Castelo de Râșnov

A próxima paragem foi o Castelo de Râșnov, numa vila bem perto de Brașov, onde andámos pelas ruínas da cidadela. Da torre, que ostenta a bela da bandeira romena, dá para vermos aquela bonita vista pelos campos adentro, apesar de estarmos nas montanhas a impressão que dá é de planície. Andámos pelas poucas ruelas da cidadela, com várias lojas em estilo antigo para dar a sensação histórica do local, mesmo a puxar para gastar dinheiro em recordações…, não foi o caso…

A cidadela está dentro de duas muralhas, a primeira onde estão as portas principais do castelo, que assim que entramos vemos logo a colina do castelo, e a segunda linha de muralhas que é o castelo em si e onde a magia acontece. Passar por aquelas muralhas é como viajar no tempo, sem as guerras e sem o sangue…, só mesmo a parte boa 🙂

O nosso plano inicial seria passarmos pela estrada mais famosa da Roménia, e uma das mais famosas do mundo, Transfăgărășan, mas faltou um detalhe que não sabíamos…, devido à neve, esta estrada está fechada de Outubro até ao final de Junho, e nós fomos lá na última semana de Junho… Foi mesmo pena, por uma semana perdemos aquela vista fantástica. Pensava eu que do castelo só restava mesmo voltarmos para Bucareste, mas ainda me fizeram duas surpresas…

Pelo meio dos montes

A primeira paragem improvisada foi Cheile Rasnoavei (segundo o google, este é o nome), também conhecido pelo Desfiladeiro de Râșnov e que fica a cerca de 10km da vila. Quando lá chegámos, já ia de boca aberta, é que adoro mesmo natureza, e paisagens com um relevo tão dramático como aquele desfiladeiro deixa-me mesmo de boca aberta. Encontrámos algumas pessoas a fazerem escalada, e outras muitas em passeio de família, como estávamos apertados de tempo apenas demos uma pequena volta a pé de uns minutos, e voltámos para o carro para irmos para a segunda surpresa…

A segunda surpresa foi uma gruta bem perto de Râșnov, Valea Cetăţii, uma gruta que foi descoberta há menos de 100 anos quando uma das entradas rebentou, era uma gruta cheia de água cuja pressão forçou uma brecha para o exterior que colocou a descoberto a gruta. Não é uma gruta espectacular, mas tem uma galeria bem grande onde também fazem concertos, claro está, a acústica é brutal! Durante a excursão, desligaram todas as luzes e pediram para ficarmos todos em silêncio, para termos uma ideia do que é estar na cave no seu ambiente natural…, o problema…, algumas pessoas ao meu lado não se calaram nem durante um segundo 🙁 Mas deu para perceber a escuridão absoluta, não conseguia ver absolutamente nada, ao ponto de quase perder o equilíbrio. Que sensação estranha!

Vista para as montanhas Piatra Craiului
Vista para as montanhas Piatra Craiului

De regresso a Bucareste

E como já se estava a fazer tarde, lá tivemos de nos meter à estrada novamente a caminho de Bucareste. Pelo caminho passámos por parte das montanhas Piatra Craiului, onde parámos para jantar e aproveitar as vistas brutais das montanhas! Ficámos até depois do pôr-do-sol, na companhia de um cão que andava sempre de volta da nossa mesa, estava até a ficar frio quando começou a anoitecer, mas quisemos continuar na rua só mesmo para aproveitar aquela vista de tirar o fôlego…, mas tudo o que é bom acaba…, e lá tivemos de nos meter à estrada uma última vez até chegarmos a Bucareste…

Ah…, quase que me esquecia…, não vimos vampiros 🙁 A única desilusão da viagem, dois dias pela Transilvânia e nem um vampiro para nos receber 🙁


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Transilvânia, castelos e... vampiros...

Passeio a Nimbin e lagos “secretos”

Uma viagem torna-se imensamente mais interessante quando os planos mudam…, pois, aposto que nem todos concordam com isto…, e sinceramente, quando isto me acontece também não acho muita piada, mas depois acabo por adorar. É uma ansiedade parva, planos que mudam?? Como assim? Então e aquilo que eu queria tanto fazer? Pois… A pensar nisto, até já criei uma infografia sobre os prós e cons de organizar uma viagem, e a conclusão a que sempre cheguei quando os planos se alteram, é que há sempre qualquer outra coisa para fazer. É impossível vermos tudo, então, mais vale tentarmos aproveitar ao máximo o que conseguimos!
Passeio a Nimbin e lagos "secretos"

Whirlwind Tour

Esta viagem a Nimbin foi exactamente isso mesmo, uma excursão não planeada. Já me tinham falado de Nimbin em Sydney, e para ser sincero, não tinha mesmo curiosidade nenhuma em lá ir. A reputação é simples, uma vila “hippie” onde o turismo de drogas é bastante forte. Qual o interesse disto? Não sei, talvez para alguns, não para mim. Ainda assim, acabei por ir nesta excursão…, porquê? Porque o resto do plano era exactamente aquilo que eu procurava!

No balcão de turismo do hostel descreveram-me a excursão como uma passagem por algumas cascatas e lagos secretos. Como adoro nadar, e até estava calor (apesar do tufão), pareceu-me um excelente plano alternativo! Pelas 9:30 lá estava eu, no ponto de encontro preparado para o dia de aventura com o grupo do Whirlwind Tours!

Nadar sob uma cascata

O primeiro ponto de paragem foi numa pequena cascata, como a rota é definida como “lagos secretos” fiquei sem saber por onde andava, e a rede móvel não ajudou, senão até marcava no mapa por onde tinha andado. Ao chegarmos à zona da cascata, fomos a um pequeno miradouro para o lago, onde estava um casal a nadar…, completamente nus… Pronto, logo ali deu para perceber que a cascata não é mesmo muito conhecida 🙂 Para chegarmos ao lago tivemos de passar por um trilho, que estava bem escorregadio da chuva, mas valeu bem a pena. Assim que chegámos lá abaixo, deu para ver que a água estava demasiado turva e com mesmo muitas rochas, não faltaram pontapés na pedra… Curiosamente a água nem estava fria, soube mesmo bem! E o duche de queda de água? Que saudades…

Não faltaram fotos, e mais uma vez, fiquei com ainda mais certezas de que comprar a GoPro foi uma decisão acertada! O nosso guia também tirou imensas fotos com a câmara dele, que mais tarde nos deu para juntar ao que cada um de nós já tinha, e claro, a foto de grupo. Em que numa delas…, quase que ficava preso debaixo de água, escorreguei numa das pedras e perdi o enquanto todos estavam a pousar para a foto. Tão bom…, ou não…

Saltos no lago azul turquesa

Dali fomos para outro ponto para nos molharmos ainda mais, um lago artificial com uma água azul como nunca vi! Tanto quanto deu para perceber, aquele “lago” é o que resta de algo como uma exploração de argila (?!), mas juro que nunca vi água tão azul, de uma cor lindíssima! O objectivo daquela paragem foi mesmo saltarmos do meio da falésia, quem quis saltar subiu pela parede com a ajuda de uma corda, o que foi relativamente fácil para os primeiros três ou quatro…, mas conforme a parede ia ficando mais molhada, a argila começava a escorregar ainda mais. Chegado ao ponto de salto, só havia mesmo uma forma para descer… Saltando!

À minha frente foi uma rapariga, que hesitou imenso para saltar, de facto, lá de cima a altura parecia outra…, armado em campeão disse-lhe para ela saltar, sem pensar. Claro que ela hesitou, mas acabou por se sentar e saltou assim. Depois foi a minha vez…, olho para baixo e penso no que disse à coitada da rapariga, e claro, não podia dar parte fraca. Preparei-me para a foto…, e salto com a câmara na mão! Acho que caí mal, o lado direito do rabo ficou-me a doer durante um bom bocado, e a mão do lado esquerdo. Como fiz isso? Não faço ideia…

Saltos no Lago Azul
Saltos no Lago Azul

Acabei por não voltar a saltar, fiquei ali a nadar e a brincar com a câmara, mas houve quem saltasse de ainda mais acima, e aí sim, metia respeito até para quem via de baixo. Nem sequer equacionei subir lá acima… A brincadeira terminou, hora de ir para a carrinha, ao sairmos do lago reparei numa placa com avisos, riscados com grafitis, com avisos que se conseguia ler “perigo” e “saúde“…, felizmente não aconteceu nada, e até acho que valeu bem a pena 🙂

Nimbin

Lojas em Nimbin

Ainda a caminho de Nimbin tivemos de decidir o que seria para o almoço, para quando chegássemos ser só sentar e comer. Gosto deste tipo de planos! Sentar e comer, combinação perfeita! Uns minutos antes de chegarmos fomos avisados pelo nosso guia para se quiséssemos comprar algo ilícito para não consumirmos nem antes da viagem de regresso, nem dentro da carrinha. Segundo parece, ele já teve algumas surpresas desagradáveis…, ainda assim achei estranho aquele pedido. Afinal, mas Nimbin é mesmo como dizem? É…, assim que chegámos, atravessámos por um quintal improvisado onde não faltou oferta…, mas lá continuámos a andar. O nosso guia disse que toda a gente é extremamente simpática, e que não há quaisquer riscos. Pareceu-me seguro, mas no que respeita à simpatia, tivemos uma experiência um pouco mais desagradável…

Assim que comemos, fomos todos dar uma volta pela vila, de facto bem castiça, e toda a gente parece ser bem tranquila. E como turistas, claro que tirámos imensas fotos, a quase tudo… Uma das vezes em que estou a tirar uma foto, alguém se mete no caminho e se senta num banco, como eu já ali estava e queria tirar mesmo uma fotografia daquela perspectiva, tirei a foto na mesma. Assim que começo a andar, começo a ouvir outra pessoa a dizer que eu era extremamente rude por estar a tirar fotos à outra senhora sem permissão. Fiquei um pouco chateado, e com vontade de responder, mas não havia necessidade para tal.

Nimbin é basicamente uma pequena vila no meio do nada, com muita fama no que respeita à venda e consumo de drogas leves, é também essa a maior atracção para alguém visitar a vila. E eles já exploram bem esse conceito, bares, restaurantes e afins com decorações nesse sentido, e várias lojas com avisos de que não vendem drogas. O que é certo, é que são as drogas que geram grande parte do turismo na vila. Para mim, é sim uma vila bem castiça, mas não acho que valha a pena a quantidade de quilómetros para lá chegar, a não ser que seja com uma excursão passando por outros pontos de interesse, como os lagos e cascatas.

Regresso a Byron Bay

Hora de voltar a casa, mas com uma paragem inesperada, pelo menos para mim. Logo à saída de Nimbin está uma fábrica de velas, e fomos ver como é que eles as fazem, vários tipos de velas e formas diferentes de as fazerem. E claro, muitas velas à venda, para todos os gostos, signos e preferencias olfativas. Por acaso até achei aquela fábrica bastante interessante, um misto de artesanal e industrial, uma fábrica familiar. Uma das coisas que achei mais caricato e interessante ao mesmo tempo, é a forma como eles fazem para alisar o fundo das velas – com um ferro de passar a ferro! Simples, e eficaz! E segundo o que nos disseram, o ferro até dura bastante tempo, não se estraga com a cera. Achei a ideia simplesmente genial, e claro, esse pequeno detalhe é o suficiente para mostrar o lado artesanal daquele negócio 🙂

Fábrica de Velas
Fábrica de Velas

Ainda era de dia quando chegámos a Byron Bay, então fui dar um salto à praia, mas apanhei um chuveirada e lá tive de voltar para o hostel, e a caminho fui comprar alguma coisa para fazer para o jantar. Quando estou a pagar, reparo no empregado a olhar para a câmara…, alguém a roubar dentro da loja, a meter coisas nos bolsos e na mala! Ah! Apanhada pelas câmaras! Não fiquei para ver o que aconteceu depois, não me apetecia ser envolvido no assunto, e voltei para o hostel.

Comida, umas cervejinhas e depois cama, que no dia seguinte tinha de me meter à estrada novamente! Até que…, alarme às 4 da manhã… Tudo para a rua, e enquanto esperávamos pelos bombeiros, começa a cair uma chuva miúda… Era falso alarme, os empregados do hostel avisaram logo, mas os bombeiros tinham de cumprir com o protocolo. Ficou tudo excitado, e depois para adormecer demorou ainda um bocado, com um barulho nos corredores. Mas depois de um dia fantástico, acho que um alarme não me chateou assim tanto 🙂

“Bushwalk” nas Montanhas Azuis

Bushwalk nas Montanhas Azuis

Antes de ir para a Austrália, fiz uma lista de coisas que achava que me iriam dar jeito na Austrália, uma delas era ter uma câmara para fotografia subaquática. Visitar a Austrália e não ir à Grande Barreira de Coral é quase crime! Pesquisei imenso, vi câmaras para alugar, até cheguei a pedir a amigos, mas depois acabei por investir numa GoPro. Na altura achei que seria um desperdício de dinheiro, mas seria algo meu a responsabilidade de perder ou ser roubada seria menos intensa…, sim, seria exactamente a mesma coisa se a câmara fosse de outra pessoa, simplesmente comprava uma nova e o valor monetário perdido seria exactamente o mesmo. Mas ainda assim, preferi levar algo meu a pedir emprestado. Manias.

Até chegar a Sydney, nem sequer equacionei usar a câmara, tinha a minha DSLR e achava que não precisava de mais, mas entretanto surgiu a oportunidade de fazer uma caminhada pelas Montanhas Azuis, e porque não testar a câmara? Em alguns momentos do vídeo abaixo até dá para ver que estou a carregar duas câmaras, a ideia era mesmo testar a GoPro e também poder tirar algumas fotografias com a câmara que já estava habituado a usar.

Este é o primeiro vídeo que fiz, é um pouco ao estilo de trailer, mas faz parte dos meus planos fazer mais vídeos em breve 🙂

Mais afinal, o que é Bushwalking?

Bem, esta foi uma das perguntas que fiz ao meu amigo local, e a resposta foi… “It’s walking…, on the bush“, esclarecedor, não? Como aquilo tudo mais me lembrou uma caminhada pela montanha, ou hiking, decidi tentar perceber qual a diferença entre hiking e bushwalking, e aparentemente não existe nenhuma. É apenas uma diferente expressão. No entanto, na Austrália, hiking é considerado algo mais “intenso“, ainda assim, facilmente confundível com bushwalking. Para mim? Não existe diferença nenhuma! Diverti-me imenso, o nome que lhe dão não me interessa para muito 🙂

Este foi o primeiro vídeo, espero em breve publicar mais outro com outra parte da Austrália, talvez uma aventura maior? 😉

Onde fica Wentworth Falls?


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Uma volta por Montenegro num dia?

Montenegro num dia

Parece muito, não parece? Mas depois olhamos para o mapa e pensamos O país até é pequeno, deve dar na boa…

Pois, mas não dá. Claro que não, há sempre imenso para ver e conhecer, só este pequeno país tem 5 Parques Nacionais. 5! E sabiam que Portugal apenas tem um? Pois, é verdade, mas explico mais abaixo o porquê disso. Quanto a Montenegro, quando se tem pouco tempo tenta-se sempre aproveitar ao máximo, por vezes é uma boa decisão, outras vezes mais valia ficar a dormir na praia. Felizmente, neste caso foi uma boa decisão.

Deixei os planos em aberto, nem sabia ao que ia, quando cheguei ao hostel vi que tinham um roteiro que parecia interessante, então inscrevi-me. Excelente oportunidade para conhecer outras pessoas, e excelente oportunidade para conhecer algo sobre o país, parecia-me o plano ideal para um dia em que não tinha nada planeado. Montenegro é um país bem pequeno e recente (como independente), mas dada a localização geográfica já estava a contar com muita história e curiosidades sobre o país. Não fiquei desiludido!

Miradouro em Lovcen
Miradouro em Lovcen

O primeiro ponto (importante) de paragem foi o Mausoléu de Njegoš no Parque Nacional Lovcen, o Mausoléu mais elevado do mundo, onde está sepultada a pessoa mais importante para os Montenegrinos, o prince-bispo Njegoš. O Mausoléu fica no segundo ponto mais alto do Parque Nacional, e a vista é de tirar o fôlego, literalmente… Para lá chegar acima, temos de subir imensos degraus, parece que nunca mais acaba, mas vale bem a pena. Importante referir que a visita não termina dentro do Mausoléu, há mais para ver por detrás do mesmo 🙂 No final de um caminho de uns 100 metros está um dos miradouros, de onde dá para ver o mar! Num dia de céu limpo como o que tivemos, é mesmo de ficar ali a apreciar a vista.

Como foi uma visita guiada, foi também repleta de curiosidades, falámos imenso sobre Njegoš, o facto de ser uma das pessoas mais inteligentes que por ali passou, falar fluentemente vários idiomas, e o facto de ser bastante atraente e desejado pelas mulheres… De relembrar que ele também era bispo, e segundo o nosso guia, ele morreu com sifilis… Claro que o guia fez algumas piadas, mas esta não é a informação oficial. Pelo que pesquisei, existe mesmo muito pouco a falar do assunto.

Porque é que só temos um Parque Nacional?

Para ter a certeza do que falo, enviei um email para o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, e a resposta que recebi não poderia ser melhor. Deu para perceber porque é que apenas temos um Parque Nacional, e quais as diferenças entre Parque Nacional e Parque Natural. A resposta que recebi encontra-se citada abaixo, na integra:

Por Parque Nacional entende-se “uma área que contenha maioritariamente amostras representativas de regiões naturais características, de paisagens naturais e humanizadas, de elementos de biodiversidade e de geossítios, com valor científico, ecológico ou educativo. A classificação de um Parque Nacional visa a proteção dos valores naturais existentes, conservando a integridade dos ecossistemas, tanto ao nível dos elementos constituintes como dos inerentes processos ecológicos, e a adoção de medidas compatíveis com os objetivos da sua classificação.”

Enquanto que por Parque Natural entende-se “uma área que contenha predominantemente ecossistemas naturais ou seminaturais, onde a preservação da biodiversidade a longo prazo possa depender de atividade humana, assegurando um fluxo sustentável de produtos naturais e de serviços.”

A grande diferença reside na existência de regiões naturais e na dependência da atividade humana para a preservação da biodiversidade existente. Em Portugal quase todo o território é constituído por paisagens e ecossistemas fortemente humanizados, e muitos deles dependem da manutenção de determinadas atividades humanas para continuarem a existir e para se manterem as condições que deram origem à biodiversidade que neles se encontra.

Existem ainda as Reservas Naturais, habitualmente áreas mais pequenas do que os Parques, mas com elevadíssimo valor para a conservação que correspondem a “uma área que contenha características ecológicas, geológicas e fisiográficas, ou outro tipo de atributos com valor científico, ecológico ou educativo, e que não se encontre habitada de forma permanente ou significativa. A classificação de uma Reserva Natural visa a proteção dos valores naturais existentes, assegurando que as gerações futuras terão oportunidade de desfrutar e compreender o valor das zonas que permaneceram pouco alteradas pela atividade humana durante um prolongado período de tempo, e a adoção de medidas compatíveis com os objetivos da sua classificação.”

Mais informação também pode ser encontrada aqui.

Do Mausoléu, fomos tomar o pequeno almoço numa pequena vila junto ao Parque Nacional, Njeguši, a terra Natal da dinastia que reinou em Montenegro por mais de 200 anos. Nessa localidade tivemos a oportunidade de provar presunto de Montenegro, que curiosamente está banido da União Europeia devido à quantidade de sal usado? Sério? Como pequeno almoço também provámos uma aguardente…, demasiado cedo? Não sei, mas tinha de provar!

Estátua de Njegoš
Estátua de Njegoš

Dalí seguimos até Cetinje, a antiga capital de Montenegro e ainda onde fica a residência oficial do Presidente e algumas embaixadas com edifícios bem bonitos. Andámos um pouco pela cidade para a conhecer, fomos até a um museu, de onde dá para ver uma maquete do relevo do país…, o nome diz tudo, o país está todo numa cordilheira, é simplesmente fascinante! Algumas das embaixadas foram reaproveitadas como bibliotecas e outros edifícios públicos, enquanto fazíamos o passeio a pé o guia foi-nos explicando um pouco da história recente do país. O porquê de terem ficado independentes com um referendo apenas, enquanto que  o Kosovo não consegue, o motivo é simples, o país já existia como tal antes da União. E quando tudo se separou, ficou como “Sérvia e Montenegro“, era este o nome do país sem declaração de soberania. O referendo foi fácil, e a transição ainda mais fácil.

Claro que surge a questão da moeda, como funcionava? O guia como piada disse que era bilionário…, a moeda local estava tão desvalorizada que os salários eram em bilhões de Dinares (Sérvios). Curiosamente, a zona de Montenegro tinha uma vantagem, em acordo com a Alemanha podiam usar o Marco Alemão, ou seja, não teriam problemas com desvalorizações, apenas teriam de converter os salários assim que recebiam. Questão de horas poderia significar uma perda significativa de dinheiro. Por isso, hoje usam o Euro, ainda que não sejam parte integrante da União Europeia. Eles têm permissão para usar a moeda da UE, e assim não sofrem com os problemas de desvalorização, e até para turismo tudo se torna bem mais fácil.

Rio Crnojevica
Rio Crnojevica

O próximo ponto de visita era opcional, passeio de barco pelo rio Crnojevica, que desagua no lago Skadar, o maior lago dos Balcãs e também um Parque Nacional. No que respeita a flora e fauna, é divinal! Tantos pássaros, um paraíso para quem gosta de fotografar e ver aves. No entanto, fiquei algo desiludido com a ligeira poluição no rio…, várias garrafas de plástico a boiar…, e tendo em conta que estávamos num Parque Nacional, a decepção acentua-se um pouco. Mas ignorando isso, é algo talvez a parte que mais gostei da viagem, é um rio lindo e de uma paz brutal! Ao regressarmos ao pequeno porto, fomos almoçar, e claro…, peixe! O restaurante bem castiço, com vista para o rio e no meio do nada, acho que ali já estava completamente apaixonado por Montenegro.

Vida selvagem em Skadar
Vida selvagem em Skadar

O último ponto da viagem foi Budva, uma localidade costeira bem perto de Kotor, onde fomos à praia! Mas antes da praia demos uma volta pelas muralhas da vila, onde reparámos alguns sinais em Russo. Sim, russo, não apenas cirílico (que seria de esperar vindo da Sérvia). Como sei isso? Uma das pessoas que ia na excursão comigo é filho de russos! Australiano e filho de russos, quais as probabilidades? Ele foi a minha companhia durante quase o tempo todo em Kotor, e por coincidência acabámos na mesma excursão, excelente companhia! E lá fomos até à praia, uma pequena praia mesmo junto à vila, depois de uns banhos de sol fomos nadar ao que começo a ouvir alguém falar em Português com pronuncia brasileira…, um grupo de brasileiros junto às bóias! Completamente bêbados, com 1 copo de vinho branco na mão, e…. com um telemóvel a tirarem fotos e a filmarem! Como ri, e ter de traduzir aquilo tudo para o Australiano? Ainda mais me ria! Ver o brasileiro a nadar com o telemóvel na mão para evitar molhá-lo, genial! Mas que grande Camões! Foi um tempo mesmo muito bem passado na praia, para relaxar depois de um dia inteiro a passear de um lado para o outro. Não fosse…, o relógio ter avariado dentro de água 🙁 Supostamente era à prova de água… 🙁

Budva
Budva

Depois só faltava o regresso a Kotor, passando por Jaz, uma praia junto a Budva onde estavam a decorrer uns concertos com gente bem famosa (não me recordo de quem agora), e com filas intermináveis…, estivemos parados imenso tempo no trânsito até podermos seguir para Kotor, mas finalmente chegámos ao hostel!


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Uma volta por Montenegro num dia?

Viagem para Byron Bay e primeiras impressões

Viajar por terra é uma experiência fantástica, é a melhor forma de termos real noção da distância entre locais e de como os acessos tornam essas distâncias maiores ou mais curtas. Por vezes decidir ir por terra não é das melhores ideias, mas acabamos por fazê-lo na mesma por ser a forma mais económica. Foi o que fiz de Sydney para Byron Bay, uma viagem de 12 horas e 25 minutos durante a noite…

De facto, foi a forma mais fácil de chegar a Byron Bay. Talvez comboio fosse mais rápido e cómodo, mas também é mais caro. Avião? Não há voos directos de Sydney, portanto acabaria de ter de andar a trocar de transportes para chegar à vila. Autocarro? Visto que tinha o bilhete de multi-paragem de Melbourne a Cairns, seria mesmo a melhor decisão, e foi o que fiz.

Mas a viagem não foi simples, autocarro cheio, viagem durante a noite que custa imenso a dormir, e chegar cerca de duas horas antes de poder fazer check-in no hostel…, poupei uns trocos com uma noite de viagem, visto que não tive de pagar pela estadia nessa noite, mas cheguei mesmo cansado ao destino. A partir daí seria sempre para evitar viagens nocturnas, e afinal de contas, queria ver o país, e não passar por ele estando a dormir.

And here’s a photo from #ThePass #Byron #ByronBay #Australia #GilAroundOz

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

Também tive alguma sorte nessa viagem, não dá para reclamar de tudo. Talvez devido ao meu aspecto, barba por fazer com algum mau aspecto, acabei por ter dois lugares para mim durante a viagem toda, com o resto do autocarro completamente cheio! Vantagens de parecer um naufrago! Adoro mesmo a minha barba, já quase que serve de amuleto da sorte 😀

Chegar cansado, atordoado, numa cidade completamente nova para mim e bem confuso da viagem…, preparar-me para fazer check-in e assim que entrego o passaporte, falam comigo em Português! Uma brasileira no balcão de atendimento! Bem confuso para mim, e para ela, ambos já bastante desabituados a falarmos a nossa língua materna, acabou por ser um episódio algo engraçado para ambos. Ela ajudou-me imenso, e deu-me excelentes recomendações para conhecer a zona de Byron Bay, sendo que a primeira coisa que fiz foi mesmo seguir as dicas que ela me deu!

Encostei a minha bagagem num canto na sala das bagagens, e meti-me rumo à praia para uma caminhada pelo cabo até ao farol, o ponto mais a este do continente Australiano, e também o ponto mais a este onde já estive! Animais por todo o lado, e um dos primeiros lagartos que vi na Austrália, que me pareceu uma iguana. Quando cheguei ao farol o tempo começou a ficar pior, alguma chuva miúda, e como estava a meio do trajecto, simplesmente continuei a andar. Senti-me mega corajoso, andar sozinho pelo meio do bosque com tantos animais que me podem matar 😛 Nope, nada aconteceu…, nem uma cobra pelo caminho 🙁 Durante a parte junto ao mar supostamente é possível ver golfinhos, mas talvez devido ao mau tempo não deu para ver nada, talvez as condições de visibilidade da água também tenham sido bem afectadas, mas valeu bem a pena pela caminhada de qualquer das formas.

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Depois de voltar tive de tratar das minhas alterações de planos, inicialmente tinha marcado um passeio de kayak no mar, que devido ao mau tempo passou para o rio…, e que aparentemente, o mau tempo também afecta os rios… O problema foi uma tempestade nas Filipinas, e apesar de ser bem longe, afectou imenso a costa da Austrália e acabei por ter de improvisar. Deve ser algum síndrome de ter de ver tudo, Byron Bay já tem imenso para ver, mas ainda tive de inventar mais para me sentir satisfeito. Sentei-me no balcão de turismo do hostel, e comecei a pedir opiniões e sugestões do que fazer, acabei por marcar um dia a Nimbin, com passagem por alguns locais secretos para nadar. A ideia pareceu-me boa, e acabei por largar a nota.

Dei mais umas voltas pela zona da praia, mas estava de chuva portanto vontade de estar na rua não era das melhores. Já no hostel, arrependo-me um pouco de ter ido para aquele, senti-me completamente deslocado e sinceramente tive algum receio das semanas que se iriam suceder…, apesar de (teoricamente) a diferença etária não seja muito grande, a definição de divertimento é bem diferente da minha. Falei um pouco com as minhas colegas de quarto, mas tudo pequenos grupos onde senti que foi complicado de me integrar.

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Falando em colegas de quarto…, já tinha notado em Sydney e voltei a ter a mesma sensação…, acho que pelo meu nome pensaram que eu era uma rapariga…, mais uma vez, um quarto quase só de raparigas, já começava a ser coincidência a mais…

Dia muito cansativo, depois de ter dormido todo torto dentro de um autocarro e de um passeio, voltei a tentar juntar-me à camada jovem, mas nem me esforcei muito, estava bem mais interessado nos planos para o dia seguinte, e acabei por voltar novamente para o quarto. Quanto à vida nocturna, como não é algo que me puxe muito, nem sequer tentei ir conhecer nenhum dos bares, prefiro bem mais passear pela cidade e ver algo que não tenha por perto de casa, um bom descanso para aproveitar bem o dia seguinte.

Onde fica Byron Bay?


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Viagem para Byron Bay e primeiras impressões

Mais outros pontos a visitar na ilha da Madeira

Mais da ilha da Madeira

Ao olhar para o mapa de Portugal e ver aquele pedacinho de terra na costa de Marrocos nunca nos passa pela cabeça que há tanto para ver por lá, já o disse antes e volto a repetir, a ilha da Madeira foi uma surpresa mesmo agradável. Um dos tesouros de Portugal que muitos se esquecem de visitar, mas que deviam, todos deviam dar um salto a esta magnifica ilha. Não esperem encontrar praias paradisíacas, a ilha da Madeira está bem longe do estereotipo de ilha de férias, pouco de praias, pouco de palmeiras, e mesmo muito pouco de areia (que é maioritariamente importada). Mas talvez seja aqui que está a magia da ilha, as expectativas de quem visita já são baixas, uma ilha sem praias de areia? E chegar lá e ficar encantado com tudo aquilo além mar, as falésias de dar vertigens aos mais corajosos, as casas no meio de penhascos quase sem acessos, a mudança de paisagens no espaço de meia dúzia de quilómetros. Quem vai à Madeira e não volta encantado, é porque não saiu da zona do aeroporto.

Levada do Caldeirão Verde

Se há algo que adoro, é caminhar pela montanha ou floresta, e na Madeira não faltam trilhos destes. As levadas e veredas são bem famosas e de grande importância cultural, e até a nível económico foram de grande importância na ilha quando era mais complicado fazer chegar água a certas partes. Olhando a lista de trilhas que existem na ilha, até custa a acreditar que uma ilha tão pequena tem tanto para explorar. Infelizmente só fui a uma, das mais famosas, que é a Levada do Caldeirão Verde, uma caminhada bem fácil e sempre junto a um curso de água (levada). Recomenda-se que se leve uma lanterna (ou telemóvel com luz), pois pelo trilho temos de passar por dois túneis, e num deles o canal de água está mesmo ao nosso lado, um passo em falso e ficamos todos molhados…, é preciso algum cuidado extra.

Cascata do Caldeirão Verde
Cascata do Caldeirão Verde

O nosso passeio foi bem agradável, talvez a um ritmo demasiado acelerado para o meu gosto, mas foi um passeio que aproveitei imenso para tirar várias dezenas de fotos e respirar aquele ar puro! No final do caminho chegamos ao nosso prémio, a cascata do Caldeirão Verde, uma cascata alta com um lago no fundo onde podemos nadar. Curiosamente quando lá chegámos não estava ninguém dentro do lado, fomos os primeiros, talvez por a água ser bem gelada! Até os globos oculares me doíam no final, mas é uma água que sabe mesmo bem. Entrei e saí algumas vezes, até doí mas sabe tão bem!! Pelo que me disseram, o caudal da cascata costuma ser bem maior, mas talvez por não ter chovido, desta vez o caudal estava bem estreito, mas a vantagem é que pudemos nadar para debaixo da queda de água,

Depois do banho, fizemos o nosso picnic improvisado, recomendo vivamente a levarem um lanche, ainda é uma caminhada de 6,5km até à cascata, e depois só voltando para trás. O melhor mesmo é fazer uma pausa para comer junto ao lago antes de voltar pelo mesmo percurso.

Cabo Girão e Curral das Freiras

Um dos cabos mais altos da Europa, o Cabo Girão é bem popular para quem visita o Funchal, fica a apenas uns quilómetros de distância e a vista vale bem a pena o desvio. O miradouro foi estendido de forma a que quem lá vai esteja mesmo no ar, a 589 metros de altura numa plataforma de vidro. Dá vertigens, dá mesmo! Do miradouro dá para ver a cidade do Funchal e Câmara de Lobos, e claro, muito mar pela frente! Fizemos uma paragem curta ali antes de nos aventurarmos para o centro da ilha, para o Curral das Freiras. A vila fica bem no coração da ilha, num vale bem isolado que em tempos serviu de refugio a escravos fugidos e outros fugitivos, para lá chegarmos tivemos de passar por alguns túneis, e é bastante impressionante ver o quão isolada aquela localidade é. Completamente rodeada de escarpas das montanhas, a vila hoje em dia é consideravelmente grande, e com grande interesse turístico.

Olhando lá para baixo, Cabo Girão
Olhando lá para baixo, Cabo Girão

O que mais me impressionou foram mesmo as casas que estão nas falésias, com estradas bem íngremes colina acima. Nem consigo imaginar como aquelas pessoas vivem, os acessos são bem complicados e não é de admirar que volta e meia se vejam noticias de derramamentos de terras, mas verdade seja dita, não há muito mais por onde construir dado o relevo da ilha.

O regresso ao Funchal foi bem divertido, começámos por fazer GeoCaching no miradouro, onde encontrámos uma cache, e enquanto íamos a conduzir íamos vendo onde é que poderíamos encontrar outras caches, e lá fizemos mais uma paragem ou duas. GeoCaching em grupo acaba por ser bem divertido, existe aquela vontade de competitividade e o desejo de descobrir o que vamos encontrar dentro daquela caixinha escondida algures. Além do mais, é também uma forma de descobrirmos sitios menos conhecidos.

Casas em penhascos, Curral das Freiras
Casas em penhascos, Curral das Freiras

Pico Ruivo

O Pico Ruivo é o ponto mais alto do arquipélago da Madeira, com 1862 metros de altitude, e o terceiro ponto mais alto de Portugal. Para o visitar, só mesmo a pé, aliás, dá para chegar lá perto de carro, mas chegar mesmo ao pico, só mesmo a pé por um trilho  de uns 2 quilómetros, se não estou em erro. Assim que estacionámos o carro percebi logo o porquê do nome, a terra é bem vermelha (ruiva), e no ponto mais alto, o pico, é ainda mais óbvia. Tal como noutros pontos da ilha, também existem várias rotas e trilhos até ao Pico Ruivo, nós fizemos a trajectória mais curta, mas há caminhos bem mais complicados que passam por pontos bem mais remotos (e também bem bonitos). Como já é de esperar, a vista é daquelas que dá para ficarmos uns bons minutos a olharmos para a mesma direcção sem nos fartarmos.

Pico Ruivo
Pico Ruivo

Fiquei completamente apaixonado pela ilha da Madeira, e ainda há tanto para eu visitar. O nosso país de facto tem jóias bem valiosas, algumas delas também bem escondidas como a Madeira, que ainda não é alvo de turismo em massa. Vá para fora cá dentro, é um excelente motto, vale bem a pena investir em conhecer melhor o nosso país.


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