Quanto custa viajar na Austrália por dois meses?

Quanto custa viajar na Austrália por dois meses?

Uma das perguntas que me fazem com alguma frequência é em relação a gastos durante uma viagem. Cada pessoa tem o seu estilo de viajar, portanto os gastos serão sempre relativos. No entanto, dois meses a viajar dá para tirar algumas conclusões, e ao longo da minha viagem fui sempre registando quanto estava a gastar. Mas afinal, quanto custa viajar na Austrália por dois meses?

Transportes

No topo da lista de importância, estão os transportes. Mesmo que se queira dormir na rua, pedir na rua para poder comer ou até levar um saco de 20kg de arroz para sobreviver a arroz durante os dois meses…, vai ser sempre necessário dinheiro para chegar ao outro lado do mundo e viajar pelo país gigante que é a Austrália.

Ainda assim, se tiverem todo o tempo do mundo, podem tentar chegar a nado e a pé…, mas acho que nem vale a pena entrarmos em exageros…

Destroços de navio na ilha de Fraser
Destroços de navio na ilha de Fraser

Os voos

De realçar que estou a viver na Irlanda, portanto a minha viagem começou em Cork. Antes de decidir para que cidade iria voar, vi várias opções e tentei escolher uma companhia aérea que me trouxesse vantagens. Acumular milhas é uma grande vantagem, principalmente para quem voa com frequência, portanto foi um dos pontos a considerar. Mas para isso, mesmo quem viaja com frequência, só consegue juntar um número decente de milhas se usar o mesmo grupo de companhias aéreas com regularidade. Não é o meu caso. Apesar de ter algumas milhas da Flying Blue e da British Airways, não tenho assim tantas milhas quanto isso. Viver em Cork tem este tipo de desvantagens…

Ainda assim, a opção com a Flying Blue (KLM, Air France, etc) seria demasiado cara e a viagem demasiado longa. Teria de fazer uma pausa de um dia no Dubai ou Abu Dhabi, o que nem seria mau de todo e até cheguei a considerar. Mas depois comecei a pensar no destino. Em que cidade começar a viagem?

Encontrei voos de ida e volta para Sydney, desde Cork (com as várias escalas), a cerca de 1700€-2000€… Depois comecei a ver para outras cidades, e por recomendação de um amigo, acabei por encontrar um voo de ida e volta por 1000€ para Melbourne. Não seria com a Flying Blue, mas sim com a British Airways (onde tenho menos milhas), mas a diferença de preço fez toda a diferença. 700€ ainda são 700€ e é uma diferença bem significativa.

Então o voo acabou por ser Cork > Londres > Singapura > Melbourne, com um regresso para Lisboa. Melbourne > Singapura > Londres > Lisboa. Isto tudo por 1000€, certinhos!

Mas os voos não ficaram por aqui. Ainda teria de voltar à Irlanda, mas isso foi apenas um voo com a Aer Lingus de Lisboa para Dublin por 65€.

E os voos dentro da Austrália?

Cascata Mila Mila
Cascata Mila Mila

Tentei fazer tudo por terra, o único voo comercia que fiz foi de Adelaide a Melbourne mesmo no final da minha viagem, e porque queria aproveitar melhor a zona de Melbourne e precisaria de “poupar tempo” na viagem. Voei com a Tigerair, de Adelaide a Melbourne, e o custo do voo de aproximadamente uma hora custou 43€.

Os restantes voos que fiz na Austrália foram de lazer, um salto de para-quedas e uma viagem para uma ilha deserta, mas isso foram pacotes de viagem para descrever mais abaixo.

As viagens por terra na Austrália

Viajar na Austrália tem muito que se diga. Quando pesquisei sobre formas de viajar dentro do continente, as opções mais interessantes que encontrei foram de comboio e autocaravana.

Viajar sozinho de autocaravana seria bem dispendioso, e tendo em conta as distâncias entre cidades, seria também bem cansativo. Apesar de ter sempre onde dormir, fazer uma viagem de 10 horas sozinho a conduzir uma autocaravana seria de loucos… Ainda para mais, existiria sempre um risco acrescido de acidentes ou outras situações que poderiam atrasar a viagem.

Viajar de comboio foi a minha opção inicial, o problema colocou-se com o facto de na Austrália existirem várias companhias de comboio, e os bilhetes de “zona” serem algo caros em comparação com os autocarros. Além do mais, a rede ferroviária da Austrália fora das cidades é bastante limitada, o que iria condicionar a visita a alguns dos locais que eu queria mesmo visitar. Infelizmente tive de descartar esta opção também…

Ainda assim, existe uma rota de comboio épica que eu queria mesmo fazer, a rota The Ghan que atravessa o continente australiano de Norte a Sul. O problema desta rota, é que só existe um comboio semanal para cada sentido, e eu queria mesmo visitar dois locais no meio dessa rota. E das duas uma, ou faria apenas parte da rota de comboio e o resto de autocarro (ou outro meio de transporte), ou então teria de descartar também esta aventura por completo. Quando vi os preços de uma viagem com o The Ghan, a decisão tornou-se óbvia. Fui de autocarro.

Felizmente não faltam alternativas, o turismo na Austrália é bastante forte e popular entre jovens. No que respeita a autocarros acabei por optar pela Greyhound, que têm uma rede bastante boa nas zonas que queria visitar. Existem outras agências, mas acabei por optar por esta pois é das mais conhecidas. Comprei 3 bilhetes de livre trânsito, cada um com uma validade para cerca de 3 meses.

Porquê 3 bilhetes? Que a forma deles controlarem o uso dos bilhetes é que só os podemos usar numa direcção, e temos de escolher quais as rotas que vamos tomar. Então comprei um bilhete de Melbourne a Cairns (norte da Austrália) que incluía um pacote de 10 noites numa rede de hosteis (702,78AUD). Um bilhete de Cairns a Alice Springs (no centro da Austrália) (382,50AUD). E um bilhete de Alice Springs a Adelaide (219,30AUD). E com isto, fiquei com o trajecto definido e assegurado, ainda antes de partir. Ao todo gastei cerca de 1305AUD, cerca de 940€.

Carros alugados

Apesar de ter bilhetes de autocarro para viajar livremente (no mesmo sentido), por duas vezes que tive de alugar carro. Uma dessas vezes na ilha Magnetic Island, pois uma das coisas que queria mesmo fazer era ver o pôr-do-sol sobre o mar, o que não é possível da costa Este da Austrália, a não ser que se esteja num barco ou numa ilha…, e a segunda vez foi para fazer a Grande Estrada do Oceano (Great Ocean Road) no sul da Austrália. A 4×4 que aluguei em Magnetic Island custou-me 90,90AUD (61€), mais o combustível claro, isto por dois dias. Enquanto que para a Grande Estrada do Oceano paguei 206,49 AUD (145€) por 5 dias, que deu para aproveitar também para ir a certas partes de Melbourne e para regressar ao aeroporto…

Mas em combustível ainda gastei 120AUD (80€), ainda foram vários quilómetros a conduzir, saiu-me mais caro do que uma excursão, mas em vez de fazer tantos quilómetros a correr num dia, demorei quase três com imensas paragens e descontracção. Foi uma decisão consciente, depois de tantas excursões e tantos autocarros, já precisava de desintoxicar e andar um pouco sozinho…

Pôr-do-sol nas Whitsundays
Pôr-do-sol nas Whitsundays

Transportes públicos e outros gastos

No que respeita a transportes públicos, ainda tive de usar algumas vezes nas cidades, principalmente em Sydney, e uma vez ou outra acabei por ter de usar taxi. Em Melbourne os eléctricos são grátis na zona centro da cidade! Excelente para aproveitar e poupar nos sapatos! Ao todo, a contar também com o ferry para a Magnetic Island (que custa 32AUD, cerca de 20€), gastei à volta de 140AUD (93€). Nada mau, para dois meses a saltitar de um lado para o outro!

De realçar que na zona de Sydney dá para ir de comboio até à zona das Montanhas Azuis, mas depois lá só mesmo à boleia, não sei se existem transportes que levem os turistas a saltar de um pouco para o outro. No entanto, nesse mesmo comboio dá para visitar o Parque Featherdale, que foi exactamente isso que fiz. Da estação de comboio, depois é só mais um pouco de autocarro.

Turismo

Quanto custa viajar na Austrália por dois meses?
Quanto custa viajar na Austrália por dois meses?

E é aqui que grande parte do meu dinheiro foi bem investido… Começando logo no primeiro dia, em que fiz reservas para a duração toda da viagem… Não era bem a ideia inicial, mas pronto, acabei por cometer esse disparate (e daí talvez não). Ao todo gastei 2160€ num pacote de viagens que incluiu imensas actividades, desde duas noites num veleiro a um salto de para-quedas, entre muitas outras coisas!

Depois em diversas outras actividades, como algumas excursões e museus, ao todo gastei 492AUD (330€). Aqui incluo também fotografias que comprei dessas mesmas excursões.

Actividades e extras

Das actividades que valem mesmo a pena realçar neste relatório são alguns dos extras que acabei por pagar. Por exemplo, para a excursão à ilha de Fraser, decidi de última hora ficar um dia extra na ilha (das melhores decisões que alguma vez fiz), e só por isso tive de pagar 100AUD extra, cerca de 67€.

Para o salto de pára-quedas também acabei por adicionar um extra, como queria fotos e vídeo de uma perspectiva frontal, sem ser fotos de câmara no pulso, tive de pagar extra para ter uma segunda pessoa a filmar tudo à minha frente. Mais uma vez, uma das melhores decisões que fiz, mas também paguei por isso… 294AUD pelo extra do salto, 192€, mais as fotos de vídeos que deu mais uns 70 AUD… Agora que vejo bem estes valores, acho que foi mesmo caro… Mas é a tal coisa, saltei sobre a Grande Barreira de Coral e aterrei numa praia. Isso também tem preço, e alto…

E no dia seguinte, logo depois de ter saltado de um avião, lá fui eu para o fundo do mar! Grande Barreira de Coral, onde fiz mergulho pela primeira vez! O primeiro mergulho do dia estava incluído no pacote inicial, mas o segundo mergulho já era opcional. No entanto, snorkel seria gratuito. Mas como gostei tanto da experiência de mergulho, que optei por fechar os olhos e pagar 55AUD (37€) pelo segundo melhor, que por sinal até correu bem melhor que o primeiro!

Outra actividade pela qual paguei extra, pois não fazia parte do pacote inicial, foi uma aula de surf em Surfers Paradise…., sim, grande cliché, mas teve de ser…, foram 45AUD (30€).

E por fim, a última actividade fora dos planos foi um passeio nocturno pela floresta tropical na zona do Cabo Tribulation. Foi engraçado, mas por 45AUD, foi um pouco carote…

Alimentação e Alojamento

Agora que olho para as contas, com olhos de ver, é que reparo que de facto como imenso e adoro dormir! Excluindo o pacote de férias que comprei, o grupo de gastos da alimentação é o mais elevado de todos! 1096AUD!! (747€) Em dois meses, nem é assim tão mau…, e fartei-me de cozinhar nos hosteis e levar comida comigo para poupar algum dinheiro. Parece que foi uma decisão acertada, não tinha ideia de que a comida era de facto a maior fatia nos meus gastos… De ter em conta também que só jantei fora uma ou duas vezes, isto é, jantar em restaurante. De resto era ou comida mais barata, ou cozinhava no hostel.

No que respeita ao alojamento, de facto tinha opções mais baratas, como acampar, mas por 8 semanas a passear pela Austrália, 740AUD (504€) foi um bom valor. Claro que algumas noites estavam incluídas nas experiências, como duas noites na Ilha de Fraser mais duas noites no hostel, ou as duas noites que dormi no veleiro e mais 10 noites que estavam incluídas no pacote de viagens de autocarro de Melbourne a Cairns. Mas cerca de 500€ pelas restantes noites, não fica mais do que 10-15€ por noite! Nada mau!

Parte das despesas de alojamento vão para a lavagem de roupa, pois é, dois meses na estrada sempre com a mesma roupa, é bom que a lave de vez em quando. Por acaso tinha tudo muito bem organizado, se sabia que iria ficar uns 2 ou 3 dias em zonas mais isoladas, como num veleiro ou numa ilha deserta, então já sabia que tinha de lavar a roupa antes de ir. Cheguei ao ponto de criar um calendário para lavagem da roupa…, sim, é mesmo verdade… Ao todo lavei a roupa 8 vezes, em média uma vez por semana, pois andei a viajar com muita pouca roupa, portanto tive de fazer lavagens mais frequentemente… Com detergentes, lavagens e secagens, gastei 60,5AUD (41€).

Sky Dive em Mission Beach
Sky Dive em Mission Beach

Outras despesas

Na categoria de outras despesas entram coisas como compras variadas que fiz, por exemplo uma toalha de banho porque me roubaram a que levei… vá-se lá perceber por que raio alguém quer uma toalha de banho, mas enfim. Também tive de comprar cartão SIM, um cartão SD para a GoPro e carregar com dinheiro o telemóvel algumas vezes. Depois, para o final da viagem comprei algumas prendas e isso também entrou na soma de outras despesas.

Ao analisar a lista de despesas, algumas das compras foram apenas mercearias e esses gastos deveriam estar incluídos na parte da alimentação, mas como não tinha isso detalhado optei por juntar esses gastos pouco definidos à lista de outras despesas. Ainda gastei um pouco com estes extras, 670AUD (458€).

Custo do visto de turista para a Austrália (para um Português)

Esta é uma das perguntas que me fazem com alguma frequência, quanto custa o visto de turista para a Austrália? A resposta é simples, é grátis! A par com outras nacionalidades, os portugueses podem viajar por 3 meses na Austrália com um visto de turista gratuito, que se deve obter antecipadamente online.

O processo é bem simples, só visitar o site do Departamento de Imigração da Austrália, e seguir as instruções. O nosso cantinho aparece na pequena lista para o visto “eVisitor”. Numa questão de minutos, creio que até menos de 5, recebemos um email com a aprovação automática. Foi bem fácil e sem pagar nada. Depois foi só tratar dos voos, claro…

Total aproximado de gastos

Então, para colocar aqui um valor aproximado do que gastei, com os voos e as viagens por terra incluídos. Em dólares australianos gastei aproximadamente 3824 AUD, o que dá cerca de 2618€. Já gastos directamente em euros, tipo pagos com o cartão, o valor foi um pouco acima disso…, cerca de 3043€. Ou seja, ao todo devo ter gasto algo pelos 5660€.

Tabela de gastos
Tabela de gastos

Para ser sincero, quando me comecei a preparar para esta viagem estava a contar gastar cerca de 10 000€, as contas que tinha feito foram apenas por alto, não fazia ideia do quanto poderia gastar mas estava preparado para uma Austrália mais cara. Talvez esta ideia com que tinha da Austrália foi o que me fez, inconscientemente, gastar menos dinheiro.

O que é que é certo, é que a rota que fiz tem a reputação de ser uma das rotas dos “mochileiros ricos“. Existe muito turismo direccionado a quem anda de mochila às costas, e não faltam actividades com rali dos bares e outros tipos de festas. Uma vez por acaso não faz mal a ninguém, mas com regularidade…, não há conta bancária que aguente.

Muitos dos mochileiros que encontrei são jovens que foram para a Austrália com um visto especial de turismo e trabalho, um acordo que o governo australiano tem com algumas nações, muito popular para irlandeses e britânicos, e que também tem acordo com Portugal! Pena ser só para quem tem até 31 anos…, senão aproveitava a oportunidade… Com este visto, muitos jovens aproveitam para viajar durante um ano inteiro, com trabalhos temporários no decorrer das suas viagens, como em hosteis, bares e turismo. Desta forma conseguem continuar a viajar, e vão sempre financiando de alguma forma as suas viagens.

Em forma de conclusão, olhando apenas para o total de gastos pode parecer muito para uma experiência de dois meses, mas é importante também interpretar os meus gastos. São baseados apenas na minha experiência pessoal e forma de viajar, provavelmente algumas das actividades que fiz não fazem o vosso estilo, tal como os sítios que escolhi para dormir e afins. Este artigo é apenas para mostrar mais uma perspectiva do quanto uma viagem de dois meses pela Austrália pode custar. Para outra pessoa, os custos totais poderão ser bem diferentes dos meus.

E com isto, só tenho mais uma coisa a dizer, foi uma viagem fantástica em que só me arrependo de não ter feito antes. Se tiverem a oportunidade, recomendo vivamente que se aventurem.

GuardarGuardar

GuardarGuardar

GuardarGuardar

Uma passagem por Noosa a caminho do paraíso

Uma passagem por Noosa a caminho do paraíso

Confusões em Noosa ainda antes de chegar

(Não) planear uma viagem tem destas coisas, acabamos por visitar locais sem sabermos bem ao que vamos e depois temos surpresas agradáveis. Noosa foi mais uma destas boas surpresas, era suposto ser local de passagem e acabou por ser um local que recomendo vivamente. E em parte, até me arrependo de não ter aproveitado por mais tempo…

Ainda antes de chegar, já tinha histórias em Noosa…, ora, quando reservei a viagem à ilha de Fraser, apenas fi-lo para passa uma noite, e em Noosa teria de ficar duas noites antes de ir para Fraser. No entanto, o hostel onde iria ficar, NOMADS Noosa, estava cheio e só tinha mesmo a noite antes da viagem para Fraser garantida. Tive então de reservar uma noite num outro hostel, também na vila…

Já isto, se não era confusão que bastasse, ainda decidi complicar um pouco mais. No decorrer da viagem apercebi-me que afinal, até podia embarcar numa aventura mais longa em Fraser (melhor coisa que fiz), e pedi para me alterarem a reserva para uma noite extra… Ora bem, então isto claro que foi complicar ainda mais as coisas, e com isto iria para Fraser uma noite antes. Como o cupão para a excursão inclui uma noite no NOMADS Noosa, então passei a ter dois hosteis reservados para a mesma noite… Quando tive a confirmação já era tarde demais, e acabei por pagar por uma noite num hostel que nem cheguei a visitar…

Chegada a Noosa

Quem pensa que a Austrália é sinónimo de sol o ano todo, está bem enganado… Já tinha sentido os efeitos do clima tropical a caminho de Brisbane, e desta vez foi bem pior. Chuva torrencial assim que cheguei à vila, mas com calor…, tive de me abrigar por debaixo de telheiros até quase ao hostel, e depois a grande molha para atravessar uma rua mais movimentada e sem nenhum sitio onde me abrigar. Uns minutos depois, e estava enxuto! Climas tropicais têm destas coisas, calor e chuva intensa…

Uma passagem por Noosa a caminho do paraíso
Uma passagem por Noosa a caminho do paraíso

As trapalhadas de Noosa não ficaram pelas confusões de que falei antes, ao tentar fazer o check-in fiquei a saber que afinal… não podia fazer check-in sem o cupão da excursão… Yep, aquele cupão que não tinha pois a minha viagem foi mudada! Depois de tentarmos contactar a pessoa que fez a marcação, e eles procurarem pela minha reserva, lá encontraram uma reserva para um tal de “Jill Fousa”… Isto de ter nomes estranhos para os anglofónicos…

Depois de tudo tratar, e deixar as coisas no quarto (de 15 pessoas!!), lá fui almoçar a um restaurante bem baratinho mesmo ao lado do NOMADS. E não fui sozinho, voltei a encontrar-me com o Ben, o canadiano que já tinha encontrado na Gold Coast e em Brisbane. Mais uma vez se confirma, a rota da costa Este da Austrália é tão popular que muitos fazem as mesmas paragens e têm ritmos de viagem bem semelhantes. Quando me disseram isto pensei ser exagero, mas não é…

Durante o resto da tarde só choveu, mas muito. Não deu para muito, mas deu para conhecer mais umas quantas pessoas do hostel e jogar snooker com um casal que também lá estava a ficar, no dia seguinte vim a saber que iam passar os próximos três dias comigo na ilha de Fraser.

Visto que tinha de me levantar bem cedo, acabei por ir para a cama cedo também. Nem me afastei muito do hostel para conhecer a vila, ficou para o regresso.

Depois de Fraser, de regresso a Noosa

Fraser foi tão fantástico e com tanto para falar, que irei escrever um artigo apenas para esses três dias. Entretanto, voltámos para Noosa e fui tentar aproveitar um pouco mais da zona. Ao chegar tive de fazer check-out e voltar a fazer check-in, pois uma noite com 15 pessoas chega e basta…, pedi para ficar num quarto com menos gente, e felizmente havia uma vaga. Pena, que não pude fazer check-in logo de seguida, tive de esperar até as camas estarem prontas. Enquanto isto, fui até à praia!

Não sou muito menino de praias, gosto de relaxar um pouco, mas se há coisa que me estressa é não ter nada para fazer. Se vou à praia, tenho de levar um livro, ou ir com amigos (e eu sou aquele que nunca se cala), ou então meto-me a fazer caminhadas ou corridas. Não dá para ficar quieto.

E dito isto…, lá voltei para o hostel, para descobrir que já tinha chegado tarde demais…, já só havia uma cama livre, em cima do beliche (coisa que detesto) e mesmo por debaixo do ar condicionado… Maravilha…. Enfim, devia ter esperado. Voltei para a praia!

Mas tal como disse antes, não consigo estar quieto, então resolvi ir dar uma volta pela zona do Parque Nacional e fazer uma caminhada até ao outro lado do cabo. E reclamar imenso, mas imenso mesmo…, de não ter levado a câmara comigo… Pelo caminho encontrei muitas caras familiares, pelos vistos mais gente teve a mesma ideia, muitos dos que estiveram comigo em Fraser foram dar a mesma volta, a cada 5-10 minutos lá me cruzava com mais outro.

Dia longo, cansado mas ainda com vontade de socializar. Depois da excelente caminhada, e recomendo vivamente uma volta pelo Parque Nacional, voltei para o hostel para jantar e depois jogar às cartas com o pessoal, e com o Ben (canadiano) que tinha voltado de uma outra excursão. Enquanto jogávamos e íamos bebendo uns copos, deu vontade de voltarmos à praia, e sim, já era de noite. Pelas 11 voltámos a fazer aquela caminhada toda até à praia, e ficámos lá um bom bocado a socializar e a beber alguns copos.

Pelas 2 da manhã lá voltámos, e foi aí que vi que o mundo é mesmo pequeno! Não um, mas dois tugas! E eles nem se conheciam! Um deles, que vive na Austrália há uns bons anos, meteu conversa com uma amiga minha mexicana, e foi ela que me disse que ele é Português! Enquanto falámos em português, eu bem surpreendido, passa outro tuga e grita “Olha, portugueses!!!”, ainda nos cumprimentou, mas depois seguiu viagem. Durante os dois meses que estive na Austrália, além do meu amigo em Sydney, não encontrei mais nenhum tuga!

Em suma, Noosa foi uma experiência muito boa, lamento imenso não ter aproveitado mais tempo naquela vila fabulosa, que só por si merecia uns 3 dias para explorar. Fica para uma outra vida!

Onde fica Noosa?

A vida no hostel em Brisbane e visita a Coot-tha

A vida no hostel em Brisbane e visita a Coot-tha

A vida no hostel em Brisbane

Para quem anda a viajar de mochila às costas, a sorte em ficar num bom hostel com as companhias certas é um factor bastante importante para a viajar se revelar ainda melhor. E isso aconteceu no meu hostel em Brisbane, tive a sorte de ter conhecido o Ben na Gold Coast, e também nas pessoas que conheci no meu dormitório. Devo-o em muito ao Ben, ele tem bem mais à vontade para meter conversa com estranhos do que eu, e foi graças a isso que passámos algumas horas a jogar One Night Werewolf.

Beber uns copos de facto ajuda a conhecer pessoas, mas jogar jogos é também uma forma excelente. Claro, acabámos a noite num pub…, mas isso seria quase inevitável quando se está num hostel cheio de jovens mochileiros. Do quarto, fomos para o pub que fica mesmo por debaixo do Hostel X Base Embassy, onde estávamos a ficar. Claro, jogos voltaram a entrar na equação, mas desta vez…, drinking games… Deu para rir imenso, para conhecer ainda mais pessoas e ficar ligeiramente bêbado, mas acho que faz parte da experiência. Ainda assim, no dia seguinte acordei cedo e cheio de energia para conhecer Brisbane!

A cadeia de hostels NOMADS / X Base é talvez uma das maiores, senão a maior cadeia de hostels da Austrália e Nova Zelândia, é extremamente fácil marcar o próximo ponto de estadia através dos balcões de atendimento dos hosteis. No entanto, a NOMADS e a X Base eram duas cadeias diferentes, e dá para ver bem o estilo entre as duas. Pessoalmente, prefiro bem mais a NOMADS, as condições são bem melhores e mais modernas, até o staff achei mais simpático…, mas talvez isso fosse já um pouco de embirração para com a X Base.

Uma das grandes vantagens desta rede de hosteis é que têm balcões de turismo, onde nos ajudam a marcar viagens, excursões e afins sem termos de nos preocupar muito. Os valores também parecem ser baixos, o que torna ainda mais atractivo para mochileiros. Para quem vai procurar uma experiência de trabalho por um ano na Austrália, esta cadeia de hosteis também ajuda a procurar esses empregos temporários, ou até mesmo em quintas. Apesar de preferir a NOMADS, não consigo deixar de os recomendar.

O hostel em Brisbane onde ficámos é um dos dois da X Base na cidade, o outro fica bem mais próximo da estação central de autocarros, mas este fica bem mais central. Quase tudo fica a apenas uns passos do hostel, e tudo fica bem mais fácil, para comer, beber café ou até ir às compras. Mas para voltar para a estação de autocarros, ainda implica uma caminhada de uns 15-20 minutos, mas faz-se bem. Ou então apanha-se um autocarro, para quem gosta de andar menos…

Além de todas as outras vantagens, ficar em hosteis, é uma excelente forma para conseguimos poupar imenso dinheiro. Naqueles dias em que temos tempo, ou apenas queremos poupar dinheiro, podemos usar a cozinha e fazer os nossos próprios petiscos. E com o grupo certo de pessoas, então até fazemos almoçaradas ou jantaradas! Excelente forma para conhecer gente e conviver. No hostel em Brisbane não me juntei a ninguém, mas lá mais para a frente na viagem fui conhecendo algumas pessoas e íamos comendo em conjunto.

Lorikeet nos Jardins Botânicos de Brisbane
Lorikeet nos Jardins Botânicos de Brisbane

Ver Brisbane de cima, do Monte Coot-tha

Que melhor forma de ver uma cidade, senão de cima? Brisbane tem duas rotas de autocarros hop on, hop off, uma delas pelo centro e outra que vai até ao Monte Coot-tha, de onde dá para ver uma vista linda da cidade toda. É uma vista lindíssima, e vale bem a pena perder o tempo para lá chegar acima. As rotas hope on hop off cruzam-se em alguns pontos, e é fácil mudar de um autocarro para o outro, só muda um pouco a frequência. Os pontos de interesse desta rota são bem menores, na verdade, além dos que se podem visitar pela rota da cidade, só tem mais dois.

Jardins Botânicos de Brisbane

O primeiro ponto foi os Jardins Botânicos de Brisbane, não confundir com o Jardim Botânico da Cidade, são jardins diferentes! Os jardins que ficam fora da cidade são bem maiores, e mais diversificados do que o do centro da cidade, se tiverem a oportunidade não a deixem escapar, vale bem a pena! Até têm um jardim de bonsais, bastante impressionante! Acho que apenas ali estive cerca de uma hora, até apanhar o autocarro seguinte, senti que corri um pouco, mas também deu para aprender bastante sobre a botânica da Austrália, nomeadamente sobre os fetos da Austrália. E mais uma vez, mesmo muitas aranhas…, algumas teias pareciam redes sobre a minha cabeça… Deu para ajudar a ultrapassar a fobia, em certas partes ou passava por baixo, ou tinha de voltar atrás…

Monte Coot-tha

Uma hora passada, e regresso à paragem de autocarros. Ainda tive de esperar um pouco, mas faz parte da experiência… Dali, o proximo ponto foi o topo do Monte Coo-tha. Coot-tha, no idioma aborígene local, quer dizer Local do mel, onde as tribos da zona iam buscar mel de um tipo especial de abelhas, abelhas sem ferrão. Quando se deu a colonização, o nome do monte ficou como Colina de Uma Árvore (One Tree Hill) devido ao facto de terem desbastado as árvores todas do topo, à excepção de um eucalipto. Em 1880 foi declarado como Reserva Pública, e devolveram o nome original ao local.

Como tenho vindo a dizer ao longo do artigo, a vista dali é simplesmente fenomenal! Mas também não há muito para fazer lá…, um café e a vista. As opções para voltar ou são a pé, ainda uma caminhada considerável que em parte me arrependo de não ter feito, ou então voltar no mesmo autocarro. O motorista faz uma pausa de cerca de meia-hora, dá perfeitamente para ir ao WC, tirar fotos e ainda beber um cafézinho antes de voltar para a cidade.

De volta ao hostel

A vida no hostel em Brisbane e visita a Coot-tha
A vida no hostel em Brisbane e visita a Coot-tha

Assim que voltei ao hostel em Brisbane, recebi logo boas noticas! A minha estadia na ilha Fraser foi prolongada! Mas com isto…, fiquei também com dois hosteis reservados para a mesma noite em Noosa…, já não dava para cancelar sem receber o dinheiro, então optei por nem cancelar… Se calhar devia tê-lo feito… Mas pronto, mais uma noite numa ilha fantástica, valeu bem a pena esse dinheiro desperdiçado!

Voltei a sair para mais uns copos, no pub mesmo por baixo do hostel, com o Coreano e mais uma grande bebedeira…, mas esta última noite foi bem menos animada, apenas éramos 4 no bar, não deu para jogos mas deu para muita conversa. Por norma não gosto de sair com o objectivo de beber, mas quando a noite é passada em boa companhia, uma ressaca no dia seguinte é apenas um mal menor.

Viajar sozinho é isto mesmo, sermos colocados em situações que de outra forma muito provavelmente não iríamos viver, e conhecer pessoas que só por mesmo muita casualidade poderíamos alguma vez vir a conhecer. Se voltei a falar com eles? Com alguns não, mas sei que se lhes enviar uma mensagem hoje a dizer que dentro de uns meses vou ao país deles, irei ter alguém para me receber de braços abertos. Alguém com quem apenas partilhei algumas horas e cervejas.

Brisbane, uma surpresa bem agradável no estado solarengo

Brisbane

Brisbane é a capital do estado de Queensland, e como seria de esperar, a cidade mais populosa do estado. Mas também é a terceira cidade com mais população do país inteiro, a seguir a Sydney e Melbourne (onde estive antes). A viagem até Brisbane foi a mais curta que tive na Austrália, apenas cerca de uma hora desde a Gold Coast, e tive a sorte de ir com a companhia do canadiano que conheci no hostel. Já me tinham dito que viagens completamente sozinho na costa Este da Austrália seria quase impossível, começa-se sozinho mas acaba-se num grupo, esta foi a primeira etapa em que comecei a sentir o movimento de backpackers a seguirem o mesmo caminho…

Um pouco da minha experiência em Brisbane

Devo confessar que as minhas expectativas em relação a Brisbane eram próximas de zero, a minha paragem lá foi apenas porque já tinha coisas reservadas para o próximo ponto e não queria ficar demasiados dias numa localidade à espera da aventura. E porque não Brisbane? Sempre que dizia a alguém que iria ficar 3 dias em Brisbane, os comentários eram sempre do mesmo tipo, não vale a pena. Chegou a um ponto, que cheguei a equacionar mudar os meus planos e nem sequer parar lá, mas a única coisa que me fez continuar com o plano original foi mesmo um cupão que já tinha comprado para ver o Zoo da Austrália.

Dragão de Água
Dragão de Água

Ir a Brisbane apenas para ver um Zoo???

Pois, parece que não é das melhores ideias, mas é um Zoo algo especial, fundado pelo famoso Steve Irwin, o caçador de crocodilos. Infelizmente, os meus planos voltaram a ser cancelados mas desta vez por falta de pessoas para fazerem a excursão… Sim, poderia ter ido sozinho, mas decidi ficar por Brisbane. Esta desmarcação foi mais um stress, mas acabou por correr pelo melhor.

Mas como? Se Brisbane não vale a pena?

Mas vale! Adorei a cidade, e fui embora bem contente por ter ficado três dias! A cidade faz lembrar em muito Sydney, talvez apenas pela ponte e pelo estilo arquitectónico, mas lembrou-me imenso Sydney.

No primeiro dia apenas dei umas voltas com o Ben para conhecer parte da cidade, e um pouco da noite, mas foi no segundo dia que me meti a explorar a cidade. Logo de manhã fui até ao centro e até ao Jardim Botânico da cidade, onde vi imensos dragões de água, um tipo de iguana. Animais bem relaxados, certamente bem habituados a pessoas pois deixaram-me tirar fotos de bem perto. Adoro estar no meio da Natureza, e acho que passei a manhã toda num jardim tão pequeno, mas depois continuei a passear pelo centro da cidade, até mais tarde voltar ao hostel.

No dia seguinte conheci um coreano que tinha acabado de chegar ao meu dormitório e fui com ele passear até ao Parque Roma, até esta altura já estava com muito boa impressão de Brisbane, mas aqui fiquei apaixonado! O parque é mesmo agradável, com várias áreas temáticas a simularem partes da Austrália, como a zona da floresta tropical que é mantida com mesmo muita humidade. Um detalhe em relação a Brisbane, mas mais em concreto em relação a este parque…, tem mesmo muitas aranhas! Até visitar a Austrália achava que tinha um nível ridículo de aracnofobia…, em Brisbane ainda tinha pavor a aranhas, mas esta viagem e locais como estes ajudaram imenso a conseguir controlar o meu medo irracional por aranhas.

Brisbane
Brisbane

Descobrir Brisbane de autocarro

Adoro descobrir uma cidade a pé, mas quando o tempo é limitado há que recorrer a outras opções. Acho que foi a primeira vez que me meti num autocarro turístico de hop on hop off, e o resultou foi muito positivo. Brisbane tem duas rotas de autocarro turístico, uma pelo centro e outra até ao Monte Coot-tha. Como tinha tempo, acabei por fazer as duas e fiquei com uma ideia de como é a cidade toda. Tal como disse antes, em muito me faz lembrar Sydney, mas em vez de ter a baia de um porto natural, tem um rio. E talvez com um pouco de mais tubarões…, Brisbane tem algumas praias fluviais, mas com vários avisos de perigo de tubarões…, nope, fiquei sem vontade de ir à água…

Durante o passeio, o motorista vai explicando detalhes sobre a cidade, sobre a arquitectura e a fauna e flora locais. A Austrália é um país que está a sofrer imenso as consequências de inserção de espécies não nativas, apesar de se dizer que tudo nos tenta matar na Austrália, também parece ser verdade que tudo adora a Austrália. Então é normal ver-se e ouvir-se informação de sensibilização para se proteger as espécies locais, e os esforços para conservarem a flora local passa por sugestão de planeamento de jardins. No que respeita à arquitectura local, mais fora do centro vêem-se várias casas quase suspensas em estacas, mas também no topo de colinas. A primeira coisa que pensei foi em cheias, mas no topo de colinas? Mas não demorou muito até o motorista explicar o motivo, por vezes o calor é tanto que se torna quase insuportável de estar até dentro de casa, então estas casas são elevadas para poderem ter ventilação por baixo, e com isto ajudar a manter a temperatura mais tolerável.

Conhecer Brisbane de Autocarro
Conhecer Brisbane de Autocarro

Uma das grandes vantagens destes bilhetes de 24 horas é que se pode entrar e sair do autocarro as vezes que se quiser, e assim explorar partes da cidade que ficam um pouco mais fora de caminho. Um dos pontos em que fiquei a explorar foi a zona de China Town, por onde andei um bocado para ver a ponte e ver o bairro. Depois acabei por apanhar o autocarro seguinte para o centro para a próxima rota, mas isso fica para um outro artigo.

Onde fica Brisbane?

Brisbane é a capital do Estado de Queensland, também conhecido como o Estado Solarengo (Sunshine State), e fica no sul do estado quase na fronteira com Nova Gales do Sul. Sendo a capital do estado, está bem servida por transportes, e é o ponto de chegada de mais rotas da rede de transportes Greyhound, a qual usei por quase toda a minha rota pela Austrália.


Gostou do artigo? Adicione-o ao Pinterest!

Brisbane, uma surpresa bem agradável no estado solarengo

Relaxar em Gold Coast, a cidade das festas

Gold Coast

A Gold Coast é uma das cidades mais populosas da Austrália, e a segunda do Estado de Queensland, foi também a minha primeira paragem nesse mesmo estado. A Gold Coast é conhecida pela praia gigante que tem, pelas festas e pelos canais artificiais que colocam a cidade numa faixa junto ao mar. A zona de maior intensidade populacional fica nessa faixa, enquanto que o resto, bem conectado pelos canais, é uma zona com aspecto mais suburbano.

Em quase todos os guias, o nome que aparece com mais frequência é Surfers Paradise, que é um dos bairros da cidade e o bairro com mais dinamismo. É ali que tudo se passa, festas, bares, cafés e restaurantes. Segundo os locais, a cidade não é assim tanto um paraíso entre os surfistas, muito devido à quantidade de turistas que visitam a cidade todos os anos, fica a faltar espaço para surfar com alguma tranquilidade 🙂 Mas há muito mais do que praias e surf, a Gold Coast é bem conhecida pelos seus vários parques temáticos, que infelizmente acabei por não visitar nenhum…, ainda sofro por essa estúpida decisão…

Playing games at the hostel 🙂 #LifeInParadise #SurfersParadise #GoldCoast

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

Quanto à vida nocturna, pelo simples facto de que a cidade é bem conhecida entre os backpackers, acho que é bem fácil de imaginar o quão animada a noite naquela cidade é. E para quem fica em hosteis a animação ainda é maior. Numa das noites em que lá estive organizaram uma ronda dos bares em conjunto com vários outros hosteis, uma forma de juntarem vários jovens nos mesmos locais. Por outras palavras, uma noite para a desgraça…

 A vida no hostel

Não sou muito uma pessoa de sair à noite, gosto de conviver com amigos e beber uns copos, mas não sou adepto de ficar podre de bêbado ao ponto de me esquecer da noite toda. Em viagem, ainda sou pior que isto, quero é aproveitar onde estou, e sou apologista de que para ficar bêbado posso fazê-lo em casa. Antes de chegar a Surfers Paradise já ia um pouco arrependido, a paragem inicialmente era meramente estratégica para relaxar e apanhar alguns banhos de sol, mas quando fiquei a saber do motivo principal que leva tantos jovens a visitarem a cidade, fiquei bem de pé atrás…

Relaxar em Gold Coast, a cidade das festas
Relaxar em Gold Coast, a cidade das festas

Até fiquei reticente quanto ao sitio onde ficar, tinha um passe de noites em hosteis parte de uma rede, da Nomads/BaseX, e queria usar essas noites todas (pois já estavam pagas). Sendo essa rede bem popular, estava com receio de ir parar a um hostel de festa, e não era bem isso que estava à procura…, no entanto acabei por adorar o sitio onde fiquei, o Buds in Surfers backpackers. Para quem chega, não tem o melhor dos aspectos, aliás, é mesmo um budget hostel, mas o ambiente foi dos melhores que encontrei na Austrália!

Os quartos bem velhos, sem sequer um corredor interior. Abre-se a porta, e estamos na rua…, para ir ao banho, é pela rua. A cozinha minúscula, e para comer tem de ser na rua, mas se estiver de chuva também temos um telheiro. A zona do bar fica na recepção, mas tem de fechar às 10 da noite porque não têm licença como bar, e com a recepção fechada, temos de entrar por uma porta lateral. Se estiver de chuva, mais vale ir ao WC do primeiro andar, que o mais certo é o de baixo estar tudo chafurdado de água pelo chão. Sim, parece um filme de terror, mas adorei o ambiente e o grupo que encontrei naquele hostel. Por vezes, temos as melhores experiências nos locais mais improváveis.

Uma das grandes vantagens de ficar num hostel tão pequeno é quase a obrigatoriedade de conhecer os restantes visitantes, senti alguma diferença etária, mas ali foi bem mais fácil de me integrar. Jogámos imenso às cartas, e fui apresentado a um jogo que nem nunca tinha ouvido falar, o One Night Ultimate Werewolf, e que acabei por comprar assim que regressei à Irlanda. Acho que foi a partir da Gold Coast que comecei a reparar no padrão de nacionalidades que ia encontrando, com quase 100% de certeza de que iria encontrar um Inglês, e uma forte probabilidade de vir a conhecer algum Canadiano.

Além de jogarmos imenso ao One Night Werewolf, também participámos noutras actividades do hostel, fiquei lá 3 noites e ainda deu para jantarmos pizzas e sair na primeira noite. E um churrasco na segunda noite que foi a noite dos hosteis, e supostamente a melhor noite para sair. Mas a ressaca da noite anterior fez-me pensar duas vezes e acabei por ficar pelo hostel… Uma noite para relaxar, na cidade das festas.

Outra das características do hostel é ter uma piscina de água salgada, apercebi-me que não é assim tão estranho na Austrália, afinal com tanto calor…, é uma excelente forma de atrair mais viajantes. Assim que acordava, a primeira coisa que fazia era mergulhar naquela piscina para despertar, só depois iria ao banho. Bela vida…

Como estava de visita, evitei passar demasiado tempo no hostel, saia de manhã e voltava ao final da tarde. Talvez voltasse à hora de almoço para poupar uns trocos, mas acabaria por sair quase logo de seguida. Os finais de tarde já eram passados com o pessoal que estava lá a ficar, e como seria de esperar, deu para conhecer pessoas bem interessantes. Uma das pessoas que conheci foi um senhor Neozelandês que vive na Austrália há imensos anos de forma intermitente, ele nem sequer tem visto de residência, há uns 40 anos que tem de sair da Austrália uma ou duas vezes por ano para voltar a poder entrar como turista. Os filhos já nasceram na Austrália, então têm uma casa, mas ele insiste em continuar como um turista permanente. A história daquele senhor fascinou-me, estava de visita apenas porque estava entediado e queria sair por uns dias para a praia, e foi sozinho e ficou num hostel essencialmente para jovens.

Como funciona o sistema de numeração de casas e propriedades nas zonas rurais da Austrália?

Uma das curiosidades que aquele senhor nos contou foi a forma como as casas são numeradas nas zonas rurais. Como as distâncias entre propriedades chegam a atingir vários quilómetros, algumas até dezenas de quilómetros, a numeração das casas é baseada nestas distâncias. O número da casa não é sequencial, mas sim “dezenas de metros” desde o inicio da estrada. Por exemplo, uma casa que esteja no quilómetro 5,340 terá como número, 530 🙂

Uma das outras visitantes mais seniores do hostel foi uma senhora que apenas passou lá uma noite, mas que começou com uma grande introdução. Aparentemente, ela fala (e insulta) durante o sono…, e avisou-nos para não termos receio caso ela começasse a gritar palavrões durante a noite…, ok…, seria motivo para me preocupar? Claro que não, até ficámos todos desejosos de que algo do género acontecesse, seria certamente uma história para rir e partilhar, pena que não foi o caso 🙁

E fui conhecer um pouco da Gold Coast

A zona de Sufers Paradise nem é muito grande, e como o meu hostel até fica bem perto a praia, até nem tive de me mexer muito… A zona do centro está recheada de lojas e ruas pedonais, com a linha de elétrico a atravessar o bairro todo sempre paralela à praia. Nem sei quantas vezes passei por aquela rua, uma zona bem agradável e sempre a sentir o cheiro das férias por todos os cantos, ainda que o tempo estivesse um pouco para o acinzentado… Claro que também fui à praia, apanhar alguns banhos de sol nos intervalos dos chuviscos…, e apesar de ainda estar com receio parvo de me deparar com tubarões, também fui nadar. Mas verdade seja dita, o maior problema no mar são mesmo as medusas venenosas que podem causar danos bem graves num ser humano, e até morte.

Ir a Surfers Paradise, claro que teria de ir surfar e riscar mais uma linha da minha lista de coisas a fazer, paguei por uma aula de 2 horas com garantia de surfar de pé. Como já tinha surfado antes na Irlanda, ainda pensei que fosse aprender mais alguma coisa, mas as instruções eram mesmo para quem nada sabia. Foi divertido na mesma, mais que não fosse pelo coreano que foi comigo e que mal falava inglês, mas quase nada mesmo, mas o gajo era bom a surfar! Éramos apenas nós os dois mais o instrutor, foi quase como uma aula privada numa praia mais afastada da zona urbana. Levei a GoPro comigo, e fiz alguns vídeos, um dia destes edito e faço uma montagem para partilhar aqui no blog.

Depois da aula de surf lá voltei ao hostel, última tarde na cidade e ainda com tanto para ver e fazer…, sem me decidir muito bem sobre o que fazer a seguir, optei por ir até a um canal nas traseiras do hostel para ver o pôr-do-sol, uns bons momentos apenas comigo mesmo a aproveitar aquele momento mágico. Depois de uns dias bem intensos, sabe tão bem estar ali, sem fazer nada, somente a apreciar as cores do céu reflectidas nas águas dos canais da cidade. Os canais também têm pequenas praias fluviais, e uma delas fica mesmo no ponto onde fui ver o pôr-do-sol, enquanto andava pela areia reparei nuns caranguejos que ali estavam, caranguejos eremitas, foi a primeira vez que vi uns na Natureza, perdi imenso tempo só a olhar para os bicharocos a serem arrastados pela ondulação suave do canal.

Life in Paradise 🙂 #SurfersParadise #GoldCoast #Queensland #Australia #GilAroundOz

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

E os dias em Surfers Paradise estavam terminados, de volta ao hostel para arrumar as coisas e preparar-me para mais uma viagem…

Onde fica Surfers Paradise e como lá chegar?

Surfers Paradise é um bairro na cidade Gold Coast, que fica em Queensland, mesmo na fronteira com Nova Gales do Sul, a cerca de uma hora de autocarro a sul de Brisbane. Além dos autocarros, também têm um aeroporto e são também servidos por linha férrea.

Para quem chega vindo do sul, como eu, convém ter em atenção que dependendo da altura do ano o fuso horário é uma hora a menos. O estado de Queensland não tem diferença entre horário de verão e inverno, ao contrário do estado de Nova Gales do Sul, portanto esta mudança de hora depende mesmo da altura do ano em que se cruza a fronteira. No meu caso, como fui lá no verão, apanhei com essa mudança horária. Apenas convém ter isso em conta quando se fazem marcações, pois uma hora pode fazer uma grande diferença…

I guess it also rains in #australia? #GilAroundOz

Um vídeo publicado por Gil Sousa (@gfpsousa) a

A minha viagem de Byron Bay à Gold Coast foi bem molhada, chuvas tropicais durante quase o tempo todo…, acho que tive imensa sorte, pois durante a minha estadia na cidade apenas apanhei alguns chuviscos 🙂 Apesar da fama da Austrália ser um país quente, convém não esquecer que metade do país está entre os trópicos e eles têm algumas florestas tropicais, ou seja, muita chuva 🙂

Sugestões de onde ficar na Gold Coast



Booking.com

GuardarGuardar

GuardarGuardar

Passeio a Nimbin e lagos “secretos”

Uma viagem torna-se imensamente mais interessante quando os planos mudam…, pois, aposto que nem todos concordam com isto…, e sinceramente, quando isto me acontece também não acho muita piada, mas depois acabo por adorar. É uma ansiedade parva, planos que mudam?? Como assim? Então e aquilo que eu queria tanto fazer? Pois… A pensar nisto, até já criei uma infografia sobre os prós e cons de organizar uma viagem, e a conclusão a que sempre cheguei quando os planos se alteram, é que há sempre qualquer outra coisa para fazer. É impossível vermos tudo, então, mais vale tentarmos aproveitar ao máximo o que conseguimos!
Passeio a Nimbin e lagos "secretos"

Whirlwind Tour

Esta viagem a Nimbin foi exactamente isso mesmo, uma excursão não planeada. Já me tinham falado de Nimbin em Sydney, e para ser sincero, não tinha mesmo curiosidade nenhuma em lá ir. A reputação é simples, uma vila “hippie” onde o turismo de drogas é bastante forte. Qual o interesse disto? Não sei, talvez para alguns, não para mim. Ainda assim, acabei por ir nesta excursão…, porquê? Porque o resto do plano era exactamente aquilo que eu procurava!

No balcão de turismo do hostel descreveram-me a excursão como uma passagem por algumas cascatas e lagos secretos. Como adoro nadar, e até estava calor (apesar do tufão), pareceu-me um excelente plano alternativo! Pelas 9:30 lá estava eu, no ponto de encontro preparado para o dia de aventura com o grupo do Whirlwind Tours!

Nadar sob uma cascata

O primeiro ponto de paragem foi numa pequena cascata, como a rota é definida como “lagos secretos” fiquei sem saber por onde andava, e a rede móvel não ajudou, senão até marcava no mapa por onde tinha andado. Ao chegarmos à zona da cascata, fomos a um pequeno miradouro para o lago, onde estava um casal a nadar…, completamente nus… Pronto, logo ali deu para perceber que a cascata não é mesmo muito conhecida 🙂 Para chegarmos ao lago tivemos de passar por um trilho, que estava bem escorregadio da chuva, mas valeu bem a pena. Assim que chegámos lá abaixo, deu para ver que a água estava demasiado turva e com mesmo muitas rochas, não faltaram pontapés na pedra… Curiosamente a água nem estava fria, soube mesmo bem! E o duche de queda de água? Que saudades…

Não faltaram fotos, e mais uma vez, fiquei com ainda mais certezas de que comprar a GoPro foi uma decisão acertada! O nosso guia também tirou imensas fotos com a câmara dele, que mais tarde nos deu para juntar ao que cada um de nós já tinha, e claro, a foto de grupo. Em que numa delas…, quase que ficava preso debaixo de água, escorreguei numa das pedras e perdi o enquanto todos estavam a pousar para a foto. Tão bom…, ou não…

Saltos no lago azul turquesa

Dali fomos para outro ponto para nos molharmos ainda mais, um lago artificial com uma água azul como nunca vi! Tanto quanto deu para perceber, aquele “lago” é o que resta de algo como uma exploração de argila (?!), mas juro que nunca vi água tão azul, de uma cor lindíssima! O objectivo daquela paragem foi mesmo saltarmos do meio da falésia, quem quis saltar subiu pela parede com a ajuda de uma corda, o que foi relativamente fácil para os primeiros três ou quatro…, mas conforme a parede ia ficando mais molhada, a argila começava a escorregar ainda mais. Chegado ao ponto de salto, só havia mesmo uma forma para descer… Saltando!

À minha frente foi uma rapariga, que hesitou imenso para saltar, de facto, lá de cima a altura parecia outra…, armado em campeão disse-lhe para ela saltar, sem pensar. Claro que ela hesitou, mas acabou por se sentar e saltou assim. Depois foi a minha vez…, olho para baixo e penso no que disse à coitada da rapariga, e claro, não podia dar parte fraca. Preparei-me para a foto…, e salto com a câmara na mão! Acho que caí mal, o lado direito do rabo ficou-me a doer durante um bom bocado, e a mão do lado esquerdo. Como fiz isso? Não faço ideia…

Saltos no Lago Azul
Saltos no Lago Azul

Acabei por não voltar a saltar, fiquei ali a nadar e a brincar com a câmara, mas houve quem saltasse de ainda mais acima, e aí sim, metia respeito até para quem via de baixo. Nem sequer equacionei subir lá acima… A brincadeira terminou, hora de ir para a carrinha, ao sairmos do lago reparei numa placa com avisos, riscados com grafitis, com avisos que se conseguia ler “perigo” e “saúde“…, felizmente não aconteceu nada, e até acho que valeu bem a pena 🙂

Nimbin

Lojas em Nimbin

Ainda a caminho de Nimbin tivemos de decidir o que seria para o almoço, para quando chegássemos ser só sentar e comer. Gosto deste tipo de planos! Sentar e comer, combinação perfeita! Uns minutos antes de chegarmos fomos avisados pelo nosso guia para se quiséssemos comprar algo ilícito para não consumirmos nem antes da viagem de regresso, nem dentro da carrinha. Segundo parece, ele já teve algumas surpresas desagradáveis…, ainda assim achei estranho aquele pedido. Afinal, mas Nimbin é mesmo como dizem? É…, assim que chegámos, atravessámos por um quintal improvisado onde não faltou oferta…, mas lá continuámos a andar. O nosso guia disse que toda a gente é extremamente simpática, e que não há quaisquer riscos. Pareceu-me seguro, mas no que respeita à simpatia, tivemos uma experiência um pouco mais desagradável…

Assim que comemos, fomos todos dar uma volta pela vila, de facto bem castiça, e toda a gente parece ser bem tranquila. E como turistas, claro que tirámos imensas fotos, a quase tudo… Uma das vezes em que estou a tirar uma foto, alguém se mete no caminho e se senta num banco, como eu já ali estava e queria tirar mesmo uma fotografia daquela perspectiva, tirei a foto na mesma. Assim que começo a andar, começo a ouvir outra pessoa a dizer que eu era extremamente rude por estar a tirar fotos à outra senhora sem permissão. Fiquei um pouco chateado, e com vontade de responder, mas não havia necessidade para tal.

Nimbin é basicamente uma pequena vila no meio do nada, com muita fama no que respeita à venda e consumo de drogas leves, é também essa a maior atracção para alguém visitar a vila. E eles já exploram bem esse conceito, bares, restaurantes e afins com decorações nesse sentido, e várias lojas com avisos de que não vendem drogas. O que é certo, é que são as drogas que geram grande parte do turismo na vila. Para mim, é sim uma vila bem castiça, mas não acho que valha a pena a quantidade de quilómetros para lá chegar, a não ser que seja com uma excursão passando por outros pontos de interesse, como os lagos e cascatas.

Regresso a Byron Bay

Hora de voltar a casa, mas com uma paragem inesperada, pelo menos para mim. Logo à saída de Nimbin está uma fábrica de velas, e fomos ver como é que eles as fazem, vários tipos de velas e formas diferentes de as fazerem. E claro, muitas velas à venda, para todos os gostos, signos e preferencias olfativas. Por acaso até achei aquela fábrica bastante interessante, um misto de artesanal e industrial, uma fábrica familiar. Uma das coisas que achei mais caricato e interessante ao mesmo tempo, é a forma como eles fazem para alisar o fundo das velas – com um ferro de passar a ferro! Simples, e eficaz! E segundo o que nos disseram, o ferro até dura bastante tempo, não se estraga com a cera. Achei a ideia simplesmente genial, e claro, esse pequeno detalhe é o suficiente para mostrar o lado artesanal daquele negócio 🙂

Fábrica de Velas
Fábrica de Velas

Ainda era de dia quando chegámos a Byron Bay, então fui dar um salto à praia, mas apanhei um chuveirada e lá tive de voltar para o hostel, e a caminho fui comprar alguma coisa para fazer para o jantar. Quando estou a pagar, reparo no empregado a olhar para a câmara…, alguém a roubar dentro da loja, a meter coisas nos bolsos e na mala! Ah! Apanhada pelas câmaras! Não fiquei para ver o que aconteceu depois, não me apetecia ser envolvido no assunto, e voltei para o hostel.

Comida, umas cervejinhas e depois cama, que no dia seguinte tinha de me meter à estrada novamente! Até que…, alarme às 4 da manhã… Tudo para a rua, e enquanto esperávamos pelos bombeiros, começa a cair uma chuva miúda… Era falso alarme, os empregados do hostel avisaram logo, mas os bombeiros tinham de cumprir com o protocolo. Ficou tudo excitado, e depois para adormecer demorou ainda um bocado, com um barulho nos corredores. Mas depois de um dia fantástico, acho que um alarme não me chateou assim tanto 🙂

“Bushwalk” nas Montanhas Azuis

Bushwalk nas Montanhas Azuis

Antes de ir para a Austrália, fiz uma lista de coisas que achava que me iriam dar jeito na Austrália, uma delas era ter uma câmara para fotografia subaquática. Visitar a Austrália e não ir à Grande Barreira de Coral é quase crime! Pesquisei imenso, vi câmaras para alugar, até cheguei a pedir a amigos, mas depois acabei por investir numa GoPro. Na altura achei que seria um desperdício de dinheiro, mas seria algo meu a responsabilidade de perder ou ser roubada seria menos intensa…, sim, seria exactamente a mesma coisa se a câmara fosse de outra pessoa, simplesmente comprava uma nova e o valor monetário perdido seria exactamente o mesmo. Mas ainda assim, preferi levar algo meu a pedir emprestado. Manias.

Até chegar a Sydney, nem sequer equacionei usar a câmara, tinha a minha DSLR e achava que não precisava de mais, mas entretanto surgiu a oportunidade de fazer uma caminhada pelas Montanhas Azuis, e porque não testar a câmara? Em alguns momentos do vídeo abaixo até dá para ver que estou a carregar duas câmaras, a ideia era mesmo testar a GoPro e também poder tirar algumas fotografias com a câmara que já estava habituado a usar.

Este é o primeiro vídeo que fiz, é um pouco ao estilo de trailer, mas faz parte dos meus planos fazer mais vídeos em breve 🙂

Mais afinal, o que é Bushwalking?

Bem, esta foi uma das perguntas que fiz ao meu amigo local, e a resposta foi… “It’s walking…, on the bush“, esclarecedor, não? Como aquilo tudo mais me lembrou uma caminhada pela montanha, ou hiking, decidi tentar perceber qual a diferença entre hiking e bushwalking, e aparentemente não existe nenhuma. É apenas uma diferente expressão. No entanto, na Austrália, hiking é considerado algo mais “intenso“, ainda assim, facilmente confundível com bushwalking. Para mim? Não existe diferença nenhuma! Diverti-me imenso, o nome que lhe dão não me interessa para muito 🙂

Este foi o primeiro vídeo, espero em breve publicar mais outro com outra parte da Austrália, talvez uma aventura maior? 😉

Onde fica Wentworth Falls?


Gostou do artigo? Adicione-o ao Pinterest!

Viagem para Byron Bay e primeiras impressões

Viajar por terra é uma experiência fantástica, é a melhor forma de termos real noção da distância entre locais e de como os acessos tornam essas distâncias maiores ou mais curtas. Por vezes decidir ir por terra não é das melhores ideias, mas acabamos por fazê-lo na mesma por ser a forma mais económica. Foi o que fiz de Sydney para Byron Bay, uma viagem de 12 horas e 25 minutos durante a noite…

De facto, foi a forma mais fácil de chegar a Byron Bay. Talvez comboio fosse mais rápido e cómodo, mas também é mais caro. Avião? Não há voos directos de Sydney, portanto acabaria de ter de andar a trocar de transportes para chegar à vila. Autocarro? Visto que tinha o bilhete de multi-paragem de Melbourne a Cairns, seria mesmo a melhor decisão, e foi o que fiz.

Mas a viagem não foi simples, autocarro cheio, viagem durante a noite que custa imenso a dormir, e chegar cerca de duas horas antes de poder fazer check-in no hostel…, poupei uns trocos com uma noite de viagem, visto que não tive de pagar pela estadia nessa noite, mas cheguei mesmo cansado ao destino. A partir daí seria sempre para evitar viagens nocturnas, e afinal de contas, queria ver o país, e não passar por ele estando a dormir.

And here’s a photo from #ThePass #Byron #ByronBay #Australia #GilAroundOz

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

Também tive alguma sorte nessa viagem, não dá para reclamar de tudo. Talvez devido ao meu aspecto, barba por fazer com algum mau aspecto, acabei por ter dois lugares para mim durante a viagem toda, com o resto do autocarro completamente cheio! Vantagens de parecer um naufrago! Adoro mesmo a minha barba, já quase que serve de amuleto da sorte 😀

Chegar cansado, atordoado, numa cidade completamente nova para mim e bem confuso da viagem…, preparar-me para fazer check-in e assim que entrego o passaporte, falam comigo em Português! Uma brasileira no balcão de atendimento! Bem confuso para mim, e para ela, ambos já bastante desabituados a falarmos a nossa língua materna, acabou por ser um episódio algo engraçado para ambos. Ela ajudou-me imenso, e deu-me excelentes recomendações para conhecer a zona de Byron Bay, sendo que a primeira coisa que fiz foi mesmo seguir as dicas que ela me deu!

Encostei a minha bagagem num canto na sala das bagagens, e meti-me rumo à praia para uma caminhada pelo cabo até ao farol, o ponto mais a este do continente Australiano, e também o ponto mais a este onde já estive! Animais por todo o lado, e um dos primeiros lagartos que vi na Austrália, que me pareceu uma iguana. Quando cheguei ao farol o tempo começou a ficar pior, alguma chuva miúda, e como estava a meio do trajecto, simplesmente continuei a andar. Senti-me mega corajoso, andar sozinho pelo meio do bosque com tantos animais que me podem matar 😛 Nope, nada aconteceu…, nem uma cobra pelo caminho 🙁 Durante a parte junto ao mar supostamente é possível ver golfinhos, mas talvez devido ao mau tempo não deu para ver nada, talvez as condições de visibilidade da água também tenham sido bem afectadas, mas valeu bem a pena pela caminhada de qualquer das formas.

And here’s a photo from #ThePass #Byron #ByronBay #Australia #GilAroundOz

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

Depois de voltar tive de tratar das minhas alterações de planos, inicialmente tinha marcado um passeio de kayak no mar, que devido ao mau tempo passou para o rio…, e que aparentemente, o mau tempo também afecta os rios… O problema foi uma tempestade nas Filipinas, e apesar de ser bem longe, afectou imenso a costa da Austrália e acabei por ter de improvisar. Deve ser algum síndrome de ter de ver tudo, Byron Bay já tem imenso para ver, mas ainda tive de inventar mais para me sentir satisfeito. Sentei-me no balcão de turismo do hostel, e comecei a pedir opiniões e sugestões do que fazer, acabei por marcar um dia a Nimbin, com passagem por alguns locais secretos para nadar. A ideia pareceu-me boa, e acabei por largar a nota.

Dei mais umas voltas pela zona da praia, mas estava de chuva portanto vontade de estar na rua não era das melhores. Já no hostel, arrependo-me um pouco de ter ido para aquele, senti-me completamente deslocado e sinceramente tive algum receio das semanas que se iriam suceder…, apesar de (teoricamente) a diferença etária não seja muito grande, a definição de divertimento é bem diferente da minha. Falei um pouco com as minhas colegas de quarto, mas tudo pequenos grupos onde senti que foi complicado de me integrar.

And here’s a photo from #ThePass #Byron #ByronBay #Australia #GilAroundOz

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

Falando em colegas de quarto…, já tinha notado em Sydney e voltei a ter a mesma sensação…, acho que pelo meu nome pensaram que eu era uma rapariga…, mais uma vez, um quarto quase só de raparigas, já começava a ser coincidência a mais…

Dia muito cansativo, depois de ter dormido todo torto dentro de um autocarro e de um passeio, voltei a tentar juntar-me à camada jovem, mas nem me esforcei muito, estava bem mais interessado nos planos para o dia seguinte, e acabei por voltar novamente para o quarto. Quanto à vida nocturna, como não é algo que me puxe muito, nem sequer tentei ir conhecer nenhum dos bares, prefiro bem mais passear pela cidade e ver algo que não tenha por perto de casa, um bom descanso para aproveitar bem o dia seguinte.

Onde fica Byron Bay?


Gostou do artigo? Adicione-o ao Pinterest!

Viagem para Byron Bay e primeiras impressões

Visita ao Parque Featherdale no meu último dia em Sydney

Último dia em Sydney

Sydney é sem sombra de dúvidas uma cidade fantástica, com imenso para visitar, muitos espaços verdes para relaxar e com imensos cantos escondidos para descobrir. Fiquei completamente apaixonado pela cidade, e eu que nem sou muito de cidades. Com praia ali tão perto então, e com montanhas não muito longe, então ainda melhor. Sydney tem mesmo tudo, só que fica demasiado longe da Europa…, senão até equacionava mudar-me para lá um dia…

Uma semana não chega para aproveitar a cidade devidamente, mas dá para sentir bem a aura da cidade. Com tanto para ver, há que fazer escolhas, e para o meu último dia decidi visitar um santuário de animais não muito longe de Sydney, aliás, até bem perto das Montanhas Azuis. Uma hora e pouco de comboio desde o centro de Sydney, mais uma curta viagem de autocarro, e lá estava eu no Parque de Vida Selvagem Featherdale (Featherdale Wildlife Park).

Acabei por passar grande parte do dia por lá, o parque é pequeno mas está organizado de forma a que haja sempre uma actividade para manter os visitantes por lá. Vi alimentarem as raposas voadoras e os dingos, e passei imenso tempo a saltar de um lado para o outro. Vi também cangurus dentro do saco marsupial, simplesmente genial!

OMG! It’s a drop bear!! #FeatherdaleWildlifePark #Sydney

Uma publicação partilhada por Gil Sousa – Travel blogger (@gfpsousa) a

Uma das grandes atracções é o podermos dar festas em koalas, e sim, apenas tocar no animal e não o pegar. Porquê? Apenas em dois estados na Austrália é possível pegar num koala legalmente, Queensland e Austrália Meridional. Sydney fica no estado de Nova Gales do Sul, e aí apenas lhes podemos tocar. Sinceramente, não é algo que faça questão de fazer, é um animal selvagem e certamente que ter uma fila de pessoas para lhes pegarem, só os vai estressar ainda mais. É daquelas coisas que dispenso fazer enquanto turista. No entanto, nem todos os turistas têm esta mesma sensibilidade, alguns então, até ignoram os avisos em forma de desenho. Até compreendo que não percebam o idioma, mas desenhos são bem claros seja qual o idioma for… Enquanto estava na fila para tocar no koala, um grupo de indianos estava constantemente a fazer barulho aos berros, nada agradável nem mesmo para os outros humanos na fila, e a tirarem fotografias com flash aos pobres animais, que são nocturnos. A coitada da tratadora repetia a cada minuto que os animais são hipe-rsensíveis à luz e que não devemos tirar fotos com flash, uma das senhoras (com inglês bastante bom) respondeu que nem sequer tinha flash na câmara…, a câmara tinha o flash para cima… Fiquei mesmo com a sensação que era um grupo de crianças grandes, falta de respeito para com a vida animal que eles tanto queriam ver. Noutras partes do parque, vi esse mesmo grupo a bater em vidros para tentar fazer os animais reagirem para eles poderem tirar as suas fotos. Sinceramente não consigo mesmo compreender…

Batman or flying foxes? #featherdale #Sydney #Wildlife #Australia

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

Quase no final do dia, foi a altura de ver os dingos a serem alimentados. O que são dingos? Cães selvagens? Em parte sim, com algumas diferenças bem significativas como a procriação (1 vez por ano, ao contrário dos cães que procriam 2 vezes), os dingos pouco ou nada ladram, e quando o fazem é apenas num tom, e são bem mais flexíveis a nível de pernas do que os cães normais. São quase que uma espécie híbrida entre cão e lobo. Quando os vi a interagirem com os tratadores, pareciam cães absolutamente normais, mas foi aí que nos explicaram as diferenças mais significativas e o quão inteligentes estes animais são. No estado de Nova Gales do Sul têm estatuto de animal de estimação, no entanto na realidade eles não o são, e terão sempre aquele instinto selvagem de liberdade. O motivo de serem considerados como animais de estimação é para tentar travar o risco de extinção, que muitos fazendeiros os consideram como um risco para o gado.

Como o parque é pequeno, mas as actividades estão distribuídas ao longo do dia, acabei por visitar algumas zonas mais do que uma vez, e até me diverti um pouco a apreciar o comportamento das outras pessoas. Afinal de contas, somos todos animais, não? 😛 Estava lá um casal que dava alguma raiva, aos olhos dele, ela fazia tudo mal! Durante os poucos minutos que os observei, ele esteve constantemente a criticar tudo o que ela fazia, desde vestir o casaco a tirar fotos. Parecia um casal bem feliz de facto…

Dingo em Featherdale
Dingo em Featherdale

Ainda antes de anoitecer, voltei para Sydney, e cheguei com bastante tempo para ainda mais turismo! Mas antes, tive de ir às compras para ter comida para a viagem até à Baía de Byron, depois disso tudo pronto, lá fui até à Torre de Sydney Eye ver a cidade lá de cima. Sinceramente? Foi giro…, mas nada do outro mundo. Ainda bem que deixei para o fim, pois tudo o que vi antes foi bem bom, ver a cidade de cima e identificar por onde andei foi bem engraçado, mas não acho que a vista do Sydney Eye seja a melhor da cidade. Talvez valha a pena pagar por um passeio de helicóptero pela cidade.

Isto tudo feito, e bem cansado de um dia bem longo, chegou a altura de voltar para o hostel e preparar o que faltava para a viagem que seria dentro de horas…, mais outra paragem.


Gostou do artigo? Adicione-o ao Pinterest!

Visita ao Parque Featherdale no meu último dia em Sydney

Free Tour em Sydney e passeio a Manly

Dia em Sydney e passeio a Manly

Passeio turístico grátis por Sydney

Quando começam a faltar as ideias, o mais simples é seguir a manada de turistas. Então, a primeira coisa que fiz foi juntar-me a mais uma das excursões grátis pela cidade e acabei por me juntar ao mesmo grupo que já me tinha mostrado um pouco da zona The Rocks. Por coincidência, também calhei com o mesmo guia, ele tem sentido de humor mas ligeiramente forçado, e deu para perceber que algumas das piadas são simplesmente decoradas… Acho que teria bastante mais piada se fossem mais espontâneas, mas pronto, ele fez e bem o trabalho dele como guia 🙂

Muito aprendi sobre a história de Sydney como cidade e o que era antes dos primeiros colonos terem chegado, numa das ruas (fotografia abaixo) existem imensas gaiolas sem pássaros, mas com altifalantes com chilrear de pássaros? Porquê isto? Os sons são dos pássaros que antes viviam naquela zona, antes de tudo ter sido convertido numa floresta de betão.

Rua dos Pássaros
Rua dos Pássaros

A parte mais interessante destas visitas guiadas é ficarmos a conhecer detalhes sobre a cidade que os livros pouco explicam. Como por exemplo, o porquê das alcunhas de alguns edifícios como a Ponte do Porto de Sydney, que também é conhecida como cabide de casaco. Porquê? Porque várias pessoas ficaram sem casa por onde a via rápida que dá acesso à ponte passa, e nem ficaram com indemnizações. Claro está, descontentamento dá origem a piadas…

Outro edifício com alcunha é o complexo de apartamentos junto à Casa da Opera, que por ter tapado a vista que os habitantes da zona The Rocks tinham para o Jardim Botânico, começaram a apelidar o edifício de “a tostadeira”… A parte engraçada, é que depois de ouvirmos estas histórias, conseguimos mesmo visualizar esses objectos na sua nova forma.

Hospital de Sydney
Hospital de Sydney

Também se aprende imenso sobre aquilo que gostamos de ver, e até tirar as selfies. A Casa da Opera é bem linda, mas será só uma peça de arquitectura encomendada? Terá história por detrás? Acho que poucos se perguntam sobre isto, afinal é um edifício relativamente novo e moderno, que história poderá ter por detrás? Bem, tem alguma e um pouco triste até, a mesquinhês pelo dinheiro por norma resulta em más decisões, e no caso da Casa da Opera, foi uma série de más decisões. O arquitecto acabou por se afastar da obra, que foi alterada sem o seu consentimento, e no final ficou mais de 1000% mais cara do que era suposto. O nome dele foi quase como que apagado da história do edifício, na inauguração o nome dele nem sequer foi mencionado. Uns anos mais tarde houve uma tentativa de reconciliação com o arquitecto, que fez algumas alterações à obra já concluída. Segundo o guia, o arquitecto nunca chegou a ver a sua obra.

Dalí seguimos para a zona The Rocks, onde tivemos mais uma visita relâmpago do que eu já conhecia da visita anterior, e onde a opinião de que os irlandeses são a fonte de todos os males na Austrália, desde a sua fundação, foi bem realçada pelo guia… E pelos vistos, por pouco que a Austrália não era francesa, pois uma invasão chegou a estar planeada, só que chegaram tarde demais. Acho que fiquei fã destas “free tours“, damos o que queremos no final, e não corremos o risco de pagarmos imenso para termos um passeio mal organizado por alguém. Fiquei contente com o passeio, e sem grandes riscos.

Atravessar o Porto de Sydney até Manly

Depois disso, dei um salto até ao hostel e lá rumei em direcção a Manly atravessando o Porto de Sydney todo desde Darling Harbour, passando por Circular Quay. O Porto de Sydney é mesmo gigante, nem dá para perceber bem a dimensão do porto sem o atravessar de barco ou pelo ar, a viagem demorou uns 45 minutos até Manly. Chegando lá, sem ter absolutamente nada preparado nem ter lido nada sobre a zona, lá fui eu direito à praia……… Que estava fechada devido a fortes correntes…… Dei uma volta pela praia, tirei umas fotos, e voltei para a cidade. Grande erro, fiquei a saber que existe muito mais para fazer em Manly além da praia, eu sabia da existência de uma caminhada mas também sabia que era demasiado longa para fazer no final do dia, mas de resto era só. Mas não, e até dá para nadar numa praia bem mais pequena numa enseada… Devia mesmo ter perguntado a alguém ou ter procurado um posto de turismo. Enfim, não se pode ver tudo…

No regresso ao centro de Sydney, quase que fiquei com os ouvidos em sangue de tanto ouvir um australiano a bater coro a duas holandesas, mas de uma forma assustadora! Passados 10 minutos já pensava em saltar do ferry, foi doloroso de ouvir. Lá eles se mudaram, não eram eles seria eu… Já junto à Casa da Opera, tivemos de esperar no meio do porto que um cruzeiro saísse da doca, aqueles monstros são mesmo grandes, e ao lado de um pequeno ferry ainda maiores parecem!

Um pouco à parte, há coincidências que nos deixam bem baralhados e a pensar (até demasiado). Há uns meses, talvez mais de um ano, fui contactado várias vezes por um recrutador irlandês para um trabalho em Dublin, mas não tinha muito interesse nisso tanto que acabei por nunca dar seguimento. Há uns meses, ainda antes de decidir ir para a Austrália, reparei no LinkedIn que ele se tinha mudado para a Sydney. Assim que cheguei a Sydney ocorreu-me mandar-lhe uma mensagem, mas depois achei que de férias nem sequer deveria pensar em trabalho, portanto desisti da ideia. Entretanto…

Assim que saí do ferry, cruzo-me com o tal recrutador irlandês! Como nunca nos conhecemos pessoalmente, nem sequer meti conversa, mas fiquei a pensar se não deveria mesmo enviar a tal mensagem para ele… Mas tendo em conta que o dia seguinte seria o meu último dia em Sydney, voltei a acabar por desistir da ideia novamente. Mas continuo a pensar que se calhar perdi uma boa oportunidade… Enfim, estava de férias!

Homem a praticar kite Surf em Manly
Homem a praticar kite Surf em Manly

Como o dia já ia longo, lá fui para o hostel e procurar algum sitio onde jantar, acabei por fazer um 2 em 1, visitar o bairro Chinês e jantar por lá, bem barato e muito boa comida! De volta ao hostel, conheci algumas pessoas e fui sair com eles para o bar mesmo junto ao hostel… Senti-me bem velho…, a quantidade de crianças lá dentro, a grande maioria talvez nem sequer com 20 anos. O que valeu foi que foi tipo uma onda, entraram e passado uma hora e tal, lá foram todos. Como estava com um grupo de pessoas até nem correu mal, acabei a noite ligeiramente quentinho e ainda cedo fugi para o quarto, que a idade já pesa!


Gostou do artigo? Adicione-o ao Pinterest!

Free Tour em Sydney e passeio a Manly

Um dia nas Blue Mountains (Montanhas Azuis)

Um dia nas Blue Mountains

O que é o jet lag?

É o tempo que demora ao nosso cérebro para se ajustar a um novo fuso horário. Normalmente é associado a voos, pois o impacto é mais obvio, mas também pode acontecer em viagens longas por terra ou mar, principalmente quando a nossa rotina não depende de horários. É normal pessoas que fazem o trans siberiano sentirem jet lag, pois chega a uma altura que almoçam às 7 da manhã e às 3 da tarde estão a jantar e nem se aperceberem.

Por outras palavras, jet lag é aquela coisa chata que nos faz andar completamente atordoados durante dias e que por vezes caímos em estado de coma assim que nos encostamos a algo para relaxar. E até nos faz tomar decisões parvas

Ida para as Montanhas Azuis

Bem, e com isto, acho que já ultrapassei o síndrome de jet lag, desta vez tive de usar despertador para não me deixar adormecer! Yay! Meti o alarme com tempo para tomar um duche e preparar as coisas para levar, seria um dia longo e convinha levar almoço preparado. Tomei a banhoca, voltei para o quarto e olho para as horas. 7:43. Pronto, ainda tenho tempo, pensei eu, e vesti-me tranquilamente, confirmei se tinha tudo dentro da mala, etc. Voltei a olhar para o telemóvel para ver as horas e, 7:43. Hummmm, ou sou super rápido, ou algo não estava bem. Nesta viagem tinha dois telemóveis, um com o número irlandês caso o banco precisasse de me contactar se notassem alguma transacção suspeita, e o número australiano que é o que usava mais. As horas no iPhone diziam 8:10! E tempo para tomar o pequeno-almoço? E preparar o almoço? Nada!

E para ajudar a este desespero, eu que nunca desespero com nada…, recebo uma mensagem no Windows phone, mas só ouvi o som, o visor continuava a mostrar o mesmo. 7:43. E como desbloquear isto?? Recorri ao iPhone, paguei por roaming, e pesquisei. Lá consegui reiniciar o telemóvel. Quando volta a ligar? Por favor espere 8XXX minutos (sei que eram 8 mil e tal) antes de desbloquear. O QUÊ???? Lá voltei a forçar o reiniciar do telemóvel, e finalmente voltou ao normal! Tive de avisar que iria chegar atrasado, fui apenas comprar umas sandes e água, e rumo ao ponto de encontro!

As três irmãs (Three Sisters) e Wentworth Falls

O primeiro ponto de paragem foi nas três irmãs, são três pilares nas montanhas. Se é bonito? Não faço ideia, mas podem ver na foto acima o que eu vi. Estava nevoeiro cerrado, e não deu para ver absolutamente nada… Mas enfim, sentir aquele ar puro na montanha é fantástico, e o cheiro a eucalipto que curiosamente faz lembrar Portugal? Dali fomos logo para a zona da queda de água, onde fizemos o bush walk, que segundo perguntei, é uma caminhada pelos arbustos..? Enfim…, aquilo para mim é um puro hike, e foi algo forte mas valeu bem a pena!

As quedas de água, cujo nome é Wentworth Falls, são um conjunto de três quedas de água que totalizam uma altura de 187 metros, com uma paisagem de tirar a respiração! Tudo é lindíssimo, e até o caminho é especial, pois foi restaurado usando técnicas tradicionais e com materiais das mesmas zonas que o caminho original. Depois de descer as escadarias todas até ao fundo das quedas de água, é possível nadar na lagoa, e claro, que foi isso mesmo que fizemos!

Quando lá chegámos, pensámos que ainda não seria o final, então continuámos a andar até nos apercebermos que já nos estávamos a afastar da cascata…, lá voltámos para trás e então sim, lá fomos nadar! Pensava que a água estaria absolutamente gélida, como é normal em cascatas e riachos, mas não, a água estava mesmo muito boa! Nadámos durante um bom bocado, almoçámos, e voltámos a nadar. Claro, que com muitas fotos 🙂

Wentworth Falls
Wentworth Falls

Depois…, bem, depois de descer…, hora de subir aquilo tudo… Não custou tanto quanto pensámos, mas também não é assim tão fácil. No entanto, ainda vimos um rapaz a correr pelas escadas acima…, enfim… Outro caso caricato que encontrámos pelo caminho, foi um rapaz de calças brancas e casaco de fato…, talvez tenham decidido fazer um desvio e irem ali, mas calças branquinhas numa trilha por uma cascata?? Não me pareceu das melhoras ideias…

Chegada ao topo, fomos ver o caminho de Charles Darwin, aparentemente ele visitou as cascatas quando ele era novo, e agora o circuito está marcado. Sinceramente, pareceu algo aborrecido, e depois de vermos o mapa, a única diferença entre o que fizemos e o caminho dele, é mesmo a parte menos interessante. Acabámos por voltar para trás, e fomos jantar um belo de um grande bife! E depois, regresso a Sydney para mais aventuras!

Foi um dia em grande, bom exercício, paisagens magnificas, e boa companhia! Diria que é quase obrigatório visitar as Montanhas Azuis se visitarem Sydney, fica a apenas cerca de 1 hora de distância. Na Austrália, 1 hora de viagem é muito perto 🙂


Gostou do artigo? Adicione-o ao Pinterest!

Um dia nas Blue Mountains (Montanhas Azuis)

O que levei na mala para a Austrália?

What did I pack for Australia?

Agora que estou de volta, está na altura de analisar como correu o meu plano no que respeita a bagagem? Terá sido demais? Ou de menos? Foram dois meses na Austrália, sempre a saltar de hostel para hostel, acampar, passar duas noites num veleiro, e muitas mais aventuras. Antes de embarcar numa viagem deste calibre, claro que tive de pensar em como preparar a mala, o que levar para não condicionar demasiado a minha mala.

Gadgets

Bem, esta lista é simplesmente gigante! Olhando para a lista abaixo, dá para ver bem quais foram as minhas prioridades nesta viagem… De tudo o que está nesta lista, usei absolutamente tudo! Houve uma coisa que usei menos, e que em parte me arrependo de ter levado, que é o suporte para o peito da GoPro. Só o usei uma vez, e não achei muito prático, curiosamente o selfie stick foi o que usei mais (apesar de ser um apologista de que é um acessório algo parvo, quando usado exclusivamente para selfies…).

No que respeita aos cartões de memória, acabei por usar todos, e o disco externo tinha como propósito de ser uma cópia de segurança extra às fotos. Felizmente não fui roubado, mas foi sempre uma tranquilidade ter três cópias de tudo, no mac, no disco externo e nos cartões de memória. (Irei escrever um artigo sobre isto mais tarde).

Já sobre os telemóveis, aposto que acharam estranho ter dois telemóveis na lista. Porquê dois? Como fui numa viagem longa, levei três cartões de crédito/débito comigo de duas contas bancárias diferentes, e estava com algum receio de ter algum dos cartões clonados, daí ter mantido um dos telemóveis com o meu número activo (irlandês) e outro com o novo número australiano, que usava para chamadas locais.

Quanto ao Pebble…, acabou por deixar de funcionar…, mas isso é outra história…

Roupas e higiene (e extras)

Disto tudo, só houve duas coisas que nunca usei, a camisola de lã, que levei com o objectivo de vestir caso saísse à noite, mas os bares lá são bem mais relaxados e apenas exigem “não estar em tronco nu, e nada de havaianas ou descalço“, portanto nunca precisei de usar essa camisola. E o cachecol, levei-o pois no final da viagem apanhei o inicio do Outono em Melbourne e poderia ficar frio, mas não chegou às temperaturas que esperava (e ainda bem).

A mala que levei para a Austrália
A mala que levei para a Austrália

Quanto à fronha de almofada, o uso foi bem diferente do que podem pensar. Em viagens anteriores usei sacos de plástico para a roupa suja, o problema disto é que a roupa fica a cheirar muito mal e quando misturado com roupa húmida, ainda pior! O motivo é que não há qualquer tipo de respiração dentro dos sacos de plástico. Já com a fronha de almofada, a roupa não cheira tão mal, e a roupa húmida não fica com o cheiro de podre… Além do mais, dá para lavar a fronha de almofada com o resto da roupa, ou seja, até o “saco da roupa suja” é lavado! Em dois meses de viagem, duvido que um saco de plástico fosse suficiente, e esta opção além de ser mais económica e higiénica, é também mais amiga do ambiente 🙂

Durante dois meses deu para conhecer muita gente, e claro, deu para ver muitas malas de viagem. Tenho a dizer que não encontrei ninguém com menos bagagem do que eu! Senti um enorme orgulho nisso, não andei carregado, e nunca tive de usar a mesma roupa sem estar lavada. No entanto, claro, tinha de lavar a roupa a cada 6 dias e tinha de planear as “lavagens” de acordo com as aventuras.

O que comprei ao longo da viagem

Porquê algumas destas coisas? Corta-unhas e produtos de higiene, como não fiz check-in de bagagem nenhuma na ida para a Austrália, tive de deixar algumas coisas em terra, como líquidos e o corta-unhas (que não se pode levar na bagagem de mão). Sim, a minha bagagem era tão minima que pude levar tudo comigo!

Quanto à toalha de praia, simplesmente alguém roubou (ou levou por engano) a minha toalha de viagem…, tive de comprar outra… E os óculos de sol, perdi os que tinha, e tive de comprar uns novos…

Já em relação ao cartão de memória, tive alguns problemas com a GoPro, em que o apoio técnico me disse que o motivo era de incompatibilidade do cartão. Não era. O problema foi com o cabo usado…, mas pronto, gastei dinheiro desnecessariamente se eles me soubessem ajudar devidamente…

As almofadas de viagem. Bem, foi simplesmente uma oportunidade que apanhei, encontrei aquela almofada modular e como estava em promoção aproveitei. Foi uma grande ideia, visto que a outra almofada insuflável era algo desconfortável e até dormia bem pior com ela do que sem nada…

Os sacos… O saco térmico, acho que o motivo é óbvio, andava sempre de um lado para o outro e a comer nos hosteis, portanto convinha ter algo para me conservar a comida entre cidades. O outro saco? Para andar nos veleiros não podemos levar anda com fechos de zips! Nada mas mesmo nada! O motivo é que os percevejos de cama (nunca ouvi tal nome, tive de traduzir de inglês para português…) se escondem nos zips, e em barcos é um grande problema, então simplesmente proíbem qualquer saco com fechos de zip.

Em suma, consegui organizar-me mesmo muito bem para uma viagem de longa duração levando pouca coisa, e ainda assim acabei por listar duas coisas que nunca cheguei a usar! Moral da história, dá sempre para reduzir no que se leva dentro da mala, nunca vamos precisar de tudo, nunca vamos usar tudo o que levamos.

Em viagens de curta duração, isto não é um grande problema, são apenas uns dias e se não usarmos tudo não custa muito carregar a mala. Mas em viagens de 1 mês ou mais, o peso da mala começa a tornar-se um problema, e começa a ser cada vez mais chato arrumar a mala entre cidades, e começa a ser mais fácil perder coisas, e afins. A mala de viagem é suposto ser aquela coisa onde temos o que precisamos sem ser um incómodo, após algumas semanas acreditem, vão detestar a vossa mala se a tiverem de carregar e arrumar demasiado…


Nota: Os links listados são afiliados, que poderão dar uma pequena fonte de receita para ajudar a manter o blog.

 

De Coogee a Bondi

De Coogee a Bondi

Primeiros sinais de que estamos recuperados do jet lag? Ter de usar despertador para acordar e de facto sentir que ele foi preciso… Pois, acho que já estou recuperado! Primeira vez que acordei com o despertador!

Lá me levantei, tomei a banhoca e meti-me no autocarro para Coogee novamente, já lá tinha estado portanto desta vez foi fácil dar com o sitio. Encontrar o inicio da caminhada também foi fácil, só tive de me dirigir para o extremo correcto da praia e pronto, só começar a andar em direcção a Bondi!

#Coogee Beach, doing the walk to Bondi now 🙂 #Sydney #Australia #ILoveSydney #GilAroundOz

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

A caminhada é extremamente agradável, bem bonito de ver e quase sempre junto à falésia, com passagem por algumas mini praias que dá mesmo vontade de saltar lá para dentro e ficar lá um par de horas! Coisa que não fiz…, quando levo a câmara comigo tenho sempre receio de vir a ser roubado, portanto acabo sempre por não aproveitar esses momentos…

Um dos locais por onde passei é um tanto ou quanto entre o bizarro e o bem bonito, um cemitério junto à falésia! Provavelmente o cemitério com a melhor vista do mundo! A própria passagem é junto ao cemitério, com uma estrutura de madeira pela falésia em forma de ponte pedonal.

This is probably the cemetery with the best view ever… #Sydney #Bondi #GilAroundOz

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

Cheguei a Bondi já bem perto do almoço, e a fome apertava, acho que demorei mais de 2 horas a fazer aquela caminhada, com constantes paragens para tirar fotos e apreciar a paisagem. Tentei encontrar algum sitio para comer, fora da zona de turistas, e lá encontrei um pequeno café/restaurante de wraps onde comi um bem bom acompanhado de um smoothie ainda melhor!

Um detalhe em relação ao passeio, existem vários pontos durante o percurso onde podemos encher a garrafa de água, algo que recomendo vivamente a levarem convosco, pois vai fazer muita falta 🙂

Quanto a segurança, em Bondi existem vários avisos sobre roubos, é uma praia bem turística e facilmente as pessoas se relaxam demasiado deixando bens valiosos mais expostos. Para evitar tantos assaltos, eles têm vários cacifos disponíveis para alugar, $4AUD para um dia inteiro dá bastante tranquilidade, pena que uma vez fechado só dá para abrir uma vez, ou então terão de voltar a pagar a mesma quantia… Convém confirmar se guardaram tudo lá antes de pagar 🙂

O resto da tarde foi de pura descontracção, ler, nadar e caminhar pela praia. A tarde toda! Até que me fartei, e juntei-me à massa de pessoas que se dirigiam para os autocarros de volta a Sydney, e lá fui eu de volta…

Irish tan: Unloading… #BondiBeach #Sydney #GilAroundOz

Uma foto publicada por Gil Sousa (@gfpsousa) a

Depois do duche no hostel, começo a ver no espelho os efeitos que o sol teve em mim…, e aperceber-me que o protector solar é mesmo bom! Nas zonas onde não cobri bem ficaram bem “torradas”…, tenho algumas manchas nas costas onde houve falha do protector solar. Outra zona onde tenho manchas é nos ombros… (?!?!?) Como? Simples… Meti protector solar nos braços logo no inicio da caminha, e como ia sempre junto ao mar parecia bem fresco. A certa altura decidi enrolar as mangas…… e pronto… essa zona não estava coberta 🙁 Aqui estou eu, com um bronze invertido! Há quem tenha bronze de pedreiro ou camionista, eu tenho o bronze invertido! Há que ser original!


Gostou do artigo? Adicione-o ao Pinterest!

De Coogee a Bondi