Kotor – Uma pérola no Adriático

Kotor foi a quarta paragem nas minhas férias pelos Balcãs, uma vila de que pouco ou nada sabia e que apenas tinha visto umas imagens que encontrei no Google. Pareceu-me que iria gostar, os livros de turismo também recomendam imenso a vila, e lá me decidi. Curiosamente recebi algumas opiniões contrárias, o que até ajudou a gostar ainda mais daquela vila –

quando as expectativas são baixas, tudo nos surpreende pela positiva
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Chegar a Kotor já não foi assim tão simples, quando fiz a reserva vi que tinha duas opções, uma por Dubrovnik, em que teria de passar por três fronteiras, e outra directa para Montenegro, apenas passando por uma fronteira. Visto que nem iria parar em Dubrovnik, a decisão foi simples, menos filas, menos chatices. Fui directamente para Montenegro. No entanto… nem tudo é assim tão simples, e isso é parte da piada numa viagem. Acontece que entrei no autocarro errado, uma rota de que nem sequer tinha conhecimento, que deu uma volta enorme por Montenegro, até pela capital passei! Quase que serviu de rota turística…

A viagem foi surreal, estradas com pavimento em boas condições, mas imensas curvas e contra-curvas pela montanha, o motorista sempre a acelerar numa carrinha de 18 lugares (acho que eram 18). A certa altura, a porta traseira abre e ele continua a acelerar, até que alguém começa a gritar para ele parar! Por sorte nenhuma mala caiu, nem sei como! A passagem pela fronteira foi bastante simples, tivemos duas paragens de controlo de passaporte, a uns 100 ou 200 metros de distância uma da outra, e a partir de aí já estávamos em Montenegro.

O nome do país tem por origem o nome em italiano, da altura do reino Veneziano, em que chamavam àquela area de Monte Negro, pelas montanhas escuras e por ser uma zona com um relevo muito acidentado. O país todo é uma autêntica cordilheira, acho que quem aprende a conduzir ali, não terá dificuldades em conduzir em mais lado nenhum…

Baia de Kotor
Baia de Kotor

A chegada a Kotor foi algo de fantástico, a vila fica numa zona tipo fiordes, aliás, a zona até é considerada como os Fiordes do Adriático, e para lá chegar temos de descer a montanha toda. Agora imaginem o que é ver aquelas montanhas com um rasgo de mar e uma vila medieval, enquanto se desce por uma estrada serpenteada. Acho que fiquei apaixonado ainda antes de chegar.

O autocarro parou no terminal, que fica perto das muralhas do centro histórico, pelo mapa sabia que o hostel fica dentro das muralhas, então lá me aventurei pelas ruelas até encontrar o hostel, que foi mais outra surpresa fantástica. Sim, foi um pouco caro para o normal nos Bálcãs, mas valeu mesmo a pena! As condições são bastante boas, com wc privado, o hostel está dividido em duas alas, uma delas com uma sala de estar mais zen, onde podemos ler e relaxar sem barulho, e outra ala mais social. A recepção tão foi algo de original…, assim que viram o meu passaporte português, a primeira coisa que me disseram foi “Pó caralho“, a surpresa foi tal que fiquei mesmo chocado! Não por ser pudico, mas mesmo por não estar à espera de ouvir português e muito menos um palavrão! Fiquei logo apresentado, staff mega relaxado e divertido, sabia que iria ter uns dias muito bons!

Hanging clothes in #Kotor #Montenegro #OldTown #KotorOldTown

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

Depois do check-in no hostel, fui aventurar-me pela vila, subi a muralha até quase ao topo da montanha, que tem uma vista fantástica, de tirar o fôlego, literalmente…, que subir aquilo durante as horas de calor, não é nada uma ideia inteligente… Uma recomendação para quem quer fazer esta caminhada, levem água, mas mais de 1 litro, pois vão precisar. Existem várias pessoas a venderem água ao longo da encosta, mas cada garrafa de água eram uns 3 euros…, nada barato mesmo. Até para subir as muralhas temos de pagar, mas se forem de manhã bem cedo, ou mais perto do pôr do sol, podem entrar sem pagar.

A meio caminho do topo passamos pela capela de São Nicolau, com uma das vistas mais famosas de Kotor. Pesquisando por fotos de Kotor, esta vista é provavelmente a que irá aparecer mais vezes. Lá de cima, vi um cruzeiro junto à vila de Kotor, de tal forma grande, que fazia a vila parecer ainda mais pequena do que é. Durante o Verão chegam cruzeiros para encherem a vila de turistas, que ao final do dia se vão embora. Quem passa a noite na vila nota bem a diferença na quantidade de pessoas que estão nas ruas antes e após as 5 da tarde, hora em que normalmente os cruzeiros se preparam para partir.

Cruzeiro em Kotor
Cruzeiro em Kotor

Já de volta ao hostel, assim que entrei na sala da recepção fui logo abordado e convencido a me juntar a um churrasco organizado por eles, achei que seria uma excelente forma de conhecer pessoas, e porque não? Estava sozinho. Devo dizer que o staff do hostel é excelente a vender produtos, além do churrasco também me convenceram a participar numa ronda dos bares, não é muito o meu estilo, mas porque não? Acabei por me divertir imenso em ambos os eventos e conhecer bastantes pessoas, mas a certa altura tive de escapar-me do grupo e voltar para o hostel, a quantidade de álcool já ia avançada, e no dia seguinte tinha de acordar cedo para uma excursão… Foi um primeiro dia muito bom e cheio de animação em Kotor, e grande parte da experiência devo ao staff do hostel Old Town Kotor 🙂


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Kotor - Uma pérola no Adriático

Gil Sousa

Português emigrado em Cork, viajante e apreciador de boa comida.

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