Algures pela Escócia – A Rota da Viagem

Ingredientes para uma viagem inesquecível

  • Duas pessoas que nunca passaram mais de um par de horas juntas
  • Parvoíce natural
  • Abertura para aventura
  • Planos não definidos
  • Nada reservado de antemão

Receita

Juntar as duas pessoas numa viagem de uma semana, adicionar um pouco de parvoíce natural e deixar apurar em lume brando. Lentamente adicionar as aventuras, mexendo sem parar mas sem agitar demasiado. Adicionar uma pitada de planos para dar alguma estrutura, e tirar do forno. Servir.

E pronto, esta foi a receita da nossa viagem. A partir de uma conversa, eu e a Marisa decidimos ir à Escócia, já nos conhecíamos mas nunca tínhamos passado mais do que um par de horas juntos. Será que nos iríamos dar bem na viagem? Achámos que sim, e agora posso afirmar que encontrei a pessoa ideal para viajar, bastante descontraída e sempre pronta para aventuras. A forma como planeámos a viagem foi simples, ela disse que queria ver Lock Ness, eu disse que queria ir à Isle of Skye, e o resto do plano ficou em aberto. Em cada paragem, decidíamos o que fazer no dia seguinte, tendo sempre em conta os nossos dois pontos “obrigatórios”. Claro que Edimburgo não podería ficar de fora, aliás, foi o único local onde reservámos alojamento com antecedência.

A Rota pela Escócia
A Rota pela Escócia

Os pontos assinalados a vermelho foi onde ficámos alojados ao longo da viagem, as letras não correspondem exactamente a paragens, apenas pontos marcados no mapa por onde passámos. A rota marcada está bastante fiel ao que fizemos, provavelmente com alguns pequenos desvios, mas dá perfeitamente para ter uma ideia por onde passámos.

Voámos de Cork para Edimburgo, portanto como é obvio essa foi a nossa primeira paragem, onde ficámos duas noites para aproveitarmos ao máximo a cidade. Não chega…, dá para muito pouco, e dá mesmo vontade de voltar… Com voos directos de Cork, é bem possível que venha a fazer uma escapadinha de um fim-de-semana para o ano 🙂

Já com carro, a primeira paragem foi em Crieff, onde se encontra a destilaria Glenturret, do whisky com mesmo nome, e que é a casa oficial da “Experiência da Famous Grouse”. Foi exactamente pela destilaria que parámos lá, e também onde provámos haggis pela primeira vez. Devo dizer que o aspecto não tem nada a ver com o que se encontra no google, a apresentação é bem diferente e o sabor é excelente! Melhor mesmo, é nem pesquisar 🙂

No dia seguinte fomos rumo a norte, com destino a Inverness com passagem pelo Parque Nacional Cairngorms, o maior da Escócia e com estatuto de parque nacional desde 2003. Para quem conhece bem a Irlanda como nós, este parque não nos surpreendeu muito, é gigante mas as paisagens não são tão espectaculares como imaginávamos. Mas sim, são paisagens fantásticas, apenas não muito diferentes das da Irlanda, algo que já estávamos à espera. Foi um dia inteiro a conduzir, com algumas paragens pelo caminho, sendo uma delas numa estância de ski. E não, em Setembro ainda não há neve nas montanhas 🙂

Inverness foi outra surpresa agradável, tínhamos visto fotos do castelo, sabíamos onde fica no mapa, mas ainda assim gostámos imenso da tranquilidade e do ambiente acolhedor da cidade. Não estivemos muito tempo lá, mas demos umas voltas a pé pela cidade enquanto o carro estava estacionado no hostel. Daí, seguimos em direcção ao primeiro ponto do plano original, o Lock Ness.

Vacas das Highlands
Vacas das Highlands

Antes de sairmos de Inverness olhámos às possíveis actividades a fazer no Lock Ness, e quase todas passam por uma viagem curta de barco pelo lago, algo cara. De inicio ainda pensámos em ir, mas o tempo de chuva fez-nos mudar de ideias. Parámos várias vezes junto ao lago, percorremos a estrada que acompanha o lago de Norte a Sul, e sempre com destino ao próximo ponto, que era a Isle of Skye. As lendas de facto geram grandes receitas, e o Lock Ness é provavelmente uma das lendas mais bem exploradas e conhecidas do mundo. Sinceramente, não fiquei impressionado com o lago, mas talvez o tempo de chuva não estivesse muito a favor também…

O troço da viagem a partir de Fort Augustus até à Isle of Skye foi simplesmente fantástico, foi a parte da viagem onde fizemos mais paragens para tirar fotografias e para a parvoíce. É uma zona bem bonita, com pequenos lagos e com várias montanhas. Fizemos esse mesmo percurso no regresso, com menos paragens e sem as cores do pôr-do-sol no céu, mas ainda assim, adorámos passar lá outra vez, é uma rota bem bonita 🙂

A rota pela Isle of Skye foi algo que nos surpreendeu, apesar de termos feito bastante menos quilómetros, foi a parte da viagem onde fizemos mais paragens. Mas vou dedicar um artigo completo só para essa ilha, foi a minha parte favorita da viagem! É de uma beleza de tirar o fôlego…

Já faltava pouco para o fim da nossa aventura, depois de passarmos uma segunda noite na ilha, lá fomos em direcção a Glasgow, mas com passagem pelo Lock Lomond, parte do outro Parque Nacional, e aqui sim, a surpresa foi completa. Quando se ouve falar da Escócia, os nomes que se dizem são Lock Ness, Isle of Skye e as Highlands, mas como é obvio há muito mais para ver! De estranhar não se falar tanto do Lock Lomond, não esperávamos fazer tantas paragens e muito menos decidirmos descartar o passeio por Glasgow para voltarmos ao lago no dia seguinte. É um parque mesmo bem bonito, limpo e cuidado. Valeu cada minuto da nossa viagem.

Por mim, a minha etapa sozinho, apenas de Glasgow ao hostel a meio caminho para o aeroporto, e depois regresso a Cork!

Uma viagem de uma semana, mas que parece que durou um mês! Bem intensa, muitas gargalhadas, mas mesmo muitas! Muita descontracção, e garantidamente, vamos ter que viajar juntos novamente 🙂


Gostou do artigo? Adicione-o ao Pinterest!

Algures pela Escócia - A Rota da Viagem

Gil Sousa

Português emigrado em Cork, viajante e apreciador de boa comida.

Deixar uma resposta

%d bloggers like this: