A minha rota de duas semanas pelo Faroeste Americano

O Velho Oeste, Oeste Selvagem ou Faroeste, é o nome que foi dado à parte ainda desconhecida ou por conquista da área que faz agora parte dos Estados Unidos. Deu origem a muitos mitos, e com os muitos mitos muitas histórias e uma categoria inteira de filmes sobre essa época. Muitos de nós devem recordar com alguma saudade filmes como O Bom, o Mau e o Vilão, ou o Aconteceu no Oeste, que retratam algumas das histórias e mitos da época.

Recentemente tive de ir aos Estados Unidos da América em trabalho, e como foi a primeira vez que pisei solo americano (dos EUA) claro que aproveitei para tirar umas férias e explorar um pouco (ou muito!). De inicio, como já é habitual comigo, não tinha absolutamente nada planeado, mas depois apercebi-me que o que queria ver até dava para fazer uma rota com um regresso fácil ao ponto de partida. Então lá me aventurei, mas ainda assim com pouco planeado. Ao todo foram mais de 1600 milhas, o que dá mais de 2500 km!! Sempre a conduzir sozinho! Este foi o mapa, ou algo bem parecido com isto.

A rota pelo Faroeste Americano
A rota pelo Faroeste Americano

A partida para o Faroeste

Comecei logo desde Cupertino, aluguei um carro usando a aplicação do Skyscanner, que diga-se de passagem que encontrei opções bem mais baratas do que as conhecidas, e segui logo numa longa viagem até ao Parque Nacional de Sequoia e Kings Canyon. Fiquei absolutamente maravilhado quando lá cheguei, mas para ser sincero, fiquei maravilhado com tudo o que vi durante a viagem toda…, portanto não vou conseguir demonstrar uma opinião muito objectiva. Sou uma pessoa fácil de agradar…

Com uma marcação de última hora, acabei por ficar num AirBNB a 3 milhas de uma das entradas do parque. Foi um pouco caro, deveria ter pesquisado antes de me meter à estrada (dá para dormir dentro do carro, desde que seja fora do Parque Nacional), mas não me arrependo do que gastei. Além da localização e da vista, que é excelente, a companhia foi igualmente excelente e acabei por ter uma noite muito bem passada na conversa com o meu anfitrião. Na verdade, passei duas noites naquela casa, e ainda assim era capaz de ficar mais umas noites para poder explorar bem o Parque Nacional…

Mudanças de “planos”

Quando os planos não existem…, é normal que os rascunhos não corram lá muito bem. Quando decidi o sentido da minha viagem, marquei alguns parques nacionais que queria muito visitar, e depois defini isso como uma rota. A ideia foi boa, mas a falta de pesquisa pré-viagem foi terrível. Sou apologista de que não se deve planear demasiado uma viagem, mas que a preparação é importante. Mas se calhar deveria ler as minhas próprias sugestões antes de me meter à estrada…

Um dos Parques Nacionais que eu queria mesmo no faroeste americano é o famoso Death Valley, o Vale da Morte como se diria em Português. Uma das coisas mais famosas deste parque são as rochas que se movem, e eu estava disposto a ir direito ao Centro de Visitantes e simplesmente agarrar num mapa e ir ver estas famosas rochas. No entanto, encontrar alojamento de véspera na zona foi bem complicado, o que me levou a pesquisar um pouco mais sobre estas famosas rochas. Ora então, para lá chegar é imperativo ter uma 4×4 e conduzir numa estrada de terra batida por umas QUATRO horas! E ainda ter de fazer uma caminhada… Estamos a falar de um deserto. E eu apenas tinha uma pequena carrinha. Lá tive de alterar os “planos”, e deixei de lado a visita ao Vale da Morte. A dizer que com muita pena minha, é um local que quero muito visitar, mas da próxima oportunidade vou pesquisar devidamente…

Cidade e Deserto

Depois de pesquisar um pouco cheguei à conclusão que a melhor ideia seria mesmo usar Las Vegas como base para visitar alguns locais que ficam na zona. Não sou muito adepto de cidades, e muito menos de uma cidade que é um conhecido destino turístico essencialmente por festas e jogos de azar, mas em falta de alternativa foi o que me calhou. No primeiro dia já cheguei tarde, mas no segundo dia a primeira coisa que fiz foi sair da cidade, em direcção ao deserto! Fui visitar o Vale do Fogo, onde senti que estava num episódio do Bip Bip e Coiote! Aquelas paisagens são tal e qual como nos desenhos animados, aliás, os desenhos animados é que são como aquelas paisagens. Muita nostalgia que senti durante aquelas horas, só faltava ver um coiote ou um papaleguas…, não tive essa sorte…

Ainda em paisagens desérticas, da cidade rumei em direcção a um dos parques nacionais mais conhecidos do mundo, o Grand Canyon. Nem sei como descrever o que vi, nem há sequer fotos que consigam mostrar o que se vê ao vivo. Aquele canhão e de tal forma gigante que até custa a processar aquele desnível do terreno. Das coisas mais impressionantes que alguma vez vi, só lamento não ter tido mais tempo para fazer umas caminhadas a sério. Além do mais, estava ligeiramente dorido de tantas caminhadas que já tinha feito durante os dias anteriores… Muita falta de prática, claramente estou em baixo de forma…

Mais a norte, mas ainda seguindo o rio Colorado, visitei o Horseshoe Bend, uma das curvas de rio mais conhecidas. Tão impressionante que visitei aquele lugar duas vezes, ao final do dia quando lá cheguei, e ao nascer do sol na manhã seguinte. Custou a levantar, mas valeu bem a pena!

Enchentes relâmpago no deserto

A Natureza consegue fazer verdadeiras obras de arte com recurso a catástrofes. Basta ver o horror que são as erupções vulcânicas, mas o quão belas também o são (bem de longe). No deserto também se encontram maravilhas destas, criadas por desastres naturais. Visitei dois lugares com vários avisos sobre as enchentes relâmpago, um deles já é bem conhecido graças às redes sociais, o Canhão de Antelope no Arizona. Aquelas curvas lindíssimas são escavadas pela força da água, que já tirou várias vidas a turistas que não iam acompanhados. Hoje em dia existe bastante mais controlo, não dá para visitar sem ser com visita guiada, portanto mais seguro.

O outro local que visitei que também tem avisos quanto às enchentes relâmpago é no Parque Nacional Zion, e existem imensos vídeos a mostrar a força do rio quando uma destas enchentes acontece. Mas um dos vídeos mais impressionantes é o que coloquei abaixo, o problema não é a força da água mas sim a quantidade de lixo e madeira que ela arrasta, quem consegue escapar disso?

Escapar às cidades

Para regressar à Europa teria de voltar a São Francisco, mas sem nada planeado acabei por apenas andar às voltas pela cidade sem um rumo certo. Já tinha passado por São Francisco antes, durante o meu mês de trabalho, então aproveitei para comprar algumas recordações de última hora.

Para quem não tinha quaisquer planos para visitar os Estados Unidos, acabei por ficar apaixonado pelo que vi e já faço intenções de voltar. No que respeita a Natureza é mesmo de tirar o fôlego, vi paisagens que não dão para capturar pela lente de uma máquina. Já tinha visto fotos de todos estes sítios, mas estar lá ao vivo é um impacto indescritível.

Se puderem, não deixem de fazer uma viagem de carro pela zona do Faroeste Americano, é uma viagem bem memorável. Partilhem este artigo e passem a palavra aos vossos amigos que estejam interessados em visitar os Estados Unidos da América.

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Gil Sousa

Português emigrado em Cork, viajante e apreciador de boa comida.

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