Trapalhadas pela capital da Austrália

Comecemos por definir qual é a capital da Austrália. Melbourne? Sydney? Acho que muitos iriam errar esta pergunta, mas a resposta está entre estas duas cidades. Camberra é a capital, e é uma das capitais que foram “criadas” para esse mesmo efeito, tal como Washington, Brasilia e até Madrid (já existia uma vila onde é hoje Madrid, mas nada de significante).

A cidade foi arquitectada por Walter e Marion Griffin,  mas até ao que se vê hoje em dia sofrer algumas alterações do plano original, uma das mais flagrantes é o facto de existirem 2 parlamentos, em que o “antigo” parlamento nem 100 anos ainda tem…

Outro detalhe que é diferente do plano original é em relação ao lago, o que se vê hoje em dia foi bastante alterado, de apenas um rio até finalmente decidirem criar uma estrutura de barragens para chegarem ao lago que têm hoje. Mas até nisso as coisas não foram assim tão lineares, quando fecharam a barragem para encher o lago, isso coincidiu com um ano de seca, e em vez de terem um lago bonito como têm hoje, apenas tinham umas poças de água e muitos mosquitos. Essa seca atrasou a inauguração por cerca de um ano.

Uma curiosidade em relação a essas barragens, está numa principal que foi projectada para suportar cheias que se estimam acontecer a cada 5000 anos. Cinco Mil Anos! Há que pensar à frente… Daqui a 200 anos a capital já nem deve ter vestígios do que é hoje em dia…

O lago apesar de parecer bonito, têm uma média de profundidade de 4 metros, e volta e meia têm problemas com algas azuis que são altamente tóxicas, e lá têm de colocar avisos para não pescarem nem usarem o lago para outros fins. Mas também, raramente se vêm gente a nadar no lado, fazem várias actividades como canoagem e pesca, mas nadar não é comum.

E as trapalhadas…

Pois bem, viajar sozinho é muito giro, e não faltam blogs e artigos a dizerem as maravilhas de viajar sozinho, de quantas pessoas conhecem, blablabla. Mas muitos poucos falam nos problemas que as pessoas se deparam, e acho que o maior problema é mesmo “e agora, que faço?”

Talvez alguns dos mais solitários, nem se preocupam muito e simplesmente seguem em frente. Outros, tipo eu, pensam, e stressam, e no final tudo se resolve e pensamos “mas que grande parvalhão…”

Ora, como disse no artigo anterior, caí na patetice (ou não) de aceitar vários pacotes de aventura para os próximos dois meses, quando cheguei a Camberra, já de noite, aproveitei que não iria fazer muito para ver como estava o plano da minha viagem. Olhei às datas todas, olhei para o mapa…, e reparei que alguns dos vouchers têm “oferta válida até 31 de Março”. Ora…, eu vou estar a viajar aqui até dia 11 de Abril…, e algumas dessas actividades, 3 para ser mais preciso, acontecem depois de dia 31 de Março.

STRESS! Sim, stress por motivo algum. Qual a pior coisa que poderia acontecer? Devolverem-me o dinheiro e eu ter de procurar outros pacotes para a altura que em lá vou estar. Mas não, stressei imenso por causa disso… Dizem que a melhor forma de crescer é sair da zona de conforto, ora então eu estou sempre a crescer, mas acho que aprendo muito pouco com isso…

Mais trapalhadas aconteceram, mas já conto mais para a frente…

A voltinha por Camberra

Na manhã seguinte levantei-me cedo, ainda devido ao jet lag, e depois de tomar um pequeno-almoço lá fui dar a minha voltinha pela cidade. No livro do Lonely Planet só têm uma página dedicada a Camberra, aliás, até está numa secção cujo nome é “O melhor do resto”… Pois… Uma das coisas que recomendam vivamente é a visitar o Memorial de Guerra da Austrália, e foi esse o meu primeiro destino! Como Camberra é uma cidade planeada de raiz, o mapa também é extremamente organizado, e isso faz as distâncias parecerem mais próximas do que são. Estrada sem linha recta podem ser um pouco mais do que 100 metros… Chegar ao Memorial ainda foi cerca de 30 minutos a pé, mas fi-los tranquilamente e a tentar aproveitar para ver a cidade… Não fosse eu… ter uma fobia irracional de aranhas… Passar por baixo de árvores? Ermmm, deixa lá ver se há teias… Passar ao lado de arbustos? Ok…. Passar entre arbustos? NOPE! Até o vento a passar-me nas pernas me fazia ter medo, será que tinha algo nas pernas??

Enfim, lá cheguei à zona do Memorial, e vi algumas aves que inicialmente me pareceram pombos brancos a voarem algo rápido, mas que fazem uma barulheira do caraças. Lá comecei a olhar bem… Cacatuas brancas!!! Brutal! Adoro esses pássaros, e ali existem às centenas, por todo o lado! Troquei de lente, e comecei a disparar para tudo quanto era lado! Quase que até me esquecia das aranhas, quaseeeee

O Memorial abre às 10 da manhã e é de entrada grátis, às 10 já estava eu à porta. O piso de fora é onde se encontra o Memorial ao Soldado Desconhecido, não me pareceu nada de especial, tendo em conta que existem memoriais desses por quase o mundo todo… Pensei que o Memorial fosse apenas isso, e estava a dirigir-me para a saída quando uma senhora extremamente simpática me perguntou se gostei do que vi. Disse que sim, sem hesitação, e ela recomendou-me a ver o resto… Resto? Qual resto?

O Memorial são 3 pisos de um museu de Guerra. O que vi do lado de fora era apenas a ponta do icebergue! Os pisos inferiores são simplesmente fantásticos! Além da exposição de artefactos de guerra que existem em quase todos os museus, eles também têm maquetes representativas de cenários de guerra, cenários específicos de cenas que realmente ocorreram. E as maquetes estão de tal forma bem feitas, que qualquer fotografia quase que parece uma pintura! O museu está organizado por eras bélicas em que a Austrália participou (?!?!). Mas a Austrália alguma vez esteve em guerra??

Pois…, senti-me bastante ignorante naquele museu. Acho que o ensino em Portugal sobre a Segunda Guerra Mundial fala apenas nos principais protagonistas da guerra, e esquecem-se de referir que a guerra chegou a outras partes do mundo, tipo a zona das Filipinas, Indonésia, Papua e Nova Guiné (eram dois países) e até Austrália. Não fazia a mais pequena ideia, e senti-me mesmo ignorante.

O museu é sobre as participações da Austrália nas várias guerras que ocorreram, inclusive a Primeira Grande Guerra. Na altura a Austrália ainda era uma colónia Britânica, mas ainda assim eles participaram na guerra e tiveram papeis bastante importantes.

“Perdi” umas três horas naquele museu, e acho que o vi um pouco a correr, porque a fome apertou. Mas foi dos melhores museus de guerra que alguma vez visitei, talvez apenas equipararia com o Museu de Paz de Hiroshima (que é bem mais deprimente…).

Depois do museu era para ter visitado a Colina da Capital, mas o calor era já tal que decidi voltar para o hostel e almoçar. Além do mais, nem sequer tinha protector solar (e com este bronze irlandês, não convém andar ao sol nas horas de maior exposição…).

Pelas 4 da tarde lá voltei para a minha visita, e fui até à Colina da Capital, onde atravessei o lago pela ponte principal. A cidade está mesmo bem organizada, tanto para peões, ciclistas e carros. Já na ponte, começo a reparar que na quantidade de teias de aranha na barreira protectora da ponte…, e algumas aranhas…, uma delas até consideravelmente grande! A minha reacção foi a esperada, grande berro com “FODA-SE”, mas lá continuei a andar, mas bem mais afastado da rede…

Passear pelos jardins do antigo parlamento foi o mesmo, sempre com o receio das aranhas… Acho que nunca vou andar absolutamente descontraído a passear por este país…

Um detalhe sobre os Parlamentos, quando o novo Parlamento foi inaugurado, deixaram o antigo ao abandono, e junto ao antigo Parlamento existem uns jardins que eram para uso dos membros do parlamento, jardins estes que também ficaram abandonados. Recentemente o governo decidiu recuperar tanto o Parlamento antigo como os jardins, e é onde muitas pessoas hoje vão jogar ténis e outros desportos. É um espaço para todos, e está bastante bem arranjado. Para recuperarem o espaço, também pediram donativos para voltarem a plantar o roseiral que era tão famoso, então agora têm uma enorme variedade de roseiras todas diferentes, todas devido a doações da população.

Hostel Canberra YHA

Quanto ao hostel, pelo que li, é uma cadeia de hosteis consideravelmente grande na Austrália e que começou algures numa quinta. Tal como os Base e Nomad, também têm planos de descontos mas infelizmente não tão bons como os Base…, para quem anda a viajar de baixo custo, qualquer cêntimo faz a diferença…

Fiquei num quarto com 4 camas, o que aparentemente parece bastante bom, mas a meio da noite fui ao WC e quando regressei lembrei-me logo de Budapeste… O ar condicionado não estava ligado, janela fechada e com um cheiro insuportável… Na segunda noite só éramos 2 no quarto, muito melhor!

A cozinha é bastante boa, e para quem quer um pequeno-almoço bom mas barato, eles têm um pequeno café junto à cozinha. Onde eu comi nos dois dias 🙂

Quanto ao ambiente, senti como se estivesse num hotel, pouca ou nenhuma interacção… não gostei muito…


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Trapalhadas pela capital da Austrália

Gil Sousa

Português emigrado em Cork, viajante e apreciador de boa comida.

One thought on “Trapalhadas pela capital da Austrália

  • Março 1, 2016 at 4:57 pm
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    Budapeste! Aquele cheirinho adocicado…
    Tb estive para comprar um pacote de aventuras, mas pela minha experiencia, a gente quer é estar pelo nosso horário

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