Percorrer o Circulo Dourado na Islândia de carro

Ir à Islândia é um sonho de muitas pessoas, e por muitas e boas razões. Principalmente pelas paisagens de tirar o fôlego e das paisagens quase intactas que deixam qualquer um de boca aberta. Mas não só, também aquela mística toda à volta de um país cheio actividades naturais únicas que para o comum dos mortais, nós, são apenas parte do nosso imaginário. Como os vulcões, as auroras boreais e o sol da meia-noite. Mesmo para quem tem poucos dias para visitar, o Circulo Dourado é uma pequena rota bem perto da capital e fácil de visitar.

Percorrer o Circulo Dourado na Islândia de carro
Percorrer o Circulo Dourado na Islândia de carro

Seja de Verão ou Inverno, há uma garantia para uma experiência para nunca mais esquecer, a não ser que a Natureza nos pregue uma partida…, o que nem é assim tão incomum por lá…

O Circulo Dourado, ou Golden Circle em inglês, é uma das rotas mais populares, fica bem perto da capital Reykjavik, e muitas pessoas aproveitam para fazer esta rota num só dia. Eu andei por lá uns dois dias, um pouco para o perdido, e nem consegui ver tudo quanto queria… Sinceramente, recomendo a fazerem esta rota em dois dias para aproveitarem a viagem com calma.

Conduzir no Circulo Dourado

A grande maioria das estradas do Circulo Dourado têm bom pavimento, é uma rota bastante popular portanto é de esperar que também se cruzem com alguns autocarros. Já devem ter ouvido dizer que é importante alugar um 4×4 na Islândia, não é bem assim, irá depender imenso do que querem fazer, e para o Circulo Dourado é perfeitamente possível conduzir qualquer carro. Apenas tenham em atenção em relação aos tipos de pneus, com gelo convém garantir que a companhia de rent-a-car vos dá um carro com picos para a neve. Por norma fazem sempre isso, mas não custa nada perguntar para ter a certeza.

Outra coisa a ter em atenção é os mapas de estradas, as companhias rent-a-car costumam dar mapas com os tipos de estradas bem identificados onde podem conduzir com aquele carro, e por norma as estradas também têm alertas para que tipos de carros podem entrar naquelas estradas. Não me deparei com nenhuma do género no Circulo Dourado, mas a dada altura perdi-me e andei por vários quilómetros por uma estrada coberta de neve e sem encontrar vivalma pelo caminho… Tive alguma sorte, mas devo admitir que também fiquei a tremer…

E falando neste episódio, eu simplesmente me fiei no GPS…, não façam isso…, na Islândia a rota mais curta não é sinónimo de rota mais segura. Valeu-me imenso pelas paisagens, adorei perder-me daquela forma, mas conduzir sozinho com muitas oportunidades para acidentes não foi das ideias mais inteligentes… Mas correu bem, que é o que interessa!

Parque Nacional Þingvellir

O Parque Nacional Þingvellir, ou Thingvellir usando os nossos caracteres, é um dos locais mais importantes na Islândia, senão talvez mesmo “o” mais importante! Normalmente é associado ao parlamento nacional islandês, fundado em 930, é o parlamento mais antigo da história da humanidade! Com o nome Alþingi, hoje em dia as reuniões já não são feitas no local histórico, mas assim foi até 1799.

Neste parque também é onde se encontra a fissura das placas tectónica Euroasiática e Americana. E onde muitas pessoas, tipo eu, pagam para nadar em águas geladas e terem a experiência do que é nadar literalmente entre continentes! A visibilidade da água é surreal, e a também é a temperatura…, durante o ano todo mantém-se constante a 2º devido à actividade vulcânica da ilha. Vale bem pela experiência, e nem sentimos tanto o frio quanto isso, o fato seco protege-nos bastante bem! Mesmo quem não tem o cartão de mergulhador pode fazer snorkel, que foi o que fiz, e continuo a afirmar que valeu bem pela experiência. Ah, e devido ao facto do fato seco ter imenso ar, não dá mesmo para irem ao fundo! Até quem não sabe nadar pode fazer snorkel!

Cavalos Islandeses
Cavalos Islandeses

Geysers

Se pensam que só vão ver um geyser, então se calhar estão algo enganados… Na verdade, existem algumas fontes termais, mas no que respeita a erupções só há uma que de facto chega a alturas consideráveis e que nos deixam já bem de boca aberta. O nome desse geyser é Strokkur, e nem precisam de esperar muito para verem uma erupção, uns 10 minutos e chega. Mas nem todas as erupções são realmente impressionantes, eu tive de esperar várias erupções para ver uma de mais de 10 metros de altura. Mas valeu bem pela espera. Mas ainda assim, Strokkur não é o maior geyser, existe outro que de momento está adormecido, chamado de Geysir. Durante várias décadas esteve completamente adormecido, mas no ano 2000, devido a um tremor de terra, voltou a dar sinais de vida. Mas por pouco tempo, voltou para a sua soneca… Pode ser que em breve volte a uma actividade mais regular.

Cascatas Gullfoss

Strokkur em erupção
Strokkur em erupção

Talvez um dos pontos mais conhecidos do Circulo Dourado, as Cascatas de Gullfoss são um local a não perder. Seja de Inverno, como eu vi, seja de Verão. E pelo que vi em fotos, parece que são cascatas completamente diferentes. Acho que vou lá voltar no Verão para ver as diferenças.

Quando se viaja na Islândia por alguns dias, há certos padrões nos nomes das coisas que começamos a notar. O sufixo “foss” é um deles, todas as cataratas têm este sufixo no nome. Porque será? Bem, a resposta não poderia ser mais simples, “foss” em islandês significa cascata. Como tal, uma tradução directa do nome “Gullfoss” seria Cascata Dourada.

Gullfoss é uma cascata em dois tabuleiros, cujo segundo tabuleiro forma um triângulo. Talvez isto seja uma das partes mais impressionantes, visto que não é algo comum nas restantes cascatas que vemos. O nome de “Cascata Dourada” deve-se ao facto de, em dias de sol, a água reflectir uma cor dourada-acastanhada devido ao facto desta água ser glaciar e levar imensos sedimentos pelo leito abaixo. Outro facto interessante sobre Gullfoss é que é a cascata com maior volume de água na Europa, com uma média de 1400 m³ por segundo no Verão, e “apenas” 80 m³ por segundo no Inverno, muito devido ao facto da água congelar e como tal não fluir tanto.

Lago cratera Kerið

A cratera Kerið não é tão famosa como os três locais mencionados anteriormente, e sinceramente só lá parei porque vi indicações de que é um local turístico. Um dos erros que cometo com regularidade é não pesquisar antes de viajar, e uma das vantagens de não pesquisar é ser surpreendido com locais como este. Não conhecia, e a surpresa foi bastante boa!

Este é mais outro daqueles locais que vendo as fotos de Verão e de Inverno parecem locais completamente distintos! Eu fui no Inverno, e dei a volta ao topo da cratera, mais uma vez a vista vale bem a pena, mas recomendo várias camadas de roupa e estarem bem protegidos contra o vento… Ainda sofri um pouco com o frio, e houve alturas em que só queria era sair dali, mesmo com uma vista fenomenal. Também dá para descer até à zona da água, mas cuidado para não escorregarem no gelo…, não é fácil… Já agora, este é um dos poucos pontos na rota do Circulo Dourado em que se cobra a entrada. Tanto quanto percebi, vários locais conhecidos como turísticos na Islândia, na verdade são propriedade privada. Até mesmo Gullfoss foi propriedade privada até há umas décadas atrás, e quase que foi usado como central hidroeléctrica. Portanto não é de surpreender encontrar alguns locais turísticos com entrada paga. Não são locais públicos, há que ter isso sempre em conta.

Cratera Kerið
Cratera Kerið

Onde fica o Circulo Dourado?

O Circulo Dourado fica bem perto de Reykjavik, há quem faça o passeio num dia com a estadia na capital. Mas quem prefere explorar com calma, mais vale fazer em dois dias, e talvez até marcar uma noite algures na zona da rota.

Abaixo está o mapa com alguns dos pontos mais conhecidos do Circulo Dourado.

Sugestões de alojamento no Circulo Dourado

Como fui no Inverno, achei que deveria aproveitar ao máximo as horas de sol disponíveis. O nascer do Sol era pelas 10 da manhã, e perto das 4 da tarde já estava a ficar de noite novamente. Então decidi marcar alojamento em Selfoss, uma vila já dentro do Circulo Dourado. Nem sequer tive de passar por Reykjavik, deu para visitar os locais mais importantes e voltar a Selfoss para mais uma noite. Com isso aproveitar ao máximo as poucas horas de sol que tinha.



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17 comentários em “Percorrer o Circulo Dourado na Islândia de carro”

  1. Faço parte do grupo que tem a Islândia como uma das viagens de sonho. Ainda não se concretizou por questões práticas. Mas ler este post foi muito útil porque fiquei com a ideia de que tudo é mais fácil do que me parecia, nomeadamente quanto à condução.

    1. Para quem pretende fazer uma viagem mais longa, o tipo de carro irá ser diferente certamente, mas para quem tem apenas uns dias, qualquer carro dá perfeitamente para ver vários pontos bem surpreendentes 🙂

  2. Oi, Gil! Realmente este é um dos percursos que quero fazer um dia que visitar a Islândia. Só tenho dúvidas acerca da melhor altura para ir: verão ou inverno? Confesso que sofro um pouco com o frio, mas, por outro lado, existem coisas que só no inverno valem a pena. O que aconselhas?

    1. Eu só ainda visitei no Inverno, e só sofri com o frio quando saía de dentro do carro 😛 Mas uma das coisas que me apercebi em relação ao Inverno e ao viajar sozinho, é que acabei por perder algum tempo só na condução, quando poderia aproveitar melhor alguns locais que visitei. As horas de sol são bem reduzidas…, a parte boa é que é “golden hour” quase o dia todo 🙂

  3. A Islândia é de facto um assombro da natureza. Excelentes dicas, e olha eu e o gps…não nos damos bem, nunca usei sequer nem sei se vou conseguir fazê-lo quando tiver de ser. Usei sempre mapas em papel, e nunca me perdi. Apesar da Islândia não figurar nos meus desejos de viagens para já compreendo o porquê de tanta gente ir até lá !;-)

  4. Estou lendo um livro que fala sobre a Islândia, e como a singularidade dela mudou o autor, cada vez mais com vontade de conhecer! Obrigad por essas dicas aqui do post, voltarei a consultar quando decidir ir! XD

    1. Acho que esteve sempre na moda 🙂 Mas como fica “longe”, ou pelo menos pouco acessível, as pessoas tendem a deixar para mais tarde. Felizmente da Irlanda já há voos directos, foi assim que decidi visitar 🙂

  5. A Islândia deve ser deslumbrante, está na minha lista de viagens (não para já por ser caro!) e tenho a certeza que vou adorar. As sugestões que aqui deste são espectaculares e registei a dica de não confiar no gps!

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