Mais outros pontos a visitar na ilha da Madeira

Ao olhar para o mapa de Portugal e ver aquele pedacinho de terra na costa de Marrocos nunca nos passa pela cabeça que há tanto para ver por lá, já o disse antes e volto a repetir, a ilha da Madeira foi uma surpresa mesmo agradável. Um dos tesouros de Portugal que muitos se esquecem de visitar, mas que deviam, todos deviam dar um salto a esta magnifica ilha. Não esperem encontrar praias paradisíacas, a ilha da Madeira está bem longe do estereotipo de ilha de férias, pouco de praias, pouco de palmeiras, e mesmo muito pouco de areia (que é maioritariamente importada). Mas talvez seja aqui que está a magia da ilha, as expectativas de quem visita já são baixas, uma ilha sem praias de areia? E chegar lá e ficar encantado com tudo aquilo além mar, as falésias de dar vertigens aos mais corajosos, as casas no meio de penhascos quase sem acessos, a mudança de paisagens no espaço de meia dúzia de quilómetros. Quem vai à Madeira e não volta encantado, é porque não saiu da zona do aeroporto.

Levada do Caldeirão Verde

Se há algo que adoro, é caminhar pela montanha ou floresta, e na Madeira não faltam trilhos destes. As levadas e veredas são bem famosas e de grande importância cultural, e até a nível económico foram de grande importância na ilha quando era mais complicado fazer chegar água a certas partes. Olhando a lista de trilhas que existem na ilha, até custa a acreditar que uma ilha tão pequena tem tanto para explorar. Infelizmente só fui a uma, das mais famosas, que é a Levada do Caldeirão Verde, uma caminhada bem fácil e sempre junto a um curso de água (levada). Recomenda-se que se leve uma lanterna (ou telemóvel com luz), pois pelo trilho temos de passar por dois túneis, e num deles o canal de água está mesmo ao nosso lado, um passo em falso e ficamos todos molhados…, é preciso algum cuidado extra.

Cascata do Caldeirão Verde
Cascata do Caldeirão Verde

O nosso passeio foi bem agradável, talvez a um ritmo demasiado acelerado para o meu gosto, mas foi um passeio que aproveitei imenso para tirar várias dezenas de fotos e respirar aquele ar puro! No final do caminho chegamos ao nosso prémio, a cascata do Caldeirão Verde, uma cascata alta com um lago no fundo onde podemos nadar. Curiosamente quando lá chegámos não estava ninguém dentro do lado, fomos os primeiros, talvez por a água ser bem gelada! Até os globos oculares me doíam no final, mas é uma água que sabe mesmo bem. Entrei e saí algumas vezes, até doí mas sabe tão bem!! Pelo que me disseram, o caudal da cascata costuma ser bem maior, mas talvez por não ter chovido, desta vez o caudal estava bem estreito, mas a vantagem é que pudemos nadar para debaixo da queda de água,

Depois do banho, fizemos o nosso picnic improvisado, recomendo vivamente a levarem um lanche, ainda é uma caminhada de 6,5km até à cascata, e depois só voltando para trás. O melhor mesmo é fazer uma pausa para comer junto ao lago antes de voltar pelo mesmo percurso.

Cabo Girão e Curral das Freiras

Um dos cabos mais altos da Europa, o Cabo Girão é bem popular para quem visita o Funchal, fica a apenas uns quilómetros de distância e a vista vale bem a pena o desvio. O miradouro foi estendido de forma a que quem lá vai esteja mesmo no ar, a 589 metros de altura numa plataforma de vidro. Dá vertigens, dá mesmo! Do miradouro dá para ver a cidade do Funchal e Câmara de Lobos, e claro, muito mar pela frente! Fizemos uma paragem curta ali antes de nos aventurarmos para o centro da ilha, para o Curral das Freiras. A vila fica bem no coração da ilha, num vale bem isolado que em tempos serviu de refugio a escravos fugidos e outros fugitivos, para lá chegarmos tivemos de passar por alguns túneis, e é bastante impressionante ver o quão isolada aquela localidade é. Completamente rodeada de escarpas das montanhas, a vila hoje em dia é consideravelmente grande, e com grande interesse turístico.

Olhando lá para baixo, Cabo Girão
Olhando lá para baixo, Cabo Girão

O que mais me impressionou foram mesmo as casas que estão nas falésias, com estradas bem íngremes colina acima. Nem consigo imaginar como aquelas pessoas vivem, os acessos são bem complicados e não é de admirar que volta e meia se vejam noticias de derramamentos de terras, mas verdade seja dita, não há muito mais por onde construir dado o relevo da ilha.

O regresso ao Funchal foi bem divertido, começámos por fazer GeoCaching no miradouro, onde encontrámos uma cache, e enquanto íamos a conduzir íamos vendo onde é que poderíamos encontrar outras caches, e lá fizemos mais uma paragem ou duas. GeoCaching em grupo acaba por ser bem divertido, existe aquela vontade de competitividade e o desejo de descobrir o que vamos encontrar dentro daquela caixinha escondida algures. Além do mais, é também uma forma de descobrirmos sitios menos conhecidos.

Casas em penhascos, Curral das Freiras
Casas em penhascos, Curral das Freiras

Pico Ruivo

O Pico Ruivo é o ponto mais alto do arquipélago da Madeira, com 1862 metros de altitude, e o terceiro ponto mais alto de Portugal. Para o visitar, só mesmo a pé, aliás, dá para chegar lá perto de carro, mas chegar mesmo ao pico, só mesmo a pé por um trilho  de uns 2 quilómetros, se não estou em erro. Assim que estacionámos o carro percebi logo o porquê do nome, a terra é bem vermelha (ruiva), e no ponto mais alto, o pico, é ainda mais óbvia. Tal como noutros pontos da ilha, também existem várias rotas e trilhos até ao Pico Ruivo, nós fizemos a trajectória mais curta, mas há caminhos bem mais complicados que passam por pontos bem mais remotos (e também bem bonitos). Como já é de esperar, a vista é daquelas que dá para ficarmos uns bons minutos a olharmos para a mesma direcção sem nos fartarmos.

Pico Ruivo
Pico Ruivo

Fiquei completamente apaixonado pela ilha da Madeira, e ainda há tanto para eu visitar. O nosso país de facto tem jóias bem valiosas, algumas delas também bem escondidas como a Madeira, que ainda não é alvo de turismo em massa. Vá para fora cá dentro, é um excelente motto, vale bem a pena investir em conhecer melhor o nosso país.


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Mais outros pontos a visitar na ilha da Madeira

Gil Sousa

Português emigrado em Cork, viajante e apreciador de boa comida.

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