Escarpas de Moher no Inverno

Faz quase cinco anos que estou a viver na Irlanda, e há certos locais que simplesmente adoro visitar e “re-visitar”. Recentemente levei uma amiga a conhecer a zona do Ring of Kerry e Dingle, desta vez calhou a dar a conhecer a zona dos condados de Clare e sul de Galway a um amigo. As Escarpas de Moher (Cliffs of Moher) são umas escarpas em forma de dentes de serra na costa Oeste da Irlanda e um dos locais mais visitados na Irlanda, talvez apenas a seguir a Dublin. Esta zona foi finalista como candidata a Novas 7 Maravilhas da Natureza, no entanto não tendo conseguido chegar à lista dos 7 finais já foi usada para cenas em alguns filmes, como o Harry Potter.

Esta foi a terceira vez que fui visitar as escarpas (ou terá sido a quarta?), e como queria um pretexto para sair de Cork decidi fazer uma surpresa a um amigo, sabia que ele queria ir lá, e eu queria visitar o Parque Nacional de Burren que fica lá bem perto. Porque não irmos juntos visto que queríamos visitar a mesma zona?

Por vezes surpresas correm mal, mas gosto sempre de tentar surpreender as pessoas com quem me dou bem, um amigo em comum disse-me que ele queria ir visitar a zona, e sem lhe dizer nada em concreto convidei-o a irmos visitar parte da Irlanda durante um fim-de-semana. Mentalidades semelhantes no que respeita a conhecer locais novos, que fez do convite uma realidade. Lá nos metemos no carro, e fui conduzindo rumo a noroeste… Faltavam apenas uns 20 ou 30 km quando ele viu, pela primeira vez, as indicações para os Cliffs of Moher. Podia ter mantido a surpresa por mais tempo, pois fiz um pequeno desvio para Lahinch, mas não resisti e confirmei que iríamos visitar as escarpas.

Lehinch Beach
Lehinch Beach

Lahinch é uma vila costeira bem conhecida entre os surfistas, e fica bem perto das escarpas. Muitos começam a caminha pelas escarpas a partir dessa mesma vila, começando na praia subindo a encosta e percorrendo as falésias todas por zonas menos aconselhadas. Apesar de ser na Irlanda, a praia é bem bonita… e naqueles raríssimos dias de sol até dá para fazer alguma praia 😛

De Lahinch às escarpas são apenas uns quilómetros, salvo erro uns 10, e depois é só encontrar lugar para estacionar o carro. E falando em estacionamento, aqui fica uma dica, se querem poupar uns trocos deixem os passageiros do carro a pé junto à entrada do centro de visitas, os bilhetes do estacionamento são cobrados consoante o número de pessoas dentro do carro (6€ por pessoa).

Ao chegarmos à zona do parque de estacionamento, o céu estava ligeiramente nublado, mas dava para ver perfeitamente as escarpas. Estacionei o carro, e aqueles 5 minutos (ou menos) do parque até ao centro de visitas, uma nuvem baixa simplesmente cobriu tudo o que havia para ver. O meu amigo estava maravilhado com a surpresa, ele nem queria saber de mais nada, mas eu não! Bem frustrado, parecia ter sido de propósito, tudo tão visível e em minutos ficou tudo coberto… Lamento não ter tirado nenhuma foto com aquele nevoeiro, acho que ficaria com um aspecto bem místico.

Entrámos dentro do centro de visitas, e nem 5 minutos fiquei lá dentro, apenas fui ao WC, e quando saí a nuvem já tinha passado! Tudo extremamente visível novamente! Siga aproveitar o momento, e siga dar uma volta junto às falésias!! O tempo estava bastante aceitável, nada de chuva mas bastante vento. Demos uma volta pela zona segura, e não nos aventurámos mais pois estava tudo bastante enlameado. Muitos se aventuram para fora da zona “turística”, que não está protegida, aliás, essa é a parte mais interessante de toda a caminhada mas infelizmente acidentes acontecem e volta e meia nos deparamos com buscas, já calhei a ver uma…

Torre de O'Brien ao anoitecer
Torre de O’Brien ao anoitecer

O trilho não protegido é sempre junto à escarpa, com zonas mais largas e com bastante espaço (e supostamente mais seguras), e outras zonas bem apertadas com cerca de 1 metro de espaço da falésia. Mete algum respeito, de um lado falésia do outro… vacas 🙂 Sim, a zona não protegida é ao lado de uma vedação para um pasto de vacas, portanto nada de as provocar.

Fomos também à zona da torre de O’Brien, o ponto mais alto das Escarpas de Moher, infelizmente estava fechado e nem deu para entrarmos lá dentro, mas a vista de lá é igualmente fantástica. Apanhámos o final do dia, com um céu em tons de azul quase a confundir-se com a água do mar, lindíssimo!

Dali, fomos para o nosso B&B perto de Gort, quando o reservei pensava ser bem mais próximo, mas ainda demorámos mais de uma hora a lá chegar, com algumas aventuras pelo caminho a descrever num próximo artigo!


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Escarpas de Moher no Inverno

Gil Sousa

Português emigrado em Cork, viajante e apreciador de boa comida.

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